O LIVRO CREPÚSCULO COMPLETO E EXCLUSIVO!
Crepúsculo
(Twilight)
STEPHENIE MEYER
Primeiro livro da série.
PREFÁCIO
Eu nunca pensei muito sobre como eu iria morrer -achei que eu tinha motivos
suficientes nos últimos meses -mas mesmo que eu não tivesse, eu não iria imaginar
assim.
Eu encarei sem respirar através do longo aposento, dentro dos olhos escuros do caçador,
e ele olhou agradavelmente de volta pra mim.
Com certeza essa foi uma boa forma de morrer, no lugar de outra pessoa, outra pessoa
que eu amava.
Nobre, até. Que deve ser levado em conta pra alguma coisa.
Eu sabia que se eu nunca fosse para Forks, eu não estaria encarando a morte agora. Mas,
aterrorizada como eu estava, eu não podia me fazer lamentar a decisão.
1. À PRIMEIRA VISTA
Minha mãe me levou ao aeroporto com as janelas abaixadas. Estava fazendo 24°C em
Phoenix, o céu estava um azul perfeito e sem nuvens. Estava vestindo minha camiseta
preferida: sem mangas, de renda furadinha. Usava-a como um gesto de despedida.
Minha bagagem de mão era um parka.
Na Península Olímpica, no noroeste do estado de Washington, nos Estados Unidos,
existe uma cidadezinha chamada Forks que está quase que constantemente coberta por
nuvens. Nessa cidade desimportante chove mais do que em qualquer outro lugar do
país. Foi dessa cidade e da sua sombra depressiva e onipresente que minha mãe fugiu
comigo quando eu tinha só alguns meses de vida. Era nessa cidade que eu era obrigada
a passar todos os verões até completar 14 anos. Aquele foi o ano em que bati o pé.
Então, nos últimos três verões, meu pai, Charlie, passou duas semanas de férias comigo
na Califórnia.
Agora era em Forks que ia me exilar, algo que fiz com muito custo. Eu detestava Forks.
Eu amava Phoenix. Amava o sol e o calor escaldante. Amava a cidade vigorosa e
grande.
— Bella — minha mãe me disse -pela milésima vez -antes de eu entrar no avião. —
Você não precisa fazer isso.
Minha mãe parece-se comigo, exceto pelo cabelo curto e pelo rosto risonho. Senti um
espasmo ao encarar os olhos infantis e bem abertos dela. Como poderia deixar minha
amorosa, errática e ingênua mãe para se cuidar sozinha? Claro, ela tinha o Phil agora,
então as contas provavelmente seriam pagas, haveria comida na geladeira, gasolina no
carro, e alguém pra ligar quando ela se perdesse, mas ainda assim...
— Eu quero ir — eu menti. Sempre fui uma péssima mentirosa, mas já estava contando
essa mentira tão freqüentemente por esses dias que agora já soava quase convincente.
— Diz 'oi' para o Charlie por mim.
— Pode deixar.
— Verei você logo — ela insistiu. — Pode voltar pra casa quando quiser. Virei assim
que você precisar.
Mas pude perceber o sacrifício em seus olhos, por trás da promessa.
— Não se preocupe comigo — eu pedi — Vai ser ótimo. Amo você, mãe.
Ela me abraçou apertado por um tempo, então entrei no avião e ela se foi.
De Phoenix para Seatle o vôo dura quatro horas, mais uma hora num pequeno avião até
Port Angeles, e então uma hora de carro até Forks. O vôo não me incomodava, já passar
uma hora num carro com Charlie estava me preocupando.
Charlie estava sendo até legal sobre essa história toda. Ele parecia genuinamente feliz
que eu iria morar com ele quase que permanentemente pela primeira vez. Ele já tinha
me matriculado na escola e ia me ajudar a arranjar um carro.
Mas com certeza ia ser estranho morar com Charlie. Nenhum de nós era o que se
poderia chamar de falantes, e nem sei o que haveria para ser dito. Sabia que ele estava
mais do que confuso com a minha decisão -como minha mãe já havia feito antes de
mim, eu nunca tinha escondido que não gostava de Forks.
Quando o avião pousou em Port Angeles, estava chovendo. Não achei que fosse um
mau presságio, só era inevitável. Já tinha me despedido do sol.
Charlie estava me esperando no carro-patrulha. Já era de se esperar. Charlie é o Chefe
de Polícia para os bons cidadãos de Forks. Meu motivo maior para comprar um carro,
apesar da escassez dos meus rendimentos, era que eu me negava ser levada pela cidade
num carro com luzes vermelhas e azuis em cima. Nada melhor pra fazer o trânsito andar
devagar do que um policial.
Charlie me deu um abraço meio estranho, de um braço só, quando sai tropeçando do
avião.
— Bom te ver, Bells. — ele disse sorrindo, enquanto automaticamente me segurava
para eu não cair. — Você não mudou muito. Como vai Renée?
— Mamãe vai bem. É bom te ver também, pai. — ele não me deixava chamá-lo de
Charlie.
Só tinha trazido algumas malas. A maior parte das roupas que usava no Arizona eram
muito permeáveis para usar em Washington. Minha mãe e eu tínhamos nos juntado para
suplementar meu guarda-roupa com roupas de inverno, mas ainda tinha pouca coisa.
Coube tudo na mala do carro-patrulha, facilmente.
— Achei um bom carro para você, bem barato. — ele anunciou quando já estávamos no
carro.
— Que tipo de carro? — achei suspeito a maneira como ele disse "carro bom para
você", ao invés de só "carro bom".
— Bem, na verdade é uma caminhonete, um Chevrolet.
— Onde o achou?
— Lembra-se de Billy Black, de La Push? — La Push é a pequena reserva indígena na
costa.
— Não.
— Ele costumava ir pescar conosco no verão. — Charlie ofereceu ajuda.
Isso explicaria porque eu não lembrava dele. Me dou bem em bloquear da minha
memória coisas dolorosas e desnecessárias.
— Ele está numa cadeira de rodas agora — Charlie continuou quando não respondi —
então não pode dirigir mais, por isso se ofereceu para vender a caminhonete bem barato.
— De que ano é? — pude ver pela mudança de expressão que essa era uma pergunta
que ele esperava que eu não fosse fazer.
— Bem, Billy trabalhou bastante no moto -só tem alguns anos.
Esperava que ele não fosse achar que eu desistiria assim tão fácil. — Quando ele
comprou a caminhonete?
— Acho que foi em 1984.
— Era nova quando ele comprou?
— Na verdade, não. Acho que era nova no começo dos anos 60 -ou no fim dos 50, no
máximo. — ele admitiu, envergonhado.
— Ch... pai, não sei muito sobre carros. Não saberia consertar nada se estragasse, e não
poderia pagar um mecânico...
— Realmente, Bella, a coisa anda direito. Não fazem mais carros como aquele.
A coisa, pensei comigo mesma... era uma possibilidade -como apelido, no mínimo.
— Barato é quanto? — afinal, essa era a parte onde eu não podia abrir mão.
— Bem, querida, eu meio que já comprei ele pra você. Um presente de boas-vindas. —
Charlie espiou para o meu lado, com uma expressão esperançosa no rosto.
Uau. De graça.
— Não precisava fazer isso, pai. Eu ia comprar o carro eu mesma.
— Eu não me importo. Quero que você seja feliz aqui. — Ele olhava em frente na
estrada quando falou isso. Charlie não ficava confortável ao expressar suas emoções em
voz alta. Eu herdei isso dele. Então olhava bem pra frente quando respondi.
— Isso foi muito legal, pai, obrigada. Fico muito agradecida. — não precisava adicionar
que eu ser feliz em Forks era uma impossibilidade. Ele não precisava sofrer comigo. E
eu nunca recusaria uma caminhonete de graça.
— Bem, então, de nada. — ele murmurou, envergonhado com o meu agradecimento.
Trocamos mais alguns comentários sobre o tempo, que estava molhado, e era isso em
termos de conversa. Ficamos olhando pela janela em silêncio.
Era lindo, claro, não podia negar isso. Tudo era verde: as árvores, os troncos cobertos de
musgo, os galhos pendurados formando uma cobertura, o chão coberto com plantas. Até
mesmo o ar ficava meio verde ao passar pelas folhas.
Era muito verde -um planeta alienígena.
Finalmente chegamos na casa do Charlie. Ele ainda vivia na casa pequena, de dois
quartos, que ele comprara com minha mãe logo que se casaram. Esse foi o único
período do casamento deles. Ali, estacionada na rua em frente à casa que nunca mudara,
estava minha nova -bem, nova para mim -caminhonete. Era uma cor vermelha
desbotada, com uma grande cabina e enormes calotas. Para minha grande surpresa, eu
amei. Não sabia se ela ia andar, mas conseguia me imaginar dentro dela. Ainda por
cima, era uma daquelas coisas sólidas de ferro, que nunca se amassam -do tipo que se
vê num acidente nem arranhada, circundada pelos pedaços do carro que ela tinha
destruído.
— Uau, pai, adorei! Obrigada! — agora meu dia horrível que seria amanhã iria ser um
pouco menos horroroso. Eu não precisaria escolher entre andar na chuva por mais de
três quilômetros ou aceitar uma carona no carro-patrulha para chegar no colégio.
— Fico feliz que você tenha gostado. — Charlie disse, envergonhado de novo.
Só precisou uma viagem para levar todas as minhas coisas para o andar de cima. Fiquei
com o quarto que tinha janela para o pátio da frente. O quarto me era familiar. Era meu
desde que tinha nascido. O chão de madeira, as paredes azul claro, o teto curvado, as
cortinas de renda já amareladas -tudo isso fez parte da minha infância. As únicas
mudanças que Charlie tinha feito fora por eu ter crescido: mudou o berço por uma cama
e colocou um escrivaninha. A escrivaninha agora tinha um computador de segunda-
mão, com o fio do telefone para a internet grampeada pelo chão até chegar na tomada de
telefone mais próxima. Isso tinha sido estipulado por minha mãe, para que pudéssemos
manter contato fácil. A cadeira de balanço dos meus tempos de bebê ainda estava num
canto.
Havia somente um pequeno banheiro no andar de cima, o qual teria que dividir com
Charlie. Tentava não pensar muito nisso.
Uma das coisas boas sobre Charlie é que ele não fica me cuidando. Ele me deixou
sozinha para desfazer minhas malas e me ajeitar, uma coisa que seria completamente
impossível para minha mãe. Era bom poder estar sozinha e não ter que ficar sorrindo e
parecer feliz. E era um alívio poder olhar com desânimo para a chuva na janela e deixar
escaparem algumas lágrimas. Não estava afim de começar uma choradeira. Guardaria
isso para a hora de dormir, quando fosse pensar na manhã que estava por vir.
A Escola de Forks tinha o aterrorizante total de apenas trezentos e cinquenta e sete agora
cinquenta e oito -alunos. Só no meu ano, lá em Phoenix, havia mais de setecentos
alunos. Todo mundo aqui tinham crescido juntos -seus avós tinham sido bebês juntos.
Eu seria a garota nova da cidade grande. Uma curiosidade, uma aberração.
Talvez se eu parecesse com uma garota de Phoenix isso poderia ser uma vantagem. Mas
fisicamente eu nunca me encaixaria em lugar algum. Eu deveria ser bronzeada,
esportiva, loira -jogadora de vôlei, ou líder de torcida, talvez -essas coisas associadas
ao vale do sol.
No lugar disso, eu tinha pele branca apesar do sol constante, sem nem ter a desculpa de
ter olhos azuis ou cabelos ruivos. Sempre fora meio magra, mas nem tanto, obviamente
não era atleta. Não tinha a coordenação motora necessária para praticar esportes sem me
humilhar -e machucar a mim mesma ou qualquer um parado muito perto de mim.
Quando terminei de colocar minhas roupas no velho guarda-roupa de pinho, peguei
minha bolsa de produtos de beleza e fui ao banheiro comunal para me lavar depois do
dia de viagem. Olhei para meu rosto no espelho enquanto penteava meu cabelo
embaraçado e úmido. Talvez fosse a luz, mas eu já parecia mais pálida, pouco saudável.
Minha pele poderia ser bela -era bem clara, parecia transparente -mas tudo dependia da
cor, e eu não tinha isso.
Encarando meu reflexo pálido no espelho fui obrigada a admitir que estava mentindo
para mim mesma. Não era só fisicamente que eu nunca me encaixaria. E seu eu não
conseguia achar um lugar para mim numa escola com três mil pessoas, quais eram
minhas chances aqui?
Eu não me relacionava bem com pessoas da minha idade. Talvez a verdade fosse que eu
não me relacionava bem com as pessoas, ponto. Até minha mãe, que era a pessoa mais
próxima de mim no planeta, nunca estava em harmonia comigo, nunca estávamos
exatamente de acordo. As vezes imaginava se eu via as mesmas coisas através de meus
olhos que o resto do mundo via com os deles. Talvez houvesse um problema no meu
cérebro. Mas o motivo não importava. O que importava era o resultado. E amanhã seria
só começo.
Não dormi bem naquela noite, mesmo depois de ter chorado tudo que precisava. O
barulho constante da chuva e do vento no telhado não saiam da minha mente. Puxei a
coberta desbotada sobre minha cabeça e depois adicionei o travesseiro também. Mas
não consegui dormir até depois da meia-noite, quando a chuva finalmente diminuiu para
um chuvisco.
Cerração fechada era tudo que conseguia ver pela minha janela de manhã, e pude sentir
a claustrofobia começado. Não se podia ver o céu aqui, era quase uma jaula.
O café-da-manhã com Charlie foi um evento silencioso. Ele me desejou boa-sorte na
escola. Eu agradeci, sabendo que as esperanças dele eram inúteis. Boa-sorte tinha a
tendência de me evitar. Charlie saiu primeiro, indo para o posto policial que era sua
esposa e família. Depois que ele saiu, sentei à velha mesa quadrada em uma das três
cadeiras que não combinavam entre si e examinei sua pequena cozinha, suas paredes
com painéis escuros, armários amarelo brilhante, e piso de linóleo branco. Nada
mudara. Minha mãe pintara os armários dezoito anos antes na tentativa de trazer alguma
luz para a casa. Sobre a pequena lareira, na sala do tamanho de um lenço que ficava
logo ao lado da cozinha, havia uma fileira de fotos. A primeira era uma do casamento de
Charlie e minha mãe em Las Vegas, uma de nós três no hospital quando eu nasci, tirada
por uma enfermeira prestativa, seguida de uma procissão de fotos escolares minhas até o
último ano. Essas eram embaraçosas de se ver -teria que ver se convencia Charlie a
colocá-las em outro lugar, pelo menos enquanto eu estivesse morando aqui.
Era impossível, estando nessa casa, não perceber que Charlie nunca tinha superado
minha mãe. Isso me fazia ficar desconfortável.
Eu não queria chegar cedo demais na escola, mas não podia ficar mais na casa . Vesti
meu casaco -que me fazia sentir como numa roupa anti-nuclear -e sai para a chuva.
Ainda chuviscava, mas não o suficiente para me molhar muito enquanto procurava pelas
chaves da casa que sempre ficavam escondidas nas plantas perto da porta e a trancava.
O barulho das minhas novas botas à prova d'água era irritante. Sentia falta do barulho
normal de cimento quando caminhava. Não pude parar para admirar minha nova
caminhonete como queria. Estava com pressa para sair da névoa molhada que rondava
minha cabeça e se grudava no meu cabelo por baixo do capuz.
Dentro da caminhonete estava seco e bom. Obviamente, Billy ou Charlie tinham
limpado o carro, mas os assentos ainda cheiravam vagamente à tabaco, gasolina e
menta. O motor ligou rápido, para meu alívio, mas bem alto, ganhando vida
ruidosamente e então chegando ao volume máximo. Bom, uma caminhonete velha
assim tinha que ter um defeito. O rádio velho funcionava, uma vantagem que eu não
esperava.
Achar a escola não foi difícil, apesar de nunca ter estado lá antes. Ela ficava, assim
como a maioria das coisas, bem perto da estrada. Não era obviamente uma escola, foi o
painel, onde dizia "Escola de Forks", que me fez parar. Parecia uma coleção de casas
geminadas, construídas com tijolos marrons. Havia tantas árvores e moitas que não
pude perceber seu tamanho logo no início. Onde estava a aparência de lugar público?
Me perguntava nostalgicamente. Onde estavam as cercas e os detetores de metais?
Estacionei em frente ao primeiro prédio, onde havia uma pequena placa que dizia
"secretaria". Não havia mais carros estacionados ali, então tive certeza de que era
proibido, mas decidi que pegaria instruções lá dentro ao invés de ficar andando em
círculos na chuva como uma idiota. Saí a contragosto da caminhonete quentinha e fui
por um caminho de pedra circundado por uma sebe escura. Respirei fundo antes de abrir
a porta.
Lá dentro estava bem iluminado e bem mais quente do que imaginava. A secretaria era
pequena, com uma pequena sala de espera com cadeiras dobráveis, carpete laranja,
avisos e prêmios abarrotados pelas paredes e um grande e ruidoso relógio. A sala era
partida ao meio por um grande balcão, cheia de cestas de arame repletas de papéis e
anúncios coloridos colados na parte da frente. Havia três mesas atrás do balcão, uma
delas ocupada por uma mulher ruiva e grande, usando óculos. Ela vestia uma camiseta
roxa, que imediatamente me fez sentir com roupas demais.
A ruiva olhou para mim. — Posso ajudá-la?
— Sou Isabella Swan — informei-lhe, e vi seus olhos demonstrarem reconhecimento
imediato. Eu era esperada, tópico de fofocas, com certeza. A filha da ex-mulher do
chefe de polícia finalmente retorna à casa.
— Claro — ela disse. Ela percorreu uma pilha precária de documentos em sua mesa até
achar os que procurava. — Seu horário está aqui, e um mapa da escola. — Ela trouxe
várias folhas até o balcão para me mostrar.
Ela me ditou todas as minhas aulas, mostrando-me no mapa a melhor maneira de chegar
até elas, e me deu um papel para que todos os professores assinassem, que deveria trazer
de volta no fim do dia.
Ela sorriu para mim e desejou, como Charlie, que eu gostasse de Forks. Sorri de volta
da maneira mais convincente possível.
Quando cheguei de volta na caminhonete, outros alunos começavam a chegar. Fui atrás
do tráfego, contornando a escola. Fiquei feliz ao ver que a maior parte dos carros eram
velhos como o meu, nada muito chique. Em casa eu morava num dos poucos bairros de
classe baixa que estavam incluídos no Distrito Paradise Valley. Era comum ver um
Mercedes ou Porsche novo no estacionamento dos alunos. O carro mais legal aqui era
um brilhante Volvo, que se sobressaia. Mesmo assim, logo que estacionei desliguei o
motor, para que o barulho enorme não chamasse atenção para mim.
Olhei para o mapa na caminhonete, tentando memorizá-lo agora, esperando que não
fosse precisar andar com ele colado no nariz o dia todo. Enfiei tudo dentro da mochila,
coloquei a alça sobre o ombro e respirei bem fundo. "Posso fazer isso", menti muito mal
para mim mesma. Ninguém ia me morder. Eu finalmente exalei e sai do carro.
Fiquei com o rosto coberto pelo capuz enquanto caminhava até a calçada, cheia de
adolescentes. Meu casaco preto e simples não se destacava na multidão, percebi com
alívio.
Assim que cheguei no refeitório era fácil de ver o prédio três. Um grande "3" estava
pintado num quadrado branco no casto leste do prédio. Senti minha respiração acelerar
cada vez mais enquanto me aproximava da porta. Tentei segurar minha respiração
enquanto seguia duas capas de chuva unisex através da porta.
A sala de aula era pequena. As pessoas na minha frente pararam assim que entraram na
sala para pendurar seus casacos numa longa fileira de ganchos. Fiz o mesmo. Eram duas
garotas. Uma loira com pele de porcelana, outra, também com a pele clara, tinha cabelos
castanho claro. Pelo menos a minha pele não se destacaria aqui.
Levei o papel para o professor, um homem alto e calvo. Sua mesa tinha uma placa que o
identificava como Sr. Mason. Ele ficou me olhando assim que leu meu nome -o que
não era encorajador -e lógico que fiquei vermelha igual a um tomate. Mas pelo menos
ele me mandou sentar numa classe vazia no fundo da sala sem me apresentar à turma.
Era mais difícil para meus colegas ficarem me encarando enquanto eu estava no fundo
da sala, mas de alguma forma eles conseguiam. Fixei meu olhar na lista de leitura que o
professor tinha me dado. Era bem básica: Brontë, Shakespeare, Chaucer, Faulkner. Já
tinha lido todos. Isso era reconfortante... e chato. Fiquei pensando se minha mãe me
mandaria minha pasta de trabalhos velhos, ou se ia pensar que isso era colar. Fiquei
pensando em diferentes discussões que teria com ela enquanto o professor falava.
Quando bateu o sinal, um garoto meio desajeitado, alto, com problemas de pele e cabelo
preto como carvão se encostou no batente da porta para falar comigo.
— Você é Isabella Swan, não é? — ele parecia do tipo muito prestativo, parte do clube
de xadrez.
— Bella — corrigi. Todo mundo em volta se virou para me olhar.
— Onde é sua próxima aula — ele perguntou.
Precisei olhar na mochila. — Hm, Governo, com o professor Jefferson, no prédio seis.
Não havia para onde olhar sem encontrar olhos curiosos.
— Estou indo para o prédio quatro, posso te mostrar o caminho... — definitivamente
muito prestativo.
— Sou Eric. — Ele adicionou.
Sorri discretamente. — Obrigada.
Pegamos nossos casacos e saimos para a chuva, que tinha ficado mais forte. Poderia
jurar que muitas das pessoas andando atrás de nós estavam perto o bastante para ficar
ouvindo a conversa. Desejei não estar ficando paranóica.
— Então, aqui é bem diferente de Phoenix, hein? — ele perguntou.
— Muito.
— Não chove muito lá, não é?
— Três ou quatro vezes por ano.
— Uau, como será que é isso? — ele ficou imaginando.
— Ensolarado. — eu lhe disse.
— Você não parece bronzeada.
— Minha mãe é parte albina.
Ele analisou meu rosto com apreensão e eu suspirei. Parecia que nuvens e senso de
humor não se misturavam. Alguns meses disso aqui e eu esqueceria como se usa
sarcasmo.
Andamos de volta ao redor do refeitório, em direção aos prédios que ficavam no sul, ao
lado do ginásio. Eric me levou até a porta, apesar de estar bem claro que aquele era o
prédio.
— Bem, boa sorte. — Ele disse enquanto eu alcançava a maçaneta. — Talvez tenhamos
outras aulas juntos. — Ele soava esperançoso.
Sorri vagamente para ele e entrei.
O resto da manhã passou da mesma maneira. Meu professor de trigonometria, o Sr.
Varner, a quem eu detestaria de qualquer forma por causa da matéria que ensinava, foi o
único que me fez ficar na frente da turma e me apresentar. Eu gaguejei, fiquei vermelha,
e tropecei no caminho para a minha classe.
Depois de duas aulas, comecei a reconhecer muitos dos rostos em cada uma delas.
Sempre havia aqueles que eram mais corajosos e vinham se apresentar e me perguntar
se estava gostando de Forks. Tentei ser diplomática, mas o que mais fiz foi mentir
bastante. Pelo menos não precisei usar o mapa.
Uma garota sentou do meu lado em ambas Trigonometria e Espanhol, e foi comigo até
o refeitório na hora do almoço. Ela era bem baixinha, com vários centímetros do que os
meus 1,65m, mas o cabelo escuro e encaracolado ajudava a balancear nossa diferença
de alturas. Não conseguia lembrar o nome dela, então eu sorria e balançava a cabeça
enquanto ela discorria sobre os professores e sobre as aulas. Não tentei acompanhar a
conversa.
Sentamos no final de uma mesa cheia dos amigos dela, os quais ela me apresentou.
Esqueci os nomes assim que ela os disse. Eles pareciam impressionados com a coragem
dela para falar comigo. O garoto do Inglês, Eric, acenou para mim do outro lado do
refeitório.
Foi ali, sentada no refeitório, tentando conversar com vários estranhos curiosos, que eu
os vi pela primeira vez.
Eles estavam sentados num canto do refeitório, o mais longe possível de onde eu estava.
Eram cinco. Não conversavam e não comiam, apesar de cada um deles ter uma bandeja
intocada de comida na sua frente. Eles não estavam me encarando, como a maior parte
dos outros alunos, então era seguro ficar olhando para eles sem ter medo de encontrar
um par de olhos excessivamente interessado. Mas não foi nenhuma dessas coisas que
chamou, e prendeu, minha atenção.
Eles não se pareciam em nada. Dos três garotos, um era grande -musculoso como um
levantador de peso profissional, com cabelo escuro e encaracolado. Outro era alto, mais
magro, mas ainda musculoso, e com cabelo loiro escuro. O outro era mais magro,
menos musculoso, com cabelo cor de bronze, meio bagunçado. Ele parecia mais jovem
do que os outros, que pareciam que poderiam estar na faculdade, ou até mesmo serem
professores ao invés de alunos.
As garotas eram opostos. A mais alta era maravilhosa. Ela tinha uma silhueta linda, do
tipo que se vê na capa da revista Sports Illustrated, na edição de roupas de banho, e
daquelas que fazem as outras garotas se sentirem mal consigo mesma só por estarem na
mesma sala. O cabelo dela era dourado, gentilmente balançando até o meio das costas.
A outra garota era mais baixa e parecia uma fadinha. Bem magra, com feições
pequenas. O cabelo dela era totalmente preto, cortado curtinho e apontando para todas
as direções.
E ainda assim, eles se pareciam muito. Todos eram muito pálidos, os mais pálidos de
todos os alunos dessa cidade sem sol. Mais pálidos do que eu, a albina. Todos tinham
olhos bem escuros, apesar da diferença na cor dos cabelos. Além disso, eles tinham
olheiras -sombras arroxeadas, como machucados. Como se todos eles tivessem passado
a noite em claro, ou quase se recuperando de ter o nariz quebrado. Apesar de seus
narizes, de todas as partes de seus corpos, serem perfeitamente retos e angulares.
Mas não era por causa de tudo isso que não conseguia tirar os olhos deles.
Eu os olhava por que seus rostos, tão diferentes, tão iguais, eram todos
devastadoramente, inumanamente lindos. Eram rostos que você nunca espera encontrar
além de, talvez, nas páginas editadas de uma revista de moda. Ou pintadas por um dos
velhos mestres como a face de um anjo. Era difícil decidir quem era o mais belo -talvez
a perfeita loira, ou o garoto com cabelos cor de bronze.
Estavam todos olhando para longe -longe um dos outros, longe dos outros alunos,
longe de qualquer coisa em particular que eu pudesse ver. Enquanto eu olhava a garota
mais baixa levantou com a bandeja -o refrigerante fechado, a maçã inteira -e foi
embora com um passo rápido e gracioso que deveria estar em uma passarela. Eu fiquei
olhando, maravilhada com os passos de dançarina dela, até ela largar a bandeja e sair
pela porta de trás, mais rápido do que eu imaginava ser possível. Meus olhos voltaram
logo para os outros, que estavam lá, sem mudanças.
— Quem são eles? — perguntei à garota da aula de espanhol, de quem eu não lembrava
o nome.
Enquanto ela olhava para ver de quem eu estava falando -apesar de já saber,
provavelmente, por causa do meu tom de voz -de repente ele olhou para ela, o mais
magro, o mais garoto de todos, talvez o mais jovem. Ele olhou para a garota do meu
lado por só uma fração de segundo e então seus olhos escuros se dirigiram aos meus.
Ele olhou para longe bem rápido, mais rápido do que eu conseguiria, apesar de numa
onde de vergonha eu tenha baixado meus olhos na mesma hora. Naquele pequeno
instante, seu rosto não aparentou interesse -era como se ela tivesse chamado o nome
dele, e ele olhara numa resposta involuntária, já tendo decidido que não ia responder.
A garota do meu lado riu envergonhada, olhando para a mesa, assim como eu.
— Aqueles são Edward e Emmett Cullen e Rosalie e Jasper Hale. A que foi embora é
Alice Cullen. Todos vivem juntos com o Dr. Cullen e a esposa dele. — Ela falou isso
meio entre os dentes.
Olhei meio de lado para o garoto lindo, que agora olhava para a bandeja dele, picando
um pãozinho com dedos pálidos e longos. Seus lábios se moviam rapidamente, seus
lábios perfeitos mal se abrindo. Os outros três ainda olhavam para longe, ainda assim eu
sentia que ele estava falando com eles.
Nomes estranhos e pouco populares, eu pensei. Os tipos de nomes que avós tinham.
Mas talvez fosse moda aqui -nomes de cidade pequena? Finalmente lembrei que a
garota ao meu lado se chamava Jessica, um nome perfeitamente comum. Havia duas
garotas chamadas Jessica na minha aula de História, em Phoenix.
— Eles são... muito bonitos. — lutei contra a óbvia falta de intensidade do que disse.
— Sim! — Jessica concordou dando outro risinho. — Mas eles já estão juntos -Emmett
e Rosalie, e Jasper e Alice. E moram juntos. — A voz dela continha todo o choque e
reprovação de uma cidade pequena, pensei criticamente. Mas se eu fosse honesta, teria
que admitir que até em Phoenix algo assim seria motivo de fofocas.
— Quais são os Cullens? — perguntei — Eles não se parecem...
— Ah, mas não são. O Dr. Cullen é bem jovem, tem uns 20 ou 30 e poucos. São todos
adotados. Já os Halle são irmão e irmã, gêmeos -são os loiros -e vivem com eles.
— Eles não são um pouco velhos pra isso?
— Agora sim, Jasper e Rosalie já têm dezoito anos, mas vivem com a Sra. Cullen desde
que tinham oito. Ela é tia deles ou algo assim.
— Isso é bem legal -deles cuidarem de todas essas crianças assim, sendo tão jovens.
— Acho que sim. — Jessica admitiu relutantemente, e fiquei com a impressão de que
ela não gostava do doutor e da esposa dela por algum motivo. Com os olhares que ela
dava na direção deles, imaginei que o motivo fosse inveja. — Mas acho que a Sra.
Cullen não pode ter filhos. — ela disse, como se isso diminuísse a bondade deles.
Durante toda essa conversa, meus olhos iam e voltavam para a mesa onde a estranha
família estava sentada. Eles continuavam olhando para as paredes e não comendo.
— Eles sempre moraram em Forks? — perguntei. Com certeza eu os teria notado em
algum dos meus verões aqui.
— Não. — ela disse num tom de voz que implicava que isso era óbvio, até alguém
recém chegado como eu deveria saber. — Eles vieram para cá dois anos atrás, vindos de
algum lugar no Alasca.
Senti uma onda de compaixão, e alívio. Compaixão porque, apesar de serem lindos,
eram de fora, claramente não eram aceitos. Alívio porque eu não era a única novata
aqui, e certamente não a mais interessante.
Enquanto eu os analisava, o mais novo, um dos Cullens, olhou para mim e nossos olhos
se encontraram, dessa vez com uma expressão evidente de curiosidade. Enquanto eu
esquivava meu olhar, me pareceu que no dele havia alguma expectativa não alcançada.
— Qual deles é o garoto de cabelos castanhos avermelhados? — perguntei. Espiei com
o canto do olho e ele ainda me encarava, mas não como os outros alunos tinham feito
durante todo o dia -a expressão dele era meio frustrada. Olhei para baixo novamente.
— Aquele é Edward. Ele é maravilhoso, lógico, mas não perca tempo. Ele não namora.
Nenhuma das garotas daqui são bonitas o suficiente para ele, aparentemente. — ela
desdenhou, um caso claro de rejeição. Fiquei me perguntando quando ele tinha rejeitado
ela.
Mordi o lábio para esconder um sorriso, e então olhei para ele novamente. Seu rosto
estava virado para o outro lado, mas me pareceu, pelos músculos do rosto, que ele sorria
também.
Após mais alguns minutos os outros quatro deixaram a mesa juntos. Todos eram
notoriamente graciosos -até mesmo o grandalhão. Era algo desconcertante de se
observar. O que se chamava Edward não olhou para mim novamente.
Fiquei na mesa com Jessica e seus amigos mais tempo do que ficaria se estivesse
sozinha ali. Estava ansiosa para não chegar atrasada nas aulas no meu primeiro dia.
Uma das minhas novas conhecidas, que gentilmente me lembrou que seu nome era
Angela, tinha Biologia II comigo no próximo período. Fomos juntas para a aula, em
silêncio. Ela era tímida também.
Quando entramos na sala de aula, Angela foi sentar-se numa mesa de laboratório, com
tampa preta, exatamente como as que eu estava acostumada. Ela já tinha um par. Na
verdade, todas as mesas estavam ocupadas, com a exceção de uma. Ao lado da fileira do
meio, reconheci Edward Cullen por seu cabelo peculiar, sentado ao lado da única
cadeira vazia.
Enquanto fui até o professor para me apresentar e pedir para que ele assinasse meu
papel, secretamente observava Edward. No momento em que passei, ele ficou rígido de
repente. Ele me encarou novamente, seus olhos encontraram os meus com a mais
estranha das expressões em seu rosto -era hostil, furiosa. Olhei para longe rapidamente,
chocada, ficando vermelha novamente. Tropecei num livro e precisei me segurar em
uma mesa. A menina sentada ali riu.
Tinha notado que os olhos dele eram negros, como carvão.
O Sr. Banner assinou meu papel e me entregou um livro sem o besteirol das
apresentações. Pude prever que nos daríamos bem. Obviamente, ele não tinha escolha a
não ser mandar eu me sentar na única classe vazia no meio da sal. Mantive meu olhar
baixo enquanto ia sentar ao lado dele, confusa com o olhar maldoso que ele tinha me
dado.
Não olhei para cima enquanto colocava o livro na mesa e me sentava, mas vi, com o
canto do olho, sua postura mudar. Ele estava se inclinando para longe de mim, sentado
bem na ponta da cadeira e virando a cara como seu eu tivesse cheiro ruim.
Discretamente, cheirei meu cabelo. Tinha cheiro de morangos, que era o perfume do
meu xampu preferido. Parecia um cheiro inocente o bastante. Deixei meu cabelo cair
sobre meu ombro direito, criando uma cortina escura entre nós, e tentei prestar atenção
no professor.
Infelizmente a aula era sobre anatomia celular, algo que eu já tinha estudado. Fui
fazendo anotações mesmo assim, sempre olhando para baixo.
Não conseguia me conter e, de vez em quando, olhava para o garoto estranho ao meu
lado, através da cortina de cabelo. Durante a aula toda ele não relaxou de posição,
sentado na ponta da cadeira, o mais longe possível de mim. Pude ver que sua mão sobre
a perna esquerda estava em punho, os tendões se destacando sob a pele clara. Também
não relaxou a mão sequer uma vez. As mangas da sua camisa branca estavam puxadas
até os cotovelos, e seu braço era surpreendentemente musculoso. Ele não era tão frágil
quanto parecia quando comparado com o irmão.
A aula parecia se arrastar mais do que as outras. Será que era por que o dia estava
finalmente acabando ou por que esperava que seu pulso fosse relaxar? Ele nunca o fez.
Ele estava tão imóvel que parecia que não respirava. Qual era o problema dele? Será
que isso era o comportamento normal dele? Me questionei sobre o que tinha pensado
sobre a amargura de Jessica durante o almoço. Talvez ela não fosse tão rancorosa como
eu pensava.
Não poderia ser comigo. Ele nunca tinha me visto na vida.
Espiei de novo e me arrependi. Ele estava me olhando novamente, seus olhos negros
cheios de repulsa. Enquanto me afastava dele, me espremendo na cadeira, a frase "se
olhar matasse" cruzou minha mente.
Naquele momento o alarme bateu alto, me assustando, e Edward Cullen já tinha se
levantado. Ele era muito mais alto do que tinha imaginado, e de costas para mim ele se
foi fluidamente. Antes que qualquer um dos outros estivesse de pé, ele já tinha saído
pela porta.
Fiquei congelada no lugar, olhando para ele. Ele era muito mau. Não era justo. Comecei
a juntar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva que me consumia, para não
acabar chorando. Por algum motivo, meu humor tinha ligação com meus canais
lacrimais. Geralmente chorava quando estava com raiva, uma mania humilhante.
— Você não é Isabella Swan? — perguntou uma voz masculina.
Olhei para ver um garoto bonitinho, com cara de bebê, o cabelo loiro claro
cuidadosamente moldado com gel, sorrindo para mim de um jeito amigável. Ele, com
certeza, não achava que eu cheirava mal.
— Bella. — corrigi com um sorriso.
— Sou Mike.
— Oi, Mike.
— Precisa de ajuda pra encontrar sua próxima aula?
— Na verdade, estou indo para o ginásio. Acho que consegui achá-lo.
— Essa é minha próxima aula também. — ele parecia extasiado, apesar de não ser
muita coincidência numa escola tão pequena.
Fomos para a aula juntos. Ele era um conversador -ele falava bastante, o que facilitava
para mim. Ele tinha morado na Califórnia até os dez anos, então ele me entendia com
relação ao sol. E ele estava na minha aula de inglês também. Tinha sido a pessoa mais
legal que conhecera aquele dia.
Mas enquanto entrávamos no ginásio ele perguntou — Então, você fincou o lápis no
Edward Cullen ou o quê? Nunca o vi agir assim.
Então não tinha sido só eu que notara. E, aparentemente, não era assim que ele se
comportava normalmente. Decidi bancar a desentendida.
— Era o garoto sentado do meu lado em biologia? — perguntei ingenuamente.
— Sim. — ele disse — Parecia que ele estava com dor ou algo parecido.
— Não sei. — respondi — Nunca conversei com ele.
— É um cara estranho. — Mike ficou por ali ao invés de ir para o vestiário. — Se eu
tivesse tido a sorte de sentar do seu lado, teria conversado com você.
Sorri para ele antes de ir para o vestiário das meninas. Ele era legal e claramente
gostava de mim, mas isso não foi o bastante para diminuir minha irritação.
O professor de Educação Física, Treinador Clapp, me deu um uniforme mas não me fez
vesti-lo para a aula. Em Phoenix, só dois anos de EF eram obrigatórios, aqui, era
obrigatório durante todos os anos. Forks literalmente era o meu inferno na Terra.
Assisti a quatro jogos de vôlei ao mesmo tempo. Lembrando quantas vezes tinha
machucado a mim mesma -e os outros -jogando vôlei, me senti nauseada.
O sinal tocou finalmente. Fui lentamente até a secretaria para entregar minha papelada.
A chuva tinha parado, mas o vento estava mais forte e mais frio. Me enrolei mais nas
roupas.
Quando entrei na quente secretaria, quase me virei e saí de novo.
Edward Cullen estava parado à mesa logo na minha frente. Novamente reconheci aquele
cabelo cor de bronze e desarrumado. Ele pareceu não perceber a minha entrada. Me
encostei na parede, esperando a recepcionista poder me atender.
Ele estava conversando com ela numa voz baixa e atraente. Logo peguei o motivo da
conversa: ele queria trocar o período da aula de biologia para outro horário, qualquer
outro.
Não podia acreditar que era por minha causa. Tinha que ser outra coisa, algo que
acontecera antes de eu entrar na sala. A expressão em seu rosto tinha que ser por outro
motivo. Era impossível que esse estranho tivesse me detestado tanto assim, tão
subitamente.
A porta abriu novamente, e o vento frio entrou de repente, levantando os papéis sobre a
mesa, jogando meu cabelo sobre meu rosto. A garota que entrara simplesmente chegou
na mesa, colocou um bilhete na cesta de arame e saiu novamente. Mas Edward Cullen
ficou rígido e se virou lentamente para me olhar -o rosto dele era absurdamente lindo com
olhos fulminantes e cheios de ódio. Por um instante senti puro medo, levantando os
pêlos dos meus braços. O olhar só durou um segundo, mas me congelou mais do que o
vento enregelante. Ele se virou novamente para a recepcionista.
— Deixa para lá, então. — ele disse apressadamente com uma voz aveludada. — Vejo
que é impossível. Muito obrigado pela ajuda. — se virou sem olhar para mim de novo e
saiu pela porta.
Fui calmamente até a mesa, meu rosto branco ao invés de vermelho, e entreguei o papel
assinado.
— Como foi seu primeiro dia, querida? — a recepcionista perguntou, maternalmente.
— Bem. — menti com a voz fraca. Ela não pareceu convencida.
Quando cheguei na caminhonete, era praticamente o último carro no estacionamento.
Ela era como um refúgio, a coisa mais perto de um lar que eu tinha nesse buraco verde e
úmido. Sentei lá dentro por um tempo, simplesmente olhando pelo vidro. Mas logo
estava frio o bastante para precisar do aquecedor, então virei a chave e o motor ganhou
vida. Peguei meu caminho de volta para a casa do Charlie, lutando para não chorar
durante todo o caminho.
2-LIVRO ABERTO
O outro dia foi melhor...e pior.
Foi melhor porque não estava chovendo ainda,apesar de as nuvens estarem densas e
opacas.Foi mais fácil porque eu já sabia o que esperar do meu dia.Mike veio se sentar
ao meu lado em Inglês,e me acompanhou até a minha próxima aula,com Eric Do Clube
De Xadrez encarando ele o tempo inteiro;era uma reclamação.As pessoas não ficaram
me olhando tanto quanto ontem.Eu sentei com um grande grupo que incluia
Mike,Eric,Jessica e muitas outras daquelas pessoas cujos nomes e rostos eu lembrava
agora.Eu comecei a sentir que agora eu andava na água, ao invés de afundar nela.
Foi pior porque eu estava cansada; eu ainda não conseguia dormir com o vento ecoando
ao redor da casa.Foi pior porque o Sr.Varner me chamou em Trigonometria quando a
minha mão não estava levantada e eu dei a resposta errada.Foi infeliz porque eu tive que
jogar Vôlei,e na única vez que eu não fugi da bola eu atingí a minha parceira de time na
cabeça com ela.E foi pior porque Edward Cullen não estava na escola.
durante a manhã inteira eu estive temendo o almoço,sentindo seus olhares bizarros.Parte
de mim queria confrontá-lo e ordenar que ele disesse qual era o problema.Enquanto eu
estava deitada acordada na cama,eu até imaginei o que eu diria.Mas eu me conhecia
bem demais pra achar que eu teria a coragem de fazer isso.Eu fiz o leão covarde do
Mágico de Oz parecer o Exterminador.
Mas quando eu entrei na cafeteria com Jéssica-tentando evitar que os meus olhos
vasculhassem o lugar procurando por ele,e falhando miserávelmente-eu ví que seus
quatro irmão estavam sentados juntos na mesma mesa,e ele não estava com eles.
Mike nos recebeu e nos guiou até a mesa dele.Jessica parecia alegre pela atenção,e as
amigas dela rapidamente se juntaram á nós. Enquanto eu tentava ouvir a conversa
fluente deles,eu estava terrivelmente desconfortável,esperando nervosamente pelo
momento que ele chegaria.Eu esperava que ele simplesmente me ignorasse quando
chegasse,e provasse que as minhas suspeitas eram falsas.
Ele não veio,e com o passar do tempo eu fiquei mais e mais nervosa.
Eu fui para Biologia mais confiante quando,ao final do almoço,ele ainda não havia
aparecido.Mike,que estava agindo como um cão de guarda,andou fielmente ao meu lado
até a sala de aula.Eu segurei o fôlego na porta,mas Edward Cullen também não estava
lá.Eu exalei e fui me sentar.Mike me seguiu, falando de uma viagem á praia que estava
pra acontecer.Ele se curvou na minha mesa até que o sinal tocou.Aí ele sorriu
tristemente pra mim e foi sentar perto de uma garota de aparelho e com um penteado
ruim.Parecia que eu teria que fazer alguma coisa em relação á Mike,e não seria fácil.Em
uma cidade como essa,em que todo mundo vive em cima de todo mundo,diplomacia é
essencial.Eu nunca tive muito tato;eu nunca tive muita prática em lidar com garotos
amigáveis demais.
Eu estava aliviada que teria a mesa para mim mesma,que Edward estava ausente.Eu
disse isso para mim mesma repetidamente.Era rudiculo, e egoísta,pensar que eu podia
afetar alguém desse jeito.Era impossível.E ainda assim eu não conseguia parar de pensar
que fosse verdade.
Quando o dia na escola finalmente acabou,e as minhas bochechas não estavam mais
coradas por causa do incidente no Vôlei,eu rapidamente coloquei as minhas calças jeans
e o meu suéter azul marinho.Eu saí correndo do vestiário feminino,contente de ver que
momentaneamente eu havia conseguido afastar o meu amigo cão de guarda.
Eu caminhei rapidamente até o estacionamento.Agora estava cheio de alunos.Eu entrei
na minha caminhonete e procurei na minha mochila pra ver se eu tinha tudo que eu
precisava.
noite passada eu descobrí que Charlie não sabia cozinhar nada além de ovos fritos e
bacon.Então eu pedí pra tomar conta dos detalhes da cozinha enquanto durasse a minha
estada.Ele ficou feliz o suficiente pra me passar a chava da sala do banquete.Então eu
estava com a minha lista de compras e o dinheiro do jarro no armário onde havia
DINHEIRO DA COMIDA escrito,e estava á caminho da Thriftway(axu q é o nome de
uma loja).
Eu dei ingnição no motor barulhento,ignorando as cabeças que viraram em minha
direção e dei ré cuidadosamente e entrei na fila de carros que esperava para sair do
estacionamento.Enquanto eu esperava,tentando fingir que o barulho ensurdecedor
estava vindo do carro de outra pessoa,eu ví os dois irmãos Cullen e os dois gêmeos Hale
entrando no carro deles.Era um Volvo novinho em folha.É claro.
Eu nunca havia reparado nas roupas deles antes-eu estav hipnotizada demais com os
rostos deles.Agora que eu havia olhado,era óbvio que todos eles se vestiam
excepcionalmente bem;simples,mas com roupas que claramente eram assinadas por
estilistas famosos.Com os seus rostos notáveis e com o estilo com que se
comportavam,eles podiam usar trapos e ainda ficarem bem.Parecia demais pra eles ter
tanto beleza quanto dinheiro.Até onde eu podia dizer,era assim que a vida funcionava na
maioria da vezes.No caso deles, isso não parecia ter comprado aceitação por aqui.
Não,eu não acreditava inteiramente nisso.A isolação deve ser desejo deles;eu não podia
imaginar nenhuma porta que não estivesse aberta á esse grau de beleza.
Eles olharam para a minha caminhonete barulhenta quando eu passei por eles,igual a
todo mundo.Eu mantive os meus olhos virados para a frente e fiquei aliviada quando
finalmente estava livre da escola.
A Thriftway não era longe da escola,só algumas ruas ao sul,fora da estrada.Era bom
estar dentro do supermercado;parecia normal.Eu fazia as compras em casa,e me moldei
aos padrões da tarefa familiar alegremente.
A loja era grande o suficiente pra me fazer não ouvir a chuva no telhado e esquecer de
onde eu estava.
Quando eu cheguei em casa,eu descarregeui as compras e enfiei elas em qualquer
espaço vazio que consegui achar.Eu esperava que Charlie não se incomodasse.Eu
embrulhei batatas em papel alumínio e coloquei no forno pra assar,cobri bifes com
molho marinado e equilibrei-os em cima de uma caixa de ovos,em uma frigideira.
Quando eu terminei de fazer isso,eu subí com a minha mochila.Antes de começar a
fazer o meu dever de casa,eu me troquei colocando uma calça seca e prendendo o meu
cabelo em um rabo de cavalo,e chequei meus e-mails pela primeira vez.Eu tinha três
mensagens.
"Bella",minha mãe escreveu...
ME ESCREVA ASSIM QUE CHEGAR.ME DIGA COMO FOI O SEU VÔO.ESTÁ
CHOVENDO? JÁ SINTO A SUA FALTA.JÁ ESTOU QUASE TERMINANDO DE
FAZER AS MALAS PARA A FLÓRIDA, MAS NÃO CONSIGO ACHAR A MINHA
BLUSA ROSA.
VOCÊ SABE ONDE EU DEIXEI? PHIL DIZ OI. MAMÃE.
Eu suspirei e fui para a próxima mensagem.Foi mandada oito horas depois da primeira.
"Bella",ela escreveu...
PORQUÊ VOCÊ AINDA NÃO ME RESPONDEU? O QUE VOCÊ ESTÁ
ESPERANDO?
MAMÃE.
A última foi de hoje de manhã.
ISABELLA,SE EU NÃO TIVER NOTÍCIAS DE VOCÊ ATÉ 5:30 DE TARDE DE
HOJE,EU VOU LIGAR PARA CHARLIE.
Eu olhei para o rélógio.Eu ainda tinha uma hora,mas minha mãe era bem conhecida por
agir precipitadamente.
MÃE
SE ACALME. EU ESTOU ESCREVENDO AGORA. NÃO FAÇA NADA
IMPRUDENTE.
BELLA.
Eu enviei essa e comecei de novo.
MÃE,
TUDO ESTÁ ÓTIMO.É CLARO QUE ESTÁ CHOVENDO.EU ESTAVA
ESPERANDO POR ALGO SOBRE O QUE ESCREVER.A ESCOLA NÃO É
RUIM,SÓ UM POUCO REPETITIVA.EU CONHECÍ UM PESSOAL LEGAL QUE
SENTA COMIGO NO ALMOÇO.
SUA BLUSA ESTÁ NA LAVANDERIA-VOCÊ DEVIA TER IDO BUSCAR ELA
SEXTA FEIRA.
CHARLIE COMPROU UMA CAMINHONETE,DÁ PRA ACREDITAR? EU
ADOREI.É MEIO VELHA, MAS TEM PORTE,O QUE É BOM,SABE,PRA MIM.
TAMBÉM SINTO SUA FALTA.EU VOU ESCREVER DE NOVO EM BREVE,MAS
NÃO VOU FICAR CHECANDO OS MEUS E-MAILS A CADA CINCO
MINUTOS.RELAXE,RESPIRE.EU TE AMO.
BELLA.
Eu decidí ler O MORRO DOS VENTOS UIVANTES-o romance que estamos
estudando atualmente em Inglês-de qualquer forma era só pela diversão,e era isso que
eu estava fazendo quando Charlie chegou em casa.Eu perdí a noção do tempo,e corrí
para tirar as batatas do forno e colocar o bife pra grelhar.
"Bella?",meu pai chamou quando me ouviu descer as escadas.
Quem mais? Eu pensei comigo mesma.
"Oi,pai,bem vindo ao lar"
"Obrigado".Ele tirou o colete da arma e tirou as botas enquanto eu entrava na
cozinha.Até onde eu sabia,meu pai nunca usou sua arma no trabalho.Mas ele a mantinha
pronta.Quando eu vinha aqui quando criança ele sempre tirava as balas assim que
entrava em casa.Acho que agora me considerava velha o suficiente pra não atirar em
mim mesma por acidente,e não deprimida o suficiente para não atirar em mim mesma
de propósito.
"O que tem para o jantar?",ele perguntou cautelosamente.Minha mãe era uma
cozinheira imaginativa e os experimentos dela não eram sempre comestíveis.Eu estava
surpresa,e triste,que ele parecia se lembrar daquela época.
"Bife e batatas",eu disse e ele pareceu aliviado.
Ele pareceu se sentir estranho de pé na cozinha sem fazer nada;ele foi pra a sala de estar
assistir TV enquanto eu trabalhava na cozinha.Ficávamos os dois mais confortáveis
desse jeito.Eu fiz uma salada enquanto os bifes grelhavam,e fiz a mesa.
Eu o chamei quando o jantar estava pronto,ele cheirou apreciadoramente enquanto
entrava na cozinha.
"O cheiro é bom,Bell."
"Obrigada"
Nós comemos em silêncio por alguns minutos.Não era desconfortável. Nenhum de nós
estava incomodado por estar quieto.Em alguns sentidos, nós servíamos para morar
juntos.
"Então,você gostou da escola? Você fez amigos?"ele perguntou como que pra passar o
tempo.
"Bem,eu tenho algumas aulas com uma garota chamada Jéssica.Eu sento com as amigas
dela no almoço.E tem esse garoto,Mike,que é muito amigável.Todos parecm ser muito
legais."Com uma excessão.
"Esse deve ser Mike Newton.Bom garoto-Boa família.O pai dele é dono da loja de
suplementos esportivos que fica fora da cidade.Ele faz um bom dinheiro por causa
daqueles mochileiros que vêm á cidade."
"Você conhece a família Cullen?" eu perguntei hesitante.
"A família do Dr.Cullen? Claro.O Dr.Cullen é um ótimo homem"
"Eles...as crianças são um pouco diferentes.Eles não parecem se adequar muito bem na
escola."
Charlie me surpreendeu parecendo um pouco irritado.
"As pessoas dessa cidade." ele murmurou. "Dr.Cullen é um cirurgião brilhante que
poderia provavelmente trabalhar em qualquer hospital do mundo,ganhando dez vezes
mais do que o salário dele aqui." ele continuou,falando mais alto "Temos sorte por tê-lo
-sorte que a esposa dele quis viver numa cidade pequena.Ele é um aditivo á
comunidade e todos aqueles garotos são bem comportados e educados. Eu tive as
minhas dúvidas quando eles vieram pra cá,com todos aqueles adolescentes adotados.Eu
pensei que teríamos problemas com eles.Mas eles são todos muito maduros-eu nunca
tive nenhuma espécie de problema com nenhum deles.Isso é mais do que eu posso dizer
de algumas crianças cujas famílias viveram aqui por gerações.
E eles ficam juntos do jeito que uma família deve ficar-acampando ás vezes nos finais
de semana...Só porque eles são novos na cidade as pessoa têm que ficar falando."
Foi o discurso mais longo que eu já ví Charlie fazendo.Ele deve ser fortemente contra o
que quer que as pessoas estão dizendo.
Eu dei pra tras. "Eles pareceram bons o suficiente pra mim.Eu só reparei que eles ficam
muito sozinhos.Eles são todos muito atraentes." eu adicionei isso tentando parecer
complementar.
"Você devia ver o doutor" Charlie disse rindo "Que bom que ele é feliz no
casamento.Muitas enfermeiras se esforçam em se concentrar em seus trabalhos quando
ele está por perto"
Nós continuamos em silêncio até terminarmos de comer. Ele limpou a mesa enquanto
eu comecei a lavar os pratos. Ele voltou para a TV, e depois que eu terminei de lavar os
pratos á mão-nada de lavadora de pratos-eu subí sem vontade pra fazer o meu dever de
Matemática.
A noite finalmente estava quieta. Eu caí no sono rapidamente,
exausta.
O resto da semana foi sem novidades. Eu me acostumei á rotina das aulas. Na sexta eu
já era capaz de reconhecer,se não nomear,quase todos os alunos da escola. Na
ginástica,os garotos do meu timeaprenderam a não me passar a bola e a entrar
rapidamente na minha frente se o outro time tentasse se aproveitar da minha fraqueza.
Eu ficava alegremente fora do caminho deles.
Edward Cullen não voltou á escola.
Todos os dias eu observava ansiosamente quando os outros Cullen entravam na
cafeteria sem ele. Então eu podia relaxar e aproveitar a conversa da hora do almoço. Na
maioria das vezes a coversa era sobre uma viagem ao Prque Oceanográfico de La Push
dentro de duas semanas que Mike estava planejando. Eu fiu convidada e tive que
aceitar,mais por educação que por vontade. Praias têm que ser quentes e secas.
Na sexta eu já me sentia confortável entrando na sala de Biologia, sem me preocupar
que Edward pudesse estar lá.
Até onde eu sabia,ele havia desistido da escola. Eu tentei não pensar nele,mas eu não
podia suprimir totalmente a preocupação de que eu pudesse ser a responsável por sua
ausência,por mais ridiculo que parecesse.
Meu primeiro fim de semana em Forks passou sem incidentes. Charlie,
desacostumado á ficar na casa normalmente vazia,trabalhou a maior parte do fim de
semana. Eu limpei a casa,adiantei o dever de casa e escreví mais e-mails com bobagens
alegres para a minha mãe. Eu dirigí até a biblioteca pública no sábado,mas o estoque era
tão pobre que eu nem me encomodei em fazer um cartão;eu teria que arranjar uma data
pra visitar Olympia ou Seattle em breve e achar uma boa loja de livros.
Eu pensei á toa quantas milhas a caminhonete faria com um litro de gasolina...e tremí
com o pensamento.
A chuva permaneceu leve durante o fim de semana,quieta,então eu pude dormir bem.
As pessoas me cumprimenteram no estacionamento da escola na segunda de manhã. Eu
não sabia todos os nomes deles,mas eu acenei de volta e sorrí pra todos. Esta manhã
estava mais frio,mas felizmente não chovendo. Em Inglês,Mike sentou no assento de
costume ao meu lado.
Tivemos uma arguição sobre O Morro dos Ventos Uivantes,eu estava adiantada,muito
fácil.
Tudo por tudo,eu estava me sentindo muito mais confortável do que eu imaginei que
sentiria a esse ponto. Mais confortável do que eu jamais esperei me sentir aqui.
Quando saímos da sala, o ar estava cheio de pedaços brancos rodando.
Eu podia ouvir as pessoas gritando excitadamente umas para as outras. O vento mordeu
minhas bochechas,meu nariz.
"Uau", Mike disse, "Está nevando."
Eu olhei para os pedacinhos de algodão que estavam se alojando na calçada e dançando
errôneamente enquanto passavam pelo meu rosto.
"Eca". Neve. Lá se vai meu bom dia.
Ele pareceu surpreso."Você não gosta de neve?"
"Não,significa que está frio demais para chover". Obvio. "Além do mais,eu pensei que
elas deviam descer como flocos-sabe, unicos e essa coisa toda. Esses parecem
contonetes usados."
"Você nunca viu a neve cair?" ele perguntou sem acreditar.
"Claro que já." eu pausei "na TV."
Mike riu,e então uma grande,molhada bola de neve derretendo atingiu a parte de trás da
sua cabeça. Eu tinha minhas suspeitas sobre Eric, que estava andando pra longe, de
costas pra nós-na direção errada para a sua próxima aula. Aparentemente,Mike era da
mesma opinião. Ele se curvou e começou a juntou uma pilha de neve branca.
"Eu te vejo no almoço tá?" Eu continuei caminhando enquanto falava.
"Quando as pessoas começam a atirar coisas molhadas, eu vou pra dentro"
Ele só acenou com a cabeça,seus olhos na figura se distanciando de Eric.
Durante a manhã,todos falavam excitadamente sobre a neve; aparentemente era a
primeira nevasca do ano. Eu mantive minha boca fechada. Claro,era mais seca do que a
chuva-até que derretia nas suas meias.
Eu caminhei em alerta para a cafeteria com Jéssica. As bolas de neve voavam por todo
lugar. Eu mantive uma pasta na minha mão,pronta para usá-la como escudo se
necessário. Jessica achou hilário,mas algo na minha expressão não permitiu que ela
mesma me atingisse com uma bola de neve.
Mike nos alcansou quando passamos pela porta,rindo,com gelo derretendo pelos seus
cabelos arrepiados. Ele e Jéssica converssavam animadamente sobre a guerra de neve
quando entramos na fila para comprar a comida. Eu olhei para a mesa no canto por puro
hábito. E congelei onde eu estava. Haviam cinco pessoas na fila.
Jéssica me puxou pelo braço.
"Alô? Bella? O que você quer?"
Eu olhei para baixo; minhas orelhas estavam quentes. Eu não tinha motivos para me
sentir constrangida,eu lembrei a mim mesma. Eu não fiz nada errado.
"Qual o problema com Bella?", Mike perguntou a Jéssica.
"Nada",eu respondí."Hoje eu só quero um refrigerante".Eu me aproximei do fim da fila.
"Você não está com fome?",Jéssica perguntou.
"Na verdade, eu estou me sentindo um pouco enjoada.",eu falei,meus olhos ainda no
chão.
Eu esperei que eles pegassem suas comidas,e então segui eles até a mesa,meus olhos
nos meus pés.
Eu bebi o meu refrigerante devagar,meu estômago revirando. Mike perguntou duas
vezes,com preocupação desnecesséria,como eu estava me sentindo. Eu disse a ele que
não era nada,mas estava imaginando se eu deveria usar isso como desculpa para fugir
para a enfermaria e ficar lá durante a próxima hora.
Ridículo. Eu não devia precisar fugir.
Eu decidí me permitir dar uma olhada para a mesa da família Cullen.
Se ele estivesse me encarando,eu iria faltar Biologia como a covarde que eu era.
Eu mantive minha cabeça abaixada e olhei pra cima por baixo dos meus cílios. Nenhum
deles estava olhando na minha direção. Eu levantei a cabeça um pouco.
Eles estavam rindo. Edward,Jasper e Emmett todos eles estavam inteiramente cobertos
com neve derretendo. Alice e Rosalie se afastaram enquando Emmett balançava o
cabelo pingando dele na direção delas. Eles estavam aproveitando o dia de neve,igual a
todo mundo-só que eles pareciam mais com a cena de um filme do que o resto de nós.
Mas,sem contar os risos e brincadeira,havia algo diferente, e eu não
conseguia apontar qual era essa diferença. Eu examinei Edward mais cuidadosamente.
A pele dele estava menos pálida,eu decidí-talvez corada pela guerra de neve-os
círculos embaixo dos olhos dele estavam muito menos visíveis. Mas havia algo mais.
Eu refletí,
encarando,tentando notar a diferença.
"Bella,pra onde você tá olhando?",Jéssica se intrometeu,acompanhando
os meus olhos. Nesse preciso momento os olhos dele brilharam e se encontraram com
os meus.
Eu deixei minha cabeça cair,deixando meus cabelos cairem pra cobrir meu rosto. Eu
tinha certeza,no entanto,no momento que nossos olhos se encontraram, que ele não
parecia severo ou hostil como ele estava da última vez que eu o ví. Ele parecia curioso
de novo, insatisfeito de alguma forma.
"Edward Cullen está te encarando",Jéssica deu uma risadinha no meu ouvido.
"Ele não parece estar com raiva parece?",eu não pude deixar de perguntar.
"Não",ela respondeu parecendo confusa com a minha pergunta."Ele deveria estar?"
"Eu acho que ela não gosta de mim",eu confidenciei. Eu me sentí enjoada. Eu coloquei
minha cabeça abaixada no meu braço.
"Os Cullen não gostam de ninguém...bem,eles não prestam atenção suficiente em
ninguém pra gostar deles. Mas ele ainda está te encarando."
"Pare de olhar pra ele", eu sussurei.
Ela sorriu mas parou de olhar pra ele. Eu levantei minha cabeça o suficiente pra ter
certeza que ela faria isso,disposta a usar de violência se ela se opusesse.
Mike nos interrompeu-ele estava planejando uma batalha épica do temporal no
estacionamento da escola e queria que nós nos juntássemos. Jéssica concordou
alegremente.
O jeito como ela olhava para Mike não deixou muitas dúvidas de que ela toparia
qualquer coisa que ele propusesse. Eu fiquei em silêncio. Eu teria que me esconder no
ginásio até que o estacionamento estivesse vazio.
Pelo resto do horário do almoço eu mantive meus olhos muito cuidadosamente na
minha própria mesa. Eu estava decidida a honrar o negócio que fiz comigo mesma. Já
que ele não parecia estar com raiva
eu podir ir para a aula de Biologia. Meu estômago deu cambalhotas quando eu pensei
em sentar perto dele de novo.
Eu não queria muito ir para a sala de aula com Mike como sempre-ele parecia ser um
alvo popular para os atiradores de bolas de neve-
mas quando nós foi para a porta,todos menos eu gemeram em coro.
Estava chovendo,lavando todos os traços de neve, levando-a embora em uma tira de
gelo que se estendia pela calçada. Eu levantei meu capuz,secretamente satisfeita. Eu
estaria livre para ir direto pra casa depois da Ginástica.
Mike continuou uma sequência de reclamações no caminho para o prédio quatro.
Uma vez dentro da sala de aula, eu ví aliviada que a minha mesa continuava vazia. A
aula não começou por alguns minutos e a sala zumbia com a conversa.Eu mantive os
meus olhos longe da porta, batucando á toa na capa do meu caderno.
Eu ouví muito claramente quando a cadeira próxima a mim se moveu, mas os meus
olhos se mantiveram cautelosamente no que eu estava fazendo.
"Olá",disse uma voz calma,musical.
Eu olhei pra cima,abismada porque ele estava falando comigo. Ele estava sentando tão
longe de mim quanto a mesa permitia,mas sua cadeira estava virada pra mim. O cabelo
dele estava pingando de tão molhado,desgrenhado-mesmo assim, parecia que ele havia
acabado de gravar um comercial de gel pra cabelo. Seu rosto estonteante era
amigável,aberto,um leve sorriso nos seus lábios indefectíveis. Mas seus olhos eram
cautelosos.
"Meu nome é Edward Cullen",ele continuou. "Eu não tive a oportunidade de me
apresentar na semana passada. Você deve ser Bella Swan."
Minha mente estava girando de tão confusa. Eu inventei a coisa toda?
Ele era perfeitamnete educado agora. Eu tinha que falar;ele estava esperando. Mas eu
não consegui pensar em nada convencional pra dizer.
"C-como você sabe o meu nome?",eu gaguejei.
Ele sorriu um sorriso leve,encantador.
"Oh, eu acho que todo mundo sabe o seu nome. A cidade inteira esteve esperando você
chegar"
Eu fiz uma careta. Eu sabia que havia sido algo assim.
"Não",eu insistí estupidamente."Eu quis dizer,porque você me chamou de Bella?"
Ele pareceu confuso. "Você prefere Isabella?"
"Não,eu gosto de Bella", eu disse. "Mas Charlie-quer dizer meu pai-deve me chamar
de Isabella pelas costas-é assim que todos parecem me conhecer",eu tentei explicar,me
sentindo como a mais burra entre as burras.
"Oh",ele deixou sair. Eu olhei pro outro lado me sentindo estranha.
Por sorte,o Sr. Banner começou a aula nessa hora. Eu tentei me concentrar na
experiência que faríamos na hoje. Os slides na caixa estavam fora de ordem.
Trabalhando como parceiros de laboratório, nós tinhamos que separar os slides em tipos
de raizes das espécies de células das fases da mitose que eles representavam e
etiquetálas adequadamente. Nós não podíamos usar os nosso livros. Em vinte minutos
ele voltaria pra ver quem havia acertado.
"Comecem", ele ordenou.
"Primeiro as damas,parceira?" Edward perguntou. Eu olhei pra cima pra vê-lo sorrindo
um sorriso tão lindo que eu não podia fazer nada além de olhar pra ele como uma idiota.
"Ou eu posso começar,se você quiser". O sorriso sumiu;ele estava obviamente
imaginando se eu era mentalmente competente.
"Não", eu disse ficando corada. "Eu vou na frente."
Eu estava me mostrando,só um pouquinho. Eu já havia feito essa experiência,e eu sabia
o que eu estava procurando. Só podia ser fácil. Eu coloquei o primeiro slide no lugar
embaixo do microscópio e ajustei a lente para o objetivo de 40 X. Eu estudei o slide
brevemente.
Minha avaliação foi confiante."Prófase."
"Você se importa se eu der uma olhada?",ele perguntou quando eu comecei a remover o
slide. Amão dele segurou a minha, para me parar,
quando ele perguntou. Os dedos dele eram frios como gelo,como se ele tivesse
colocado-a no gelo antes de entrar na sala de aula. Mas não foi por isso que eu puxei
minha mão tão rápido. Quando ele tocou minha mão,eu sentí uma punção como se uma
corrente elétrica tivesse passado por nós.
"Me desculpe",ele murmurou tirando sua mão imediatamente. No entanto,ele continuou
tentando alcansar o microscópio. Eu observei ele,ainda vacilante,enquanto ele
examinava o microscópio por um tempo ainda menor do que eu.
"Prófase",ele concordou,escrevendo cuidadosamente no primeiro espaço em branco da
nossa folha de trabalho. Ele rapidamente trocou o primeiro slide pelo segundo,e então
olhou curiosamente para ele.
"Anáfase",ele murmurou,escrevendo no papel enquanto falava.
Eu mantive minha voz indiferente."Posso?"
Ele sorriu maliciosamente e me passou o microscópio.
Eu olhei pela lente ansiosamente,só pra me disapontar. Droga,ele estava certo.
"Slide três?",eu levantei minha mão sem olhar pra ele.
Ele me passou;parecia que ele estava sendo cuidadoso para não tocar minha pele de
novo.
Eu dei a olhada mais rápida que eu consegui.
"Intérfase".Eu passei o microscópio antes que ele pudesse pedir. Ele deu uma olhada
rápida e então escreveu. Eu podia ter escrito enquanto ele olhava sua escrita limpa e
elegante me intimidou. Eu não queria sujar a folha com os meus garranchos
desajeitados.
Nós terminamos antes que qualquer outra pessoa estivesse perto. Eu podia ver Mike e
sua parceira comparando dois slides de novo e de novo, e outro grupo tinha aberto o
livro por debaixo da mesa.
Isso não me deixou outra alternativa a não ser tentar não olhar pra ele...sem sucesso. Eu
olhei pra cima,e ele estava olhando pra mim, aquele inxplicável olhar de frustração nos
seus olhos. De repente eu percebí qual era a súbita diferença no rosto dele.
"Você usa lentes de contato?",eu soltei sem pensar.
Ele pareceu confuso pela minha pergunta inesperada. "No".
"Oh",eu murmurei."Eu achei que havia algo diferente nos seus olhos."
Ele encolheu os ombros e olhou pra longe.
De fato,eu tinha certeza que algo estava diferente. Eu lembrava vividamente aquela cor
negra nos olhos dele na última vez que ele olhou pra mim-a cor era facilmente notável
em contraste com a sua pele pálida e seu cabelo ruivo.Hoje os olhos dele tinham uma
cor completamente diferente:um ocre estranho,mais escuros que Whisky, mas com a
mesma tonalidade dourada. Eu não entendia como isso podia estar acontecendo,a não
ser que por algum motivo ele estivesse mentindo sobre as lentes de contato. Ou talvez
Forks estivesse me deixando louca no sentido literal da palavra.
Eu olhei pra baixo. As mãos dele estavam apertadas contras os punhos de novo.
O Sr.Banner veio até a nossa mesa nessa hora,pra ver porque não estavamos
trabalhando. Ele olhou por cima dos nossos ombros para ver a experiência completa,e
então olhar ainda mais atentamente para checar as respostas.
"Então,Edward,você não achou que Isabella podia ter uma chance com o microscópio?",
o Sr.Banner perguntou.
"Bella.",Edward corrigiu automaticamente. "Na verdade,ela identificou três dos cinco."
Sr.Banner olhou pra mim agora,sua expressão era cética.
"Você já fez essa experiência antes?",ele perguntou.
Eu sorrí timidamente, "Não com raízes de cebola."
"Blastula de peixe branco?"
"É"
Sr. Banner concordou com a cabeça."Você estava numa colocação avançada no
programa de Phoenix?"
"Sim."
"Bem",ele disse depois de um momento. "Eu acho que é bom que vocês dois são
parceiros de laboratório.",ele murmurou algo mais enquanto ia embora. Depois que ele
foi embora,eu comecei a batucar no meu caderno de novo.
"É uma pena sobre a neve,não é?" Edward perguntou. Eu tinha a sensação de que ele
estava se esforçando pra conversar bobagens comigo. A paranóia me atingiu de novo.
Era como se ele tivesse ouvido minha conversa com Jéssica no almoço e estivesse
tentando provar que eu estava errada.
"Não muito",eu respondí honestamente,ao invés de tentar ser normal como todo
mundo.Eu ainda estava tentando desalojar o estúpido sentimento de suspeita e não
conseguia me concentrar.
"Você não gosta do frio." Não era uma pergunta.
"Ou do molhado."
"Forks deve ser difícil de viver pra você",ele meditou.
"Você não faz idéia",eu murmurei obscuramente.
Ele pareceu fascinado pelo que eu disse,por algum motivo que eu não podia imaginar. O
rosto dele era uma distração tão grande que eu tentei não olhar pra ele mais do que a
cortesia pedia.
"Então, porque você veio pra cá?"
Ninguém havia me perguntado isso-não diretamente como ele perguntou,exigente.
"É...complicado."
"Eu acho que consigo acompanhar",ele pressionou.
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Eu pausei por um longo momento,e então cometí o erro de encontra o seu olhar. Seus
olhos dourados escuros me confundiram,e eu respondí sem pensar.
"Minha mãe casou novamente",eu disse.
"Isso não parece tão complicado",ele discordou, ma de repemte estava simpático.
"Quando isso aconteceu?"
"Setembro passado",minha voz pareceu triste até para mim mesma.
"E você não gosta dele",Edward presumiuseu tom ainda gentil.
"Não,Phil é legal.Talvez novo demais,mas legal o suficiente"
"Porque você não ficou com eles?"
Eu não conseguia compreender o seu interesse,mas ele continuou a me olhar com olhos
penetrantes,como se a história chata da minha vida fosse de alguma forma vitalmente
importante.
"Phil viaja muito.Ele joga bola pra se sustentar." Eu dei um meio-sorriso.
"Eu já ouví falar dele?",ele perguntou,sorrindo em resposta.
"Provavelmente não. Ele não joga bem .Só na menor liga. Ele se muda muito."
"E sua mãe te mandou pra cá pra poder viajar com ele."ele disse novamente como uma
suposição,não uma pergunta.
Meu queixo levantou uma fração, "Não, ela não me mandou,eu mandei a mim mesma"
As sobrancelhas dele se encontraram."Eu não entendo.",ele admitiu e pareceu
excessivamente frustrado com o fato.
Eu suspirei. Porque eu estava explicando isso pra ele?
Ele continuou a me encarar com obvia curiosidade.
"No início ela ficou comigo,mas ela sentia a falta dele. Eu a fiz infeliz,então eu decidí
que estava na hora de passar umas horas de qualidade com Charlie." Minha voz estava
mal-humorada quando eu terminei.
"Mas agora você está infeliz",ele apontou.
"E?",eu desafiei.
"Isso não me parece justo",ele encolheu os ombros mas seus olhos ainda estavam
intensos.
Eu sorrí sem humor. "Nunca te contaram? A vida não é justa."
"Eu acredito que eu já tinha ouvido isso antes",ele concordou secamente.
"Então isso é tudo" eu insistí,me perguntando porque ele ainda estava me olhando
daquele jeito.
O olhar dele se tornou avaliativo. "Você faz um belo show",ele disse vagarosamente.
"Mas eu seria capaz de apostar que você está sofrendo mais do que deixa os outros
verem."
Eu fiz uma careta pra ele,tentando comtrolar o impulso de mostrar minha língua pra ele
como uma criança de cinco anos e olhei pro outro lado.
"Estou errado?"
Eu tentei ignorá-lo
"Eu acho que não",ele disse.
"Porque isso importa pra você?,eu perguntei irritada. Eu mantive os olhos
distantes,observando o professor andando pela sala.
"Essa é uma pergunta muito boa",ele murmurou,tão baixo que eu imaginei se ele estaria
falando consigo mesmo. Porém,depois de algund minutos de silêncio, eu percebí que
essa era a única resposta que eu receberia.
Eu suspirei e olhei para o quadro negro carrancuda.
"Eu estou te aborrecendo?",ele me perguntou parecendo divertido
Eu olhei pra ele sem pensar...e disse a verdade de novo. "Não exatamente. E u estou
aborrecida comigo mesma. Meu rosto é tão fácil de ler-minha mãe sempre me chama
de livro aberto.",eu fiz cara feia.
"Pelo contrário,eu acho você bem difícil de ler". Apesar de tudo o que eu disse e de tudo
que ele advinhou,ele parecia sincero.
"Você deve ser um bom leitor então",eu repliquei.
"Geralmente",ele sorriu largamente,mostrando uma série de dentes perfeitos e super
brancos.
Sr.Banner pediu ordem na sala, e eu me virei aliviada para ouvir.
Eu não conseguia acreditar que eu havia acabado de explicar minha vida melancólica
para esse bizarro e lindo garoto que pode ou não me desprezar. Ele pareceu absorvido
pela nossa conversa,mas agora eu podia ver pelo canto do meu olho,que ele estava se
mantendo longe de mim de novo,as mãos dele agarrando a borda da mesa,com inegável
tensão.
Eu tentei fingir que prestava atenção enquanto o Sr.Banner explicava com
transparências no projetor,o que eu havia visto antes com dificuldade pelo microscópio.
Mas os meus pensamentos eram indóceis.
Quando o sinal finalmente tocou,Edward correu tão rapidamente e graciosamente da
sala como na segunda feira passada. Eu o observei maravilhada.
Mike pulou rapidamente pra o meu lado e pegou os meus livro pra mim. Eu imaginei
com um rabinho balançando.
"Aquilo foi horrível",ele gemeu. "Todos eles pareciam exatamente iguais.Você tem
sorte por ter Cullen como parceiro."
"Eu não tive nenhum problema"eu disse,com raiva pela suposição dele.Eu me arrependí
do esnobismo na hora. "Eu já havia feito essa experiência",eu falei antes que eu pudesse
magoar os sentimentos dele.
"Cullen pareceu amigável o suficiente hoje",ele comentou enquanto vestíamos os
casacos de chuva.Ele não pareceu feliz com isso.
Eu tentei parecer indiferente:"Eu me pergunto qual era o problema dele na segunda
passada."
Eu não consegui me concentrar na conversa de Mike enquanto caminhávamos para a
aula de Eduacação Física,e também não fiz muito pra me manter concentrada. Ele
nobremente cobriu a minha posição e a sua própria,então eu só saia da minha posição
quando era a minha vez de sacar. O meu time se abaixava e saia do caminho sempre que
era a minha vez.
A chuva era só uma névoa quando eu caminhei para o estacionamento,mas eu estava
mais contente quando eu entrei na cabine seca. Eu liguei o aquecedor,pela primeira vez
sem me importar com o barulho ensurdecedor do motor. Eu baixei o zíper do meu
casaco,baixei o capuz e afofei meu cabelo para que o aquecedor o secasse no caminho
pra casa.
Eu olhei ao redor pra ter certeza de que o caminho estava limpo. Foi aí que eu ví a
figura ereta,branca. Edward Cullen estava enconstado na porta do seu Volvo á três
carros de distância de mim e olhando atentamente na minha direção.
Eu rapidamente olhei pra longe e dei a ré na caminhonete quase batendo num Toyota
Corolla na minha pressa.
Pra sorte do Corolla,eu pisei no freio a tempo. Esse é exatamente o tipo de carro que o
meu carro deixaria em pedacinhos. Eu respirei fundo,olhando pra fora pelo outro lado
do meu carro,e cautelosamente tirei o carro,com mais sucesso.
Eu olhei direto para a frente quando eu passei pelo Volvo,mas pela minha visão
periférica,eu poderia jurar que ví ele rindo.
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3. Fenômeno
Quando eu abri meus olhos essa manhã, algo estava diferente.
Era a luz. Ainda estava a luz cinza-esverdeada de um dia nublado na floreta, mas estava
mais claro de alguma forma. Eu percebi que não havia nenhuma névoa vendando minha
janela.
Eu me levantei pra olhar lá fora, e então gemi horrorizada.
Uma fina camada de neve cobria o jardim, varria a parte de cima da minha
caminhonete, e deixava a estrada toda branca.
Mas essa não era a pior parte.
Toda a chuva de ontem tinha congelado, virado gelo — cobrindo o topo das árvores em
fantástico padrões deslumbrantes, e cobrindo a calçada com um gelo mortal. Eu tive
bastante dificuldade para não cair no chão seco; poderia estar mais seguro para eu voltar
agora para cama.
Charlie tinha ido para o trabalho antes de eu descer escada abaixo. De muitos modos,
vivendo com Charlie tinha como eu ter meu próprio lugar, e eu fiquei me divertindo
sozinha, mesmo sem ter ninguém.
Eu joguei rapidamente no chão uma tigela de cereal e um pouco de suco de laranja da
caixa de papelão. Eu me sentia excitada para ir para a escola, e isso me assustou. Eu
sabia que não era o estímulo do ambiente, percebi que estava me antecipando, ou meu
novo grupo de amigos. Eu tinha que ser honesta comigo mesma, eu sabia que estava
ansiosa para chegar a escola porque eu veria Edward Cullen.
E isso era mesmo muito estúpido.
Eu deveria o estar evitando completamente depois de minha conversa desmiolada e
embaraçosa ontem.
E eu suspeitava dele; por que ele deveria mentir sobre os olhos dele? Eu ainda estava
amedrontada pela hostilidade que eu às vezes sentia emanando dele, e eu ainda ficava
com a língua-amarrada sempre que olhava a face perfeita dele.
eu estava plenamente cosciente que nás eramos opostos que não se atraíam. Então eu
não devia estar absolutamente tão ansiosa pra ver ele hoje.
Eu tive que usar toda a minha concentração pra conseguir sobreviver á descida nos
tijolos cobertos se gelo da entrada. Eu quase perdí o equilíbrio quando finalmente
cheguei á caminhonete, mas eu conseguí me agarrar no retrovisor e me salvar.
Claramente, hoje seria um pesadelo.
Dirigindo para a escola, eu me distraí do medo de cair e as minhas especulações não
desejadas sobre Edward Cullen e pensando em Mike e Eric, e na diferença óbvia em
como os garotos adolescentes me tratavam aqui.
Eu tinha certeza que era exatamente a mesma que era em Phoenix. Talvez fosse só
porque os garotos de Phoenix me viram passar por todas as fases estranhas da
adolescencia e ainda pensavam em mim daquele jeito. Talvez fosse porque eu era
novidade aqui, onde as novidades são algo muito raro. Talvez o meu jeito desajeitado
fosse visto como uma coisa mais encarecedora do que patética, me transformando numa
donzela ao invés de algum tormento. Qualquer que fosse a razão, o comportamento de
cãozinho de Mike e a aparente rivalidade de Eric eram desconcertantes.Eu não tinha
certeza que não preferia ser ignorada.
Minha caminhonete parecia não ter problemas com o gelo preto que cobria a estrada.
apesar disso, eu dirigi bem devagar pra não cravar uma espécie de trilha na rua
principal.
Quando eu saí do meu carro na escola eu ví porque eu tive tão poucos problemas.
Algo prateado chamou minha atenção, e eu caminhei para o fundo da caminhonete segurando
cautelosamente o suporte lateral-para examinar os meus pneus. Haviam
pequenas correntes cruzadas em formatos de diamantes ao redor deles. Charlie deve ter
acordado sabe-se lá que horas pra colocar as correntes nos meus pneus. De repente eu
sentí minha garganta apertando. Eu não estava acostumada a ser cuidada, e a
preocupação de Charlie me pegou de surpresa.
Eu estava no canto de trás da minha caminhonete, tentando lutar com a onda de
emoções que as correntes de neve troxeram, quando eu ouví um som estranho. Era
como um arranhão muito alto, estava rapidamente se tornando dolorosamente alto. Eu
olhei para cima,estarrecida.
Eu ví várias coisas simultâneamente. Nada estava se mexendo em câmera lenta como
acontece nos filmes. ao invés disso, a adrenalina pareceu fazer o meu cérebro trabalhar
muito mais rápido, e eu fui capaz de absorver em detalhes claros várias coisas ao
mesmo tempo.
Edward Cullen estava parado quatro carros á minha frente me encarando horrorizado. O
rosto dele se destacou do mar de rostos, todos petrificados com a mesma expressão de
choque. Mas de mais imediata importância havia uma van azul escura derrapando,
pneus guinchando contra os freios, girando selvagemente no gelo do estacionamento. Ia
bater num dos cantos traseiros da minha caminhonete, e eu estava entre eles. Eu nem
tive tempo de fechar os meus olhos. Logo antes de ouvir o barulho de algo se quebrando
vindo da carroceria da minha caminhonete, alguma coisa bateu em mim, forte, mas não
da direção que eu estava esperando. Minha cabeça bateu contra o gelo empretecido, e eu
senti alguma coisa sólida e fria me pressionando no chão. Eu estava deitada no chão
atrás do carro de pintura queimada que estava estacionado próximo ao meu.
Mas eu não tive a chance de prestar atenção em mais nada porque a van ainda estava
vindo. Ela havia feito uma curva no fundo da minha caminhonete, e ainda girando e
deslizando, estava prestes a colidir comigo de novo.
Uma voz baixa me disse que alguem estava comigo,e a voz era impossível não
reconhecer. Duas mãos longas, brancas ficaram protetoramente na minha frente e a van
parou a um palmo de distância de mim, as mãos grandes cabendo perfeitamente num
vão profundo na lateral da van. As mãos dele se moveram tão rápido que ficaram fora
de foco.
Uma delas estava de repente agarrando o fundo da van, e alguma coisa estava me
puxando,empurrando minhas pernas como se elas fossem de uma boneca de trapo até
que elas encostaram no pneu do carro com a pintura queimada. O baque de um som
metáloco fez meus ouvidos doerem, e a van estava estabilizada no chão, vidro caindo no
asfalto -exatamente onde minhas pernas haviam estado.
Tudo ficou absolutamente silencioso por um longo segundo antes da gritaria
começar.Mas mais claramente que a gritaria, eu podia ouvir a voz baixa, desesperada de
Edward no meu ouvido.
"Bella? Você está bem?"
"Eu estou bem". Minha voz soou estranha. Eu sentei sentar, e me dei conta que ele
estava me apertando do lado do corpo dele com muita força.
"Tenha cuidado",ele avisou quando eu relutei," eu acho que você bateu bem forte com a
cabeça".
Eu me dei conta de uma dor pulsante centrada bem acima da minha orelha esquerda.
"Au", eu disse, surpresa.
"Foi o que eu pensei". "A voz dele, incrivelmente, fez parecer que ele estav prendendo
uma risada.
"Como diabos..." eu parei, tentando limpar minha mente,me orientar.
"Como é que você chegou aqui tão rápido?"
"Eu estava parado bem ao seu lado, Bella" ele disse, seu tom estava sério de novo.
Eu tornei a sentar, e dessa vez ele deixou, soltando o seu braço da minha cintura e
escorregando pra o mais longe de mim que foi possível no espaço limitado. Eu olhei
para a expressão preocupada, inocente dele e mais uma vez estava disorientada pela
força dos seus olhos dourados. O que é que eu estava perguntando a ele?
E então eles nos encontraram, uma multidão de pessoas com lágrimas saindo dos olhos
e escorrendo pelo rosto, gritando umas para as outras, gritando para nós.
"Não se mexam" alguém instruiu.
"Tirem Tyler da van!" outra pessoa gritou.
Havia um fluxo de atividade ao nosso redor. Eu tentei levantar, mas as mãos frias de
Edward me puxaram pra baixo pelo ombro.
"Fique quieta por enquanto".
"Mas está frio", eu reclamei. Eu me surpreendí quando ele gargalhou baixinho.
Havia uma margem no som.
"Você estava bem alí", de repente eu lembrei, e a gargalhada dele parou na hora. "Você
estava perto do seu carro".
A expressão dele ficou dura. "Não, eu não estava."
"Eu ví você". Tudo ao nosso redor estava um caos. Eu pude ouvir a voz áspera de
adultos se aproximando da cena. Mas eu obstinadamente me mantive na nossa
discussão; eu estava certa, e ele ia ter que admitir.
"Bella, eu estava em pé com você, e eu te tirei do caminho." Ele usou todo o poder
imenso, devastador do seu olhar em mim, como se estivesse tentando me comunicar
algo crucial.
"Não", eu apertei minha mandíbula.
O dourado dos seus olhos brilhou. "Por favor, Bella".
"Porque?" eu perguntei.
"Confie em mim." ele alegou, a voz dele opressiva.
Eu podia ouvir o som de sirenes agora. "Você promete que vai me explicar tudo
depois?"
"Tá bom" ele disse, subtamente exasperado.
"Tá bom", eu repeti enfurecida.
Foi preciso seis paramédicos e dois professores-Sr. Varner e treinador Clapp-para
afastar a van o suficiente pra trazer macas até nós. Edward veementemente recusou a
dele, e eu tentei fazer o mesmo,mas o traidor contou a eles que eu tinha batido a minha
cabeça e que provavelmente tinha tido uma concussão. Eu quase morrí de humilhação
quando eles colocaram o suporte de pescoço. Parecia que a escola inteira estava lá,
assistindo sóbriamente enquanto eles me colocaram no fundo da ambulância. Edward
pôde ir na frente.
Era enlouquecedor.
pra piorar a situação, o chefe Swan chegou antes que eles pudessem me colocar a uma
distância segura.
"Bella!", ele gritou em pânico quando me reconheceu na maca.
"Eu estou completamente bem, Char-pai.", eu suspirei. "Não tem nada errado comigo."
Ele se virou para o paramédico mais próximo para pedir uma segundo opinião. Eu
desliguei ele da minha mente pra tentar considerar a confusão de imagens inexplicáveis
se agitando loucamente na minha cabeça.
Quando eles me tiraram de perto do carro, eu pude ver um buraco profundo na lateral do
carro do carro com a pintura queimada-uma cavidade muito distinta que se ajustava ao
contorno dos ombros de Edward...como se ele tivesse se forçado contra o carro com
força suficiente para danificar a estrutura de metal...
E lá estava a família dele, olhando de longe, com expressões que iam da desaprovação á
furia mas que não continham nenhuma espécie de preocupação com a segurança do
irmão.
Eu tentei encontrar uma solução lógica que pudesse explicar o que havia acabado de
ver-uma solução que excluísse a possibilidade de eu ser louca.
Naturalmente, a ambulância conseguiu uma escolta policial. Eu me sentí ridícula em
cada intante enquanto eles me tiravam de lá. O que piorou a situação foi que Edward
entrou no hospital por suas próprias pernas. Eu apertei meus dentes.
Eles me colocaram na sala de emergência, uam sala longa com uma fileira de camas
separadas por cortinas em tom pastel. Uma enfermeira colocou um medidor de pressão
arterial no meu braço e um termometro embaixo da minha língua. Já que ninguém se
incomodou em puxar a cortina para me proferir alguma privacidade, eu decidí que não
era mais obrigada a usar aquele suporte para pescoço ridículo.
Quando a enfermeira foi embora, eu rapidamente soltei o Velcro e joguei ele embaixo
da cama.
Houve outro fluxo do pessoal do hospital, outra maca foi trazida para o meu lado. Eu
reconhecí Tyler Crowley da minha aula de História embaixo das bandagens apertadas
na cabeça dele que estava coberta de sangue. Tyler pareceu 100 vezes pior do que eu me
sentia.
Mas ele estava me encarando ansiosamente.
"Bella, me desculpe."
"Eu estou bem, Tyler-você parece horrível, está tudo bem?" Enquanto falávamos, as
enfermeiras começaram a tirar as bandagens encharcadas dele, deixando expostas uma
porção de cortes superfíciais em toda a sua testa e na bochecha esquerda.
Ele me ignorou. "Eu pensei que fosse matar você!Eu estav indo rápido demais e batí
errado no gelo..."
Ele choramingou enquanto a enfermeira tocava o seu rosto de leve.
"Não se preocupe com isso; você errou a pontaria."
"Como é que você saiu do caminho tão rápido? Você estava lá, e de repente não estava
mais..."
"Umm... Edward me tirou do caminho."
"Quem?"
"Edward Cullen-ele estava do meu lado." Eu sempre mentí muito mal; eu não soei nem
um pouco convicente.
"Cullen? Eu não ví ele...uau, foi rápido demais, eu acho. Ele está bem?"
"Eu acho que sim. Ele tá aqui, em algum lugar, mas eles não o fizeram usar uma maca".
Eu sabia que eu não estava louca. O que aconteceu? Não havia nenhuma forma de
explicar o que tinha visto.
Então eles me levaram pra fazer um raio-x. Eu disse a eles que não havia nada errado
comigo, e eu estava certa. Nem uma concussão. Eu perguntei se podia ir embora, mas a
enfermeira disse que eu tinha que falar com um médico antes. Então eu estava presa na
sala de emergência, esperando, sendo molestada pelos pedidos contantes de desculpa de
Tyler e pelas promessas de que ele ia me recompensar.
Eu tentei convencê-lo de que estava bem, mas ele continuou se atormentando.
Finalmente, eu fechei os meus olhos e ignorei ele. Ele continuou com o seu discurso
cheio de remorso.
"Ela está dormindo?", perguntou uma voz musical. Meus olhos se abriram.
Edward estava no pé da minha cama, sorrindo. Eu encarei ele. Não foi
fácil-seria mais natural admirá-lo.
"Ei, Edward, eu lamento muito -" Tyler começou.
Edward levantou a mão para parar ele.
"Sem sangue, sem danos ",ele disse mostrando seus dentes brilhantes.
Ele foi se sentar na borda da cama de Tyler, me encarando. Ele sorriu de novo.
"Então, qual é o veredito?" ele me perguntou.
"Não tem absolutamente nada de errado comigo, mas eles não querem me deixar ir
embora.", eu reclamei.
"Como é que você não está acorrentado numa cama como o resto de nós?"
"Tudo depende dos seus contatos", ele respondeu. "Mas não se preocupe, eu vim pra te
animar."
Nessa hora um médico virou no corredor e o meu queixo caiu. Ele era jovem, ele era
loiro... e muito mais bonito do que qualquer estrela de cinema que eu já tenha visto. No
entanto, ele era pálido e parecia cansado, com círculos embaixo dos olhos. Pela
descrição de Charlie, esse tinha que ser o pai de Edward.
"Então senhorita Swan", Dr. Cullen disse numa voz notavelmete atraente, "como é que
você está se sentindo?"
"Eu estou bem", eu repetí pela última vez,eu esperava.
Ele caminhou para o painél de luz em cima da minha cabeça, e o ligou.
"Seu raio-x parece bom", ele disse. "A sua cabeça está doendo?Edward disse que você
bateu com força."
"Ela está bem", eu repeti com um suspiro, olhando de relance na direção de Edward.
Os dedos frios do doutor tatearam levemente no meu crânio. Ele percebeu quando eu
gemí.
"Delicado?" ele perguntou.
"Na verdade não", podia ser pior.
Eu ouví uma gargalhada e olhei pra ver o sorriso complacente de Edward. Eu revirei os
olhos.
"Bem, o seu pai está na sala de espera-você pode ir pra casa com ele agora. Mas volte
se você tiver vertigens ou se tiver qualquer problema com a sua visão."
"Eu posso voltar para a escola?", eu perguntei, imaginando Charlie tentando ser
atencioso.
"Talvez você devesse pegar leve hoje".
Eu dei uma olhada pra Edward. "Ele vai poder voltar para a escola?"
"Alguém tem que espalhar a boa notícia que nós sobrevivemos", Edward disse fazendo
chacota.
"Na verdade", Dr. Cullen corrigiu. "Parece que toda a escola está na sala de espera."
"Ah não", eu gemí cobrindo o rosto com as mãos.
Dr. Cullen ergueu as sobrancelhas. "Você quer ficar?"
"Não, não!" Eu insisti jogando as minhas pernas pelo lado da cama e me colocando
rápido de pé. Rápido demais-eu cambaleei, e Dr. Cullen me sugurou. Ele pareceu
preocupado.
"Eu estou bem." Eu assegurei pra ele. Não tinha porque dizer pra ele que os meus
problemas com o equilíbrio não tinham nada a ver com o fato de eu ter batido com a
cabeça.
"Tome Tylenol para a dor" ele sugeriu enquanto me sustentava.
"Não dóe tanto", eu insisti.
"Parece que você teve muita sorte", Dr. Cullen disse enquanto assinava a meu quadro
com um gesto floreado.
"Sorte que Edward estava do meu lado", eu emendei com um olhar duro na direção do
objeto da minha declaração.
"Oh, bem, sim", Dr. Cullen concordou, subitamente ocupado com uns papéis na frente
dele.Depois ele olhou pro outro lado, pra Tyler, e andou até a próxima cama. Minha
intuição flutuou; o Dr. sabia de tudo.
"Eu temo que você terá que ficar conosco um pouco mais de tempo". Ele disse para
Tyler e começou a checar os cortes dele.
Assim que o Dr. ficou de costas eu me aproximei de Edward.
"Será que eu posso falar com você por um minutinho?" eu cochichei por baixo do
fôlego. Ele deu um passo se afastando de mim, sua mandíbula subitamente apertada.
"Seu pai está esperando por você", ele disse entre dentes.
Eu olhei de relance pra Dr. Cullen e Tyler.
"Eu gostaria de falar com você em particular, se você não se incomodar.", eu pressionei.
Ele me olhou fixamente, e depois me deu as costas e caminhou pelo longo quarto. Eu
praticamente tive que correr para acompanhá-lo.
Assim que viramos na curva para um pequeno corredor, ele se virou para me encarar.
"O que você quer?" ele perguntou, parecendo aborrecido. Seus olhos eram frios.
A expressão nada amigável dele me intimidou. Minhas palavras sairam com menos
severidade do que eu pretendia. "Você me deve uma explicação", eu lembrei ele.
"Eu salvei a sua vida-eu não te devo nada"
Eu vacilei com o resentimento na voz dele. "Você prometeu."
"Bella, você bateu com a cabeça, você não sabe do que está falando"
o tom dele era cortante.
Agora o meu temperamento estava em chamas, eu encarei ele desafiadoramente. "Não
tem nada errado com a minha cabeça".
Ele me encarou de volta. "O que você quer de mim, Bella?"
"Eu quero saber a verdade," eu disse."Eu quero saber porque estou mentindo por você."
"O que você acha que aconteceu?", ele soltou.
Saiu num sopro.
"Tudo o que eu sei é que você não estava em nenhum lugar perto de mim-Tyler
também não viu você, então não diga que eu batí muito forte com a cabeça. Aquela van
ia esmagar nós dois-e não esmagou, e as suas mãos deixaram buracos na lateral dela-e
você deixou um buraco na lateral daquele outro carro, e você não está absolutamente
machucado. E a van devia ter amassado as minhas pernas, mas você estava segurando
ela..." Eu tinha noção do quanto aquilo soava louco, e eu não pude continuar. Eu estava
com tanta raiva que podia sentir as lágrimas chegando; eu tentei forçá-las a desaparecer
apertando os meus dentes juntos.
Ele estava me olhando incrédulo. Mas o rosto dele estava tenso, na defensiva.
"Você acha que eu tirei uma van de cima de você?". O tom dele questionava a minha
sanidade, mas só me deixou mais suspeitas. Era como uma fala perfeitamente decorada
por um ator talentoso.
Eu simplesmente afirmei com a cabeça uma vez, mandíbula apertada.
"Ninguém vai acreditar nisso, sabe." agora a voz dele tinha um tom de zombaria.
"Eu não vou contar pra ninguem". Eu disse cada palavra vagarosamnete,
cuidadosamnete controlando a minha raiva.
A surpresa apareceu no rosto dele. "Então porque isso importa?"
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"Importa pra mim" eu insistí. "Eu não gosto de mentir-então seria melhor se eu tivesse
uma boa razão pra fazer isso."
"Será que você não pode só me agradecer e esquecer isso?"
"Obrigada", eu disse fumaçando e esperando.
"Você não vai desistir, vai?"
"Não."
"Nesse caso... eu espero que você gosto do desapontamento."
Nós nos olhamos em silêncio. Eu fui a primeira a quebrar o silêncio, tentando manter o
foco. Eu corria o risco de me distrair com o seu rosto lívido,glorioso. Era como tentar
encarar um anjo destruidor.
"Porque você se incomoda?" eu perguntei frigidamente.
Ele pausou, por um instante seu rosto estonteante ficou inesperadamente vulnerável.
"Eu não sei", ele cochichou.
Aí ele me deu as costas e caminhou pra longe de mim.
Eu estava com tanta raiva que demorou uns minutos até que eu pudesse me mover.
Quando eu consegui andar, eu caminhei lentamente lentamente para a saída no final do
corredor.
A sala de espera estava mais desagradável do que eu temia. Parecia que todos os rostos
que eu conhecia em Forks estavam lá, me encarando. Charlie correu para o meu lado; eu
levantei as mãos.
"Não tem nada de errado comigo", eu assegurei solenemente. Eu ainda estava
importunada, sem o mínimo humor pra conversinha.
"O que o doutor disse?"
"Dr. Cullen me viu, e ele disse que eu estava bem e que podia ir pra casa.", eu suspirei.
Mike e Jéssica e Eric estavam todos lá, começando a vir na nossa direção. "Vamos
logo", eu apressei.
Charlie colocou o braço atrás das minhas costas, não necessariamente me tocando, e me
guiou até as portas de vidro da saída. Eu acenei timidamente para os meus amigos,
esperando convencê-los de que eles não precisavam mais se preocupar comigo.
Era um enorme alívio-a primeira vez que já me sentí assim -entra na viatura.
Nós dirigimos em silêncio. Eu estava tão presa nos meus pensamentos que praticamente
nem reparei que Charlie estava lá. Eu tinha certeza que a postura defensiva de Edward
era uma confirmação de todas as bizarrices que eu ainda não podia acreditar que tinha
testemunhado.
Quando nós chegamos em casa, Charlie finalmente falou.
"Umm... você vai precisar ligar pra Renée", ele baixou a cabeça, em sinal de culpa.
Eu estava apática. " Você contou á mamãe!"
"Desculpe."
Eu batí a porta da viatura um pouco mais forte do que o necessário quando saí.
Minha mãe estava histérica, é claro. Eu tive que dizer a ela que estava bem pelo menos
umas trinta vezes antes dela se acalmar. Ela me implorou pra voltar pra casa-esqucendo
que nossa casa estava vazia naquele momento-mas as súplicas dela foram mais fáceis
de resistir do que eu imaginava. Eu estava consumida pelo mistério que Edward
representava. E uma pouco mais obsecada pelo próprio Edward.
Burra, burra, burra.
Eu não estava tão ansiosa pra deixar Forks quanto eu deveria estar, como qualquer
pessoa normal e sã deveria estar.
Eu decidí que devir ir dormir mais cedo naquela noite. Charlie continuou cuidando de
mim ansiosamente, e isso estava me deixando nervosa. Eu parei no caminho pra pegar
três Tylenol no banheiro. Eles ajudaram, e quando a dor passou, eu peguei no sono.
Essa foi a primeira noite que eu sonhei com Edward Cullen.
4. Convite
No meu sonho estava muito escuro, e a pouco luz que havia lá parecia estar vindo da
pele de Edward. Eu não conseguia ver ele, só as costas dele enquanto ele andava pra
longe de mim, me deixando na escuridão. Não importava o quanto eu corresse, eu não
conseguia acompanhá-lo; não importava o quanto eu gritasse por ele, ele nunca se
virava. Confusa, eu acordei no meio da noite e não conseguí mais dormir pelo que
pareceu ser um longo tempo. Depois disso, ele estava nos meus sonhos praticamente
toda noite, mas sempre distante, nunca a meu alcance.
O mês que se seguiu ao acidente foi incômodo, tenso, e, a princípio, até embaraçoso.
Para meu desânimo, eu me tornei o centro das atenções pelo resto da semana.
Tyler Crowley estava impossível, me seguindo, obeseca com a idéia de me recompensar
de algum modo. Eu tentei convencê-lo de que o que mais queria era que ele esquecesse
o que aconteceu -especialmente já que nada aconteceu comigo -mas ele continuou
insistindo.
Ele me seguiu entre as aulas e se sentou na nossa agora lotada mesa do almoço. Mike e
Eric eram ainda menos amigáveis com ele do que um com o outro, o que me deixou
preocupada por estar ganhando outro fã indesejado.
Ninguém pareceu preocupado com Edward, apesar de eu ter explicado milhões de vezes
que ele era o herói -como ele me tirou do caminho e quase foi atingido também. Eu
tentei ser convincente. Jéssica, Mike, Eric e todos os outros sempre comentavam que
eles nem sequer tinham visto ele lá até que a van foi tirada do caminho.
Eu pensei comigo mesma porque ninguém havia visto ele em pé lá longe, antes que ele
estivesse de repente, impossivelmente salvando a minha vida. Com pesar, eu me dei
conta da possível causa -ninguém estava tão conscinte da presença de Edward quanto
eu estava. Ninguém mais observava ele como eu. Que pena.
Edward nunca estava cercado de espectadores ansiosos pela sua atenção. As pessoas
evitavam ele como sempre. Os Cullen e os Hales se sentavam na mesma mesa como
sempre, sem comer,falando apenas uns com os outros.
Nenhum deles, especialmente Edward, olhou mais na minha direção.
Quando ele sentava perto de mim na sala, tão longe de mim quanto a mesa permitia, ele
parecia totalmente alheio á minha presença. Só de vez em quando, quando os pulsos
dele se apertavam -a pele ficava ainda mais branca ao redor dos ossos -eu ficava
imaginando se ele estava mesmo tão inconscinte quanto queria fazer parecer.
Ele desejava não ter me tirado do caminho da van de Tyler -pra mim não havia outra
conclusão.
Eu queria muito falar com ele, e no dia depois do acidente eu tentei. Na última vez que
eu ví ele, fora da sala de emergência, nós dois estávamos tão furiosos. Eu ainda estava
com raiva por ele não confiar em mim a ponto de dizer a verdade, apesar de eu estar
cumprindo com a minha parte do trato perfeitamente. Mas ele tinha de fato salvado a
minha vida, não importa como. Durante a noite a minha raiva se transformou em
gratidão.
Ele já estava sentado quando eu entrei em Biologia, olhando diretamente pra frente. Ele
não deu nenhum sinal de que sabia que eu estava lá.
"Olá Edward", eu disse agradavelmente, pra mostrá-lo que eu ia me comportar
direitinho.
Ele virou uma fração na minha direção sem olhar pra mim, balançou a cabeça uma vez,
e então olhou pro outro lado.
E esse foi o último contato que eu tive com ele, apesar dele estar lá, a um passo de mim,
todos os dias. As vezes eu ficava observando ele, sem conseguir me controlar -á
distância, contudo, na cafeteria ou no estacionamento. Eu observava como os seus olhos
dourados ficavam perceptivelmente mais e mais pretos a cada dia. Mas na aula eu não
dava mais atenção a ele do que ele dava pra mim.
Eu estava arrasada. E os sonhos continuavam.
Apesar das minhas mentiras deslavadas, a tenacidade doas meus e-mails alertaram
Renée para a minha depressão, e ela ligou algumas vezes, preocupada. Eu tentei
convencê-la de que era só o clima que estava me deixando pra baixo.
Mike, ao menos, parecia estar satisfeito pela óbvia frieza entre mim e meu parceiro de
laboratório.
Eu podia ver que ele andava preocupado que o salvamento arriscado de Edward tivesse
me impressionado, e ele parecia aliviado que pareceu ter o efeito o oposto. Ele ficou
mais confiante, sentando na borda da minha mesa pra conversar antes da aula de
Biologia começar, ignorando Edward tão completamente quanto ele ignorava nós dois.
A neve foi embora de vez depois daquele dia perigosamente gelado. Mike estava
desapontado porque não pôde fazer a sua briga de bola de neve, mas satisfeito que a ida
á praia seria o mais breve possível. A chuva, porém, continuou pesada e as semanas
foram passando.
Jéssica me alertou de outro evento despontando no horizonte -ela ligou na primeira
Terça-feira de Março pra pedir minha permissão pra convidar Mike para o baile da
escolha das garotas dentro de duas semanas.
"Tem certeza que você não se importa...você não estava planejando convidá-lo?" ela
insistiu quando eu disse que não me importava nem um pouco.
"Não Jess, eu não vou." eu garantí pra ele. Dançar estava além do alcance dasminha
habilidades.
"Vai ser muito divertido", a tentativa de convite dela foi meio falsa. Eu suspeitava que
Jéssica gostava mais da minha inexplicável popularidade do que da minha companhia
propriamente dita.
"Se divirta com Mike", eu encoragei.
No outro dia, eu fiquei surpresa que Jéssica não estava sendo a mesma pessoa em
Trigonometria e Espanhol. Ela estava quieta enquanto andava ao meu lado entre as
aulas, e eu estava com medo de perguntar o por quê. Se Mike deixou ela na mão, eu
seria a última pessoa pra quem ela iria querer contar.
Meus medos cresceram no almoço quando Jéssica se sentou tão longe de Mike quanto
foi possível, conversando animadamente com Eric. Mike estava estranhamente quieto.
Mike ainda estava calado quando me acompanhou á aula, a expressão desconfortável no
rosto dele era um mal sinal. Mas ele não tocou no assunto até que eu estava sentada e
ele estava curvado sobre a minha mesa.
Como sempre, eu estava eletricamente consciente da presença de Edward sentado ao
alcance do meu toque, distante como se ele fosse um fruto da minha imaginação.
"Então", Mike disse olhando pro chão, "Jéssica me convidou para o baile de primavera".
"Isso é ótimo". Eu fiz a minha voz ficar contente e entusiasmada.
"Você vai se divertir muito com a Jéssica"
"Bem...", ele gaguejou enquanto examinava o meu sorriso, claramente discontente com
a minha resposta. "Eu disse a ela que precisava pensar."
"Porque você faria isso?" eu deixei a desaprovação aparecer no meu tom, apesar de
estar aliviada que ele não tinha dado um não definitivo á ela.
O rosto dela estava vermelho quando ele olhou pro chão de novo. A piedade me deixou
balançada.
"Eu estava imaginando se...bem, se você estava planejando me convidar."
Eu parei um segundo, odiando a onda de culpa que passou por mim. Mas eu ví, pelo
canto dos meus olhos, quando um reflexo fez Edward virar a cabeça na minha direção.
"Mike, eu acho que você devia dizer sim pra ela", eu disse.
"Você já convidou outra pessoa?" Será que Edward percebeu os olhos de Mike na
direção dele?
"Não," eu garantí pra ele "eu nem sequer vou ao baile."
"Porque não?", Mike quis saber.
Eu não queria falar sobre os perigos que dançar representava, então eu rapidamente
inventei novos planos.
"Eu vou pra Seattle esse Sábado", eu expliquei. Eu precisava sair da cidade mesmo-de
repente era o momento perfeito pra ir.
"Você não pode ir outra semana?"
"Desculpa, não", eu disse. "Então você não devia fazer Jess esperar mais-é rude."
"É, você está certa." ele murmurou, e se virou, arrasado, pra voltar pro seu lugar.
Eu fechei os meus olhos e pressionei os dedos nas minhas têmporas, tentando tirar a
culpa e a pena da minha cabeça. O Sr. Banner começou a falar. Eu suspirei e abrí os
olhos.
E Edward estava me olhando cheio de curiosidade, aquele mesmo olhar de frustração
ainda mais distinto agora nos seus olhos pretos.
Eu olhei de volta, surpresa, esperando que ele olhasse rapidamente pra longe. Mas ao
invés disso, ele continuou me olhando intensamente nos olhos. Eu não afastaria o olhar
de jeito nenhum. Minhas mãos começaram a tremer.
"Sr. Cullen", o professor chamou, querendo a resposta para uma pergunta que eu não
tinha ouvido.
"O ciclo dos caranguejos", Edward respondeu, parecendo relutante enquanto ele virava
pra olhar para o Sr. Banner.
Eu olhei para os meus livros assim que estava livre do olhar dele, tentando me
encontrar.Covarde como sempre, eu coloquei o meu cabelo sobre o meu ombro direito
pra esconder o meu rosto. Eu não conseguia acreditar na onda de emoções pulsando no
meu corpo -só porque ele olhou pra mim pela primeira vez em seis semanas.
Eu não podia permitir que ele tivesse esse nível de influência sobre mim. Era patético.
Pior que patético, não era saudável.
Eu fiz o que pude pra não me dar conta da presença dele pela hora restante, e, já que era
impossível, pelo menos fiz de tudo pra ele não se dar conta que eu me dava conta da
presença dele. Quando o sinal finalmente tocou, eu me virei de costas pra ele pra juntar
as minhas coisas, esperando que ele fosse embora imediatamente, como sempre.
"Bella?" a voz dele não devia soar tão familiar pra mim, como se eu conhecesse esse
som por toda a minha vida e não por apenas algumas semanas.
Eu virei devagar, sem vontade. Eu não queria sentir o que eu sabia que ia sentir quando
olhasse para o seu rosto mais que perfeito. A minha expressão era cautelosa quando eu
finalmente me virei pra ele; a expressão dele era ilegível. Ele não disse nada.
"O que? Você já está falando comigo de novo?" eu finalmente perguntei, um pouco de
petulância desintencional na minha voz.
Os lábios dele se contorceram, lutando contra um sorriso. "Na verdade não", ele
admitiu.
Eu fechei meus olhos e inalei vagarosamente pelo nariz, consciente de que os meus
dentes estavam se apertando. Ele esperou.
"Então o que você quer, Edward?" eu perguntei, mantendo meus olhos fechados; era
mais fácil conversar coerentemente com ele desse jeito.
"Me desculpe", ele pareceu sincero."Eu estou sendo muito rude, eu sei. Mas desse jeito
é melhor, mesmo."
Eu abrí meus olhos. O rosto dele estava sério.
"Eu não sei o que você quer dizer", eu disse, minha voz cautelosa.
"É melhor se nós não formos amigos", ele explicou. "Confie em mim".
Meus olhos reviraram. Eu já ouví isso antes.
"É uma pena que você não tenha descoberto isso mais cedo", eu falei entre meus dentes.
"Você podia ter se poupado desse arrependimento".
"Arrependimento?", a palavra e o meu tom obviamente pegaram ele de surpresa.
"Arrependimento pelo quê?"
"Por não ter simplesmente deixado aquela van estúpida passar por cima de mim."
Ele estava incrédulo. Ele me olhava em descrença.
Quando ele finalmente falou, ele parecia com raiva. "Você acha que eu me arrependo de
ter salvado a sua vida?"
"Eu sei que você se arrepende." , eu disse.
"Você não sabe de nada", ele definitivamente estava com raiva.
Eu virei rapidamente a minha cabeça, prendendo a minha mandíbula pra não soltar de
vez todas as acusações que tinha contra ele.
Eu juntei os meus livros, então me levantei e caminhei até a porta.
Eu planejava sair da sala dramaticamente da sala, mas é claro que eu batí a minha bota
da porta e derrubei os meus livros. Eu fiquei lá por um momento, pensando em deixálos.
Então eu suspirei e me abaixei para apanhá-los. Ele estava lá; eles já tinha os
colocado numa pilha. Ele me passou eles, sua expressão dura.
"Obrigada", eu disse geladamente.
Ele revirou os olhos.
"De nada", ele devolveu.
Eu me levantei, dei as costas pra ele e fui pra aula de ginástica sem olhar pra trás.
A ginástica foi brutal. Nós estavamos jogando Basquete. Meu time nunca me passava a
bola, e isso era bom, mas eu caí muito. As vezes eu derrubava as pessoas comigo. Hoje
eu estava pior que o normal porque minha cabeça estava cheia de Edward. Eu tentei me
concentrar nos meus pés, mas ele voltava a inundar meus pensamentos quando eu mais
precisava de equilíbrio.
Eu estava aliviada, como sempre, por ir embora. Eu quase corrí pro meu carro; havíam
tantas pessoas que eu queria evitar. A caminhonete sofreu o mínimo de danos pelo
acidente. Eu tive que trocar os faróis, e quando ela fosse pintada ficaria perfeita.
Os pais de Tyler tiveram que vender a van por partes.
Eu quase tive um ataque do coração quando ví uma silhueta alta, escura encostada na
lateral da minha caminhonete. Então eu me dei conta que era só Eric. Eu comecei a
andar de novo.
"Ei Eric", eu chamei.
"Oi Bella."
"O que foi?" eu disse enquanto destravava a porta. Eu não estava prestando atenção ao
tom desconfortável da voz dele, então suas próximas palavras me pegaram de surpresa.
"Uh, eu estava só imaginando...se você não gostaria de ir ao baile de primavera
comigo." A voz dele desapareceu na última palavra.
"Eu pensei que fosse escolha das garotas" eu disse, assustada demais pra ser
diplomática.
"Bem, é..." ele admitiu, envergonhado.
Eu recuperei minha compostura e tentei sorrir docemente. "Obrigada por me convidar,
mas eu vou pra Seattle nesse dia."
"Ah", ele disse. "Talvez da próxima vez."
"Claro", eu concordei e aí mordí meu lábio. Eu não queria que ele levasse isso muito a
sério.
Ele foi embora, em direção á escola. Eu ouví uma gargalhada baixinha.
Edward estava passando pela minha caminhonete, olhando diretamente pra frente, seus
lábios pressionados. Eu abrí a porta e pulei pra dentro, batendo ela com força atrás de
mim.
Eu liguei o motor desafiadoramente e dei a ré saindo pelo corredor.
Edward já estava em seu carro, a duas vagas de distância, deslizando vagarosamente na
minha frente, me atrapalhando.
Ele parou lá-pra esperar sua família; eu podia ver eles caminhando nessa direção, mas
ainda perto da cafeteria. Eu pensei em arrancar o retrovisor do seu Volvo, mas haviam
muitas testemunhas. Eu olhei no meu espelho retrovisor. Uma fila estava começando a
se formar.
Diretamente atrás de mim, Tyler Crowley estava no seu Sentra usado, recentemente
adquirido, acenando. Eu estava agitada demais pra prestar atenção nele.
Enquanto eu estava sentada lá, olhando pra todos os cantos menos pro carro na minha
frente, eu ouví uma batidinha na minha janela do lado do passageiro. Eu olhei; era
Tyler. Eu olhei de novo no meu retrovisor, confusa. O carro dele ainda estava ligado, a
porta esquerda aberta. Eu me estendí pela cabine pra abrir a janela. Estava dura. Eu abrí
até a metade, depois desistí.
"Desculpa, Tyler, eu estou presa atrás de Cullen", eu estava aborrecida-obviamente o
engarrafamento não era culpa minha.
"Oh, eu sei-eu só queria te perguntar uma coisa enquanto estamos presos aqui", ele
sorriu largamente.
Isso não podia estar acontecendo.
"Você vai me convidar para o baile de primavera?" ele continuou.
"Eu não vou estar na cidade Tyler", minha voz pareceu um pouco aguda. Eu tinha que
lembrar que não era culpa dele que Mike e Eric já tinham acabado com a minha cota de
paciência por aquele dia.
"É, Mike disse isso", ele admitiu.
"Então porque -"
Ele encolheu os ombros. "Eu estava pensando que você só não queria machucá-lo"
OK, foi culpa dele.
"Desculpe, Tyler", eu disse tentando esconder minha irritação. "Eu estou mesmo saindo
da cidade"
"Tudo bem. Ainda temos o baile de fim de ano."
E antes que eu pudesse responder, ele estava caminhando de volta pro seu carro. Eu
podia sentir o choque no meu rosto. Eu olhei pra frente pra ver Alice, Rosalie, Emmett e
Jasper todos entrando no Volvo. No espelho retrovisor dele, os olhos de Edward
estavam em mim. Ele estava inquestionávelmente se balançando de rir, como se ele
tivesse ouvido cada palavra de Tyler.
Meu pé se aproximou do acelerador... um empurrãozinho não ia machucar nenhum
deles, só aquela pintura prateada do Volvo. Eu acelerei o motor.
Mas eles estavam todos dentro, e Edward estava indo embora. Eu dirigí pra casa
devagar, cuidadosamente, murmurando pra mim mesma durante o caminho inteiro.
Quando eu cheguei em casa, eu resolví fazer enchiladas de frango pro jantar. Era um
longo processo, e me manteria ocupada. Enquanto eu estava picando as cebolas e o
chili, o telefone tocou. Eu estava quase com medo de atender, mas podia ser Charlie ou
minha mãe.
Era Jéssica, e ela estava exultante; Mike alcançou ela depois da escola para aceitar o seu
convite. Eu comemorei brevemente com ela enquanto me movimentava. Ela tinha que
desligar. Ela tinha que ligar pra Angela e Lauren pra contar a elas. Eu sugerí -com uma
inocência casual-que talvez Angela, a garota tímida que tinha Biologia comigo, podia
convidar Eric. E Lauren, uma garota reservada que sempre me ignorava na mesa do
almoço, podia convidar Tyler; eu tinha ouvido dizer que eles estavam disponíveis. Jess
achou que essa era uma ótima idéia. Agora que ela tinha certeza de Mike, ela realmete
pareceu sincera quando disse que gostaria que eu fosse para o baile. Eu dei a desculpa
de Seattle.
Depois que eu desliguei, eu tentei me concentrar no jantar-cortando o frango
especialmente; eu não queria fazer outra visitaá sala de emergência. Mas a minha
cabeça estava rodando, tentando analizar cada palavra que Edward havia dito hoje. O
que ele queria dizer com , era melhor que não fôssemos amigos?
Meu estômago revirou quando eu entendí o que ele queria dizer. Ele deve ter reparado
no quanto eu estava absorvida por ele; ele não deve querer que eu me engane...então não
poderiamos ser amigos... porque ele não estava nem um pouco interessado em mim.
É claro que ele não estava interessado em mim, eu pensei com raiva, meus olhos
pulsando-uma reação ás cebolas. Eu não era interessante. E ele era. Interessante...e
brilhante...e misterioso...e perfeito...e lindo...
...E possívelmente capaz de levantar vans com uma mão só.
Bom, tudo bem. Eu podia deixá-lo em paz. Eu ia deixá-lo em paz. Eu ia suportar a
sentença dada por mim mesma aqui no purgatório, e talvez alguma escola no Sul,
possivelmente no Havaí ia me dar uma bolsa de estudos.
Eu me concentrei em praias ensolaradas e palmeiras enquanto terminava as enchiladas e
colocava elas no forno.
Charlie pareceu desconfiado quando chegou em casa e sentiu o cheiro dos pimentões.
Eu não podia culpá-lo-a única comida Mexicana próxima do comestível estava no Sul
da Califórnia. Mas ele era um policial, mesmo que um policial de uma cidade pequena,
então ele foi corajoso o suficiente pra dar a primeira mordida. Ele pareceu gostar. Era
engraçado observar enquanto ele começava a confiar em mim na cozinha.
"Pai?" eu perguntei quando ele já estava quase acabando.
"Sim, Bella?"
"Um, só queria te dizer que eu vou pra Seattle no próximo Sábado...tudo bem?" Eu não
queria pedir permissão-deixava uma má imagem-mas eu achei rude, então mudei de
idéia no fim.
"Porque?", ele pareceu surpreso, como se ele não pudesse imaginar algo que Forks não
pudesse oferecer.
"Bom, eu queria ir pegar alguns livros-a biblioteca daqui é bem limitada-e talvez vez
algumas roupas." Eu tinha mais dinheiro do que estava acostumada, desde que, graças
ao Charlie, eu não precisei comprar um carro. Não que a caminhonete não fosse cara em
se tratando de gasolina.
"Essa caminhonete provavelmente não faz uma milhagem muito boa com a gasolina",
ele disse fazendo um eco com os meus pensamentos.
"Eu sei, eu vou parar em Montesano e Olympia-e Tacoma se precisar."
"Você vai sozinha?", ele perguntou, e eu não conseguí dizer se ele pensava que eu
tivesse um namorado secreto ou se ele só estava preocupado por causa do carro.
"Sim".
"Seattle é uma cidade grande, você pode se perder", ele disse.
"Pai, Phoenix é cinco vezes maior que Seattle-e eu sei ler um mapa, não se preocupe."
"Você quer que eu vá com você?"
Eu tentei ser profissional enquanto escondia o meu horror.
"Está tudo bem pai. Eu provavelmente estarei em provadores o dia inteiro-muito
chato."
"Oh, OK". O pensamento de passar o dia inteiro sentado em lojas de roupas de mulher
acalmou ele imediatamente.
"Obrigada." eu sorrí pra ele.
"Você vai estar de volta á tempo pro baile?"
Grrr. So numa cidade pequena como essa os pais sabem quando são os bailes.
"Não-eu não danço pai." Ele, de todas as pessoas,devia entender isso-eu não herdei os
problemas de equilíbrio da minha mãe.
Ele entendeu. "Oh, tudo bem." Ele se tocou.
Na manhã seguinte, quando eu estacionei no estacionamento, eu deliberadamente
estacionei o mais distante possível do Volvo prateado. Eu não queria cair em tentação e
acabar fazendo ele merecer um carro novo. Saindo da cabine, eu deixei as chaves
cairem numa poça aos meus pés. Enquanto eu me abaixava para apanhá-las, uma mão
branca pegou-as num flash antes que eu pudesse tentar.
Edward Cullen estava bem na minha frente, encostado casualmente na minha
caminhonete.
"Como você faz isso?"
"Faz o que?" Ele me passou as chaves enquanto falava. Quando eu ia apanhá-las ele
jogou elas na palma da minha mão.
"Aparece do nada"
"Bella, não é culpa minha que você não é particularmente observadora" a voz dele era
quieta como sempre-aveludada, emudecida.
Eu olhei para o seu rosto perfeito. Os olhos dele estavam claros hoje de novo, uma cor
dourada da cor do mel, profunda.
Então eu tive que olhar pra baixo pra reagrupar os meus pensamentos agora confusos.
"Porque aquela pataquada no tráfego ontem?" eu perguntei de uma vez, ainda olhando
pra longe. "Eu pensei que você devia estar me ignorando e não me irritando até a
morte."
"Aquilo foi pro bem de Tyler, não pro meu. Eu tinha que dar uma chance a ele." ele riu
silenciosamente.
"Você..." eu gaguejei. Eu não conseguí pensar numa palavra ruim o suficiente.
Eu sentí que o calor daminha raiva podia queimá-lo fisicamente, mas ele parecia estar se
divertindo.
"Eu não estou fingindo que você não existe", ele continuou.
"Então você está tentando me irritar até a morte? Já que Tyler não conseguiu terminar o
trabalho?"
A raiva transpareceu nos seus olhos. Os seus lábios se pressionaram até formar uma
linha fina, todos os sinais de humor tinham desaparecido.
"Bella, você é muito absurda", ele disse, sua voz baixa estava fria.
Minhas palmas coçaram-eu queria tanto bater em alguma coisa. Eu estava surpresa
comigo mesma. Normalmente eu não era uma pessoa violenta. Eu dei as costas e
comecei a caminhar.
"Espere", ele chamou. Eu continuei andando, caminhando furiosamente pela chuva.
Mas ele estava perto de mim, acompanhando o passo facilmente.
"Me desculpe por ser rude", ele disse enquanto andávamos. Eu ignorei ele. "Eu não
estou dizendo que não é verdade", ele continuou, "Mas mesmo assim foi rude."
"Porque você não me deixa em paz?", eu murmurei.
"Eu queria perguntar uma coisa, mas você me desconcentrou",ele riu.
Ele parecia ter recuperado o bom humor.
"Você tem alguma disordem de múltipla personalidade?", eu perguntei severamente.
"Você está fazendo de novo".
Eu suspirei. "Tá bom, o que você quer perguntar?"
"Eu estava imaginando se no Sábado da próxima semana-você sabe, no dia do baile de
primaveira-"
"Você está tentando ser engraçado ?" Eu interrompí me virando pra ele. Meu rosto ficou
encharcado quando eu olhei pra cima pra ver sua expressão.
Seus olhos estavam estranhamente divertidos. "Será que você pode me deixar terminar
por favor?"
Eu mordí meu lábio e juntei minhas mãos, entrelaçando meus dedos, assim eu não faria
nada de que eu pudesse me arrepender.
"Eu ouví você dizendo que vai pra Seattle nesse dia, e eu estava imaginando se você
quer uma carona."
Isso foi inesperado.
"O que?" Eu não tinha idéia de onde ele queria chegar.
"Você quer uma carona até Seattle?"
"Com quem?" eu perguntei, mistificada.
"Comigo, obviamente". Ele pronunciou cada sílaba, como se estivesse falando com
alguém mentalmente incapacitado.
Eu ainda estava atordoada. "Porque?
"Bom, eu estava planejando ir á Seattle nas próximas semanas, e, pra ser honesto, eu
não tenho certeza se o seu carro aguenta."
"Minha caminhonete funciona muito bem, obrigada pela preocupação." Eu comecei a
andar de novo, mas eu estava muito surpresa pra manter o mesmo nível de raiva.
"Mas a sua caminhonete consegue chegar até lá com um tanque de gasolina?" Ele
acompanhou o meu passo de novo.
"Eu não vejo como isso pode ser da sua conta." Estúpido dono do Volvo brilhante.
"O desperdício de bens findáveis é da conta de todo mundo."
"Honestamente, Edward",eu sentíuma alegria percorrer meu corpo quando eu disse o
nome dele. "Eu não consigo te acompanhar. Eu pensei que você não queria ser meu
amigo."
"Eu disse que seria melhor se não fôssemos amigos, não que eu não queria ser."
"Oh, obrigada, isso esclarece tudo" Sarcasmo pesado. Eu percebí que tinha parado de
caminhar de novo. Estávamos sob o teto da cafeteria agora, então eu podia olhar para o
seu rosto com mais facilidade. O que certamente não ajudou muito na claridade do
pensamento.
"Seria mais...prudente se você não fosse minha amiga", ele explicou. "Mas eu estou
cansado de tentar ficar longe de você, Bella."
Seus olhos estavam gloriosamente intensos enquanto ele pronunciava a última frase, sua
voz flamejante. Eu não conseguia lembrar de respirar.
"Você vai pra Settle comigo?" ele perguntou, ainda intenso.
Eu ainda não conseguia falar, então só balancei a cabeça.
Ele sorriu brevemente, então seu rosto ficou sério.
"Você realmente devia ficar longe de mim", ele avisou. "Te vejo na aula."
Ele se virou abruptamente e caminhou pra o lugar de onde tinhamos vindo.
5. Tipo Sanguíneo
Eu fui pra aula de inglês totalmente ofuscada. Eu nem me dei conta quando eu entrei na
sala que a aula já tinha começado.
"Obrigado por se juntar a nós, Srta. Swan". Sr Mason disse me tom de afronta. Eu corei
e corrí pro meu lugar.
Foi só no final da aula que eu percebi que Mike não estava sentado no seu lugar de
sempre ao meu lado. Eu sentí uma ponta de culpa. Mas ele e Eric me encontraram na
porta como sempre, então eu imaginei que eu estivesse um pouco desculpada. Mike
pareceu se tornar mais ele mesmo enquanto caminhávamos, ganhando entusiasmo
enquanto ele falava da previsão pro clima pra esse fim de semana.
A chuva daria uma pequena trégua, então talvez seu passeio á praia fosse possível.
Eu tentei parecer eufórica, pra me redimir por ter desapontado ele ontem. Era difícil;
com chuva ou sem, a temperatura continuaria um pouco baixa, isso se tivéssemos sorte.
O resto da manhã passou num sopro. Era difícil de acreditar que eu não tinha apenas
imaginado o que Edward havia me dito, e a expressão nos olhos dele. Talvez fosse só
um sonho muito convincente que eu confundí com a realidade. Isso parecia mais
prvável do que eu sendo apelativa pra ele em qualquer sentido.
Eu estava muito impaciente e aflita quando eu e Jéssica entramos na cafeteria. Eu queria
ver seu rosto, ver se ele havia voltado a ser a pessoa fria, indiferente que eu conhecí
pelas últimas semanas. Ou se, por algum milagre, eu realmente tinha ouvido o que eu
achava que tinha ouvido essa manhã. Jéssica estava tagarelando sobre os seus planos
para o baile -Lauren e Angela haviam convidado os outros garotos e eles estavam todos
indo juntos-completamente alheia á minha desatenção.
Desapontamento me inundou quando os meus olhos se concentraram na mesa dele. Os
outros quatro estavam lá, mas ele estava ausente. Ele foi pra casa? Eu segui a ainda
tagarelante Jéssica pela fila, arrasada. Eu tinha perdido o meu apetite -eu não comprei
nada além de uma garrafa de limonada. Eu só queria ir me sentar e mofar.
"Edward Cullen está olhando pra você de novo", Jéssica disse, finalmente quebrando a
minha distração com o nome dele. "Eu me pergunto porque ele está se sentando sozinho
hoje."
Minha cabeça deu um salto. Eu segui o olhar dela pra ver Edward, sorrindo, me
observando de uma mesa vazia no lado contrário de onde ele se sentava de costume.
Assim que ele encontrou meus olhos ele fez um gesto com o dedo indicador pedindo pra
que eu me juntasse a ele. Enquanto eu o encarava sem acreditar, ele piscou pra mim.
"Ele tá chamando você?" Jéssica perguntou com um assombro muito insultante.
"Talvez ele precise de ajuda com o dever de casa de Biologia", eu murmurei pro bem
dela. "Umm, é melhor eu ir ver o que ele quer".
Eu podia sentir ela me encarando enquanto eu me afastava.
Quando eu alcancei a mesa dele, eu fiquei de pé atrás da cadeira na frente dele, incerta.
"Porque você não se senta comigo hoje?" ele me perguntou, sorrindo.
Eu sentei automaticamente, observando ele com cuidado. Ele ainda estava sorrindo. Era
difícil de acreditar que alguém tão bonito pudesse ser real. Eu temia que ele
desaparecesse repentinamente numa nuvem de fumaça, e eu acordasse.
Ele parecia estar esperando que eu dissesse alguma coisa.
"Isso é diferente", eu finalmente consegui dizer.
"Bem...", ele pausou, depois suas palavras sairam todas de uma só vez. "Eu decidí que
já que eu estou indo pro inferno, é melhor fazer direito."
Eu esperei pra que ele dissesse alguma coisa que fizesse sentido. Os segundos foram
passando.
"Você sabe que eu não faço idéia do que você quer dizer", finalmente eu apontei.
"Eu sei", Ele sorriu de novo, e então mudou de assunto. "Eu acho que os seus amigos
estão bravos comigo por roubar você."
"Eles vão sobreviver", eu podia sentir o olhar deles cravados nas minhas costas.
"Porém, eu posso não te devolver", ele disse com um brilho estranho no olhar.
Eu engolí seco.
Ele sorriu. "Você parece preocupada".
"Não", eu disse, ridiculamente, minha voz fugiu.
"Surpresa, na verdade...o que causou tudo isso?"
"Eu já te disse... eu me cansei de tentar ficar longe de você. Então, eu estou desistindo."
Ele ainda estava sorrindo, mas seus olhos estavam sérios.
"Desistindo?", eu repetí confusa.
"Sim-desistindo de tentar ser bonzinho. Eu vou fazer o que eu quiser agora, e deixar
acontecer o que tiver de acontecer." Seu sorriso sumiu enquanto ele explicava, sua voz
adquiriu um tom duro.
"Você me perdeu de novo."
O sorriso arrebatador reapareceu.
"Eu sempre falo demais quando estou com você-esse é um dos problemas."
"Não se preocupe, eu não entendo nada mesmo.", eu disse.
"Eu estou contando com isso."
"Então, em Inglês simples, nós somos amigos agora?"
"Amigos...", ele meditou, em dúvida.
"Ou não." eu murmurei.
Ele sorriu. "Bem, nós podemos tentar, eu suponho. Mas eu te aviso que eu não sou um
bom amigo pra você." Por trás do sorriso, se aviso era de verdade.
"Você diz muito isso.", eu notei, tentando acalmar o nervosismo no meu estômago e
manter minha voz calma.
"Sim, porque você não está me ouvindo. Eu estou esperando que você acredite em mim.
Se você for esperta, você vai me evitar."
"Eu acho que você também já deixou clara a sua opinião sobre o meu intelecto.", meus
olhos reviraram.
Ele sorriu.
"Então, enquanto eu estou sendo...não esperta, nós vamos tentar ser amigos?" eu lutei
pra entender a confusa mudança.
"Isso parece correto."
Eu olhei para as minhas mãos entrelaçadas na garrafa de limonada, sem saber o que
fazer agora.
"No que você está pensando?", ele perguntou curiosamente.
Eu olhei pra os seus profundos olhos dourados, fiquei abobalhada, e como sempre,
soltei toda a verdade.
"Eu estou tentando descobrir o que você é."
A mandíbula dele se contraiu, mas ele continuou sorrindo com algum esforço.
"Está tendo alguma sorte?", ele perguntou num tom desinteressado.
"Não muita", eu admiti.
Ele gargalhou. "Quais são as suas teorias?"
Eu corei. Durante o último mês eu estive entre Bruce Wayne e Peter Parker.
Não tinha jeito de eu dizer isso.
"Você não vai me contar?" ele perguntou inclinando a cabeça pra um lado com um
sorriso chocantemente tentador.
Eu balancei minha cabeça. "Muito embaraçoso".
"Isso é muito frustrante, sabe", ele reclamou.
"Não", eu discordei rapidamente, meus olhos revirando. "Eu não consigo imaginar
porque isso seria frustrante-só porque uma pessoa se recusa a te dizer o que ela está
pensando, só porque ela está só criando pequenas observações obscuras que te mantêm
você acordado se perguntando o que elas poderiam querer dizer com aquilo... agora,
porque isso seria frustrante?"
Ele fez uma careta.
"Ou melhor", eu continuei, o tom de aborrecimento saindo livremente agora. "Digamos
que essa pessoa tanbém fez algumas coisas bizarras-de salvar a sua vida sob
circunstâncias impossíveis um dia pra depois tratar você como uma estranha no outro
dia, e ele nunca explica nada disso, mesmo se ele prometeu. Isso, também seria muito
não frustrante."
"Você tem um temperamento um pouco forte, não tem?"
"Eu não gosto de duplos padrões".
Nós encaramos um ao outro, sem sorrir.
Ele deu uma olhada por cima do meu ombro, e então,inesperadamente, ele sorriu
silenciosamente.
"O que é?"
"O seu namorado parece estar pensando que eu estou sendo rude com você-ele está se
questionando se deve ou não vir aqui apartar a nossa briga.", ele sorriu silenciosamente
de novo.
"Eu não sei do que você está falando", eu disse frigidamente. "Mas de qualquer forma,
eu tenho certeza que você está enganado."
"Eu não estou. Eu já te disse, a maioria das pessoas é fácil de ler."
"Exceto eu, é claro."
"Sim. Exceto você.", seu humor mudou de repente; seus olhos se tornaram pensativos.
"Eu me pergunto o porquê disso."
Eu tive que olhar pra longe da intensidade do seu olhar. Eu me concentrei em tirar o
rótulo da minha garrafa de limonada. Eu tomei um gole, olhando para a mesa sem
enxergá-la.
"Vicê não está com fome?", ele perguntou distraído.
"Não", eu não estava a fim de dizer que o meu estômago já estava cheio-de borboletas.
"Você?" eu olhei para a mesa vazia na frente dele.
"Não, eu não estou com fome." Eu não entendí a expressão dele -parecia que ele estava
de divertindo com algum tipo de piada secreta.
"Você pode me fazer um favor?", eu perguntei depois de um segundo de hesitação.
De repente ele estava cauteloso. "Depende do que você quer".
"Não é muito", eu garantí.
Ele esperou, cauteloso, mas curioso.
"Eu só estava imaginando...se você poderia me avisar com antecedência na próxima vez
que você resolver me ignorar para o meu próprio bem. Só pra eu me preparar.", eu olhei
para a garrafa de limonada enquanto falava, passando o dedo na boca da garrafa.
"Parece justo." Ele estava pressionando os lábios pra não rir quando eu olhei pra cima.
"Obrigada."
"Então posso ter uma resposta em retorno?" ele pediu.
"Uma."
"Me diga uma das suas teorias."
Opa. "Essa não."
"Você não qualificou, você só prometeu uma resposta", ele me lembrou.
"Você também já quebrou suas promessas.", eu lembrei pra ele também.
"Só uma teoria-eu não vou rir."
"Vai sim". eu tinha certeza disso.
Ele olhou pra baixo e depois olhou pra mim por entre seus longos cílios negros, seus
olhos chamuscando.
"Por favor?", ele respirou se inclinando na minha direção.
Eu pisquei, minha mente ficando obscurecida. Santa Mãe, como é que ele faz isso?
"Er, o que?", eu perguntei ofuscada.
"Por favor,me diga só uma teoria.", seus olhos ainda grudados em mim.
"Hum, bem, mordido por uma aranha radioativa?" Ele fazia hipnose, também? Ou eu
era um caso sem esperança?
"Isso não é muito criativo". ele zombou.
"Me desculpe, é tudo que eu tenho", eu disse amuada.
"Você não está nem perto", ele caçoou.
"Nada de aranhas?"
"Não"
"E nada de radioatividade?"
"Nada"
"Droga", eu suspirei.
"Kryptonita também não me incomoda", ele gargalhou.
"Você não podia rir, lembra?"
Ele lutou pra recompor o rosto.
"Eu vou descobrir mais cedo ou mais tarde", eu avisei.
"Eu gostaria que você não tentasse". Ele estava sério de novo
"Porque...?"
"E se eu não for um super-herói? E se eu for o bandido?", ele sorriu brincando, mas seus
olhos eram impenetráveis.
"Oh", eu disse,agora muitas da dicas que ele havia dado faziam sentido."Eu entendo."
"Entende?" seu rosto estava abruptamente severo, como se ele estivesse com medo de
ter falado demais.
"Você é perigoso?" eu chutei, meu pulso disparou quando eu me dei conta da verdade
nas minhas palavras. Ele era perigoso. Ele esteve tentando me dizer isso o tempo
inteiro.
Ele só olhou pra mim, os olhos cheios de uma emoção que eu não conseguia
compreender.
"Mas não mau." eu balancei minha cabeça. "Não, eu não acredito que você seja mau."
"Você está errada." A voz dele era praticamente inaudível. Ele olhou pra baixo, roubou
a tampa daminha garrafa e começou a rodá-la entre os dedos.. Eu olhei pra ele,
imaginando porque eu não sentia medo. Ele falava sério -isso era óbvio. Mas eu só me
sentia ansiosa, no limite...e mais que tudo, fascinada. Da mesma forma que eu sempre
me sentia quando estava perto dele.
O silêncio durou até que eu percebí que a cafeteria estava quase vazia.
Eu fiquei de pé num pulo." Nós vamos nos atrasar".
"Eu não vou á aula hoje", ele disse rodando a tampa tão rápido que era só um vulto.
"Porque não?"
"É saudável faltar a aula de vez em quando.", ele sorriu pra mim, mas seus olhos ainda
pareciam confusos.
"Bom, eu vou indo", eu disse pra ele. Eu era covarde demais pra arriscar ser pega. Ele
voltou a atenção pra sua tampinha. "Até mais tarde então."
Eu hesitei, dividida, mas então o sinal tocou e eu saí correndo pela porta-dando uma
ultima olhada pra confirmar que ele não tinha se movido nem um centímetro.
Enquanto eu meio que corria para a minha aula, minha cabeça estava girando mais
rápida que uma hélice. Tão poucas perguntas foram respondidas em relação áquelas que
foram perguntadas. Ao menos a chuva tinha parado.
Eu estava com sorta; o Sr. Banner ainda não estava na sala quando eu cheguei. Eu me
arrumei rapidamente no meu lugar, consciente de que tanto Mike quanto Angela
estavam olhando pra mim. Mike parecia ressentido, e Angela parecia surpresa, e até
demonstrou um pouco de reverência.
Sr. Banner entrou então, pedindo ordem na sala. Ele estava equilibrando umas caixinhas
pequenas nos braços. Ele colocou eleas na mesa de Mike e pediu pra ele começar a
distribuí-las pela classe.
"Tudo bem, pessoal, eu quero que vocês peguem um pedaço de cada caixa.", ele disse
enquanto tirava um par de luvas de borracha do seu jaleco e colocava-as nas mãos. O
som agudo das luvas de borracha batendo contra o pulso dele pareceu um mal presságio
pra mim. "A primeira coisa é uma cartão de instrução", ele continuou, pegando um
cartão branco com quatro quadrados marcados nele."A segunda é um aplicador-",ele
segurou alguma coisa que parecia ter dentes "-e a terceira é uma micro-agulha
esterilizada". Ele pegou um pacote de plástico azul e abriu. O aparador era quase
invisível a essa distância, mas o meu estômago deu voltas.
"Eu vou passar com um conta gotas para preparar os seus cartões, então por favor não
comece até que eu chegue em vocês". Ele começou na mesa de Mike de novo,
cuidadosamente colocando uma gota de água em cada quadradinho. "Agora eu quero
que cada um de vocês fure o seu dedo cuidadosamente com a agulha..." Ele agarrou a
mão de Mike e enfiou a agulha na pontinha do seu dedo do meio. Oh não.
Um suor frio começou a sair na minha testa.
"Ponham uma pequena gotinha de sangue em cada quadradinho". Ele demonstrou
pegando o dedo de Mike e apertando até o sangue sair. Eu engolí convulssivamente,
meu estômago pesando.
"E então aplique no cartão", ele terminou, segurando o cartão com gotas vermelhas pra
todos nós vermos. Eu fechei os meus olhos, tentando ouvir além do zumbido nos meus
ouvidos.
"A cruz vermelha está vindo á Port Angeles no próximo fim de semana, então eu pensei
que todos vocês podiam saber o seu tipo sanguínio". Ele parecia orgulhoso de sí mesmo.
"Aqueles que ainda não tem dezoito anos vão precisar da permissão dos seus pais-eu
tenho documentos na minha mesa."
Ele continuou passando na sala com as suas gotinhas de água. Eo cloquei a minha
bochecha no topo da mesa fria e tentei me manter consciente. Em todo lugar ao meu
redor eu podia ouvir gemidos, reclamações e gargalhadas dos meus colegas de classe
enquanto eles furavam seus dedos. Eu respirava calmamente pra dentro e pra fora pela
minha boca.
"Bella, você está bem?" o Sr. Banner perguntou. A voz dele estava perto da minha
cabeça, e pareceu alarmada.
"Eu já sei meu tipo sanguínio Sr. Banner", eu disse com a voz fraca.
Eu estava com medo de levantar a minha cabeça.
"Você está se sentindo desfalecer?"
"Sim, senhor", eu murmurei, me chutando por dentro por não ter faltado a aula quando
eu tive a chance.
"Alguém pode levar Bella á enfermaria por favor?", ele pediu.
Eu não precisei olhar pra cima pra saber que Mike foi voluntário.
"Você pode andar?" o Sr. Banner perguntou.
"Sim", eu murmurei. Só me tirem daqui, eu pensei. Eu vou rastejando.
Mike pareceu ansioso quando colocou o braço dele ao redor da minha cintura e colocou
meu braço sobre seus ombros. Eu me inclinei pesadamente nele enquanto saíamos da
sala.
Mike me guiou lentamente pelo campus. Quando estávamos passando pela cafeteria,
fora do campo de visão da sala de aula, quando o Sr. Banner não podia mais ver, eu
parei.
"Será que você pode me deixar sentar um minuto, por favor?", eu implorei.
Ele me ajudou a sentar na beira da calçada.
"E o que quer que você faça, mantenha a sua mão no bolso", eu avisei. Eu ainda estava
muito atordoada. Eu caí pro lado, encostando o meu rosto no cimento frio, sujo da
calçada e fechei meus olhos. Isso pareceu ajudar um pouco.
"Uau, você está verde, Bella", Mike disse nervosamente.
"Bella?", uma voz diferente chamou de longe.
Não! Por favor diga que eu estou imaginando essa voz horrivelmente familiar.
"Qual o problema-ela está machucada?" A voz dele estava mais próxima agora, e ele
parecia aflito.
Eu não estava imaginando. Eu apertei meus olhos, esperando morrer. Ou pelo menos,
não vomitar.
Mike pareceu estressado. "Eu acho que ela está passando mal. Eu não sei o que
aconteceu, ela nem furou o dedo."
"Bella", a voz de Edward estava bem ao meu lado, aliviada agora. "Você consegue me
ouvir?"
"Não", eu gemí. "Vá embora".
Ele sorriu.
"Eu estava levando ela para a enfermaria", Mike explicou em tom de defesa, "Mas ela
não conseguiu ir adiante".
"Eu vou levar ela", Edward disse. Eu ainda podia ver o sorriso na voz dele. "Você pode
voltar para a sala de aula."
"Não", Mike protestou. "Sou eu quem deve fazer isso".
De repente a calçada desapareceu. Meus olhos se abriram com o susto.
Edward tinha me pego nos braços, tão facilmente como se eu não pesasse nada.
"Me ponha no chão!" Por favor, por favor não me deixe vomitar nele.
Ele já estava caminhando antes que eu terminasse de falar.
"Ei!" Mike chamou, já muito atrás de nós.
Edward ignorou ele. "Você parece horrível", ele me disse sorrindo.
"Me coloque de volta na calçada", eu gemí. O movimento da caminhada não estava
ajudando muito. Ele me segurou longe do corpo dele, cuidadosamente, aguentando todo
o meu peso só nos braços-ele não parecia estar se incomodando.
"Então você passa mal quando vê sangue?", ele perguntou. Isso parecia divertido pra
ele.
Eu não respondí. Eu fechei meus olhos e lutei contra a náusea com todas as minha
forças, apertando meus lábios.
"E nem é o seu próprio sangue" ele continuou, se divertindo.
Eu não sei como ele conseguiu abrir a porta enquanto me carregava, mas de repente
estava quente, então eu sabia que estávamos do lado de dentro.
"Meu Deus", eu ouví uma voz de mulher suspirar.
"Ela passou mal na aula de Biologia", Edward explicou.
Eu abrí meus olhos. Eu estava na secretaría e Edward continuou avançando em direção
á enfermaria. A Sr. Cope, a recepcionista ruiva da secretaría, passou na frente dele para
abrir a porta. A enfermeira que tinha cara de vovó, tirou os olhos de um livro, pasma,
enquanto Edward me carregava pelo quarto e me colocava gentilmente em cima do
papel que cobria o colchão de vinil na única cama.
Então ele se afastou e foi se inclinar numa parede tão distante quanto foi possível. Seus
olhos estavam brilhando, exitados.
"Ela só está um pouco enjoada", ele garatiu para a enfermeira. "Eles estão testando o
sangue na aula de Biologia."
A enfermeira balançou a cabeça. "Sempre tem um."
Ele tentou abafar um riso.
"Fique um pouco deitada, meu bem; vai passar logo".
"Eu sei", eu suspirei. A náusea já estava desaparecendo.
"Isso acontece muito?", ela perguntou.
"As vezes", eu admití. Edward tossiu para disfaçar outra risada.
"Você pode voltar para a sala agora", ela disse pra ele.
"Eu devo ficar com ela", ele disse com tanta autoridade que-mesmo torcendo os lábios-
a enfermeira não discutiu mais.
"Eu vou pegar um pouco de gelo pra você colocar na sua testa, querida",ela disse pra
mim e então saiu da sala.
"Você estava certo", eu gemí deixando os meus olhos fechados.
"Eu geralmente tenho-mas sobre o que em particular desta vez?"
"Faltar a aula é saudável." eu pratiquei respirar uniformemente.
"Você ma assustou por um minuto lá fora", ele admitiu depois de uma pausa. O tom que
ele usou fez parecer que ele estava confessando uma fraqueza vergonhosa.
"Eu pensei que Mike estava arrastando o seu cadáver pra enterrá-lo no bosque".
"Ha ha". Eu ainda estava com os olhos fechados, mas estava me sentindo melhor a cada
minuto.
"Honestamente-eu já ví cadáveres com uma cor melhor. Eu já estava preocupado em ter
que vingar o seu assassinato".
"Pobre Mike. Eu aposto que ele está bravo".
"Ele absolutamente me detesta.", Edward disse alegremente.
"Você não tem como saber disso". eu discuti, mas depois imaginei se ele tinha como
saber.
"Eu ví o rosto dele-eu posso dizer."
"Como você me viu? Eu pensei que você estivesse escondido".Eu estava quase bem
agora, apesar de que os enjôos iam passar mais rápido se eu tivesse comido alguma
coisa no almoço. Por outro lado, talvez fosse bom que o meu estômago estivesse vazio.
"Eu estava no meu carro ouvindo um CD". Uma resposta tão normal-me surpreendeu.
Eu ouví a porta abrir e abrí os olhos pra ver a enfermeira entrar com uma compressa fria
na mão.
"Aqui, querida". Ela colocou-a na minha testa. "Você parece melhor", ela falou.
"Eu acho que estou bem", eu disse, me sentando. Só um pequeno zumbido nos meus
ouvidos, nada girando. As paredes verdes estavam exatamente onde deveriam estar.
Eu ví que a enfermeira estava prestes a me fazer deitar de novo, mas a porta se abriu
nessa hora, a Sra Cope colocou a cabeça pra dentro.
"Tem outro aqui", ela avisou.
Eu descí pra deixar a cama livre para o próximo inválido.
"Eu devolví a compressa para a enfermeira. "Aqui, eu não preciso mais disso."
Então Mike entrou, agora carregando um pálido Lee Stephens, outro garoto da nossa
aula de Biologia. Eu e Edward ficamos colados na parede pra dar espaço á eles.
"Oh não", Edward murmurou. "Bella, vá para a secretaria".
Eu olhei pra ele, confusa.
"Confie em mim-vá."
Eu me virei e saí antes que a porta se fechasse, deixando a enfermaria. Eu podia sentir
Edward bem atrás de mim.
"Você realmente me ouviu", ele parecia abismado.
"Eu sentí o cheiro de sangue", eu disse, torcendo o nariz. Lee não estava passando mal
por causa dos outros, como eu.
"As pessoa não podem cheirar sangue", ele me contradisse.
"Bem, eu consigo-é isso que me deixa doente. Tem cheiro de ferrugem e...sal."
Ele estava me encarando com uma expressão ilegível.
"O que é?", eu perguntei.
"Não é nada".
Nessa hora Mike saiu, olhando pra mim e Edward.
O olhar que ele passou pra Edward confirmou o que Edward disse sobre detestar. Ele
olhou de volta pra mim, seus olhos mal-humorados.
"Você parece melhor", ele acusou.
"Mantenha a sua mão no bolso", eu avisei de novo.
"Não está mais sangrando", ele murmurou. "Você vai voltar pra aula?"
"Você tá brincando? Eu vou voltar pra cá na certa."
"É, eu acho...Então, você vai esse fim de semana? Para a praia?" Enquanto ele falava,
ele deu outra olhada na direção de Edward, que estava inclinado no balcão, tão imóvel
quanto uma escultura, olhando para o nada.
Eu tentei soar o mais amigável possível. "Claro, eu disse que ia."
"Vamos nos encontar na loja do meu pai, as dez." Os olhos dele foram parar em Edward
de novo, pensando se ele estava dando informação demais. Alinguagem corporal que ele
usou, deixou bem claro que não era um convite em aberto.
"Eu estarei lá", eu prometí.
"Eu te vejo na aula de eduacação física, então", ele disse, se movendo devagar até a
porta.
"A gente se vê", eu disse. Ele olhou pra mim de novo, fazendo biquinho, e então,
enquanto ele passava vagarosamente pela porta, seus ombros cairam. Uma onda de
simpatia passou pelo meu corpo. Eu pensei em como seria ver o seu rosto triste de
novo...na aula de educação física.
"Educação física", eu gemí.
"Eu posso cuidar disso", eu não percebí Edward se aproximando de mim, mas agora ele
estava falando no meu ouvido. "Vá se sentar e fique pálida", ele cochichou.
Isso não era muito difícil; eu já era naturalmente pálida, e o meu recente show deixou
um rastro de suor na minha testa.
Eu sentei em uma das cadeiras e descansei a cabeça na parede com os meus olhos
fechados. Crises de enjôo sempre me deixavam cansada.
Eu ouví Edward falando levemente no balcão"
"Sra Cope?"
"Sim?", eu não ouví ela voltar para a mesa.
"A próxima aula de Bella é de Educação física, e eu não acho que ela se sente bem o
suficiente. Na verdade, eu acho que eu devia levar ela pra casa agora.Você acha que
pode liberá-la dessa aula?" A voz dele parecia mel derretendo. Eu podia imaginar como
os olhos dele estavam persuasivos agora.
"Você também precisa ser liberado, Edward?" A Sra Cope flutuou. Porque eu não podia
fazer isso?
"Não, eu tenho aula com a Sra Goff, ela não vai se incomodar."
"Ok, então está tudo acertado. Melhoras, Bella", ela falou pra mim.
Eu balancei a cabeça fracamente, levantando ela só um pouco.
"Você consegue caminhar, ou prefere que eu te carregue de novo?" Quando voltou da
recepção, sua expressão estava sarcástica.
"Eu vou caminhando".
Eu me levantei vagarosamente, e ainda estava bem. Ele segurou a porta pra mim, seu
sorriso educado mas seus olhos estavam zombando de mim. Eu saí para a névoa fria,fria
que estava começando a aparecer no céu-enquanto ela limpava o suor da minha testa.
"Obrigada", eu disse enquanto ele me seguia. "Quase vale a pena ficar doente pra perder
Educação física."
"É só pedir", ele olhava diretamente prá frente, andando na chuva.
"Então você vai? Sábado, eu quero dizer." Eu estava esperando que ele fosse, mas
parecia difícil. Eu não conseguia imaginá-lo enchendo uma van com os amigos da
escola; ele não pertencia a esse mundo. Mas eu esperava que ele me desse uma razão
pra querer ir a essa excursão.
"Onde vocês todos estão indo, exatamente?" Ele ainda estava olhando pra frente, sem
expressão.
"Vamos á La Push, para a praia". Eu estudei o rosto dele, tentando entendê-lo. Os olhos
dele pareceram estreitar imperceptivelmente.
Ele olhou pra mim com o canto dos olhos, sorrindo. "Eu não acho que eu tenha sido
convidado".
Eu suspirei. "Eu acabei de te convidar".
"Eu e você não vamos mais pedir tanto do pobre Mike esse fim de semana. Nós não
queremos que ele tenha uma colapso". Os olhos dele dançaram; ele gostava da idéia
mais do que devia.
"Mike boboca", eu cochichei, preocupada com o jeito que elçe disse "eu e você". Eu
gostei disso mais do que eu devia.
Nos estávamos perto do estacionamento agora. Eu fui andando para a esquerda na,
direção do meu carro. Algo agarrou minha jaqueta e me puxou de volta.
"Onde é que você pensa que vai?", ele perguntou, enfurecido. Ele estava agarrando a
minha jaqueta com o punho inteiro segurando com um mão.
Eu estava confusa. "Eu vou pra casa".
"Você não me ouviu prometer que te levaria pra casa em segurança? Você acha que eu
vou te deixar dirigir nessas condiçôes?" A voz dele estava indignada.
"Que condições? E a minha caminhonete?", eu reclamei.
"Eu vou pedir pra Alice levá-la depois da escola". Ele já estava me arrastando em
direção ao carro dele, me puxando pela jaqueta. Eo acompanhei pra não cair de costas
no chão. Ele provavelmente ia me arrastar de volta de qualquer jeito mesmo.
"Me solta!", eu insistí. Ele me ignorou. Eu andei a passos largos na calçada molhada até
que chegamos no Volvo. Então ele finalmente me libertou. Eu quase me batí na porta do
passageiro.
"Você é muito mandão", eu gritei.
"Está aberta", foi tudo o que ele respondeu. Ele foi para o lado do motorista.
"Eu sou perfeitamente capaz de dirigir até em casa!", eu fiquei parada perto do carro,
fumaçando. Estava chovendo mais forte agora, e eu não tinha levantado o meu capuz,
então meu cabelo estava grudando nas minhas costas. Ele abaixou o vidro automático e
se inclinou no banco. "Entre no carro, Bella".
Eu não respondí. Eu estava calculando as minhas chances de alcançar meu carro antes
dele me pegar. Eu tenho que admitir, as chances não eram boas.
"Eu vou pegar você de novo", ele ameaçou, adivinhando meu plano.
Eu tentei manter toda a dignidade que pude ao entrar no carro dele. Mas não tive muito
sucesso-eu parecia um gato escaldado e as minhas botas esguicharam.
"Isso foi completamente desnecessário", eu disse meio durona.
Ele não respondeu. Ele mexeu nos controles, aumentando o aquecedor e abaixando a
música. Enquanto ele saía do estacionamento, eu estava me preparando pra dar a ele o
tratamento do silêncio -meu rosto demonstrando as minhas intenções-mas então eu
reconhecí a música que estava tocando, e a minha curiosidade foi além das minhas
intenções.
"Clair De Lune?", eu perguntei, surpresa.
"Você conhece Debussy?", ele também surpreso.
"Não muito", eu admití. "Minha mãe toca muita muita musica clássica em casa. Eu só
conheço as minhas favoritas."
"É uma das minhas favoritas também", ele olhou para a chuva lá fora, perdido em
pensamentos.
Eu escutei a música, relaxando no couro cinza claro do banco. Era impossível não
responder a melodia familiar, tranquilizadora.
A chuva transformou tudo lá fora em uma névoa cinza e verde. Eu comecei a perceber
que estávamos indo rápido demais; apesar disso, o carro se movia com tanta
uniformidade e calma que eu nem sentia a velocidade. Somente a cidade passando
rápido me fazia reparar.
"Como é a sua mãe?", ele me perguntou de repente.
Eu olhei pra ele pra ver ele me observando com olhos curiosos.
"Ela se parece muito comigo, mas ela é mais bonita", eu disse. Ele ergueu as
sobrancelhas. "Eu tenhomuito de Charlie em mim. Ela é mais divertida que eu, e mais
corajosa. Ela é irresponsável e um pouco excêntrica e uma cozinheira muito
imprevisível. Ela é minha melhor amiga." Eu parei. Falar sobre ela estava me deixando
deprimida.
"Quantos anos você tem, Bella?", A voz dele parecia frustrada por algum motivo que eu
não conseguia imaginar. Ele parou o carro, e eu me dei conta de que já estávamos na
casa de Charlie. A chuva estava tão forte que eu mal conseguia ver a casa. Era como se
o carro estivesse dentro de um rio.
"Eu tenho dezessete", eu respondí um pouco confusa.
"Você não parece ter dezessete".
Seu tom era de reprovação; me fez rir.
"O que foi?", ele perguntou, curioso de novo.
"Minha mãe sempre diz que eu nascí com trinta e cinco anos de idade e que fico mais
velha a cada ano que passa." Eu sorrí e então suspirei. "Bem, alguém tem que ser o
adulto". Eu pausei por um segundo. "Você também não parece um jovenzinho", eu
notei.
Ele fez uma careta e mudou de assunto.
"Então porque sua mãe se casou com Phil?"
Eu estava surpresa que ele ainda lembrava do nome; eu só o mencionei uma vez, há
quase dois meses atrás. Eu levei algum tempo pra responder.
"Minha mãe...ela é muito jovem para a idade dela. Acho que Phil a faz se sentir ainda
mais jovem. De qualquer forma, ela é louca por ele." Eu balancei minha cabeça. A
atração era um mistério pra mim.
"Você aprova?", ele perguntou.
"Isso importa?" eu apontei. "Eu quero que ela seja feliz...e é ele que ela quer."
"Isso é muito generoso...eu imagino", ele refletiu.
"O quê?"
"Se ela estenderia a mesma cortesia pra você, você acha? Não importa qual seja a sua
escolha?" De repente ele estava atento, seus olhos procurando os meus.
"E-eu acho que sim" Eu gaguejei. "Mas de qualquer forma ela é uma mãe, apesar de
tudo. É um pouco diferente".
"Nada muito assustador então" ele brincou.
Eu sorrí em resposta. "O que você quer dizer com assustador? Vários piercings
corporais e tatuagens gigantescas?"
"É uma definição, eu acho".
"Qual é a sua definição?"
Mas ele ignorou minha pergunta e me fez outra. "Você acha que eu poderia ser
assustador?" Ele ergueu uma sobrancelha e a leve sombra de um sorriso iluminou o seu
rosto.
Eu pensei por um momento, refletindo se seria melhor falar a verdade ou mentir. Eu
decidí que seria melhor dizer a verdade.
"Hmmmm... eu acho que você poderia ser, se você quisesse."
"Você está com medo de mim agora?" O sorriso desapareceu e o seu rosto celestial
estava sério de novo.
"Não" mas eu respondí rápido demais. O sorriso reapareceu.
"Então, agora você vai me falar sobre a sua família?" eu perguntei pra distraí-lo. "Deve
ser uma história bem mais interessante do que a minha".
Ele estava instantâneamente cauteloso. "O que você quer saber?"
"Os Cullen te adotaram?", eu verifiquei.
"Sim".
Eu hesitei por um momento. "O que aconteceu com os seus pais?"
"Eles morreram há muitos anos atrás." O tom dele era decisivo.
"Eu lamento", eu murmurei.
"Na verdade eu não lembro deles muito claramente. Carlisle e Esme são meus pais a
muito tempo agora."
"E você ama eles". Não era uma pergunta. Era óbvio pela maneira que ele falava deles.
"Sim". Ele sorriu. "Eu não poderia imaginar duas pessoas melhores".
"Você tem muita sorte."
"Eu sei que tenho."
"E seu irmão e sua irmã?"
Ele deu uma olhada para o relógio no teto.
"Meu irmão e minha irmã, e Jasper e Rosalie por falar nele, vão ficar bem bravos se
tiverem que ficar na chuva esperando por mim".
"Oh, desculpe, eu acho que você tem que ir". Eu não queria sair do carro.
"E provavelmente você quer o seu carro aqui antes que Charlie chegue em casa, assim
você não terá que contar pra ele sobre o acidente na aula de Biologia." Ele sorriu pra
mim.
"Eu tenho certeza que ele já sabe. Não existem segredos em Forks". Eu suspirei.
Ele sorriu, mas havia algo mais nesse sorriso.
"Se divirta na praia...ótimo clima pra um banho de sol." Ele olhou para a chuva caindo.
"Eu não vou ver você amanhã?"
"Não. Emmett e eu vamos começar o fim de semana mais cedo."
"O que vocês vão fazer?" Uma amiga podia perguntar isso, né? Eu esperava que o
desapontamento não estivesse muito aparente na minha voz.
"Nós vamos fazer uma caminhada na Selva de Pedra da Cabra, á Sul de Rainier."
Eu lembrei que Charlie disse que os Cullen iam acampar frequentemente.
"Hum, bem, divirta-se". Eu tentei demonstrar entusiasmo. Eu não acho que o enganei,
apesar disso. Um sorriso estava brincando nos cantos dos lábios dele.
"Será que você poderia fazer uma coisa por mim esse fim de semana?".
Ele se virou pra me olhar diretamente nos olhos, utilizando todo o poder dos seus olhos
dourados flamejantes.
Eu balancei a cabeça desamparadamente.
"Não se ofenda, mas você parece ser uma dessas pessoas que atraem acidentes como um
imã. Então...tente não cair no oceano ou ser atingida por algo, está bem?" Ele deu um
sorriso torto.
O desamparo fugiu enquanto ele falava. Eu encarei ele.
"Eu vou ver o que posso fazer", eu soltei enquanto saía para a chuva. Eu batí a porta
atrás de mim com força excessiva.
Ele ainda estava sorrindo quando foi embora.
6. Histórias Assustadoras.
Eu sentei no meu quarto, tentando me concentrar no terceiro capítulo de Macbeth, eu
estava tentando ouvir quando meu carro chagasse. Eu pensei que mesmo com a chuva
torrencial, eu poderia ouvir o ronco do motor. Mas quando eu dei uma olhadinha pela
cortina-de novo-ele estava lá.
Eu não estava muito ansiosa pelo Sexta-feira, e as minhas expectativas foram mais que
atendidas. É claro que houveram alguns comentários. Especialmente Jéssica que parecia
já estar totalmente atualizada com a história. Por sorte, Mike ficou calado e ninguém
soube do envolvimento de Edward na história. Jéssica, no entanto, tinha algumas
perguntas pra fazer na hora do almoço.
"Então o que Edward Cullen queria ontem na hora do almoço?", Jéssica perguntou na
aula de Trigonometria.
"Eu não sei", eu disse sinceramente. "Ele não chegou ao ponto".
"Você parecia um pouco aborrecida", ela pescou.
"Eu?",minha expressão não dizia nada.
"Sabe, eu nunca tinha visto ele sentar com ninguém além da sua família antes. Aquilo
foi estranho".
"Estranho", eu concordei. Ela pareceu nervosa, ela balançava seus cachos pretos
impacientemente-eu imaginei que ela estava esperando por uma boa fofoca pra passar
por aí.
A pior parte da sexta-feira foi que, apesar de saber que ele não estaria lá, eu ainda
esperava que ele estivesse. Quando eu entrei na cafeteria com Jéssica e Mike, eu não
conseguí deixar de olhar para a mesa dele, onde Rosalie, Alice e, Jasper estavam
conversando, com as cabeças próximas umas das outras. Eu não conseguí evitar a
escuridão que me envolveu quando eu me dei conta de que não sabia quando voltaria a
vê-lo.
Na minha mesa de sempre, todos estavam cheios de planos para o dia seguinte. Mike
estava animado de novo, depositando muita confiança no homem do tempo que havia
prometido sol amanhã. Eu acho que já ouví isso antes. Hoje estava mais morno-quase
15 graus. Talvez a excursão não fosse um desastre total.
Eu interceptei algumas olhadas pouco amigáveis de Lauren no almoço, e eu não entendí
até que todos nós fomos andando juntos para a sala.
Eu estava bem atrás dela, a um passo do seu cabelo liso, louro cinzento, e ela estava
claramente inconsciente disso.
"...Não sei porque Bella"-ela zombou com o meu nome-"não se senta com os Cullen de
agora em diante".
Eu ouví ela cochichando com Mike. Eu nunca havia percebido que voz chata, nasal, ela
tinha, e eu estava surpresa com a malícia que havia nela. Eu nem seguer conhecia ela
direito, certamente não bem o suficiente pra ela não gostar de mim-pelo menos eu
achava. "Ela é minha amiga; ela se senta conosco", Mike disse lealmente, mas também
demarcando um pouco de território.
Eu parei pra deixar Jess e Angela me passarem. Eu não queria ouvir mais nada.
Naquela noite no jantar, Charlie pareceu entusiasmado com a minha viagem á La Push
na manhã seguinte. Eu acho que ele se sentia culpado por me deixar sozinha nos fins de
semana, mas ele passou anos demais construindo os seus hábitos pra quebrá-los agora.
É claro que ele já sabia o nome de todas as pessoas que iam, e os dos pais deles, e os
dos avós deles também, provavelmente. Ele parecia aprovar. Eu me perguntei se ele
aprovaria o meu plano de ir á Seattle com Edward Cullen. Não que eu fosse dizer isso
pra ele.
"Pai, você conhece algum lugar chamado Pedra da Cabra ou alguma coisa assim? Eu
acho que é a sul da montanha Rainier", eu perguntei casualmente.
"Sim-porque?"
Eu levantei os ombros. "Alguns garotos estão falando de ir acampar lá".
"Não é um lugar muito bom pra acampar". Ele pareceu surpreso. "Ursos demais.
Algumas pessoas vão lá na temporada de caça."
"Oh", eu murmurei. "Talvez eu tenha ouvido o nome errado".
Eu tentei dormir, mas uma estranha claridade amarela me acordou. Eu abrí os meus
olhos pra ver uma clara luz amarela entrando pela minha janela. Eu não podia acreditar.
Eu corrí para a janela pra me certificar, e lá estava ele, o sol.
Ele estava mal posicionado no céu, baixo demais, e não demonstrava estar tão próximo
quanto deveria, mas definitivamente era o sol. As nuvens inundavam o horizonte, mas
uma grande mancha azul estava visível bem no meio. Eu fiquei grudada na janela o
máximo de tempo que pude, com medo de que se eu fosse embora o azul desaparecesse.
A Loja de Equipamentos Atléticos dos Newton era á Norte da cidade. Eu já havia vistoa
loja, mas nunca havia parado lá antes -eu nunca precisei dos suplementos requeridos
pra ficar muito tempo fora de casa. No estacionamento, eu reconhecí o Suburban de
Mike e o Sentra de Tyler. Enquanto eu estacionava próximo ao carro deles, eu ví o
**//41/14*//////////////*********55555555555*//////////////****************************7777777777***-----*******/////4*
grupo em pé na frente do Suburban. Eric estava lá, junto de outros garotos que tinham
aula comigo; eu tinha quase certeza que eles se chamavam Ben e Conner. Jess estava lá,
acompanhada de Angela e Lauren. Três outras garotas estavam com elas, incluindo uma
garota que eu derrubei na aula de Educação física. Essa garota me deu uma olhada feia e
cochichou alguma coisa para Lauren. Lauren balançou seu cabelo louro e me deu uma
olhada de nojo.
Ia ser um dia daqueles.
Pelo menos Mike estava feliz em me ver.
"Você veio!", ele disse, encantado. "E eu disse que ia fazer sol, não disse?"
"Eu disse que viria", eu lembrei a ele.
"Só estamos esperando Lee e Samantha...a não ser que você tenha convidado mais
alguém",ele disse.
"Não", eu disse levemente, rezando pra não ser pega na mentira. Mas ao mesmo tempo,
esperando que um milagre acontecesse, e Edward aparecesse.
Mike pareceu satisfeito.
"Você vai no meu carro? É isso ou a minivan da mãe do Lee".
"Claro".
Ele sorriu cheio de alegria. Deixar Mike feliz é tão fácil.
"Você pode ir na janela",ele prometeu. Eu escondí a minha tristeza.
Não era tão fácil deixar Mike e Jéssica felizes ao mesmo tempo. Eu podia ver Jéssica
nos observando agora.
Apesar disso, os números estavam ao meu favor. Lee trouxe mais duas pessoa, e de
repente, todos os lugares foram ocupados.
Eu consegui enfiar Jéssica entre Mike e eu no banco da frente do Suburban. Mike podia
ter sido mais educado me relação a isso, mas pelo menos Jéssica pareceu satisfeita.
Eram só vinte e cinco quilômetros de Forks á La Push, com suas lindas, florestas verdes
e densas na beira da maioria das estradas no caminho ao grande Rio Quillayute. Eu
estava feliz por ter ficado com o ascento da janela. Tinhamos baixado as janelas -o
Suburban ficou um pouco claustrofóbico com nove pessoas dentro dele-e eu tentei
absorver todos os raios de sol que pude.
Eu já tinha ido nas praias de La Push durante os meus verões em Forks com Charlie,
então os primeiros quilômetros de praia eram familiares pra mim. Ainda era de tirar o
fôlego. A água era de um cinza-escuro, mesmo no sol, e haviam encostas de pedra, de
um cinza pesado. As ilhas apareciam nas águas do porto rodeadas por recifes de corais,
alcançando ápices desiguais, e coroadas com coqueiros que flutuavam com a brisa. A
praia própriamente dita, só tinha uma fina faixa de areia perto da água, atrás das águas
apareciam milhares de pedras grandes e com aparencia suave que pareciam
uniformemente cinza de longe, mas olhando de perto elas eram de todas as cores que
uma pedra poderia ser: terracota, verde-mar, lavanda, azul cinzento, dourado-areia. A
pequena encosta estava lotada com grandes árvores, descoloridas numa cor branca de
osso, por causa das ondas do mar, algumas muito próximas umas das outras contra os
limites da floresta, outras sozinhas, fora do alcance das ondas.
Havia um vento fresco vindo das ondas, fresco e revigorante. Pelicanos flutuavam sobre
as ondas enquanto gaivotas e uma águia solitária voavam acima deles. As nuvens ainda
circulavam o céu, ameaçando invadir a qualquer momento, mas por enquanto, o sol
brilhava bravamente no céu azul.
Nós descemos para a praia, Mike nos guiando para um círculo feito com troncos de
árvores que obviamente já havia sido usado para festas como a nossa antes. Já havia
uma fogueira preparada, cheia de cinzas pretas.
Eric e o garoto que eu achava que se chamava Ben começaram a recolher galhos dos
salgueiros mais secos perto da floresta, e logo eles haviam construído uma cabaninha
com galhos no topo da velha fogueira.
"Você já viu uma fogueira construída com galhos de salgueiro?" Mike me perguntou.
Eu estava sentada num dos troncos descoloridos; as outras garotas reunidas, fofocando
excitadamente, nos meus dois lados. Mike ficou de joelhos perto da fogueira, acendendo
um dos galhos com um isqueiro.
"Não", eu respondí enquanto ele colocava o galho de volta na fogueira.
"Então você vai gostar disso aqui-observe as cores". Ele acendeu oputro galho e
colocou junto com o primeiro. As chamas começaram a avançar rapidamente nos galhos
secos.
"É azul", eu disse surpresa.
"É por causa do sal. É bonito, não é?" Ele acendeu mais um pedaço e colocou onde as
chamas ainda não haviam alcançado, e veio sentar ao meu lado. Felizmente, Jess estava
no outro lado dele. Ela virou e começou a reclamar sua atenção. Eu observei as
estranhas chamas azuis e verdes crescerem em direção ao céu.
Depois de meia hora de bate-papo, alguns garotos quiseram ir caminhar perto das
piscinas naturais. Era um dilema. Por um lado, eu amava as piscinas naturais. Elas
haviam me fascinado quando eu era criança; elas eram uma das poucas coisas que me
faziam querer voltar á Forks. Por outro lado, eu tinha caído muito nelas. Nada demais
quando se tem sete anos e se está com o seu pai. Isso me lembrou do pedido de Edward
-não caia no mar.
Foi Lauren que decidiu por mim. Ela não quis ir, e ela definitivamente estava usando os
sapatos errados pra esse tipo de coisa. A maioria das garotas além de Jéssica e Angela
também quiseram ficar. Eu esperei até Tyler dizer que ficaria com elas antes de me
juntar silenciosamente ao grupo pró-caminhada. Mike me deu um sorriso gigantesco
quando viu que eu estava vindo.
A caminhada não foi muito longa, apesar de eu ter odiado não poder ver o céu de dentro
do bosque.
O verde claro da floresta ficava estranho com as risadas dos adolescentes, muito altas e
alegres para se harmonizarem com os painéis verdes ao meu redor. Eu tinha que
observar cuidadosamente cada passo que eu dava, evitando as pedras abaixo e os
troncos acima, e logo eu acabei ficando pra trás. Eventualmente eu saí dos confins
verdes da floresta e encontrei a encontra de pedras de novo.
A maré estava baixa, e um pequeno riozinho passava por nós indo a caminho do mar.
Perto dos pedregulhos, haviam pequenas piscinas que nunca estavam completamente
secas por causa da água despejada do oceano.
Eu fui muito cuidadosa pra não me inclinar demais nos tanques de água do mar. Os
outros não tinham medo, se inclinando nas rochas, brincando nas beiradas. Eu encontrei
uma pedra que parecia muito estável perto de uma das piscinas maiores e me sentei lá
cuidadosamente, encantada com o aquário natural abaixo de mim. Os buquês de
anêmonas brilhantes balançavam sem parar na corrente invisível, conchas tortas
apareciam nas beiras, escondendo os caranguejos dentro delas, estrelas do mar ficavam
imóveis sobre as pedras e umas sobre as outras, enquanto uma pequena enguia preta
com listras brancas nadava contra as ervas daninhas para voltar para o mar.
Eu estava completamente absorvida,exceto por uma pequena parte do meu cérebro que
imaginava onde Edward estaria agora, e o que ele estaria me dizendo se estivesse aqui
comigo.
Finalmente os rapazes ficaram com fome, e eu fiquei de pé para acompanhá-los de
volta. Eu tentei acompanhá-los melhor dessa vez por dentro da floresta, então
naturalmente eu caí algumas vezes. Eu arranjei uns arranhões artificiais nas minhas
mãos, e os joelhos dos meus jeans estavam manchados de verde, mas podia ser pior.
Quando nós voltamos para a praia, o grupo que deixamos havia se multiplicado.
Enquanto nos aproximávamos, podíamos ver os cabelos brilhantes, muito pretos e a
pele cor de cobre dos nossos visitantes, adolescentes das reservas próximas que vieram
se socializar.
A comida já estava sendo passada, e os garotos correram para pegar as suas partes
enquanto Eric nos apresentava a cada um no círculo de troncos. Angela e eu fomos as
últimas a chegar, e, enquanto Eric falava nossos nomes, eu reparei num garoto mais
jovem sentado numa das pedras perto da fogueira olhando pra mim cheio de interesse.
Eu sentei perto de Angela, e Mike nos trouxe sanduíches e uma rodada de refrigerante
para aqueles que pediram, enquanto o garoto que parecia ser o mais velho do grupo foi
dizendo os nomes dos outros sete que estavam com ele. Eu só lembrei o de uma das
garotas que também se chamava Jéssica, e o garoto que reparou em mim que se
chamava Jacob.
Era relaxante estar com Angela; ela era o tipo de pessoa que fazia você se sentir bem-
ela não precisava preencher o silêncio com conversinhas. Ela me deixou livre pra pensar
enquanto nós comiamos. E eu estava pensando em como o tempo passava
desconjuntadamente em Forks, passando num sopro as vezes, com algumas imagens
claramente se destacando de outras. E então, outras vezes, cada segundo era
significante, gravando na minha memória. Eu sabia exatamente o que causava a
diferença, e isso me perturbava.
Durante o almoço as nuvens começaram a avançar, se esquivando no céu azul, ficando
momentaneamente na frente do sol, formando longas sombras na praia, e escurecendo
as ondas.
Enquanto terminavam de comer, as pessoas começaram a formar grupos de duas e de
três pessoas. Algumas caminharam até as ondas, tentando subir nas pedras de superfície
cortante. Outros estavam formando uma segunda excursão ás piscinas. Mike -com
Jéssica na cola dele-foi até uma loja na vila. Alguns dos garotos da localidade foram
com eles; outros se juntaram á caminhada. Quando todos eles sumiram, eu estava
sentada sozinha no meu tronco, Luren e Tyler estavam se ocupando com um som que
alguém havia pensado em trazer, e três garotos das reservas se juntaram ao círculo,
incluindo aquele garoto chamado Jacob e o garoto mais velho que havia servido de
apresentador.
Alguns minutos depois que Angela foi embora com os excursionistas, Jacob se
aproximou para tomar o lugar dela á meu lado. Ele parecia ter catorze, talvez quinze, e
tinha um cabelo longo, brilhante amarrado atrás da cabeça com um elástico de borracha
perto da nuca. A pele dele era linda, sedosa e com uma cor saudável; seus olhos eram
escuros, bem posicionados no alto das maçãs bem feitas do seu rosto. Ele tinha só um
pouco de infantilidade que havia permanecido no seu queixo. No geral, um rosto bonito.
No entanto, minha boa impressão em relação a aparência dele foi apagada pelas
primeiras palavras que sairam da boca dele.
"Você é Isabella Swan, não é?"
Era que nem o primeiro dia de aula.
"Bella", eu suspirei.
"Eu sou Jacob Black", ele me deu a mão num gesto amigável. "Você comprou a
caminhonete do meu pai"
"Oh", eu disse, aliviada, balançando sua mão macia e brilhante. "Você é o filho de
Billy; eu devia me lembrar de você."
"Não, eu sou o mais novo da família-você deve lembrar das minhas irmãs mais velhas"
"Rachel e Rebecca", eu lembrei de repente. Charlie e Billy haviam nos jogado juntas
durante muitas das minhas visitas, pra nos mantermos ocupadas enquanto eles
pescavam. Eramos todas muito tímidas pra fazer algum progresso como amigas. É claro
que eu já tinha tido excessos de raiva suficientes pra acabar com as pescarias quando eu
tinha onze anos.
"Elas estão aqui?", eu examinei as garotas na beira do mar, imaginando se conseguia
reconhecer alguma delas agora.
"Não", Jacob balançou a cabeça. "Rachel recebeu uma bolsa de estudos no estado de
Washington, e Rebecca casou com um surfista de Samoa-agora ela vive no Havaí".
"Casada. Uau". Eu estava aturdida. As gêmeas eram mais velhas que eu pouco mais de
um ano.
"Então você gosta da caminhonete?",ele perguntou.
"Eu adoro. Trabalha muito bem."
"É, mas é muito lenta", ele sorriu. "Eu fiquei muito aliviado quando Charlie comprou
ela. Meu pai não me deixaria trabalhar em construir outro carro quando tínhamos outro
carro perfeitamente bom lá."
"Não é tão lenta", eu argumentei.
"Você já tentou passar de 80?"
"Não", eu admití.
"Bom. Não tente." ele riu.
Eu não pude deixar de rir também. "Ela se sai muito bem em colisões", eu saí em defesa
do meu carro.
"Eu acho que um tanque não poderia destruir aquele monstro velho", ele concordou com
outra risada.
"Então você constrói carros?", eu perguntei impressionada.
"Quando eu tenho tempo livre, e partes. Você não saberia como eu posso pôr as mãos
num cilíndro mestre para um Volkswagen Rabbit 1986, saberia?", ele disse brincando.
Ele tinha uma vóz rouca, prazerosa.
"Desculpa", eu sorrí. "Eu não tenho visto nenhum ultimamente, mas eu vou manter
meus olhos abertos pra você", como se eu soubesse o que é isso. Era muito fácil
conversar com ele.
Ele me mostrou um sorriso brilhante, olhando pra mim de um jeito apreciativo que eu
estava começando a reconhecer. Eu não fui a única a reparar.
"Você já conhece Bella, Jacob?", Lauren perguntou-num tom que me pareceu insolente
-do outro lado da fogueira.
"Nós meio que nos conhecemos desde que eu nascí", ele sorriu olhando pra mim de
novo.
"Que legal", ela não pareceu achar nem um pouco legal, e seus olhos pálidos, puxados,
reviraram.
"Bella", ela me chamou novamente, observando meu rosto cuidadosamente. "Eu acabei
de falar com Tyler que era uma pena que nenhum dos Cullen possa ter vindo hoje.
Ninguém pensou em convidá-los?" A expressão de preocupação dela não era
convincente.
"Você quer dizer a família do doutor Carlisle Cullen?" o garoto alto,mais velho
respondeu antes que eu tivesse a chance, para irritação de Lauren. Ele estava mais pra
homem que pra garoto e sua voz era muito grossa.
"Sim, você conhece eles?", ela perguntou sem querer, se virando um pouco na direção
dele.
"Os Cullen não vem aqui", ele perguntou num tom que fechou o assunto, ignorando a
pergunta dela.
Tyler, tentando ganhar a atenção dela de volta, perguntou a Lauren a sua opinião sobre
um CD que ele segurava. Ela estava distraída.
Eu olhei para o garoto com a voz grossa, com um pé atrás, mas ele já estava olhando
para a floresta atrás de nós. Ele tinha dito que os Cullen não viriam aqui; mas o tom dele
implicava algo mais-que eles não eram permitidos de vir; que eles eram proibidos.
Seus modos deixaram uma má impressão em mim, e eu tentei ignorar isso sem sucesso.
Jacob atrapalhou minha meditação. "Então, Forks já está te levando á loucura?"
"Oh, eu diria que isso é uma confidência", eu sorrí. Ele sorriu compreendendo.
Eu ainda estava pensando no breve comentário sobre os Cullen, e eu tive uma
inspiração repentina. Era um plano estúpido, mas eu não tive nenhuma idéia melhor. Eu
rezei pra que o jovem Jacob não tivesse muita experiência com as garotas, assim ele não
veria além da minha falsa máscara de interesse.
"Você quer caminhar pela praia comigo?" eu perguntei, tentando imitar aquela olhada
que Edward dava por debaixo dos cílios. Eu não poderia ter o mesmo efeito nem de
perto, eu tinha certeza, mas Jacob me pareceu interessado o suficiente.
Enquanto andávamos para o norte pelas pedras multicoloridas na direção dos salgueiros,
as nuvens finalmente fecharam o céu, fazendo o mar ficar escuro e a temperatura baixar.
Eu enfiei as minhas mãos bem no findo dos bolsos da minha jaqueta.
"Então, você tem quantos? Dezesseis?", eu perguntei, tentando não parecer uma idiota
enquanto flutuava os meus cílios do jeito que eu via as garotas fazendo na TV.
"Eu acabei de fazer quinze", ele admitiu, lisonjeado.
"Mesmo?", meu rosto estava cheio de falsa surpresa. "Eu pensei que você fosse mais
velho"
"Eu sou alto pra minha idade", ele explicou.
"Você vem muito á Forks?", eu perguntei arfando, como se eu esperasse que a resposta
fosse sim. Eu soei idiota até pra mim mesma. Eu temia que ele se virasse contra mim
com nojo, me acusando de fraude, mas ele ainda parecia estar lisonjeado.
"Não muito", ele admitiu com uma careta.
"Mas quando meu carro estiver pronto eu posso vir quantas vezes eu quiser-quando eu
tiver minha carteira de motorista", ele emendou.
"Quem era o outro garoto falando com Lauren? Ele pareceu um pouco velho pra estar
andando com a gente", eu propositadamente me coloquei no grupo dos jovens pra
demostrar que eu preferia Jacob.
"Aquele é Sam-ele tem dezenove", ele me informou.
"O que era que ele estava falando sobre a família do doutor?", eu perguntei
inocentemente.
"Os Cullen? Oh, eles não podem entrar na reserva." Ele olhou pra longe, na direção da
Ilha James, enquanto ele confirmava o que eu pensava ter ouvido na voz de Sam.
"Por que não?"
Ele olhou de volta pra mim, mordendo o lábio. "Oops. Eu não devia estar falando nada
sobre isso."
"Oh, eu não vou contar pra ninguém, eu só estou curiosa". Eu tentei deixar meu sorriso
atraente, imaginando se eu estava indo longe demais.
Ele sorriu de volta, entretanto, parecendo atraido. Então ele levantou uma das
sombrancelhas e sua voz ficou ainda mais rouca que antes.
"Você gosta de histórias assustadoras?", ele perguntou obscuramente.
"Eu adoro". Eu fiz um esforço pra parecer interessada.
Jacob caminhou para essa árvore próxima que tinha uns galhos que pareciam com patas
de aranhas enormes. Ele se inclinou num dos galhos tortos enquanto eu sentava
embaixo dele, no tronco da árvore. Ele olhou para as rochas, um sorriso começando a
aparecer nos cantos dos seus lábios grossos. Eu podia ver que ele tentava deixar a
história interessante. Eu tentei não deixar o interesse vital que eu sentia aparecer nos
meus olhos.
"Você conhece alguma das nossas antigas histórias, sobre de onde viemos-os Quileutes,
eu digo?", ele começou.
"Na verdade não", eu admití
"Bom, existem muitas lendas, algumas delas datam da época do Dilúvio-supostamente,
alguns dos nossos ancestrais Quileutes amarraram suas canoas nos topos das árvores
mais altas da montanha pra se salvarem, como Noé fez com a Arca", ele sorriu pra
mostrar o pouco crédito que ele dava a essas histórias.
"Outra lenda diz que nós somos descendentes dos lobos-e que os lobos ainda são
nossos irmãos. É contra a lei tribal matar eles
"Então tem as lendas sobre Os Frios". A voz dele ficou um pouco mais baixa
"Os Frios?", agora eu não estava fingindo minha intriga.
"Sim. Existem lendas sobre os frios como existem sobre os lobos, e algumas delas são
muito mais recentes. De acordo com a lenda, o meu próprio tataravô conhecia alguns
deles. Foi ele quem criou o tratado que os mantêm fora das nossas terras." Ele revirou
os olhos.
"Seu tataravô?", eu encoragei.
"Ele era um líder tribal, como meu pai. Sabe, os frios são os inimígos naturais dos
lobos-bem, não do lobo, mas os lobos que se transformam em homens, como os nossos
ancestrais. Você os chamaria de lobisomens".
"Lobisomens têm inimigos?"
"Só um".
Eu olhei pra ele ansiosamente, tentando fazer a minha impaciência se transformar em
admiração.
"Entenda", Jacob continuou. " Os frios são tradicionalmente nossos inimigos. Mas esse
grupo que veio para o nosso território na época do meu tataravô era diferente. Eles não
caçavam do jeito que os outros caçavam-eles não representavam perigo para a nossa
tribo. Então meu tataravô fez um trato com eles. Se eles prometessem ficar longe das
nossas terras, nós não iriamos expor eles para os cara-pálida". Ele piscou pra mim.
"Se eles não eram perigosos, então porque...?", eu tentei entender, lutando pra não
deixá-lo perceber o quanto eu estava levando essa história a sério.
"É sempre um risco para os humanos ficar perto dosfrios, mesmo se eles forem
civilizados como esse clã era. Nunca se sabe quando eles podem estar com fome demais
pra resistir". Ele deliberadamente colocou um tom de ameaça na voz dele.
"O que você quer dizer com 'civilizados'?"
"Eles diziam que não caçavam humanos. Ao invés disso, eles supostamente eram
capazes de se alimentar de animais".
Eu tentei manter minha voz casual.
"Então o que eles tinham a ver com os Cullen? Eles são parecidos com os frios que seu
avô conheceu?".
"Não", ele parou dramaticamente. "Eles são os mesmos".
Ele deve ter pensado que a expressão no meu rosto era medo inspirado pela história. Ele
sorriu, satisfeito, e continuou.
"Tem mais deles agora, uma nova fêmea e um novo macho, mas os outros são os
mesmos. Na época do meu tataravõ eles já conheciam o líder, Carlisle. Ele esteve aqui e
foi embora antes que o seu povo chegasse", ele estava lutando pra não sorrir.
"E o que eles são?", eu finalmente perguntei. " O que são os frios?"
Ele sorriu obscuramente.
"Bebedores de sangue", ele respondeu com uma voz arrepiante. "Vocês chamam eles de
Vampiros."
Eu olhei para as ondas depois que ele disse isso, sem ter certeza do que o meu rosto
estava demonstrando.
"Você ficou arrepiada", ele disse deliciado.
"Você é um bom contador de histórias", eu cumprimentei ele, ainda olhando para as
ondas.
"Uma história bem louca, não é? Não é de se admirar que o meu pai não quer que a
gente fale disso pra ninguém"
Eu ainda não conseguia controlar a minha expressão o suficiente pra olhar pra ele. "Não
se preocupe, eu não vou espalhar".
"Eu acho que acabei de violar o acordo", ele sorriu.
"Eu vou levar isso pro meu túmulo", eu prometí, e então estremecí.
"Sério, mesmo, não diga nada pro Charlie. Ele já ficou bem bravo com o meu pai depois
que descobriu que ninguém estava indo ao hospital desde que o Dr. Cullen começou a
trabalhar lá".
"Eu não vou contar, claro que não."
"Então você acha que somos um bando de nativos supersticiosos ou o que?", ele
perguntou em tom de brincadeira,mas com uma ponta de preocupação. Eu ainda não
tinha tirado os olhos do oceano. Eu me virei pra ele e sorrí tão naturalmente quanto
pude.
"Não. Apesar disso, eu acho que você é um bom contador de histórias. Eu ainda estou
arrepiada, viu?", eu levantei meu braço.
"Legal", ele sorriu.
Então o barulho das pedras batendo umas contra as outras nos alertou de que alguém
estava vindo. Nossas cabeças levantaram ao mesmo tempo pra ver Mike e Jéssica á
cinquenta metros de nós e vindo na nossa direção.
"Aí estava você, Bella", Mike disse aliviado, balançando seu braço sobre a cabeça.
"Esse é o seu namorado?" Jacob perguntou, alertado pelo tom de ciúmes na voz de
Mike. Eu estava surpresa que fosse tão óbvio.
"Não, definitivamente não." Eu cochichei. Eu estava tremendamente agradecida a
Jacob, e ansiosa pra deixó-lo tão feliz quanto fosse possível. Eu pisquei pra ele, me
virando de costas pra Mike quando fiz isso. Ele sorriu, estimulado pelo meu flerte.
"Então quando eu conseguir a minha carteira de motorista...", ele começou.
"Vocêdevia vir me visitar em Forks. Nós podemos sair uma hora dessas". Eu me sentí
culpada quando disse isso, sabendo que eu estava usando ele. Mas eu realmente gostei
de Jacob. Ele era alguém que podia facilmente ser meu amigo.
Mike nos alcançou agora, com Jéssica alguns passos atrás. Eu podia ver seus olhos
avaliando Jacob, e parecendo satisfeito pela sua óbvia juventude.
"Onde você esteve?", ele perguntou, apesar da resposta estar bem na frente dele.
"Jacob estava apenas me contando umas histórias locais", eu respondí. "Foi muito
interessante".
Eu sorri calidamente pra Jacob e ele sorriu abertamente de volta.
"Bem", Mike parou, cuidadosamente avaliando a situação enquanto observava a nossa
camaradagem. "Já estamos indo embora-parece que vai chover logo".
Todos nós olhamos para o céu. Certamente parecia que ia chover".
"Ok" ,e eu levantei num pulo. "Eu estou indo."
"Foi bom te ver de novo", Jacob disse, e eu podia ver que Mike pareceu um pouco
insultado.
"Foi mesmo. Da próxima vez que Charlie for visitar Billy, eu vou junto", eu prometí.
O sorriso cresceu no seu rosto. "Isso seria legal".
"E obrigada", eu disse sinceramente.
Eu levantei o meu capuz enquanto andávamos pelas rochas em direção ao
estacionamento.
Algumas gotas já começavam a cair, fazendo pequenas manchas nas rochas onde elas
caiam. Quando chegamos ao Suburban os outros já estavam lotando todos os espaços
atrás. Eu me enfiei no banco de trás com Angela e Tyler, anunciando que eu tinha tido a
minha chance de ir na janela. Angela só olhou pela janela para a tempestade que se
formava, e Lauren se entortou no banco pra ganhar toda a atenção de Tyler, então eu
pude simplesmente encostar minha cabeça na banco e fechar os meus olhos e fazer o
máximo pra não pensar.
7. Pesadelo
Eu disse a Charlie que tinha um monte de dever de casa pra fazer, e que não queria nada
pra comer. Haviam um jogo de Basquete sobre o qual ele tava todo exitado, apesar de
que eu não conseguia imaginar o que havia de tão especial sobre isso, então ele não
estava prestando atenção em nada diferente no meu rosto ou no meu tom.
Quando eu cheguei no meu quarto, eu tranquei a porta. Eu cavei na minha mesa até
encontrar meus velhos fones, e pluguei eles no meu CD player. Eu peguei um CD que
Phil havia me dado de Natal. Era de uma das minhas bandas favoritas, mas eles usaram
baixo e agudo demais pro meu gosto. Eu o coloquei no lugar e deitei na cama. Eu
coloquei os fones, apertei Play, e aumentei o volume até que machucou os meus
ouvidos. Eu fechei meus olhos,mas aluz ainda incomodava, então eu coloquei um
travesseiro em cima do meu rosto.
Eu me concentrei bem calmamente na música, tentando entender a letra, para desvendar
os complicados padrões da bateria. Na terceira vez que eu ouví o CD, eu conhecia pelo
menos as letras dos refrões. Eu estava surpresa de ver que no fim eu realmente gostei da
banda, assim que eu conseguí ultrapassar o barulho. Eu teria que agradecer ao Phil mais
um vez.
E funcionou. O barulho perturbador tornou impossível pensar-que era o propósito da
tentativa. Eu ouví o Cd de novo e de novo, até que eu estava acompanhando todas as
músicas, até que, finalmente, eu peguei no sono.
Ei abrí meus olhos num lugar familiar. Consciente em algum lugar da minha mente de
que eu estava sonhando, eu reconhecí a luz verde da floresta. Eu podia ouvir as ondas
batendo nas rochas em algum lugar próximo. E eu sabia que se eu encontrasse o oceano,
eu encontraria o sol, mas então, Jacob Black estava lá, apertando a minha mão, me
levando de volta para a parte escura da floresta.
"Jacob? Qual é o problema?", eu perguntei. Seu rosto estava assustado enquanto ele
lutava com todas as suas forças contra a minha resistência; eu não queria voltar para o
escuro.
"Corra, Bella, você precisa correr", ele cochichou, aterrorizado.
"Por aqui, Bella" eu ouvia a voz de Mike me chamando por dentro das árvores
escuras,mas eu não conseguia vê-lo.
"Porque?", eu perguntei, ainda lutando contra Jacob, agora desesperada para achar o sol.
Mas Jacob largou a minha mão e ganiu, tremendo de repente, caindo no chão escuro da
floresta. Ele se contorcia enquanto eu observava cheia de horror.
"Jacob!", eu gritei. Mas ele tinha sumido. Em seu lugar havia um grande lobo com um
pêlo marrom-avermelhado com olhos pretos. O lobo foi pra longe de mim, em direção á
costa, os pêlos nos seus ombros estavam eriçados, leves urros saindo entre os seus
caninos expostos.
"Bella, corra", Mike chamou de novo atrás de mim. Mas eu não me virei. Eu estava
vendo uma luz se aproximar de mim vindo da praia.
Então Edward saiu de dentro das árvores, sua pele brilhando fracamente, seus olhos
negros e perigosos. Ele levantou uma mão e me convidou a ir com ele.
O lobo ganiu á meus pés.
Eu dei um passo, indo na direção de Edward.
"Confie em mim", ele pediu.
Eu dei outro passo.
O lobo se lançou no espaço entre eu e o vampiro, os caninos virados na direção da
jugular.
"Não!", eu acordei pulando na minha cama.
Meu movimento súbito fez com que os fones puxassem o CD player da mesa e ele fez
um ruído enorme no chão de madeira.
Minha luz ainda estava acesa, e eu estava completamente vestida na cama, de sapatos.
Eu olhei, desorientada, para o relógio na minha penteadeira. Eram cinco e meia da
manhã.
Eu gemí, caí pra trás, e rolei sobre o meu rosto, chutando as minhas botas. Mesmo
assim, eu estava desconfortável demais pra chegar em qualquer lugar próximo do sono.
Eu rolei de volta e desabotoei o meu jeans, tirando eles de uma forma estranha enquanto
eu tentava ficar na horizontal. Eu podia sentir a trança no meu cabelo, um volume
desconfortável contra o meu crânio. Eu me virei de lado e tirei o elástico, rapidamente
desfazendo a trança com os meus dedos. Eu coloquei o travesseiro sobre os meus olhos.
Foi inútil, é claro. Meu subconsciente havia drenado todas as imagens que eu estava
tentando evitar tão desesperadamente. Eu ía ter que enfrentá-las agora.
Eu sentei, minha cabeça rodou um pouco enquanto o sangue descia. Primeiras coisas
primeiro, eu pensei comigo mesma, feliz por adiar aquelas coisas pelo máximo de
tempo possível. Eu levei minha bolsa para o banheiro.
O banho, porém, não demorou tanto quanto eu esperava. Mesmo demorando para secar
meu cabelo, eu logo estava sem coisas pra fazer no banheiro. Eu me enrolei numa toalha
e fui para o meu quarto. Eu não sabia se Charlie ainda estava dormindo ou se já havia
saído. Eu fui olhar pela janela, a viatura não estava mais lá.
Pescaria de novo.
Eu me vestí lentamente com o meu sweater mais confortável e então arrumei minha
cama-algo que eu nunca fiz. Eu não podia mais adiar. Eu fui para a minha mesa e liguei
meu velho computador.
Eu odiava usar a Internet aqui. Meu modem era tristemente ultrapassado, meu serviço
grátis era inferior; só a conexão demorou tanto que eu decidí ir buscar um tigela de
cereal para mim enquanto eu esperava.
Eu comí vagarosamente, mastigando cada pedaço cuidadosamente. Quando eu terminei
eu lavei a tigela e a colher, sequei os dois e guardei. Meus pés se arrastavam enquanto
eu subia pela escada. Eu fui até o meu CD player primeiro, pegando ele do chão e
colocando-o precisamente no centro da mesa. Eu tirei os fones, e então os guardei na
gaveta da mesa. Então eu liguei o Cd, colocando nas músicas mais barulhentas.
Com outro suspiro, eu me virei para o computador. Naturalmente a tela estava lotada de
pop-ups. Eu sentei na minha cadeira e comecei a fechar todas as janelinhas.
Eventualmente eu conseguí entar no meu site de buscas favorito. Eu fechei mais algund
pop-ups e digitei uma só palavra.
Vampiro.
Levou um tempo enlouquecedor, é claro. Quando os resultados apareceram, havia muito
o que peneirar -tudo de filmes e programas de Tv á jogos de Vídeo-game, bandas de
metal, e companias de cosméticos góticas.
Então eu achei um site que parecia promissor -Vampiros de A á Z.
Eu esperei pacientemente até que ele baixasse, clicando rapidamente em todas as
janelinhas que apareciam na tela. Finalmente a tela estava completa -um fundo branco
simples com letras pretas, com escrita acadêmica. Duas frases me saudaram na página
inicial:
Pelo vasto mundo obscuro dos fantasmas e demônios não existe figura tão terrível,
nenhuma figura tão horripilante e detestável, mesmo assim causadora de tal fascinação,
como o vampiro, que é nem fantasma nem demônio,mas ainda assim, divide a natureza
obscura e possue as terríveis e misteriosas qualidades de ambos.Reverendo
Montague Sommers.
Se existe no mundo uma coisa tão bem-atestada, essa coisa são os vampiros.
Provas não faltam -entrevistas oficiais, testemunhos de pessoas conhecidas, de
cirurgiões, de padres, de magistrados; as provas judiciais são mais completas. E com
tudo isso, quem é que não acredita em vampiros?-
Rousseau
O resto do site era uma lista em ordem alfabética dos diferentes mitos envolvendo
vampiros ao redor do mundo. O primeiro no qual eu cliquei, o Danag, era um vampiro
das Filipinas supostamente responsável por trazer o tarô para as ilhas há muito tempo
atrás. O mito ainda contava que Danag trabalhou com os humanos durante muitos
anos,mas a parceria acabou quando uma mulher cortou o seu dedo e o Danag sugou toda
a sua vitalidade, gostando tanto do sabor do seu sangue que acabou drenando totalmente
o sangue do seu corpo.
Eu lí cuidadosamente todas as descrições, procurando por alguma coisa que me
parecesse familiar, pra não dizer plausível. Parecia que a maioria das histórias de
vampiros possuiam lindas mulheres como demônios e crianças como vítimas; eles
pareciam querer criar histórias para explicar os altos índices de mortalidade entre as
crianças,e criar para os homens uma boa desculpa para serem infiéis.
Muitas das histórias envolviam espíritos desencarnados e avisos sobre enterros
impróprios.
Nada se parecia muito com o que eu via nos filmes, só alguns poucos, como o Hebreu
Estrie e o polonês Upier, que ocasionalmente estavam ocupados bebendo sangue.
Só três links me chamaram a atenção: O romênio Varacolaci, um morto-vivo poderoso,
que podia aparecer como um humano lindo, com a pele pálida; o Eslovaco Nelapsi, uam
criatura tão forte e veloz que pode um vilarejo inteiro em apenas uma hora depois da
meia-noite; e um outro,o Stregoni benefici.
Sobre esse havia penas uma breve frase.
Stregoni benefici: Um vampiro italiano, destinado a ser do lado do bem, e inimigo
mortal dos vampiros maus.
Era um alivio, aquele link, o único mito que aclamava a existência de vampiros do bem.
No geral,porém, havia pouco que coincidisse com as histórias de Jacob ou com as
minhas próprias observações. Eu fiz um pequeno catálogo na minha mente enquanto eu
lía e cuidadosamente comparava cada mito. Velocidade, força, beleza, pele pálida, olhos
que mudam de cor. E então o critério de Jacob: bebedores de sangue, inimigos dos
lobisomens, peles frias e imortais.
Haviam muito poucos mitos que se encaixavam em cada fator.
E então, outro problema, que eu lembrei de um pequeno número de filmes que eu havia
assitido e que foi trazidoá tona pela leitura de hoje -vampiros não devaim poder sair de
dia, o sol poderia transaformá-los em cinzas. Eles dormem em caixões o dia inteiro e só
saem á noite.
Importunada, eu desliguei o computador no botão pricipal, sem esperar pra que ele
desligasse apropriadamente. Apesar da minha irritação, eu estava extremamente
envergonhada. Era tudo tão estúpido. Eu estava sentada no meu quarto, pesquisando
sobre vampiros. O que é que havia de errado comigo? Eu decidí que grande parte da
culpa estava na entrada de Forks -uma península inteira, pra falar a verdade.
Eu queria sair de casa, mas não havia nenhum lugar que eu quisesse ir que ficasse a
menos de três dias de viagem de carro.
Eu calcei as minhas botas mesmo assim, sem ter certeza de pra onde eu iria, e descí as
escadas. Eu vestí o meu casaco de chuva sem olhar o clima e saí porta á fora.
Estava nublado, mas ainda não estava chuvendo. Eu ignorei minha caminhonete e
comecei a avançar á norte a pé, virando no quintal de Charlie e andando em direção á
floresta. Não demorou muito até que eu já estivesse longe o suficiente da casa pra não
ver mais a estrada, pra que o único som audível fosse o som dos meus passos na terra e
as gotas de orvalho que caiam das copas.
Haviam um leve rastro da trilhas que guiava o caminho pra dentro da floresta, de outra
forma eu jamais me arriscaria a ir lá sozinha daquele jeito. Meu senso de direção era
desastroso; eu podia me perder em lugares muito mais seguros. A trilha continuava mais
e mais funda dentro da floresta, mais longe do que eu podia dizer. Ela passava pelas
árvores ordenadas e pelas cicutas, pelas madeiras de teixos e pelos arbustos. Eu só
conhecia vagamente as árvores ao meu redor, e o que eu sabia era só de ver Charlie
apontando elas pra mim da viatura há anos atrás. Muitas delas eu não conhecia, outras
delas eu não tinha como ver porque elas estava completamente cobertas de parasitas
verdes.
Eu seguí na trilha tão longe quanto a minha raiva me levou. Quando ela começou a
abrandar, eu diminuí o ritmo. Algumas gotas cairam em mim da árvore sobre minha
cabeça, mas eu não sabia dizer se era de uma chuva que estava começando ou do
orvalho de ontem, que estava nas folhas, que agora estavam lentamente voltando para a
terra. Uma árvore recentemente derrubada -eu sabia que era recente porque ela ainda
não estava completamente coberta de musgos -descansava sobre o tronco de outra das
suas irmãs, criando um banquinho a apenas uns poucos passos da trilha. Eu passei pelos
galhos e cuidadosamente, me certificando de que a minha jaqueta estava entre o ascento
sujo e as minhas roupas onde quer que elas tocassem, e inclinei minha cabeça protegida
com o capuz contra a árvore ainda em pé.
Esse foi o lugar errado pra vir. Eu devia ter advinhado, mas onde mais eu poderia ter
ido? A floresta era de um verde escuro e se parecia demais com a cena do sonho de
ontem pra permitir á minha mente um pouco de paz. Agora que já não haviam mais os
sons de passos, o silêncio era penetrante.
Os pássaros estavam quietos, também, e as gotas caiam com uma certa frequência, então
devia ser a chuva. As samambaias ficavam mais altas que eu, agora que eu estava
sentada, e eu sabia que alguém podia andar entre os troncos a três passos de distância e
não me enxergar.
Aqui entre as árvores era muito mais fácil acreditar nos absurdos que haviam me
deixado envergonhada em casa.
Nada mudou nesse floresta por milhares de anos, e todos os mitos e lendas de centenas
de locais diferentes me pareciam muito mais possíveis aqui do que no meu quarto.
Eu me forcei a focar nas duas perguntas mais vitais que eu tinha que responder, mas eu
fiz isso sem vontade.
Primeiro, eu tinha que decidir se a história que Jacob me contou sobre os Cullen podia
ser verdade.
Imediatamente minha mente respondeu com um ressonante não. Era ridículo e mórbido
pensar em tais coisas. Mas o que, então? Eu perguntei a mim mesma.
Não havia nenhuma explicação razoável que explicasse como eu estava viva nesse
momento. Eu escutei mais uma vez na minha cabeça as coisas que eu observei sozinha:
a incrível velocidade, a força, os olhos mudando de preto pra dourado e preto de novo, a
beleza inumana, a pele pálida, gelada. E mais -pequenas coisas que se registraram
lentamente -como eles nunca comiam, a graça perturbadora com a qual se
movimentevam. E o jeito como eles falavam b, com um sotaque pouco familiar e frases
que se encaixariam melhor num romance da virada do século do que numa sala de aula
do século vinte e um.
Ele faltou a aula no dia em que fariamos o teste sanguínio. Ele não disse que não iria
para a praia até que eu disse pra onde íamos. Ele parecia saber o que todos ao redor dele
estavam pensando... exceto eu.
Ele haviam me dito que o vilão, perigoso...
Poderiam os Cullen ser Vampiros?
Bem, eles eram alguma coisa. Alguma coisa fora das possibilidades de justificações
rationais estava acontecendo diante dos meus olhos incrédulos. Fossem os frios de
Jacob ou as minhas teorias sobre super-heróis, Edward Cullen não era...humano.
Ele era algo mais.
Então-talvez. Essa seria a minha única resposta sobre o assunto no momento.
E então a pergunta mais importante de todas. O que é que eu ia fazer se fosse verdade?
Se Edward fosse vampiro -eu mal podia me forçar a pensar nas palavras -então o que
eu deveria fazer? Envolver outra pessoa estava absolutamente fora de questão. Nem eu
mesma conseguia acreditar; ninguém a quem eu contasse ia me dar bola.
Só duas opções pareciam práticas. A primeira era seguir o conselho dele: ser inteligente,
evitá-lo tanto quanto fosse possível. Cancelar os nossos planos, e voltar a ignorá-lo o
máximo que eu pudesse. Fingir que havia uma parede de vidro impenetrável nos
separando na aula quando éramos forçados a ficar juntos. DIzer pra ele me deixar em
paz-e falar sério dessa vez.
Eu estava presa num repentino sentimento de agonia quando pensei nessa alternativa.
Minha mente rejeitou a dor, rapidamente me levando á próxima opção.
Eu não podia fazer nada de diferente. Afinal, se ele era algo...sinistro, até agora ele não
fez nada pra me machucar. Na verdade, Tyler teria muito do que se arrepender se ele
não tivesse agido tão rápido. Tão rápido, eu discutí comigo mesma, que pode ter sido
simplesmente uma questão de reflexos. Mas se eram reflexos que salvavam vidas, não
podia ser tão ruim. Eu considerei. Minha cabeça girava sobre eixos invisíveis.
De uma coisa eu tinha certeza, se é que eu tinha certeza de alguma coisa. O Edward
obscuro nomeu sonho da noite passada foi só um reflexo meu medo das palavras de
Jacob, e não de Edward.
Mesmo assim, quando eu gritei aterrorizada por causa do ataque do lobisomem, não foi
o medo do lobo que fez o "não" brotar dos meus lábios. Foi o medo que ele pudesse se
machucar-mesmo quando ele me chamou com os caninos expostos, eu temí por ele.
E eu sabia que aí estava a minha resposta. Eu não sabia nem se havia outra escolha, na
verdade. Eu já estava envolvida demais. Agora que eu sabia-se eu sabia -eu não podia
fazer nada sobre os meus segredos assustadores. Porque quando eu pensava nele, na voz
dele, nos seus olhos hipnóticos, a força magnética de sua personalidade, eu não queria
nada além de estar com ele agora mesmo.
Mesmo se... Mas eu não conseguia pensar nisso agora. Não aqui, na floresta escura, não
quando a chuva fazia tudo escurecer como o crepúsculo sobre as copas das árvores e
pareciam com passos no chão de terra. Eu tremí e me levantei rapidamente do meu local
de ocultação, preocupada que de alguam forma a trilha tivesse desaparcido com a
chuva.
Mas estava lá, a salvo e clara, seguindo o seu caminho pelo labirinto respingante.
Eu a seguí apressadamente, meu capuz próximo do meu rosto, me surpreendendo,
quando quase me batia nas árvores, com o quanto havia ido longe. Eu comecei a
imaginar se eu realmente estava saíndo de la,ou me embrenhando ainda mais nos
confins da floresta. Antes que eu tivesse um ataque de pânico, porém, eu comecei a
reparar em alguns espaços entre as teias de galhos. E então eu ouví um carro passando
na rua, e eu estava livre, a grama de Charlie se estendia na minha frente, a casa de
recebendo, prometendo calor e meias secas. Era só meio dia quando eu entrei. Eu subí e
me vestí para o resto do dia, jeans e uma camiseta, já que eu ia ficar me casa. Eu não
tive que me esforçar muito pra me concentrar na tarefa do dia-um trabalho sobre
Macbeth que era pra ser entregue na quarta-feira. Eu me concentrei no perfil do duro
projeto contentemente, mais serena do que eu me sentia desde...bem, desde a última
quinta-feira, pra ser honesta
Esse sempre foi meu jeito, de qualquer forma. Tomar decisões era a parte difícil pra
mim, isso eu tinha que reconhecer. Mas uma vez que a decisão estivesse tomada, eu
simplesmente fazia o que tinha que ser feito-geralmente aliviada por ter tomado uma
decisão. Ás vezes o alivio era corrompido pelo desespero, como a minha decisão de vir
pra Forks. Mas isso era melhor do que degladiar com as alternativas.
Essa era uma decisão ridiculamente fácil de aceitar. Perigosamente fácil.
Então o dia estava quieto, produtivo -eu terminei o meu trabalho antes das oito.
Charlie chegou com uma bela captura, e eu fiz um lembrete mental para comprar um
livro de receitas pra peixes quando eu fosse pra Seattle na semana que vem. Os calafrios
que percorriam a minha espinha toda vez que eu pensava nesa viagem não eram
diferentes dos que eu tinha antes da história de Jacob Black. Eles deveriam ser
diferentes, eu pensei. Eu devia ter medo -eu sabia que devia, mas eu não conseguia
sentir o tipo certo de medo.
Eu não sonhei naquela noite, exausta por ter começado o meu dia tão cedo, e ter
dormido tão mal durante a noite. Eu acordei, pela segunda vez desde que eu cheguei em
Forks, com o brilho amarelo de um dia de sol. Eu fui olhar pela janela, aturdida por ver
que mal havia uma nuvem no céu, e aquelas que haviam eram só pedacinhos macios de
algodão que não poderiam estar carregando chuva alguma. Eu abrí a janela, surpresa por
ela ter aberto tão facilmente, sem emperrar, mesmo sem ter sido aberta em todos esses
anos -e suguei o ar relativamente seco.
Estava quase quente e quase não ventava. Meu sangue pulsava elétrico nas veias.
Charlie estava terminando o café da manhã quando eu descí, e ele percebeu o meu
humor imediatamente.
"Belo dia lá fora". Ele comentou.
"Sim", eu concordei com um sorriso.
Ele sorriu de volta, seus olhos castanhos se enverrugando nos cantos. Quando Charlie
sorría era mais fácil perceber porque minha mãe havia aceitado se casar tão rápido.
Grande parte daquele jovem romântico havia desaparecido antes que eu tivesse nascido,
como o cabelo castanho e cacheado-mesma cor, se não textura dos meus-tinham
sumido, lentamente revelando mais e mais a pele brilhante da testa dele. Mas quando ele
sorria, eu podia ver um pouco do homem que fugiu com Renée quando ela não era nem
dois anos mais velha do que eu sou agora.
Eu tomei meu café da manhã alegremente, observando as partículas de poeira que
apareciam por causa da luz do sol que entrava pela janela de trás. Charlie deu adeus, e
eu ouví a viatura se afastar de casa. Eu hesitei na porta de casa, a mão na minha jaqueta.
Deixá-la em casa era tentador. Com um suspiro, eu a embrulhei no braço e saí para a luz
brilhante que eu já não via há meses.
Á custo de cotovêlos melados de graxa, eu conseguí abrir as duas janelas da minha
caminhonete quase completamente. Eu fui uma das primeiras a chegar na escola; eu
nem tinha olhado para o relógio na minha pressa de sair. Eu estacionei e me dirigí para
os bancos de piquenique raramente utilizados, no lado sul da cafeteria. Os bancos ainda
estavam um pouco sujos, então eu sentei na minha jaqueta, feliz por dar um uso a ela.
Meu dever de casa já estava terminado-resultado de uma vida social desgraçada -mas
haviam alguns problemas de Trigonometria que eu não sabia se estavam certos. Eu
peguei meu livro cheia de vontade de trabalhar, mas na metade do primeiro problema eu
já estava sonhando acordada, olhando a luz do sol brincar com as árvores e suas casacas
vermelhas.
Eu olhava desatentamente para as margens do meu dever de casa. Depois de alguns
minutos, eu me dei conta de que havia desenhado cinco pares de olhos pretos me
olhando pela página. Eu os apaguei com uma borracha.
"Bella!", eu ouví alguém chamar, e parecia ser Mike.
Eu olhei em volta para me dar conta de que a escola já estava cheia enquanto eu estava
sentada aqui, ausente. Todo mundo estava usando camisetas, alguns até de shorts,
apesar de a temperatura não estar acima dos 18 graus.
Mike estava vindo na minha direção vestindo besmudas Khaki e uma camisa de Rúgby
listrada, acenando.
"Ei,Mike", eu cumprimentei, acenando de volta, incapaz de ser pouco receptiva numa
manhã como essa.
Ele veio se sentar ao meu lado, os seus cabelos arrepiados tinham uma brilhante cor
dourada no sol, um sorriso rasgando o seu rosto. Ele estava tão contente em me ver que
eu n~]ao pude deixar de me sentir gratificada.
"Eu não tinha reparado antes-o seu cabelo é um pouco rúivo", ele comentou, pegando
entre os dedos uma mecha que estava flutuando com a brisa suave.
"Só no sol".
Eu fiquei um pouco desconfortável quando ele colocou a mecha atrás da minha orelha.
"Belo dia, não é?"
"Meu tipo de dia", eu concordei.
"O que você fez ontem?", o tom dele era provavelmente muito autoritário.
"Eu trabalhei no meu projeto." Eu não mencionei que já havia acabado-não havia
necessidade de parecer presumida.
Ele bateu na testa com a mão. "Oh, é -é pra quinta-feira, não é?"
"Umm, quarta, eu acho"
"Quarta?" ele fez uma careta. "Isso não é bom... O que você está escrevendo no seu?"
"Se o tratamento de Shakespeare para com as mulheres era misógino".
Ele me encarou como se eu tivesse falado em Latin.
"Eu acho que terei que trabalhar nisso hoje á noite", ele disse, vazio. "Eu ia te perguntar
se você queria sair".
"Oh", eu fui pega fora de guarda. Porque eu não podia mais conversar com Mike sem a
situação ficar estranha?
"Bom, nós podíamos sair pra jantar ou alguma coisa assim...e eu podia trabalhar nisso
depois", ele sorriu pra mim esperançosamente.
"Mike", eu odiava ser colocada contra a parede. "Eu acho que não é a melhor idéia".
O rosto dele desmoronou. "Porque não?",ele perguntou, seus olhos cuidadosos. Meus
pensamentos foram parar em Edward, imaginando se era nisso que ele estava pensando
também.
"Eu acho... e se você repetir isso em outro lugar eu vou te espancar até a morte", eu
ameacei. "Mas eu acho que machucaria os sentimentos de Jéssica."
Ele estava desnorteado, obviamente ele não havia pensado nisso. "Jéssica?"
"Sério, Mike, você é cego?"
"Oh", ele exalou -claramente confuso. Eu me aproveitei disso pra fazer a minha fuga.
"É hora da aula, eu não posso me atrasar de novo", eu agarrei os meus livros e os enfiei
na minha mochila.
Nós caminhamos em silêncio até a sala de aula, e a expressão dele estava distraída. Eu
esperava que fossem quais fossem esses sentimentos nos quais ele estava inundado, que
eles o levassem para a direção correta.
Quando eu ví Jéssica em trigonometria, ela estava estourando de entusiasmo. Ela,
Angela, e Lauren estavam indo á Port Angeles esta noite pra comprar vestidos para o
baile, e ela queria que eu fosse também, apesar de eu não precisar de um vestido. Não
havia o que decidir. Podia até ser legal sair da cidade com algumas amigas, mas Lauren
estaria lá. E quem abe o que eu poderia estar fazendo nessa noite... mas definitivamente
não erame envolver nesse tipo de situação. É claro que eu estava feliz com o sol. Mas
esse não era o único responsável pelo meu humor eufórico, nem de perto.
Então eu dei a ela um talvez, dizendo a ela que eu teria que falar com Charlie antes.
Ela não falou de nada alkém do baile no caminh para a aula de Espanhol, continuando
depois da aula como se nem tivesse sido interrompida, cinco minutos depois estávamos
indo almoçar. Eu estava preocupada demais com os meus próprios pensamentos pra
pensar no que ela estava dizendo. Eu estava dolorosamente ansiosa pra ver não só ele,
mas todos os Cullen-pra compará-los ás novas suspeitas que estavam na minha mente.
Enquanto eu cruzava a entrada da cafeteria, eu sentí o primeiro formigamento de medo
descer a minha espinha e se alojar no meu estômago. Será que eles tinham como
adivinhar o que eu estava pensando? E então eu tive um outro formigamento-será que
Edward estaria esperando pra sentar comigo?
Como de costume, eu olhei para a mesa dos Cullen. Um arrepio de pânico fez meu
estômago tremer quando eu percebí que ela estava vazia.
Com um resto de esperança eu vasculhei o resto da cafeteria, esperando encontrá-lo
sozinho, esperando por mim.
O lugar estava praticamente lotado-nós nos atrasamos em Espanhol-mas não havia
sinal de Edward ou de ninguém da sua família. A desolação me atingiu com uma força
devastadora.
Eu cambaleei ao lado de Jéssica, sem me importar mais em fingir que estava prestando
atenção.
Nós estavamos atrasadas o suficiente pra encontrar todo mundo na nossa mesa. Eu
evitei uma cadeira vazia ao lado de Mike e preferí me sentar ao lado de Angela. Eu
vagamente reparei que Mike segurou a cadeira educadamente pra Jéssica se sentar, e o
rosto dela se iluminou em resposta.
Angela perguntou algumas sobre o trabalho sobre Macbeth, que eu respondí tão
naturalmente quanto pude enquanto mergulhava em sofrimento. Ela, também, me
convidou para sair essa noite com elas, e agora eu concordei, me agarrando em qualquer
coisa que me distraísse.
Eu me dei conta de que estava agarrando a última ponta de esperança quando entrei na
aula de Biologia, ví o lugar vazio, e me deixei levar por outra onda de desapontamento.
O resto do dia passou devagar, sem graça. Na Educação Física, nós tivemos uma
palestra sobre os princípios do Badminton, a próxima tortura á qual eles iam me expor.
A melhor parte foi que o treinador não chegou a terminar, então amanhã eu teria outro
dia livre. Não importa que depois desse dia eles iam me armar com uma raquete antes
de me soltar no resto dos estudantes.
Eu estava feliz em deixar a escola, então eu podia fazer beicinho e me lastimar
livremente antes de sair com Jéssica e companhia.
Mas logo que eu entrei na casa de Charlie, Jéssica ligou pra cancelar os nossos planos.
Eu tentei parecer feliz por Mike ter convidado ela para jantar -eu realmente estava feliz
que ele finalmente parecia estar entendendo -mas o meu entusiasmo pareceu falso até
para os meus próprios ouvidos. Ela remarcou as compras para amanhã.
O que me deixou com poucas escolhas no que se trata de distrações.
Eu tinha peixe marinando para o jantar, com salada e pão que sobrou da noite passada,
então não havia nada pra fazer nesse aspecto. Eu passei meia hora concentrada no dever
de casa, mas depois eu já estava de saco cheio disso também. Eu chequei meu E-mail,
lendo milhares de cartas antigas da minha mãe, ficando mais animada enquanto elas
progrediam para o presente. Eu suspirei e digitei uma resposta rápida.
MÃE,
DESCULPE. EU ESTIVE FORA. EU FUI Á PRAIA COM ALGUNS AMIGOS. E
TIVE QUE FAZER UM TRABALHO.
Minhas desculpas era honestamente patéticas, então eu desistí.
HOJE ESTÁ FAZENDO SOL LÁ FORA -EU SEI, EU TAMBÉM ESTOU
CHOCADA -ENTÃO EU VOU LÁ FORA PARA SUGAR TODA A VITAMINA D
QUE EU PUDER. EU AMO VOCÊ.
BELLA.
Eu decidí matar um hora com leitura não-relacionada com a escola. Eu tinha uma
pequena coleção de livros que eu trouxe comigo pra Forks,o maior volume se tratava de
um apanhado das obras de Jane Austen. Eu selecionei um e me dirigí para o quintal,
levando uma colcha antiga que havia no armário.
No quintal pequeno, quadrado de Charlie, eu dobrei a colcha no meio e deitei na sombra
das árvores na grama aparada que sempre seria um pouco úmida, não importava quanto
o sol brilhasse.
Eu deitei sobre o estômago, cruzando os tornozelos no ar, passando os livros tentando
decidir qual deles eu escolheria. Os meus favoritos eram Orgulho e Preconceito e Razão
e Sensibilidade. Eu tinha lido o primeiro mais recentemente, então eu comecei com
Razão e Sensibilidade, só par me lembrar que o herói da história se chamava Edward,
com raiva, eu abri Mansfield Park, mas o herói desse livro se chamava Edmund, que era
perto o suficiente.
Não haviam outros nomes disponíveis no século dezoito? Eu fechei o livro, aborrecida,
e me virei de costas. Eu não pensaria em mais nada além do calor na minha pele, eu
disse a mim mesma severamente. A briza ainda estava leve, mas fez as mechas do meu
cabelo soprarem no meu rosto, e isso fez um pouco de cócegas.
Eu joguei o meu cabelo pra cima da minha cabeça, deixando ele descansar na colcha
embaixo de mim, e me concentrei de novo no calor que tocava os meus cílios, as maçãs
do meu rosto, meu nariz, meus lábios, meus braços, meu pescoço, que passava pelo
pano da minha camiseta leve...
A próxima coisa da qual eu tive consciência foi do som da viatura de Charlie, virando
nos tijolos da entrada. Eu sentei supresa, me dando contade que a luz havia ido embora,
por trás da árvores, e que eu tinha pego no sono. Eu olhei ao redor, confusa, com o
sentimento de que eu não estava mais sozinha.
"Charlie?", eu perguntei, mas eu podia ouvir a porta da frente batendo.
Eu levantei rápido, tolamente atordoada, juntando a colcha suja e os meus livros.
Eu corrí pra dentro pra colocar óleo pra ferver na frigideira, percebendo que o jantar ia
atrasar.
Charlie estava pendurando o seu cinturão e tirando as botas quando eu entrei.
"Desculpa, pai, o jantar ainda não está pronto-eu peguei no sono lá fora", eu repremí
um bocejo.
"Não se preocupe", ele disse. "Eu queria saber o placar do jogo, mesmo."
Eu assistí TV com Charlie depois do jantar pra ter alguma coisa pra fazer. Não havia
nada interessante pra assistir, mas ele sabia que eu não gostava de beiseball, então ele
colocou num canal bobo que nem um de nós gostava. Apesar disso, ele pareceu feliz,
por estarmos fazendo alguma coisa juntos. E foi bom, a despeito da minha depressão,
deixá-lo feliz.
"Pai", eu disse durante os comerciais, "Jéssica e Angela vão procurar vestidos para o
baile amanhã em Port Angeles, e elas querem que eu as ajude a escolher...você se
importa se eu for com elas?"
"Jéssica Stanley?",ele perguntou.
"E Angela Weber". Eu suspirei quando tive que lhe passar os detalhes.
Ele estava confuso. "Mas você não vai para o baile, não é?"
"Não, pai, eu vou ajudar elas a encontar os vestidos-você sabe, vou dar críticas
construtivas". Eu não teria que explicar isso para um mulher.
"Bem, Ok". Ele pareceu perceber que era uma coisa do departamento feminino.
"Mas é dia de semana".
"Nós vamos sair logo depois da aula, assim poderemos voltar cedo. Você dá um jeito no
jantar, não é?"
"Bella, eu conseguíme alimentar por dezessete anos antes de você vir pra cá", ele me
lembrou.
"Eu não sei como você conseguiu sobreviver", eu murmurei, e então adicionei mais
claramente, "Eu vou deixar algumas coisas pra você preparar um sanduíche na
geladeira, tá bom? Bem em cima".
Estava ensolarado de novo no outro dia. Eu acordei com renovada esperança que eu
inutilmente tentei reprimir. Eu tentei me vestir para o clima mais ameno com uma blusa
com um decote em formato de V -algo que eu usava no inverno em Phoenix.
Eu planejei tanto a minha entrada na escola que mal tive tempo de chegar á sala de aula.
Com o coração vazando, eu circulei o estacionamento procurando por uma vaga,
enquanto procurava pelo Volvo prateado que claramente não estava lá. Eu estacionei no
último corredor, correndo para a aula de Inglês, chegando sem fôlego, mas vitoriosa,
antes do sinal tocar.
Estava igual a ontem-eu não conseguia evitar os brotos de esperanças que se semeavam
na minha mente, só pra que depois eles fossem dolorosamente esmagados enquanto eu
procurava por ele no almoço ou quando sentava na minha mesa vazia na aula de
Biologia.
O esquema de Port Angeles estava de pé de novo, e deixou tudo mais atraente pelo fato
de que Lauren tinha outros planos. Eu estava muito ansiosa pra sair da cidade, então eu
não conseguia parar de olhar por cima do ombro, esperando que ele aparecesse do nada
como ele costumava fazer. Eu prometí pra mim mesma que estaria de bom humor essa
noite pra não estragar a diversão de Angela ou de Jéssica na sua caça ao vestido. Talvez
eu pudesse até fazer umas compras também. Eu me recusava a pensar que teria que
fazer compras sozinha em Seattle esse fim de semana, sem o mínimo de interesse no
trato antigo. É claro que ele não podia cancelar sem pelo menos me ligar.
Depois da escola, Jéssica me acompanhou até em casa com o seu Mercury branco pra
que eu pudesse deixar os meus livros e a minha camionhonete. Eu penteei o meu cabelo
rapidamente enquanto estava lá dentro, sentindo um pouco de excitação por estar
deixando Forks. Eu deixei um bilhete para Charlie em cima da mesa, explicando de
novo onde encontrar o jantar, troquei a minha carteira da minha mochila para uma bolsa
que eu raramente usava, e corrí pra me juntar á Jéssica. Depois nós passamos na casa da
Angela, e ela estava esperando por nós.
Minha excitação cresceu espontâneamente enquanto nós nos dirigíamos aos limites da
cidade.
Jess dirigiu mais rápido que Charlie, para que chegássemos me Port Angeles antes das
quatro. Já fazia algum tempo desde a minha última noite das garotas e os meus
estrogênios corriam soltos. Nós ouvímos músicas melosas de Rock enquanto Jéssica
tagarelava sobre os garotos com os quais nós nos relacionávamos. O jantar de Mike e
Jéssica foi muito bem, e lea esperava que no Sábado eles já tivesse progredido para a
fase do primeiro beijo. Eu sorrí comigo mesma, satisfeita. Angela estava passivamente
feliz por estar indo ao baile, mas não necessariamente interessada em Eric. Jess tentou
fazê-la confessar qual era o seu tipo de garoto, mas depois de um tempo eu interrompí
com uma pergunta sobre vestidos, para poupá-la. Angela olhou pra mim agradecida.
Port Angeles era uma linda armadilha para turistas, muito mais educada e pitoresca do
que Forks. Mas Angela e Jéssica a conheciam bem, então nós não perdemos tempo
olhando o piotoresco mapa da cidade na baía. Jess dirigiu direto para uma grande loja de
departamentos na cidade, que era a apenas algumas ruas da amigável baía para
visitantes.
O baile era semiformal, e nós não tinhamos certeza do que isso significava. Tanto
Angela quanto Jéssica pareceram surpresas e um pouco descrentes quando eu falei pra
elas que nunca tinha ido a um baile em Phoenix.
"Você nunca foi com um namorado ou alguma coisa assim?" Jess perguntou
duvidosamente enquanto andávamos pelas portas da loja.
"De verdade", eu tentei convencer ela sem ter que revelar os meus problemas com
dança.
"Eu nunca tive um namorado nem nada parecido. Eu não saía muito"
"Porque não?", Jéssica perguntou.
"Ninguém nunca me convidou", eu disse honestamente.
Ela pareceu cética. "As pessoas te convidam aqui", ela me lembrou "E é você quem diz
não". Nós estávamos na seção de adolescentes agora, procurando nos cabides por
roupas mais chiques.
"Bem, exceto Tyler", Angela respondeu quietamente.
"Como é?", eu engasguei. "O que foi que você disse?"
"Tyler está dizendo pra todo mundo que vai te levar para o baile de fim de ano", Jéssica
disse com olhos suspeitos.
"Ele disse o quê?" parecia que eu estava sufocando.
"Eu te disse que não era verdade", Angela murmurou pra Jéssica.
Eu estava em silêncio, ainda num estado de choque que estava rapidamente se
transformando em irritação. Mas nós tínhamos que encontrar as drogas dos vestidos, e
tínhamos muito trabalho á fazer.
"É por isso que Lauren não gosta de você", Jéssica deu uma risadinha enquanto
procurávamos as roupas.
Eu apertei meus dentes. "Você acha que se eu atropelasse ele com o meu carro ele
pararia de se sentir culpado por causa do acidente? Será que ele vai parar de tentar me
recompensar e achar que estamos quites?"
"Talvez", Jéssica de uma fungadinha. "Se é por isso que ele está te chamando."
A seção de vestidos não era muito grande, mas elas duas encontraram alguns vestidos
para experimentar. Eu sentei em uma cadeira baixa dentro de um dos provadores, perto
de um espelho de três faces, tentando controlar a minha fúria.
Jéss estava dividida entre dois-um longo, tomara-que caia, preto básico e outro na
altura do joelho de um azul elétrico com alcinhas finas. Eu encoragei ela a ficar com o
azul. Porque não realçar os olhos? Angela escolheu um vestido rosa claro que destacava
bem o seu corpo alto e que destacava a cor de mel dos seus cabelos castanho-claros. Eu
cumprimentei as duas generosamente e ajudei a colocar os vestidos rejeitados de volta
nos cabides. O processo foi muito mais curto e fácil do que as compras que eu fazia com
Renée quando estava em casa. Eu acho que existe algo a ser dito sobre escolhas
limitadas.
Nós fomos para a seção de sapatos e acessórios. Enquanto elas tentavam as coisas, eu
simplesmente olhava e criticava, sem a menor vontade de comprar alguma coisa, apesar
de estar precisando de sapatos novos. A irritação com Tyler estava acabando com a
minha noite das garotas, me deixando com vontade de voltar pra casa.
"Angela?", eu comecei, hesitante enquanto ela experimentava um sapato de tiras e de
salto alto cor de rosa-ela estava mais que contente por um par alto o suficiente que a
permitisse usar salto.
Jéssica estava no balcão das jóias e nós estávamos sozinhas.
"Sim?", ela levantou a perna balançando o tornozelo pra ter uma visão melhor do
sapato.
Eu me intrometí. "Eu gostei desse"
"Eu acho que vou ficar com esse-apesar de não ter nada que combine com eles além
desse vestido". Ela meditou.
"Oh, vá em frente-eles estão em liquidação".Eu encoragei. Ela sorriu, colcando a tampa
em outra caixa com sapato branco.
Eu tentei de novo. "Umm, Angela..." ela olhou pra cima curiosa.
"É normal para... os Cullen" -eu mantive meus olhos nos sapatos "
Ficar muito tempo fora de escola?" Eu falhei miseravelmente na minha tentativa de
parecer desinteressada.
"Sim, quando o clima está bom eles vão acampar sempre-até o doutor. Eles gostam
muito de atividades ao ar livre.", ela me disse quietamente, examinando os sapatos
também. Ela não fez nem sequer uma pergunta, quanto mais as milhares de perguntas
que Jéssica teria feito. Eu realmente estava começando a gostar de Angela.
"Oh", eu mudei de assunto quando Jéssica voltou da joalheria com uma coisa que ela
encontrou pra combinar com os seus sapatos prateados.
Nós planejávamos jantar num pequeno restaurande Italiano na rua principal, mas as
compras não demoraram tanto quanto esperavamos. Jess e Angela foram colocar as suas
compras de volta no carro e depois iam descer á baia. Eu disse que me encontraria com
elas no restaurante dentro de uma hora-eu queria encontrar uma livraria. Elas duas
estavam querendo vir comigo, mas eu encoragei as duas a irem se divertir-elas não
sabiam o quanto eu podia ficar ocupada quanto estava cercada de livros; era algo que eu
preferia fazer sozinha. Elas voltaram para o carro conversando alegremente, e eu fui na
direção que Jess me apontou.
Eu não tive problemas para achar a livraria, mas não era bem aquilo que eu estava
procurando.
As janelas estavam cheias de cristais, apanhadores-de-sonhos, e livros sobre cura
espiritual. Eu nem entrei. Pela janela eu podia ver uma mulher de cinquenta anos com
um longo cabelo cinza que ela usava solto, usando um vestido que parecia ser dos anos
sessenta, sorrindo saudosamente por detrás do balcão. Eu decidí que essa era um
conversa que eu podia adiar. Tinha que ter uma livraria normal na cidade.
Eu vaguei pelas ruas, que estavam lotadas com o trânsito do fim de um dia de trabalho,
e rezei pra estar indo para o centro da cidade.
Eu não estava prestando tanta atenção em pra onde eu estava indo quanto devia; eu
estava lutando contra o desespero. Eu estava tentando tanto não pensar nele, e no que
Angela disse... e mais do que tudo, tentando acabar com as minhas esperanças em
ralação á Sábado, temendo que a decepção fosse mais dolorosa que o resto, quando eu
olhei pra cima eu ví o Volvo de alguém estacionado na rua e aquilo me arranhou por
dentro. Vampiro estúpido, que não merece confiança, eu pensei comigo mesma.
Eu me dirigí ao sul, em direção a algumas lojas com vitrines de vidro que pareciam
promissoras. Mas quando eu cheguei lá, elas eram só lojas de reparo e espaços vazios.
Eu ainda tinha muito tempo antes de precisar ir encontra Angela e Jéssica, e eu
definitivamente estava precisando controlar o meu humor antes de me encontrar com
elas. Eu passei a mão pelos meus cabelos e e respirei fundo algumas vezes antes de virar
a esquina.
Eu comecei a perceber, enquanto cruzava outra rua, que eu estava indo na direção
errada. O pouco trânsito que eu estava vendo, estava se dirigindo a norte, e parecia que
aqui, a maioria dos prédios eram depósitos. Eu decidí virar á leste e depois de algumas
ruas eu virei e tentei a sorte de encontrar algum mapa da cidade.
Um grupo de quatro homens virou na esquina que eu ia entrar, vestidos casualmente
demais pra estarem vindo do trabalho,mas eles também não tinham cara de ser turistas.
Enquanto eles de aproximavam de mim, eu percebí que eles não eram muito mais
velhos do que eu. Eles estavam fazendo piadas uns com os outros em voz alta, rindo
estridentemente e esmurrando os braços uns dos outros. Eu me mantive tão longe
quanto a calçada me permitiu para das espaço a eles, caminhando devagar, olhando
sempre na direção da esquina
"Ei, você!", um deles chamou quando eles passaram, e eles tinham que estar falando
comigo já que não havia mais ninguém por perto. Eu olhei pra cima automaticamente.
Dois deles haviam parado, os outros dois tinham desacelerado. O mais próximo, um
homem pesado, com cabelos escuros, na casa dos vinte, parecia ter sido o homem que
falou. Ele estava usando uma camisa de flanela em cima de uma camiseta suja, jeans
curtos, e sandálias. Ele deu meio passo na minha direção.
"Olá", eu murmurei, meus joelhos começaram a tremer em resposta. Então eu olhei na
outra direção e comecei a andar para a esquina o mais rápido que eu conseguia. Eu
podia ouví-los rindo muito alto atrás de mim
"Ei,espere!", um deles me chamou, mas eu baixei minha cabeça e dei a volta na esquina
com um suspiro de alívio. Eu ainda podia ouvir eles me seguindo.
Eu me vi numa calçada que levava para os fundos de vários armazéns, cada um deles
com portas enormes para os caminhões que viessem descarregar, todos fechados porque
estava anoitecendo. O lado sul da rua não tinha calçada, só alguns elos com ferros
protegendo a passagem de algum depósito de partes de motor. Eu estava na parte de
Port Angeles que eu, como visitante, não queria ver.
Eu me dei conta de que estava ficando escuro, as nuvens finalmente voltando, enchendo
o horizonte, criando uma espécie de por do sol adiantado. O horizonte ainda esta claro,
mas ficando cinzento, e com listras laranjas e cor de rosa. Eu deixei minha jaqueta no
carro, e um arrepio repentino me fez cruzar os braços com força na frente do meu peito.
Uma única van passou por mim, e então a rua estava deserta.
O céu estava repentinamente escuro, e, quando eu olhei pra trás pra ver as nuvens que se
formavam, eu percebí com um choque, que eu estava sendo seguida por dois homens, á
menos de vinte passos de distância de mim.
Eles eram do mesmo grupo que tinha passado por mim na esquina, mas nenhum deles
era o de cabelo escuro que tinha falado comigo. Eu virei minha cabeça rapidamente,
apressando meus passos. Um arrepio que não tinha nada a ver com o frio passou pelo
meu corpo. Minha bolsa estava sobre um ombro, entrelaçada no meu corpo, do jeito que
se deve usar quando de quer evitar um assalto. Eu sabia exatamente onde o meu spray
de pimenta estava-numa mala que eu nunca desfiz, embaixo da minha cama. Eu não
tinha muito dinheiro comigo, uns vinte dólares, ou um pouco mais, eu pensei em
derrubá-la "acidentalmente" e continuar andando. Mas uma vozinha assustada na minha
cabeça estava me avisando que aqueles homens pareciam ser algo pior que só
assaltantes.
Eu escutei atentamente os seus passos, que eram muito mais quietos comparados ao
tumulto que eles estavam fazendo essa tarde, e não parecia que eles estavam andando
mais rápido, ou se aproximando de mim.
Respire, eu lembrei para mim mesma. Você não sabe se eles estão te seguindo. Eu
continuei a andar o mais rápido que podia sem correr, me concentrando na entrada á
direita que estava a apenas alguns metros de distância de mim. Eu podia ouví-los, tão
longe quanto antes. Um carro virou na esquina passando rapidamente por mim. Eu
pensei em me jogar na frente dele, mas eu hesitei, inibida, sem saber se eles estavam
realmente me seguindo, então era tarde demais.
Eu alcancei a esquina, mas me bastou uma olhada rápida para que eu percebesse que era
apenas mais uma entrada de carros nos fundos de um dos armazéns.
Eu dei uma meia volta antecipadamente; eu tive que me apressar e correr pela rua, de
volta para a calçada. A rua acabava na próxima esquina, onde havia uma placa de
"pare". Eu me concentrei nos passos fracos atrás de mim, decidindo se eu devia correr
ou não. Eles, porém, não pareciam estar muito atrás, e eles poderiam me alcançar muito
facilmente de qualquer jeito. Eu tinha certeza que ia cair e me espatifar se eu tentasse
andar mais rápido. Os passos definitivamente pareciam estar mais pra trás. Eu me
arriscar a dar uma rápida olhadinha por cima do ombro, e eles estavam seguramente a
uns quarenta passos atrás de mim agora, eu percebí aliviada. Mas eles dois estavam me
encarando.
Pareceu que se passaram horas antes que eu alcançasse a esquina. Eu mantive o passo
firme, os homens atrás de mim ficando mais pra trás a cada passo. Talvez eles tenham
se dado conta de que estavam me assustando e se arrependeram. Eu vi dois carros indo
na direção norte na rua pra onde eu estava indo, eu respirei aliviada. Haveriam mais
pessoas por perto assim que eu saisse daquela rua deserta. Eu virei na esquina com um
suspiro agradecido.
E quase escorreguei quando tive que parar.
A rua estava alinhada dos dois lados com paredes vazias, sem potas ou janelas. Eu podia
ver distantemente, duas ruas ábaixo, ruas iluminadas, carros e mais pedestres, mas eles
estavam muito longe. Porque saindo de um prédio no lado oeste, no meio da rua,
estavam os outros dois homens do grupo, os dois me observando com sorrisos excitados
enaquanto eu ficava paralisada na calçada.
Eu percebí que não estava sendo seguida.
Eu estava sendo guiada.
Eu pausei por um segundo, mas pareceu um longo tempo. Eu me virei e tentei voltar
pelo outro lado da rua. Eu tinha o leve pressentimento de que era uma tentativa inútil.
Os passos atrás de mim estavam mais altos agora.
"Aí está você!", a voz estrondosa do homem grande, de cabelo escuro
quebrou o silêncio intenso, me fazendo pular. Na escuridão, parecia que ele estava
olhando por cima de mim.
"É", uma voz respondeu alto atrás de mim, me fazendo pular de novo enquanto eu
tentava correr pela rua. "Nós pegamos um pequeno desvio".
Meus passos tiveram que desacelerar. Eu estava fazendo a distância entre mim e eles
diminuir ainda mais rapidamente. Eu tinha um bom grito, alto, e eu suguei o ar,me
preparando para usá-lo,mas minha garganta estava tão seca que eu não tinha muita
certeza em relação ao volume que ele sairia. Com um movimento rápido, eu tirei a bolsa
pela cabeça, sugurando-a com uma mão, me preparando para entregá-la ou usá-la como
arma se fosse necessário.
O homem mais magro se desencostou da parede e começou a avançar vagarosamente
pela rua.
"Fique longe de mim", eu avisei numa voz que deveria ter sido forte e destemida. Mas
eu estava certa em relação a minha garganta-nada de volume.
"Não seja assim, docinho",ele falou e as risadas recomeçaram atrás de mim.
Eu me recompus, a apenas alguns passos de distância, tentando me lembrar apesar do
pânico das poucas técnicas de defesa pessoal que eu sabia. Peito da mão no nariz, que
deve com alguma sorte quebrar o nariz dele ou enfiá-lo pra dentro do cérebro. Dedo na
cavidade do olho-tente enfiar o dedo por dentro do olho e arrancá-lo da órbita.
E o joelho de praxe na virilha, é claro. Aquela vozinha pessimista na minha cabeça de
novo, me dizia que eu não chance nem sequer contra um deles, eles eram quatro.
Cala a boca!
Eu ordenei á voz antes que o terror me deixasse incapacitada. Eu não ia me machuacar
sem machucar alguém também. Eu tentei engolir pra dar um grito decente.
Faróis apareceram de repente na esquina, o carro quase antingindo o homem forte,
forçando-o a pular na direção da calçada. Eu corrí para o meio da rua -esse carro ia
parar, ou teria que me atingir.
Mas o carro prateado inexperadamente deu um cavalo de pau, parando em cima da
calçada com a porta do passageiro aberta a apenas alguns passos de distância de mim.
"Entre", uma voz furiosa ordenou.
Foi impressionante como instantaneamente o medo havia desaparecido, incrível como
de repente a sensação de segurança me inundou -mesmo antes de eu estar fora da rua assim
que eu ouví a voz dele. Eu pulei pra dentro do carro fechando a porta atrás de
mim.
Estava escuro dentro do carro, nunhuma luz se acendeu quando a porta abriu, e eu mal
podia ver o seu rosto pelo brilho fraco do painél. Os pneus cantaram quando ele virou
para o norte, acelerando muito rápido, desviando dos homens abismados na rua. Eu tive
uma breve visão deles se atirando na calçada enquanto acelerávamos na direção no
porto.
"Ponha o seu cinto de segurança", ele comandou, e eu percebí que estava me agarrando
no banco com as duas mãos. Eu obedecí rapidamente; o clique do cinto se conectando
era alto na escuridão.
Ele fez uma curva estreita na esquerda, correndo em frente, avançando muitos sinais
vermelhos sem parar.
Mas eu me sentia extremamente segura e, no momento, completamente despreocupada
com o lugar pra onde estavamos indo. Eu olhei para o rosto dele profundamente
aliviada,um alívio que ia além das palavras. Eu estudei o seu rosto perfeito na luz
limitada, esperando minha respiração voltar ao normal, até que eu percebí que a sua
expressão estava assustadoramente zangada.
"Você está bem?", eu estava surpresa de ver como a minha voz estava áspera.
"Não", ele disse curtamente, seu tom estava lívido.
Eu sentei em silêncio, observando o seu rosto enquanto os seus olhos reluziam sempre
olhando para a frente, até que o carro parou bruscamente. Eo olhei ao redor, mas estava
escuro demais para vez alguma coisa além da linha de árvores escuras que se estendiam
pelo acostamento.
Nós não estávamos mais na cidade.
"Bella?", ele me chamou, a voz apertada, controlada.
"Sim?", minha voz ainda estava áspera. Eu tentei limpar a minha garganta
silenciosamente.
"Você está bem?" Ele ainda não estava me olhando, mas a fúria estava claramente
visível no rosto dele.
"Sim", eu respondí suavemente.
"Por favor, me distraia", ele ordenou.
"Perdão, o que você disse?"
Ele respirou agudamente.
"Fale sobre alguma coisa sem importância até que eu me acalme" ele esclareceu,
fechando os olhos e apertando o nariz com os dedos polegar e indicador.
"Umm", eu vistoriei meu cérebro á procura de algo trivial. "Eu vou atropelar Tyler
Crowley amanhã depois da aula".
Ele ainda estava apertando os olhos, mas os seus lábios se curvaram.
"Porque?"
"Ele está dizendo a todo mundo que vai me levar no baile de fim de ano-ou ele é louco,
ou ainda está tentando se desculpar por quase ter me...bom, você lembra, ele acha que
obaile vai melhorar as coisas. Então eu achei que se colocasse a vida dele em risco, ele
acharia que estamos quites e não teria que ficar tentando se redimir. Eu não preciso de
inimigos, e Lauren vai parar de me perseguir se ele me deixar em paz. Eu posso acabar
destruindo o carro dele. Se ele estiver sem carro não vai poder levar ninguém ao baile..."
eu tagarelei.
Eu ouví alguma coisa sobre isso", ele falou um pouco mais recomposto.
"Você ouviu?" eu perguntei sem acreditar, já sentindo uma ponta de irritação. "Se ele
estiver paralizado do pescoço pra baixo, ele também não vai poder ir para o baile.", eu
cochichei redefinindo o meu plano.
Edward suspirou e finalmente abriu os olhos.
"Melhor?"
"Na verdade não".
Eu esperei, mas ele não falou mais nada. Ele se inclinou no banco, olhando para o teto
do carro. Seu rosto estava rígido.
"Qual é o problema?" minha voz saiu num suspiro.
"As vezes eu tenho problemas com o meu temperamento, Bella." Ele também estava
falando baixinho, e, quando ele olhou pela janela, seus olhos se transformaram em duas
linhas. "Mas não seria de grande ajuda se eu voltasse até lá e caçasse aqueles..." Ele não
terminou a frase, olhando pra longe,lutando por um momento pra controlar sau raiva.
"Pelo menos", ele continuou. "É disso que eu estou tentando me convencer"
"Oh", a palavra pareceu inadequada, mas eu não conseguí pensar em uma resposta
melhor.
Nós sentamos em silêncio de novo. Eu olhei para o relógio no painél. Já eram mais de
seis e meia.
"Jéssica e Angela vão ficar preocupadas", eu murmurei. "Eu tinha que me encontrar
com elas".
Ele ligou o motor sem dizer outra palavra, dando a volta suavemente e correndo em
direção á cidade. Nós estavamos de volta ás luzes da cidade sem demora nenhuma,
ainda indo rápido demais, desviando sem dificuldade dos outros carros passando na rua.
Ele parou ao lado de uma vaga que eu achei pequena demais para o Volvo, mas ele
conseguiu estacionar sem dificuldade na primeira tentativa. Eu olhei pra fora pra ver as
luzes do La Bella Itália, e Jess e Angela que estavam acabando de sair, caminhando
ansiosamente na direção contrária á nós.
"Como você sabia onde...", eu comecei, mas então balancei a cabeça. Eu ouví a porta se
abrindo e me virei pra ver ele saindo.
"Pra onde você tá indo?" eu perguntei
"Te levando pra jantar", ele sorriu levemente, mas seus olhos estavam duros. Ele saiu do
carro e bateu a porta. Eu apalpei o banco e depois me apressei pra sair do carro também.
Ele estava esperando por mim na calçada.
Ele falou antes que eu tivesse a chance. "Vá parar Jéssica e Angela antes que eu tenha
que caçar elas duas também. Eu não acho que vou conseguir me controlar se esbarrar
em um dos seus amigos de novo".
Eu tremí com o tom de ameaça na voz dele.
"Jess!Angela!", eu chamei por elas, acenando quando elas se viraram. Elas voltaram
correndo, o alívio aparecendo nos rostos e nas vozes das duas se transformou em
supresa quando elas viram quem estava ao meu lado. Elas pararam a poucos metros de
distância de nós.
"Onde você esteve?", a voz de Jéssica estava cheia de suspeita.
"Eu me perdí", eu admití envergonhada. "E aí eu esbarrei em Edward", eu fiz um gesto
em direção a ele.
"Estaria tudo bem se eu me juntasse a vocês?", ele perguntou numa voz sedosa,
irresistível. Eu podia ver as duas cambaleando e percebí que ele nunca havia usado os
seus talentos com elas antes.
"Er...claro", Jéssica respirou.
"Na verdade, Bella, nós já comemos enquanto esperávamos você-desculpa" Angela
confessou.
"Tudo bem-eu não estou com fome", eu levantei os ombros.
"Eu acho que você devia comer alguma coisa", a voz de Edward estav baixa,mas cheia
de autoridade. Ele olhou para Jéssica e falou um pouco mais alto. "Vocês se
imcomodam se eu levar Bella esta noite? Assim vocês não vão precisar esperar
enquanto ela come."
"Hum, sem problema, eu acho...", ela mordeu o lábio, tentando descobrir pela minha
expressão se eu queria ou não. Eu pisquei pra ela. Não havia nada que eu quisesse mais
do que ficar sozinha com o meu eterno salvador. Haviam tantas perguntas, mas eu não
podia bombardeá-lo até que estivessemos sozinhos.
"OK",Angela foi mais rápida que Jéssica. "Te vejo amanhã, Bella...Edward"
Ela agarrou a mão de Jéssica e puxou ela em direção ao carro, que estava parado a
apenas alguns metros dalí, na Avenida principal.
Enquanto elas entravam no carro, Jess se virou, acenou, a expressão dela cheia de
curiosidade. Eu acenei de volta, esperando que elas fossem embora antes de me virar
para encará-lo.
"Honestamente, eu não estou com fome", eu insistí, olhando pra cima para examinar seu
rosto. Sua expressão era ilegível.
"Faz-me rir"
Ele entrou pela porta do restaurante e sugurou a porta aberta pra mim com um expressão
obstinada. Eu passei por ele entrando no restaurante com um suspiro de resignação.
O restaurante não estava lotado-não era alta estação em Port Angeles. A maitre era
mulher, e eu entendí a expressão no seu olhar enquanto ela acessorava Edward. Ela o
recebeu um pouco mais educadamente do que era necessário. Eu fiquei surpreendida de
ver o quanto isso me incomodou. Ela era vários centímetros mais alta que eu, e o louro
do cabelo dela não era nem um pouco natural.
"Mesa pra dois" A voz dele era fascinante, fosse intencional ou não.
Eu ví ela olhar pra mim e afastar o olhar, obviamente feliz por eu ser tão comum, e pela
cautelosa distância que Edward mantinha entre nós. Ela nos guiou para uma mesa
grande o suficiente para quatro pessoas no centro da área mais cheia do restaurante.
Eu estava quase me sentando, quando Edward balançou a cabeça pra mim.
"Talvez algo mais particular?" ele insistiu para a maitre. Eu não tinha certeza, mas podia
jurar que ví ele dar um gorjeta na mão dela. Eu nunca tinha visto uma pessoa recusar
uma mesa antes, exceto nos filmes antigos.
"Claro", ela parecia tão surpresa quanto eu estava. Ela se virou e nos guiou até umas
cabines-todas vazias. "Que tal isto?"
"Perfeito.", ele deu um dos seus sorrisos encantadores, deixando ela momentaneamente
deslumbrada.
"UMM"-ela balançou a cabeça-"seu garçon virá em um instante". Ela foi embora
descompassada.
"Você não devia fazer isso com as pessoas", eu critiquei, "Não é muito justo".
"Fazer o que?"
"Deslumbrar as pessoas desse jeito-ela deve estar hiperventilando na cozinha nesse
exato momento"
Ele pareceu confuso.
"Ah, qual é", eu falei duvidosamente. "Você tem que saber o efeito que causa nas
pessoas"
Ele inclinou a cabeça para um lado, os olhos curiosos. "Eu deslubro as pessoas?"
"Você nunca percebeu? Você acha que todo mundo consegue o que quer assim tão
fácil?"
Ele ignorou as minhas perguntas. "Eu deixo você deslumbrada?"
"Frequentemente", eu admití.
E então a nossa garçonete apareceu, o rosto cheio de expectativa. A meitre
definitivamente havia falado sobre ele, e essa garota nova não parecia decepcionada. Ela
colocou uma mecha curta de cabelo preto atrás da orelha e sorriu pra ele com um
calidez desnecessária.
"Olá, meu nome é Amber, e eu vou serví-los essa noite. O que vocês desejam beber?"
Eu não deixei de notar que ela estava falando só com ele
Ele olhou pra mim.
"Eu vou beber uma coca", pareceu que eu estava perguntando.
"Duas cocas", ele disse.
"Eu volto logo pra trazer", ela assegurou pra ele com outro sorriso desnecessário. Mas
ele não viu. Ele estava olhando pra mim.
"O que foi?", eu perguntei quando ela foi embora.
Seus olhos estavam fixados no meu rosto. "como esta você está se sentindo?"
"Eu estou bem",eu respondí, surpresa com a intensidade da pergunta.
"Você não está sentindo náusea, tontura, frio...?"
"Eu devia?"
Ele sorriu do meu tom confuso.
"Bem, na verdade eu ainda estou esperando você entrar em choque". O rosto dele se
contorceu num sorriso perfeito
"Eu não acho que isso vai acontecer", eu disse depois que eu conseguí respirar de novo.
"Eu sempre fui boa em reprimir sentimentos desagradáveis".
"Dá na mesma, você vai se sentir melhor quando tiver um pouco de açucar e comida no
seu sangue".
Bem na hora, a garçonete apareceu com as nossas bebidas e uma cestinha de pães de
alho. Ela ficou de costas pra mim enquanto colocava as coisas em cima da mesa.
"Vocês estão prontos para fazer o pedido?", ele perguntou a Edward.
"Bella?", ela virou sem muita vontade na minha direção.
Eu escolhi a primeira coisa que apareceu no cardápio.
"Umm...eu vou querer o ravioli de cogumelos"
"E você?", ela se virou pra ele sorrindo.
"Nada pra mim",ele disse. É claro
"Me avise se você mudar de idéia", o sorriso educado ainda estava lá,mas os olhos dele
não estavam mais prestando atenção, e ela foi embora insatisfeita.
"Beba", ele ordenou.
Eu deium gole no refrigerante obedientemente, e depois deu outro gole mais fundo,
surpresa de ver o quanto eu estava com sede. Eu só percebí que eu já havia acabado com
o copo inteiro quando ele passou o copo dele pra mim.
"Obrigada", eu cochichei, ainda com sede. O frio do refrigerante passou pelo meu peito,
e eu tremí.
"Você está com frio?"
"É só o refrigerante", eu expliquei, tremendo de novo.
"Você não tem um casaco?", a voz dele era desaprovadora.
"Sim" eu olhei para a cadeira vazia. "Oh-eu deixei no carro de Jéssica", eu percebí.
Edward já estava tirando o casaco dele. De repente eu me dei conta de que eu nunca
prestei atenção no que ele estava vestindo -não só essa noite, mas nunca. Eu
simplesmente não parecia ser capaz de desviar os olhos do rosto dele. Eu me obriguei a
olhar agora, me concentrando. Ele estava tirando um casaco de couro beige claro; por
baixo ele usava um sweter marfim. Ele ficava perfeito nele, enfatizando como o seu
peito era musculoso.
Ele me passou o casaco, atrapalhando as minhas observações.
"Obrigada", eu disse de novo colocando o casaco dele. Estava frio -como o meu casaco
estava quando eu o vestí pela manhã. Eu tremí de novo. O cheio era delicioso. Eu inalei,
tentando identificar a deliciosa escência. Não parecia ser perfume. As mangas eram
grandes demais;eu tive que colocá-las pra trás para libertar minhas mãos.
"Essa cor combina lindamente com o tom da sua pele", ele disse,me observando. Eu
estava surpresa. Olhei pra baixo, corando, é claro.
Ele empurrou o cesto de pães na minha direção.
"Sério, eu não vou entrar em choque." eu protestei.
"Você deveria-uma pessoa normalentraria. Você nem parece estar nervosa." Ele parecia
agitado.
Ele me olhou nos olhos. Eu percebí como os olhos dele estavam claros, mais claros do
que eu jamais tinha visto, como um whisky dourado.
"Eu me sinto segura com você", eu confessei, hipnotizada.
Isso pareceu desagradá-lo; o centro entre as suas sobrancelhas ficou enrrugado. Ele
balançou a cabeça fazendo cara de bravo.
"Isso é mais complicado do que eu planejava", ele murmurou pra sí mesmo. Eu peguei
um pão e comecei a dor um mordidinha na ponta, medindo a expressão dele. Eu
imaginei se essa seria a hora pra começar a fazer perguntas pra ele.
"Geralmente você está com um humor melhor quando seus olhos estão tão claros", eu
comentei, tentando distraí-lo do que quer que fosse que estivesse deixando ele tão
pensativo e sombrio.
Ele me encarou, aturdido. "O quê?"
"Sei humor sempre está pior quando seus olhos estão pretos-eu já reparei." eu
continuei. "Eu tenho uma teoria sobre isso."
Ele revirou os olhos. "Mais teorias?"
"Mm-hm", eu mastiguei um pequeno pedaço de pão, tentando parecer indiferente.
"Eu espero que você tenha sido criativa dessa vez...ou você continua roubando-as de
histórias em quadrinhos?" O sorriso dele era de zombaria, mas seus olhos estavam
apertados.
"Bom, não, eu não peguei de uma história em quadrinhos, mas também não fui eu que
enventei", eu confessei.
"E?" ele apontou.
Mas nessa hora a garçonete apareceu trazendo minha comida. Eu percebí que nós dois
estávamos inconscientemente inclinados sobre a mesa um na direção do outro, porque
nós dois sentamos retos quando ela se aproximou. Ela colocou o prato na minha frente-
parecia estar bom -e se virou rapidamente para Edward.
"Você mudou de idéia?", ela perguntou. "Não tem nada que eu possa te oferecer?" Eu
posso ter imaginado o duplo sentido das palavras dela.
"Não, obrigado, mas mais refrigerante seria bom", ele fez um gesto com a longa mão
branca para o dois copos vazios na minha frente.
"Claro", ela removeu os dois copos vazios e foi embora.
"O que você estava dizendo?", ele perguntou.
"Eu te conto no carro. Se...", eu pausei.
"Tem condições?", ele ergueu uma sobrancelha,a voz maliciosa.
"Eu tenho algumas perguntas, é claro"
"É claro".
A garçonete voltou com outras dois copos de refrigerante. Dessa vez ela os colocou na
mesa sem uma palavra sequer e foi embora.
Eu tomei um gole.
"Bem, vá em frente", ele instigou, sua voz ainda estava dura.
Eu comecei com a pergunta menos exigente. "O que você está fazendo em Port
Angeles?"
Ele olhou pra baixo, cruzando suas longas mãos lentamente em cima da mesa. Os seus
olhos brilharam por baixo dos cílios, a leve sombra de um sorriso brincando em seus
lábios.
"Próxima"
"Mas essa é a mais fácil", eu reclamei.
"Próxima", ele repetiu.
Eu olhei pra baixo, frustrada. Eu desenrolei os talheres, peguei meu garfo, e
cuidadosamente espetei um ravióli. Eu coloquei na boaca lentamente, ainda olhando pra
baixo, mastigando enquanto pensava. Os cogumelos estavam bons. Eu engolí e bebí
outro gole da coca antes de olhar pra cima.
"Tudo bem, então", eu olhei pra ele, e continuei vagarosamente.
"Digamos, hipotéticamente é claro, que...alguém...pudesse saber o que as pessoas
pensam, ler mentes, sabe-com algumas exceções."
"Só uma exceção", ele corrigiu." Hipoteticamente"
"Tudo bem,uma exceção, então". Eu estava contentíssima que ele estava brincando
comigo, mas tentei parecer casual.
"Como isso funciona? Quais são as limitações? Como poderia...essa pessoa...achar outra
pessoa na hora exata? Como ele poderia saber que ela estava com problemas?" Eu
imaginei se as perguntas consecultivas estavam fazendo algum sentido.
"Hipoteticamente?", ele perguntou.
"Claro".
"Bem, se...essa pessoa..."
"Vamos chamá-lo de Joe", eu sugerí.
Ele sorriu. "Joe, então. Se Joe estivesse prestando atenção, a hora não precisaria ser tão
exata." Ele balançou a cabeça, revirando os olhos.
"Só você poderia se meter em encrencas numa cidade tão pequena. Você teria mudado
as estatísticas criminalísticas por décadas, sabia?"
"Estávamos falando de um caso hipotético".
Ele sorriu pra mim.
"Sim, estávamos", ele concordou. "Podemos chamar você de Jane?"
"Como é que você sabia?" eu perguntei de vez sem conseguir controlar a minha
intensidade. Eu me dei conta de que estava me inclinando pra ele de novo.
Ele pareceu vacilar, dividido com algum dilema interno. Seus olhos se prenderam aos
meus, e eu percebí que ele estava decidindo naquele momento se era melhor me contar a
verdade de vez ou não.
"Você pode confiar em mim, sabe". Eu murmurei. Eu avancei, sem pensar, para tocar
suas mãos entrelaçadas, mas ele as afastou na hora, então eu me afastei.
"Eu não sei mais se tenho outra escolha". A voz dele era mais um murmúrio. "Eu estava
enganado-você é muito mais observadora do que eu pensava."
"Eu pensei que você estivesse sempre certo".
"Eu costumava estar". Ele balançou a cabeça de novo. "Eu estava errado em relação á
outra coisa, também. Você não é um imã para acidentes-essa não é uma classificação
abrangente o suficiente. Se existir alguma coisa perigosa num raio de dez quilômetros
de distância, ela vai invariavelmente encontrar você".
"E você se inclui nessa categoria?", eu adivinhei.
Seu rosto ficou frio, sem expressão. "Inquestionavelmente".
Eu estiquei minha mão sobre a mesa de novo -dessa vez eu não me inibí quando ele
puxou a mão levemente-para tocar as costas das suas mãos timidamente com as pontas
dos meus dedos. Sua mão era fria e dura, como uma pedra.
"Obrigada", minha voz estava fervendo de gratidão. "Já são foram duas vezes."
O rosto dele se suavizou. "Não vamos tentar uma terceira, está bem?"
Eu fiz uma careta, mas afirmei com a cabeça. Ele tirou suas mão de baixo das minhas,
colocando-as embaixo da mesa. Mas ele se inclinou na minha direção.
"Eu te segui até Port Angeles",ele admitiu, falando depressa. "Eu nunca tentei manter
uma pessoa específica viva, e é muito mais trabalhoso do que eu imaginava. Mas isso
provavelmente é porque a pessoa é você. Pessoas normais parecem conseguir viver um
dia sem tantas catastrofes". Ele pausou.
Eu imaginei se eu deveria estar com raiva por ele estar me seguindo; mas ao invés disso
eu sentia uma enorme sensação de prazer. Ele me incarou, talvez imaginando porque
meus lábios estavam se curvando num sorriso involuntário.
"Você já parou pra pensar que talvez eu estivesse marcada pra morrer naquele dia, como
a van, e que você está interferindo no meu destino?", eu especulei, tentando me destrair.
"Aquela não foi a primeira vez",ele disse. Sua voz era difícil de ouvir. Eu olhei pra ele
assombrada, mas ele estava olhando pra baixo. "Você estava marcada para morrer na
primeira vez que nos vimos."
Eu sentí um espasmo de medo com essas duas últimas palavras, e lembrei do seu
violento olhar negro naquele primeiro dia...mas a incrível sensação de segurança que eu
sentia ao lado dele fez o medo ir embora. Quando ele olhou para os meus olhos, não
havia nenhum traço de medo neles.
"Você se lembra?", seu rosto angelical estava agravado.
"Sim". Eu estava calma.
"E mesmo assim você se senta aqui", havia um traço de descrença na voz dele; ele
ergueu uma sobrancelha.
"Sim, eu sento aqui...por sua causa." eu parei. "Porque, de alguma forma você sabia
como me encontrar hoje.", eu lembrei.
Ele apertou os lábios, os olhos pensativos, decidindo de novo.
Ele olhou para o prato cheio na minha frente, e de volta pra mim.
"Você como, eu falo", ele barganhou.
Eu rapidamente espetei outro ravióli e coloquei na boca.
"É mais difícil do que devia ser-manter um olho em você. Normalmente eu consigo
achar um pessoa muito facilmente, se eu já tiver ouvido a mente deles antes." Ele me
olhou ansiosamente, e eu percebí que estava petrificada. Eu me forcei a engolir, então
espetei outro ravioli e coloquei na boca.
"Eu estava projetanto a minha atenção em Jéssica, sem muito cuidado-como eu disse,
só poderia arrumar problemas em Port Angeles-no início eu não tinha percebido que
você tinha ido por outro caminho. Então, eu me dei conta qu você não estava mais com
ela, eu fui te procurar na livraria que havia na mente dela.
"Eu podia ver que você não tinha entrado e que tinha ido para o sul... e eu sabia que
você logo teria que dar a volta. Então eu fiquei esperando por você, procurando pelos
pensamentos das pessoas que passavam na rua-pra ver se alguém tinha reparado em
você e assim eu pudesse te procurar. Eu não tinha motivos para estar preocupado, mas
eu estava estranhamente ansioso...", ele estava perdido em pensamentos, olhando pra
mim, mas vendo coisas que eu nem podia imaginar.
"Eu comecei a dirigir em círculos, ainda...escutando. O sol estava finalmente se pondo,
e eu estava me preparando pra te procurar á pé. E então-", ele parou, arranhando os
dentes, com uma fúria repentina. Ele fez um esforço para se acalmar.
"Então o que?", eu murmurei. Ele continuou a olahr por cima da minha cabeça.
"Eu ouví o que eles estavam pensando", ele grunhiu, seu lábio superior se curvando
lentamente sobre os seus dentes. "Eu ví o seu rosto na mente dele". Ele se inclinou para
a frente de repente, um cotovelo aparecendo por cima da mesa, a mão cobrindo os
olhos. O movimento foi tão rápido que me surpreendeu.
"Foi muito...difícil-você não tem idéia do quanto foi difícil pra mim-simplesmente te
tirar de lá, e deixá-los...vivos." A voz dele estava abafada pelo seu braço. "Eu podia ter
te deixado ir com Jéssica e Angela, mas eu estava com medo de que se você me
deixasse sozinho, eu fosse procurar por eles". Ele admitiu num murmúrio.
Eu sentei quieta, ofuscada, meus pensamentos incoerentes. Minhas mãos estavam
cruzadas no meu colo, e eu estava apoiada fracamente no encosto da cadeira.. Ele ainda
estava com o rosto na mão, e ele estava tão imóvel que parecia uma escultura de pedra.
Finalmente ele olhou pra cima, seus olhos procurando os meus, cheio com as suas
próprias perguntas.
"Você está pronta pra ir pra casa?", ele perguntou.
"Eu estou pronta pra ir", eu qualifiquei, agradecida que ainda tínhamos uma longa hora
na volta pra casa. Eu ainda não estava pronta pra dizer adeus pra ele.
A garçonete apareceu como se tivesse sido chamada. Ou como se estivesse espionando.
"Como estamos?", ela perguntou para Edward.
"Nós queremos a conta, obrigado", a voz dele estava baixa, mais forte, ainda refletindo
a conversa que tínhamos acabado de ter. Ela pareceu assustada. Ele olhou pra cima
esperando.
"C-claro", ela gaguejou. "Aqui está". Ela puxou um caderninho de couro do bolso do
avental dela e entregou para ele.
Já havia uma nota na mão dele. Ele a colocou dentro do caderninho e entregou de volta
pra ela.
"Sem troco",ele sorriu e ficou de pé, enquanto eu tentava me equilibrar nos meus pés.
Ela sorriu calorosamente pra ele de novo. "Tenha uma boa noite".
Ele não olhou pra ela quando agradeceu. Eu tentei não sorrir. Ele andou ao meu lado,
perto de mim até a porta, mas ainda tomando cuidado pra não me tocar. Eu lembrei do
que Jéssica havia dito sobre o seu relacionamento com Mike, como eles estavam quase
no estágio do primeiro beijo. Eu suspirei. Edward pareceu me ouvir, e e olhou pra baixo
curioso. Eu olhei para a calçada, agradecida por ele supostamente não ser capaz de saber
o que eu estava pensando.
Ele abriu a porta do passageiro, segurando ela pra mim enquanto eu entrava no carro,
estarrecida,mais um vez, com o quanto ele era gracioso. Eu provavelmente já devia estar
acostumada-mas não estava. Eu tinha o pressentimento de que Edward era uma pessoa
com a qual eu nunca me acostumaria.
Dentro do carro, ele ligou o motor e colocou o aquecedor no máximo. Tinha
esfriadomuito, e eu achava que o bom clima estava chegando ao fim. Mesmo assim, eu
estava aquecida no casaco dele, aspirando o cheiro dela quando eu achava que ele não
estava olhando.
Edward se enfiou no trânsito, aprentemente sem olhar, e vez uma volta pra ir para a
auto-estrada.
"Agora", ele disse significantemente, "É a sua vez".
9.Teoria
"Posso fazer só mais uma?", eu implorei enquanto Edward acelerava ainda mais pela
rua vazia. Ele não parecia estar prestando nenhuma atenção á pista.
Ele suspirou.
"Uma", ele concordou. Seus lábios se pressionaram formando uma linha.
"Bem...você disse que sabia que eu não tinha entrado na livraria, e que eu tinha ido para
o sul. Eu só estava me perguntando como você sabia disso."
Ele desviou o olhar, deliberadamente.
"Eu pensei que não estávamos mais sendo evasivos.",eu disparei.
Ele quase sorriu.
"Tudo bem, então. Eu seguí o seu cheiro." Ele olhou para a estrada, dando um tempo
pra eu recompor minha expressão. Eu não conseguia pensar numa resposta aceitável pra
isso, mas eu guardei a informação cuidadosamente pra estudá-la no futuro. Eu tentei me
concentrar. Eu não estava pronta pra deixar ele terminar, justo agora que ele estava
finalmente explicando as coisas.
"E você também não respondeu uma das minhas perguntas", eu lembrei.
Ele me olhou com desaprovação. "Qual delas?"
"Como funciona-essa coisa de ler mentes? Você pode ler a mente de todo mundo, em
qualquer lugar? Como você faz isso? O resto da sua família pode...?" Eu me sentí uma
boba, pedindo explicações pra uma coisa assim.
"Isso é mais que uma", ele apontou. Eu simplesmente entrelacei meus dedos e olhei pra
ele, esperando.
"Não, sou só eu. E eu não consigo ouvir qualquer um, em qualquer lugar. Eu tenho que
estar pelo menos um pouco perto. Quanto mais familiar é a... voz de alguém, de mais
longe eu posso ouví-la. Mas ainda assim, não mais longe que alguns quilômetros." Ele
parou pensando. "É como estar num corredor enorme e cheio de gente, todos falando ao
mesmo tempo. É só um ruido-um zumbido de vozes no fundo. Até que eu me
concentro em uma das vozes, e aí o que ela está pensando se torna claro.
"Na maioria das vezes eu desligo todas-se não eu posso me destrair demais. E então
fica mais fácil parecer normal"-ele fez uma careta quando disse a palavra"
Isso quando eu não estou respondendo acidentalmente ao pensamento das pessoas e
não á suas vozes".
"Porque será que você não pode me ouvir?", eu perguntei curiosamente.
Ele olhou pra mim, seus olhos estavam enigmáticos.
"Eu não sei", ele murmurou. "A única suposição é que talvez a sua mente não trabalhe
da forma como a deles trabalha. Como se os seus pensamentos estivessem na frequência
AM quando eu só posso ouvir Fm".
Ele sorriu pra mim, divertido de repente.
"Minha mente não trabalha direito? Eu sou uma aberração?" -as palavras me
incomodaram mais do que deviam-provavelmente porque a ficha caiu. Eu sempre
suspeitei que era uma aberração, e fiquei com vergonha de ver as suspeitas confirmadas.
"Eu ouço vozes na minha cabeça e você preocupada que você a aberração". Ele sorriu
"Não se preocupe, é apenas uma teoria..." seu rosto se contraiu. "O que nos leva de volta
a você"
Eu suspirei. Como começar?
"Nós não deixamos de ser evasivos?", ele me lembrou suavemente.
Eu desviei o olhar do seu rosto pela primeira vez, tentando encontrar as palavras. Aí eu
olhei para o velocímetro.
"Minha nossa!" eu gritei. "Diminua".
"Qual é o problema?", ele perguntou alarmado. Mas não diminuiu a velocidade.
"Você está indo á quase duzentos por hora!", eu ainda estava gritando. Eu olhei cheia de
pânico pela janela, mas estava escuro demais pra enxergar. A estrada só era visível até
onde os faróis alcançavam. A floresta dos dois lados da estrada pareciam paredes negras
-e seriam duram como paredes de aço se nós batêssemos nelas a essa velocidade.
"Relaxe, Bella". Ele revirou os olhos, ainda sem reduzir.
"Você está tentando nos matar?", eu perguntei.
"Nós não vamos bater".
Eu tentei moderar meu tom de voz. "Porque você está com tanta pressa?"
"Eu sempre dirijo assim", ele me olhou dando um sorriso torto.
"Mantenha os olhos na estrada!"
"Eu nunca sofrí um acidente, Bella-eu nunca sequer levei uma multa." Ele sorriu e deu
um tapinha na testa. "Detector de radar embutido".
"Muito engraçado", eu soltei. "Charlei é um policial, lembra? Eu fui criada para
obedecer todas as leis de trânsito. Além do mais, se você bater o Volvo e transformá-lo
numa sanfona, provavelmente você vai se levantar e sair dele".
"Provavelmente",ele disse com uma risa curta, dura. "Mas você não".
Ele suspirou e eu observei aliviada enquanto observava o ponteiro baixando
gradualmente. "Feliz?"
"Quase".
"Eu odeio dirigir devagar", ele murmurou.
"Isso é devagar?"
"Chega de comentários sobre como eu dirijo", ele cortou. "Eu ainda estou esperando
pela sua última teoria".
Eu mordí meu lábio. Ele olhou pra mim, seus olhos estavam inexperadamente gentis.
"Eu não vou rir", ele prometeu.
"Eu estou com mais medo que você fique com raiva de mim".
"É assim tão ruim?"
"Em grande parte, sim."
Ele esperou. Eu estava olhando para as minhas mãos, então não pude ver sua expressão.
"Vá em frente", sua voz era calma.
"Eu não sei como começar", eu admití.
"Comece pelo começo... você disse que não foi você quem criou essa teoria".
"Não"
"Onde você a encontrou-num livro? Um filme?", ele testou.
"Não -foi Sábado, na praia". Eu arriquei dar uma olhada para o rosto dele. Ele pareceu
confuso.
"Eu dei de cara com um amigo antigo da família-Jacob Black", eu continuei. "O pai
dele e Charlie são amigos desde que eu era bebê."
Ele ainda parecia confuso.
"O pai dele é um dos ansiões Quileute". Eu observei ele cuidadosamente. A sua
expressão confusa estava congelada no lugar.
"Nós fomos dar uma volta" -eu não contei que havia planejado tudo.
"-Ele estava me contando umas histórias antigas-tentando me assustar, eu acho. Ele me
contou uma..." eu hesitei.
"Vá em frente", ele disse.
"Sobre vampiros". Eu me dei contar de que estava cochichando. Eu não conseguia olhar
para o seu rosto agora. Mas eu ví seus dedos apertando o volante convulsivamente.
"E você imediatamente pensou em mim?". Ainda calmo.
"Não. Ele...mencionou sua família".
Ele estava em silêncio, olhando para a estrada.
Eu fiquei preocupada de repente, preocupada em proteger Jacob.
"Ele só achava que era uma superstição boba", eu disse rapidamente.
"Ele não esperava que eu pensasse nada dela". Não parecia que estava sendo o
suficiente, eu tenho que confessar. "Foiminha culpa, eu forcei ele a me dizer"
"Porque?"
"Lauren disse uma coisa sobre você-ela estava tentando me provocar. Um garoto mais
velho da tribo disse que vocês não iam até lá, só que pra mim pareceu que ele quis dizer
outra coisa. Então eu fiquei sozinha com Jacob e tirei a verdade dele", eu admití,
deixando a cabeça cair.
Ele me surpreendeu quando começou a sorrir. Eu olhei pra ele. Ele estava sorrindo, mas
seus olhos estavam concentrados, olhando para a estrada.
"Como foi que você forçou ele a contar?", ele perguntou.
"Eu tentei flertar com ele -e funcionou melhor do que eu imaginava". Eu comecei a
ficar corada enquanto lembrava.
"Eu queria ter visto isso", ele sorriu obscuramente. "E você me acusando de deslumbrar
as pessoas-pobre Jacob Black"
Eu corei e olhei para a noite pela janela.
"E o que você fez depois?" ele perguntou depois de um minuto.
"Eu fiz algumas pesquisas na Internet".
"E isso te convenceu?" A voz dele parecia pouco interessada. Mas as mãos dele estavam
apertando o volante.
"Não. Nada fazia sentido. A maioria das coisas era meio boba. E então...". Eu parei.
"O que?"
"Eu decidí que não importava", eu murmurei.
"Que não importava?" O tom dele me fez olhar pra cima -finalmente eu havia penetrado
aquela máscara. O seu rosto estava incrédulo, com só uma ponta de raiva que eu temia.
"Não", eu disse suavemente. "Pra mim não importa o que você é".
Um tom duro, de zombaria inundou sua voz. "Você não se importa se eu for um
mostro? Se eu não for humano?"
"Não".
Ele ficou em silêncio, olhando diretamente pra frente de novo. Seu rosto estava sem
expressão e frio.
"Você está com raiva", eu suspirei. "Eu não devia ter dito nada".
"Não", mas o seu tom estava tão duro quanto o seu rosto.
"Eu prefiro saber o que você está pensando-mesmo se o que você estiver pensando for
uma loucura".
"Então eu estou errada de novo?", eu desafiei.
"Não era a isso que eu me referia. 'Não importa'.", ele me citou, apertando os dentes.
"Eu estou certa?", eu ofeguei.
"Isso importa??"
Eu respirei fundo.
"Na verdade não", eu parei. "Mas eu estou curiosa." Pelo menos minha voz estava
composta.
De repente ele estava resignado. "Você está curiosa sobre o que?"
"Quantos anos você tem?"
"Dezessete", ele respondeu prontamente.
"Há quanto tempo você tem dezessete?"
Seus lábios se contorceram enquanto ele ainda olhava para a estrada.
"A algum tempo", ele admitiu finalmente.
"Ok", eu sorrí, feliz por ele finalmente estar começando a ser honesto comigo. Ele olhou
pra mim com olhos preocupados, como ele tinha olhado antes, quando estava
preocupado que eu entrasse em choque. Eu sorrí para encorajá-lo e ele fez uma careta.
"Não ria de mim -mas como é que você consegue sair durante o dia?"
Ele riu do mesmo jeito. "Mito".
"Você queima no sol?"
"Mito"
"Dorme em caixôes?
"Mito". Ele hesitou por um momento e um tom estranho invadiu sua voz. "Eu não posso
dormir".
Eu levei um minuto para absorver isso. "Nunca?"
"Nunca", ele respondeu, sua voz quase inaudível. Ele voltou a olhar pra mim com uma
expressão tristonha. Os olhos dourados prenderam os meus, e eu perdí a linha de
pensamento de novo. Eu continuei olhando pra ele até que ele virou o olhar.
"Você ainda não perguntou a coisa mais importante". Sua voz estava dura de novo. E
quando ele olhou pra mim, seus olhos estavam frios.
Eu pisquei, ainda deslumbrada. "E qual é?"
"Você não está preocupada com a minha dieta?", ele perguntou sarcasticamente.
"Oh", eu murmurei. "Isso."
"Sim, isso." Sua voz estava vazia. "Você não quer saber se eu bebo sangue?"
Eu vacilei. "Jacob me disse algo sobre isso."
"O que Jacob disse?", ele perguntou monótono.
"Ele disse que você e sua família não...caçam pessoas. Ele disse que você e sua família
não são perigosos porque vocês só caçam animais".
"Ele disse que não éramos perigosos?" Sua voz estava profundamente cética.
"Não exatamente. Ele disse que vocês não deviam ser perigosos. Mas os Quileute não
quiseram vocês nas terras deles, só por precaução".
Ele olhou para a frente, mas eu não sei dizer se ele estava olhando para a estrada ou não.
"Então ele estava certo? Sobre não caçar pessoas?" Eu tentei manter minha voz o mais
uniforme possível.
"Os Quileute têm uma boa memória", ele murmurou.
Eu considerei isso um sim.
"Porém, não deixe isso te enganar",ele avisou. "Eles estavam certos em nos evitar. Nós
ainda somos perigosos."
"Eu não entendo".
"Nós tentamos", ele explicou devagar. "Geralmente somos bons no que fazemos. As
vezes cometemos erros. Eu, por exemplo, me permitindo ficar sozinho com você".
"Isso é um erro?", eu ouví a tristeza na minha voz, mas não sei se ele também ouviu.
"Um erro bem perigoso", ele murmurou.
Nós dois ficamos em silêncio depois disso. Eu observei os faróis virando com as curvas
na estrada. Eles se moviam rápido demais; não parecia ser real, parecia ser um video
game. Eu estava consciente do tempo passando rápido, como a estrada embaixo de nós,
e eu estava com um medo horroroso de nunca mais ter outra oportunidade de ficar assim
a sós com ele-abertamente, as janelas que existiam entre nós haviam desaparecido. As
palavras dele haviam se acabado, e eu não gostei da idéia. Eu não queria perder nem um
minuto que tinha com ele.
"Me conte mais", eu pedí desesperadamente, sem me importar com o que ele disesse,
contanto que eu pudesse ouvir a sua voz de novo.
Ele me olhou rapidamente, surpreso pela mudança do tom da minha voz.
"O que mais você quer saber?"
"Me diga porque você caça animais ao invés de gente", eu sugerí, minha voz ainda
estava cheia de desespero. Eu me dei conta de que os meus olhos estavam molhados, e
lutei contra a aflição que estava tomando conta de mim.
"Eu não quero ser um monstro". Sua voz estava muito baixa.
"Mas animais não são o suficiente?"
Ele parou. "Eu não posso ter certeza, é claro, mas eu acho que é como viver a base de
tofu e leite de soja; nós nos chamamos de vegetarianos, nossa piada particular. Não
sacia a fome -ou melhor dizendo, a sede. Mas nos mantêm fortes o suficiente para
sobrevivermos. Na maioria das vezes". Seu tom se tornou obscuro.
"Umas vezes são mais difíceis que outras".
"É muito difícil pra você agora?", eu perguntei.
Ele suspirou. "Sim".
"Mas você não está com fome agora". eu disse confidencialmente, afirmando , não
perguntando.
"Porque você acha isso?"
"Seus olhos. Eu disse que tinha uma teoria. Eu percebí que as pessoas-homens em
particular -são mais chatos quando estão com fome".
Ele deu uma gargalhada. "Você é muito observadora, não é?"
Eu não respondí, eu só prestei atenção ao som da sua risada, guardando ela na minha
memória.
"Você estava caçando com Emmett esse fim de semana?", eu perguntei quando estava
silencioso de novo.
"Sim", ele pausou por um instante, como se estivesse se decidindo entre me contar
alguma coisa ou não. "Eu não queria ir embora, mas foi necessário. É um pouco mais
fácil ficar perto de você quando eu não estou com sede".
"Porque você não queria ir?"
"Me deixa...nervoso...ficar longe de você." Seus olhos eram gentís, nas intensos, e eles
pareciam estar fazendo os meus ossos amolecerem. "Eu não estava brincando quando te
disse pra ficar longe do oceano ou sobre o acidente na quinta. Eu estava distraído
durante o fim de semana inteiro, preocupado com você. E depois do que aconteceu hoje
á noite, eu estou surpreso que você tenha sobrevivido ao fim de semana sem nenhum
arranhão". Ele balançou a cabeça, e de repente pareceu se lembrar de alguma coisa.
"Bem, não exatamente sem um arranhão"
"O que?"
"Suas mãos", ele me lembrou. Eu olhei para as minhas palmas, para os arranhões quase
sarados. Seus olhos não perdiam nada.
"Eu caí", eu suspirei.
"Foi o que eu pensei." Seus lábios se contorceram nos cantos. "Eu acho que, sendo
você, podia ter sido bem pior-e essa possibilidade me atormentou o tempo inteiro
enquanto eu estive fora. Foram três dias bem longos. Eu deixei o Emmett louco".
Ele sorriu pra mim como se estivesse se sentindo culpado.
"Três dias? Vocês não voltaram hoje?"
"Não, nós voltamos no Domingo".
"Então porque nenhum de vocês foi para a escola?", eu estava frustrada, quase com
raiva por todas as decepções que eu sofrí durante a sua ausência.
"Bem, você perguntou se o sol me machuca, e não machuca. Mas eu não posso sair na
luz do sol-pelo menos, não quando as pessoas estão olhando".
"Porque não?"
"Um dia desses eu te mostro", ele prometeu.
Eu pensei nisso por um momento.
"Você podia ter me ligado", eu decidi.
Ele parecia confuso. "Mas eu sabia que você estava em segurança".
"Mas eu não sabia onde você estava", eu hesitei e depois abaixei os olhos.
"O que?", sua voz aveludada estava compelida.
"Eu não gostei. De não te ver. Me deixou ansiosa também", eu corei dizendo isso em
voz alta.
Ele estava quieto. Eu olhei pra cima, apreensiva, sua expressão estava cheia de dor.
"Ah", ele gemeu baixinho. "Isso não é certo".
Eu não conseguí entender a resposta dele. "O que foi que eu disse?"
"Será que você não vê, Bella? Uma coisa é eu me fazer completamente infeliz. Outra
completamente diferente é você estar tão envolvida".
Ele virou seus olhos angustiados para a estrada, as palavras dele estavam saindo tão
rápidas que eu quase não conseguia entender.
"Eu não quero ouvir que você se sente assim". Sua voz era baixa, mas urgente. As
palavras dele me cortaram. "É errado. Não é seguro.
Eu sou perigoso-compreenda isso, Bella".
"Não", eu fiz de tudo para não parecer uma criança mimada.
"Eu estou falando sério", ele grunhiu.
"Eu também. Eu já falei que não me importo com o que você é. É tarde demais."
A voz dele chicoteou, baixa e forte. "Nunca diga isso".
Eu mordí meu lábio, e estava feliz que ele não sabia o quanto doía. Eu olhei para fora.
Já devíamos estar perto agora. Ele estava dirigindo rápido demais.
"No que você está pensando?", ele perguntou, com a voz ainda dura. Eu só balancei a
cabeça, sem ter certeza se conseguia falar. Eu podia sentí-lo olhando para o meu
rosto,mas continuei olhando para a frente.
"Você está chorando?", ele parecia intimidado. Eu não tinha reparado na umidade que
os meus olhos estavam começando a acumular.
Eu rapidamente passei a mão na minha bochecha, e sem dúvida, lá estavam as lágrimas
traidoras, me delatando.
"Não" eu disse,mas minha voz tremeu.
Eu ví ele levantar a mão direita na minha direção cheio de hesitação, mas então ele
parou e colocou a mão de volta na direção.
"Me desculpe". A voz dele estava queimando de arrependimento. Eu sabia que ele não
estava se desculpando pelas palavras que haviam me aborrecido.
A escuridão nos envolveu em silêncio.
"Me diga uma coisa", ele perguntou depois de outro minuto, eu podia ouví-lo se
esforçar para usar um tom mais leve.
"Sim"
"No que você estava pensando hoje a noite, pouco antes de eu virara na esquina? Eu não
conseguí entender a sua expressão-você não parecia assustada, você parecia estar
bastante concentrada em alguma coisa."
"Eu estava pensando em como incapacitar uma pessoa-você sabe, auto-defesa. Eu ía
enfiar o nariz dele dentro cérebro". Eu pensei no homem de cabelo escuro com uma
onda de ódio me invadindo.
"Você ia lutar com eles?" Isso pareceu aborrecê-lo. "Você não pensou em correr?"
"Quando eu corro eu caio demais", eu admití.
"E quanto a gritar por ajuda?"
"Eu estava chegando nessa parte".
Ele balançou a cabeça. "Você estava certa-eu definitivamente estou lutando contra o
destino tentando manter você viva."
Eu suspirei. Nós estavamos indo mais devagar, passando pela fronteira de Forks. Levou
menos de vinte minutos.
"Eu vou ver você amanhã?", eu perguntei.
"Sim-eu também tenho que entregar o meu trabalho". Ele sorriu.
"Eu vou guardar um lugar pra você no almoço".
Eu fiquei idiota, depois de tudo que passamos essa noite, aquela promessa me fez sentir
borboletas no estômago, e me deixou incapacitada de falar.
Nós estávamos na frente da casa de Charlie. As luzes estavam ligadas, meu carro estava
no lugar, tudo estava extremamente normal.
Era como acordar de um sonho. Ele parou o carro, mas eu não me moví.
"Você promete que vai estar lá amanhã?"
"Eu prometo".
Eu pensei por um momento, depois balancei a cabeça. Eu tirei o seu casaco, dando mais
um cheiradinha.
"Você pode ficar com ele-você não tem um para usar amanhã", ele me lembrou.
Eu entreguei pra ele. "Eu não quero ter que explicar ao Charlie".
"Oh, tudo bem". Ele sorriu.
Eu hesitei, minha mão na maçaneta do carro, tentando prolongar o momento.
"Bella?"-ele perguntou num tom diferente. Sério, mas hesitante.
"Sim?", eu me virei pra ele ansiosa demais.
"Me promete uma coisa?"
"Sim", eu disse e depois me arrependí da minha incondicionalidade. E se ele me pedisse
pra ficar longe dele? Isso eu não podia prometer.
"Não vá na floresta sozinha".
Eu encarei ele confusa. "Porque?"
Ele fez uma carranca, e seus olhos estavam apertados quando ele olhou pela janela.
"Nem sempre eu sou a coisa mais perigosa lá fora. Vamos ficar aqui".
Eu tremí um pouco pela inexpressão da voz dele, mas eu estava aliviada. Essa, pelo
menos, era uma promessa fácil de cumprir.
"Como você quiser".
"Até amanhã", ele suspirou e aí eu percebí que ele queria que eu fosse embora agora.
"Até amanhã, então". Eu abrí a porta sem vontade.
"Bella?" Eu me virei e ele estava inclinado na minha direção, seu rosto pálido, glorioso,
á apenas alguns centímetros de mim. Meu coração parou de bater.
"Durma bem", ele disse. Sua respiração soprou em meu rosto, me deixando fascinada.
Era a mesma essência que exalava do casaco dele, mas numa forma mais concentrada.
Eu pisquei, totalmente ofuscada. Ele se afastou.
Eu não conseguí me mover de novo até que o meu cérebro ficou regulado novamente.
Então eu saí estranhamente do carro, precisando usar alguma coisa como suporte. Eu
pensei ouví-lo sorrindo, mas o som foi baixo demais pra eu ter certeza.
Ele esperou até que eu estivesse na frente da porta, só então ele ligou o motor e eu ouvi
ele dar rá silenciosamente. Eu me virei e ví o carro desaparecendo na esquina. Eu me
dei conta de que estava muito frio.
Eu peguei a chave mecanicamente, abri a porta, e então entrei.
Charlie me chamou da sala de estar. "Bella?"
"Sim, pai, sou eu". Eu entrei pra vê-lo. Ele estava assistindo um jogo de baseball.
"Você chegou cedo."
"Cheguei". Eu estava surpresa.
"Ainda não são nem oito horas", ele me disse. "Vocês se divertiram?"
"Sim-foi muito divertido". Minha cabeça estava dando voltas enquanto eu tentava me
lembrar da noite só de garotas que eu havia planejado. "Elas duas encontraram
vestidos."
"Você está bem?"
"Eu só estou cansada. Eu caminhei demais."
"Bem, talvez fosse melhor você ir se deitar". Ele pareceu preocupado. Eu imaginei
como o meu rosto estaria.
"Eu só vou ligar pra Jéssica primeiro"
"Você não estava com ela?", ele perguntou, surpreso.
"Sim-mas eu deixei meu casaco no carro dela. Eu quero ter certeza de que ela vai levar
para a escola amanhã".
"Bom, pelo menos deixe ela chegar em casa primeiro".
"Certo", eu concordei.
Eu fui direto para a cozinha e caí, exausta, numa cadeira. Eu realmente estava me
sentindo um pouco tonta agora. Eu imaginei se era o choque chegando no fim das
contas. Vê se se controla, eu disse pra mim mesma.
O telefone tocou de repente, me assustado. Eu tirei do gancho.
"Alô?", eu perguntei sem fôlego.
"Bella?"
"Ei, Jess, eu ia ligar pra você."
"Você chegou em casa?" A voz dela estava aliviada...e surpresa.
"Sim. Eu deixei meu casaco no seu carro-você pode levá-lo amanhã?"
"Claro. Mas me conte o que aconteceu!",ela ordenou.
"Um, amanhã-na aula de Trigonometria, está bem?"
Ela entendeu rapidamente. "Oh, seu pai está aí?"
"Sim, é isso mesmo".
"Ok, eu falo com você amanhã, então. Tchau!". Eu podia ouvir a imaciência na voz
dela.
"Tchau, Jess".
Eu subí as escadas lentamente, um torpor dominando a minha mente. Eu me preparei
para ir para a cama sem prestar a mínima atenção com o que estava fazendo. Não foi até
que eu estivesse embaixo do chuveiro -a água muito quente, queimando minha pele-
que eu me dei conta de que estava morrendo de frio. Eu tremí violentamente por alguns
minutos até que os jatos de água finalmente relaxaram meus musculos rígidos. Então eu
fiquei embaixo do chuveiro, cansada demais pra me mexer, até que a água quente
começou a acabar.
Eu saí, me envolvi cuidadosamente numa toalha, tentando manter o calor da água para
que os tremores não voltassem. Eu me vestí rapidamente pra ir para a cama e me enfiei
embaixo do edredon, me curvando até ficar no formato de uma bola, me abraçando para
manter o calor. Uns pequenos tremores passaram por mim.
Minha mente ainda estava rodando, cheia de imagens que eu não conseguia entender, e
algumas que eu lutei pra reprimir. Nada perecia estar claro no início, mas quanto mais
perto eu chegava da inconsciência, mais algumas coisas se tornavam evidentes.
Sobre três coisas eu tinha certeza absoluta. Primeira -Edward era um vampiro.
Segunda-havia uma parte dele-e eu não sabia o quão poderosa ela poderia ser-que
tinha sede do meu sangue.
E terceira, eu estava incondicionalmente e irrevogavelmente apaixonada por ele.
10. Interrogatórios
Foi muito difícil, de manhã, discutir com a parte de mim que tinha certeza que a noite
de ontem havia sido um sonho. A lógica não estava ao meu lado, nem o senso comum.
Eu me agarrei ás coisas que eu não podia ter imaginado-como o cheiro dele. Eu estava
certe de que não poderia ter inventado isso tudo sozinha.
Estava nebuloso e escuro lá fora, absolutamente perfeito. Ele não tinha motivos pra não
ir á escola hoje. Eu me vestí com roupas pesadas, me lembrando que não estava com
meu casaco. Mais uma prova de que eu não estava imaginando coisas.
Quando eu descí, Charlie já tinha ido embora-eu estava mais atrasada do que havia
imaginado. Eu engolí uma barra de granola em três mordidas, bebí leite na boca da
garrafa, e corrí para a porta. Com alguma sorte a chuva não começaria antes que eu
encontrasse Jéssica.
Estava mais nebuloso do que o normal; parecia que havia fumaça no ar. A névoa estava
muito gelada quando entrou em contato com as partes expostas do meu rosto e do meu
pescoço. Eu mal podia esperar pra ligar o aquecedor na minha caminhonete. A névoa
estava tão forte que eu já estava a alguns passos da entrada dos carros quando eu percebí
que havia outro carro lá: um carro prateado.
Meu coração estrondou, tremeu, e depois voltou a bater duas vezes mais rápido.
Eu não ví de onde ele tinha vindo, mas de repente ele estava lá, abrindo a porta pra
mim.
"Você quer dar uma volta comigo hoje?", ele perguntou, se divertindo com a minha
expressão de surpresa de novo. Havia uma incerteza na voz dele. Ele realmente estava
me dando a escolha-eu estava livre para recusar, e parte dele esperava que eu fizesse
isso. Ele esperou em vão.
"Sim, obrigada", eu disse, tentando manter minha voz calma. Quando eu entrei no carro
quentinho, eu percebí que o seu casaco estava pendurado no banco do passageiro. Ele
fechou a porta atrás de mim, e tão rápido quanto era possível, ele já estava sentado a
meu lado, ligando o carro.
"Eu trouxe o casaco pra você. Eu não queria que você ficasse doente nem nada
parecido".
Sua voz estava cautelosa. Eu percebí que ele não estava usando casaco nenhum, só uma
blusa de tricô cinza-clara com uma gola em formato de V e mangas compridas. De
novo, o tecido se ajustava no seu peito perfeitamente musculoso. Era uma homenagem
colossal ao seu rosto e eu não conseguia tirar os olhos do seu corpo.
"Eu não sou tão delicada", eu disse, mas coloquei o casaco no meu colo, enfiando os
braços nas mangas compridas demais, curiosa pra ver se o cheiro era mesmo tão bom
quanto eu me lembrava. Era melhor.
"Não é?", ele contradisse com uma voz tão baixa que eu não tenho certeza se ele queria
que eu ouvisse.
Nós dirigimos pela rua encoberta de neblina, indo sempre rápido demais, nos sentindo
estranhos. Pelo menos, eu estava. Na noite passada, as paredes tinham
desaparecido...quase todas. Eu não sabia se continuaríamos sendo tão transparentes
hoje. Eu sentí minha língua presa. Eu esperei que ele falasse.
Ele se virou sorrindo pra mim. "O que foi? Não tem mais umas vinte perguntas pra mim
hoje?"
"As minhas perguntas te incomodam?", eu perguntei aliviada por ele ter falado.
"Não tanto quanto as suas reações ás minhas respostas". Ele parecia estar brincando,
mas eu não tinha certeza.
Eu fiz uma careta. "Eu reajo mal?"
"Não, e esse é o problema. Você aceita tudo tão naturalmente-não é normal. Me faz
imaginar o que você está pensando de verdade".
"Eu sempre te digo o que eu penso"
"Você corta algumas partes", ele acusou.
"Não muitas".
"É o suficiente pra me deixar louco".
"Você não quer ouvir", eu murmurei, quase sussurei. Assim que as palavras sairam, eu
me arrependí de ter falado. A dor na minha voz era quase uma dor física; eu só esperava
que ele não tivesse reparado.
Ele não respondeu, e eu imaginei se tinha estragado o seu bom humor. Seu rosto era
impossível de ler enquanto entrávamos no estacionamento da escola. Um pensamento
retardado passou pela minha cabeça.
"Onde está o resto da sua família?", eu perguntei-mais feliz por estar sozinha com ele,
mas lembrando que o carro costumava estar sempre cheio.
"Eles vieram no carro de Rosalie". Ele levantou os ombros enquanto estacionava ao
lado de um carro vermelho chamativo conversível e com a capota levantada.
"Ostentoso, não é?"
"Umm, uau", eu suspirei. "Se ela tem isso, então porque ela vem de carona com você?"
"Como eu disse, é ostentoso. Nós tentamos passar despercebidos".
"Vocês não têm muito sucesso". Eu sorrí e balancei minha cabeça enquanto saíamos do
carro. Eu não estava mais atrasada; esse motorista lunático me levou para a escola em
tempo suficiente. "Então porque Rosalie veio dirigindo hoje se seria mais notável?"
"Você ainda não percebeu? Eu estou quebrando todas as regras agora". Ele me
encontrou na frente do carro e caminhou muito próximo de mim enquanto entrávamos
na escola. Eu queria diminuir ainda mais a distância, erguer a mão e tocá-lo, mas eu
tinha medo que ele não gostasse.
"Porque vocês têm carros assim?" Eu imaginei em voz alta. "Se vocês procuram
privacidade?"
"Uma indulgência", ele deu um sorriso sem graça. "Todos nós gostamos de dirigir
rápido".
"Dá pra notar", eu murmurei por baixo do fôlego.
Embaixo do telhado de proteção da cafeteria, Jéssica estava me esperando, seus olhos
estavam prestes a sair das órbitas. Sobre o braço dela, seja louvada, estava o meu
casaco.
"Oi, Jéssica", eu disse quando estávamos a apenas alguns passos de distância. "Obrigada
por lembrar". Ela me passou o casaco sem falar nada.
"Bom dia, Jéssica", Edward disse educadamente. Realmente ele não tinha culpa que a
sua voz era tão irresistível. Eu do que os seus olhos eram capazes de fazer.
"Er... Oi." Ela passou os seus olhos arregalados pra mim, tentando recompor seus
pensamentos bagunçados. "Eu acho que a gente se vê na aula de Trigonometria". Ela me
deu uma olhada cheia de significância. Eu prendí um suspiro. O que era que eu ía dizer
pra ela?
"É, eu te vejo lá".
Ela foi embora, parando duas vezes pra olhar pra nós por cima do ombro.
"O que você vai dizer pra ela?", Edward sussurou.
"Ei! Eu achava que você não podia ler minha mente!", eu falei por entre os dentes.
"Eu não posso", ele disse assustado. Então o entendimento brilhou nos seus olhos.
"Contudo, eu posso ler a dela-e ela está esperando pra te pegar na sala de aula".
Eu gemí enquanto tirava o casaco dele e devolvia pra ele, vestindo o meu prórpio. Ele o
dobrou nos braços.
"Então, o que você vai dizer pra ela?"
"Uma ajudinha?", eu implorei. "O que ela quer saber?"
Ele balançou a cabeça, sorrindo estranhamente. "Isso não é justo".
"Não, não compartilhar o que você sabe-isso não é justo".
Ele pensou por um momento enquanto caminhávamos. Nós paramos na porta da sla
onde eu ia ter minha primeira aula.
"Ela quer saber se nós estamos namorando em segredo. E ela quer saber o que você
sente em relação a mim", ele disse finalmente.
"Maravilha. O que eu devo dizer?" Eu tentei manter minha expressão bem inocente. As
pessoas estavam passando por nós a caminho de suas salas, provavelmente olhando pra
nós, mas eu não estava prestando atenção neles.
"Hmmmm..." ele pausou para colocar uma mecha do meu cabelo que estava se soltando
atrás da minha orelha. Meu coração começou a bater rápido demais. "Eu acho que você
deve dizer que sim para a primeira...se você não se incomodar-é mais fácil que dar
outras explicaçôes".
"Eu não me incomodo", eu disse com a voz fraca.
"E quanto á outra pergunta...bem, eu vou estar escutando pra ouvir a resposta dessa".
Um dos cantos do seus lábios se levantou colocando o meu sorriso favorito no rosto
dele. Eu não conseguí recuperar o meu fôlego a tempo de responder a isso. Ele se virou
e foi embora".
"A gente se vê no almoço", ele falou por cima do ombro. Três pessoas que estavam
passando pela porta pararam pra olhar pra mim.
Eu corrí pra dentro da sala, envergonhada e irritada. Ele era um traidor. Agora eu estava
ainda mais preocupada com o que eu ia dizer para Jéssica.
Eu sentei no meu lugar de sempre, derrubando a minha mochila no chão com raiva".
"Bom dia, Bella", Mike disse na cadeira em frente a minha. Eu olhei pra cima pra ver
um rosto estranho, quase resignado. "Como foi em Port Angeles?"
"Foi..." não tinha jeito de encontrar uma palavra que descrevesse com honestidade.
"Ótimo", eu terminei insatisfeita. "Jéssica encontrou um vestido lindo".
"Ela te falou alguma coisa sobre Segunda á noite?", ele me perguntou, seus olhos
estavam brilhando. Eu sorrí com o rumo que a conversa tinha tomado.
"Ela disse que se divertiu muito", eu garantí pra ele.
"Ela disse?", ele perguntou ansiosamente.
"Definitivamente".
O Sr. Mason pediu ordem na sala, pedindo que nós entregássemos os nossos trabalhos.
Inglês e depois História se passaram num sopro, enquanto eu estava preocupada com o
que falaria pra Jéssica e agoniada pra saber se ele realmente estaria ouvindo os
pensamentos de Jess. O talento dele podia ser bem inconveniente-quando não estava
salvando a minha vida.
O nevoeiro já tinha se dissolvido quase completamente no fim da segunda aula, mas o
dia ainda estava escuro, cheio de nuvens pesadas. Eu sorrí para o céu.
Edward estava certo, é claro. Quando eu entrei na aula de Trigonometria, Jéssica já
estava sentada, quase se embolando na cadeira de tanta agitação. Eu estava relutante
quando me sentei ao lado dela, tentando me convencer de que seria melhor acabar logo
com isso de uma vez por todas.
"Me conte tudo!", ela ordenou antes que eu estivesse sentada.
"O que você quer saber?" eu testei.
"O que aconteceu na noite passada".
"Ele me pagou um jantar e depois me levou pra casa".
Ela me encarou, sua expressão estava cética. "Como é que você chegou em casa tão
rápido?"
"Ele dirige como um louco. Eu fiquei morrendo de medo". Eu esperava que ele
estivesse ouvindo isso.
"Foi tipo um encontro -você pediu pra ele te encontrar lá?"
Eu não tinha pensado nisso. "Não-foi muito surpreendente encontrar com ele lá".
Ela fez um biquinho por causa do tom honesto da minha voz
"Mas ele foi te buscar em casa hoje?", ela perguntou.
"Sim-isso também me surpreendeu. Ele percebeu que eu estava sem casaco ontem", eu
expliquei.
"Então vocês vão sair de novo?"
"Ele se ofereceu pra me levar até Seattle no Sábado porque ele acha que o meu carro
não consegue chagar até lá-isso conta?"
"Conta", ela balançou a cabeça
"Bom, então, sim".
"U-A-U". Ela dividiu a palavra em três sílabas. "Edward Cullen".
"Eu sei", eu concordei. 'Uau' não conseguia descrever tudo.
"Peraí", ela levantou as duas mãos,com as palmas na minha direção como se ela
estivesse parando o trânsito. "Ele já te beijou?"
"Não", eu murmurei. "Não é bem assim".
Ela pareceu desapontada. Com certeza, eu também estava.
"Você acha que Sábado...?" Ela ergueu as sobrancelhas.
"Eu realmente duvido". O tom triste da minha voz não dava pra ser disfarçado.
"Sobre o que foi que vocês conversaram?", ela me pressionou por mais informações
num cochicho. A aula já havia começado mas o Sr. Varner não estava prestando a
mínima atenção em nós, e nós não éramos as únicas conversando.
"Eu não sei, Jess,um monte de coisas", eu cochichei de volta. "Nós falamos um pouco
sobre o trabalho de Inglês". Pouco, muito pouco. Eu acho que ele mencionou isso de
passagem.
"Por favor, Bella", ela implorou. "Me dê alguns detalhes".
"Bom...tudo bem,eu te digo um. Você precisava ter visto a garçonete flertando com ele-
foi até um pouco demais. Mas ele não estava prestando nem um pouco de atenção".
Deixe ele pensar o que quiser disso.
"Isso é um bom sinal", ela balançou a cabeça. "Ela era bonita?"
"Muito-e provavelmente tinha dezenove ou vinte anos".
"Melhor ainda. Ele deve gostar de você".
"Eu acho que sim, mas é difícil dizer. Ele é sempre tão enigmático". Eu disse isso para o
seu próprio bem, suspirando.
"Eu não sei como você tem coragem suficiente pra ficar sozinha com ele", ela falou.
"Porque?", eu estava chocada, mas ela não entendeu minha reação.
"Ele é tão...intimidante. Eu não saberia o que dizer pra ele."
Ela fez uma careta, provavelmente lembrando dessa manhã ou da noite passada, quando
ele usou o poder devastador do seu olhar sobre ela.
"Eu tenho alguns proplemas com minha coerência quando estou perto dele", eu admití.
"Oh, bem. Ele é inacreditavelmente lindo". Jéssica levantou os ombros como se esse
fato apagasse qualquer falha. E, na cabeça dela, provavelmente apagasse.
"Ele é mais que só isso".
"É mesmo? O que mais?"
Eu devia ter deixado pra lá. Eu esperava que ele não estivesse falando sério sobre ouvir
a conversa.
"Eu não sei explicar direito...mas ele é ainda mais inacreditável por trás do rosto". Um
vampiro que tentava ser bom-que corria pra cim e pra baixo salvando as pessoas pra
não se tornar um monstro... Eu olhei para a frente da sala.
"E isso é possivel?"
Eu ignorei ele, fingindo que estava prestando atenção no que o Sr. Varner estava
dizendo.
"Você gosta dele, então?", ela não ia desistir.
"Sim", eu disse simplesmente.
"Eu quero dizer, você gosta dele de verdade?", ele pressionou.
"Sim", eu disse de novo, corando. Eu esperava que esse detalhe não ficasse gravado na
mente dela.
Ela estava cansada de respostas monosilábicas. "Quanto você gosta dele?"
"Demais", eu cochichei de volta. "Muito mais do que ele gosta de mim. Mas eu não sei
como posso evitar isso". Eu suspirei, corando uma vez atrás da outra.
Então, por sorte, o Sr. Varner chamou Jéssica pra responder uma pergunta.
Ela não teve outra oportunidade de tocar no assunto, e assim que o sinal tocou, eu bolei
uma tática evasiva.
"Na aula de Inglês, Mike me perguntou o que você tinha achado do passeio de
Segunda", eu disse pra ele.
"Você tá brincando! O que foi que você disse?!", ela tentou recuperar o fôlego,
completamente alucinada.
"Eu disse que você tinha se divertido muito-ele pareceu satisfeito".
"Me diga exatamente o que ele disse, e o que você respondeu exatamente!"
N´s passamos o resto do tempo dissecando frases e Passamos boa parte da uala de
Espanhol falando sobre as expressões de Mike. Eu não teriam me demorando tanto
explicando elas, mas eu estava com medo que o assunto voltasse pra mim.
E então o sinal tocou para o almoço. Eu pulei da minha cadeira, enfiando os meus livros
rapidamente dentro da bolsa, minha expressão deve ter alertado Jéssica.
"Você não vai almoçar com a gente hoje, vai?", ela advinhou.
"Eu acho que não". Eu não tinha como saber se ele não ia desaparecer
convenientemente de novo.
Mas do lado de fora da sala de Espanhol, encostado na parede-parecendo mais um Deus
Grego do que uma pessoa tinha o direito de parecer-Edward estava esperando por mim.
Jéssica deu uma olhada, revirou os olhos e desapareceu.
"A gente se vê mais tarde, Bella". A voz dela estava cheia de significado. Eu achei que
seria melhor desligar o telefone quando chegasse em casa.
"Olá", a voz dele estava divertida e irritada ao mesmo tempo. Ele estava ouvindo, era
óbvio.
"Oi".
Eu não conseguí pensar em outra coisa pra dizer, e ele não disse mais nada-passando o
tempo, eu imaginei-então nós ficamos quietos até a cafeteria. Caminhar com Edward
pela cafeteria foi como no meu primeiro dia de aula; todo mundo estava me olhando.
Ele me guiou até a fila, ainda sem falar, apesar de os seus olhos se virarem pro meu
rosto a cada segundo, com uma expressão especulativa. Parecia que a irritação estava se
sobressaindo á diversão. Eu brinquei nervosamente com o zíper do meu casaco.
Ele entrou na fila e começou a encher uma bandeja com comida.
"O que você tá fazendo? Isso tudo é pra mim?"
Ele balançou a cabeça, dando um passo á frente para pagar pela comida.
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"Metade é pra mim, é claro".
Eu erguí uma sobrancelha.
Ele me guiou para a mesma mesa onde havíamos nos sentado da primeira vez. De outra
mesa, um grupo de alunos do último ano olhou pra nós estarrecídos enquanto nos
sentávamos na frente um do outro.
Edward parecia obscuro.
"Pegue o que quiser" ele disse, empurrando a bandeja na minha direção.
"Eu estou curiosa". Eu disse enquanto pegava uma maçã, virando ela nas minhas mãos.
"O que você faria se uma pessoa te desafiasse a comer alguma coisa?"
"Você está sempre curiosa". Ele brincou, balançando a cabeça. Ele olhou pra mim,
prendendo o meu olhar enaquanto pegava um pedaço de pizza da bandeja, e
deliberadamente deu uma mordida grande, mastigou rapidamente, e depois engoliu. Eu
observei com os olhos arregalados.
"Se alguém te desafiasse a comer areia, você poderia, não poderia?", ele perguntou.
Eu torcí meu nariz. "Eu já fiz isso uma vez...num desafio. Não foi tão ruim".
Ele sorriu. "Eu acho que não estou muito surpreso". Algo acima do meu ombro pareceu
chamar a atenção dele.
"Jéssica está analizando tudo que eu faço-ela vai falar com você sobre isso depois." Ele
empurrou o resto da pizza pra mim. A menção do nome de Jéssica pareceu deixá-lo
irritado de novo.
Eu coloquei a maçã na mesa e dei uma mordida na pizza, olhando pra longe, sabendo
que ele ia começar a falar.
"Então a garçonete era bonita, não era?", ele perguntou casualmente.
"Você realmente não reparou?"
"Não. Eu não estava prestando atenção. Eu tinha muitas coisas na cabeça".
"Pobre garota", eu podia me dar ao luxo de ser generosa.
"Algo que você disse pra Jéssica...bem, me incomodou". Ele se recusava a se distrair.
Sua voz estava áspera, e ele olhou por baixo dos cílios com um olhar perturbado.
"Eu não estou surpresa que você tenha ouvido algo de que não tenha gostado. Você sabe
o que as pessoa dizem sobre espionar". Eu avisei.
"Eu te disse que estaria ouvindo"
"E eu te avisei que você não ia querer saber tudo o que eu pensava".
"Você avisou", ele concordou, mas sua voz ainda estava dura. "Porém, você não estava
precisamente certa. Eu quero saber o que você pensa-tudo. Eu só queria que você não
estivesse pensando em ...algumas coisas".
Eu fiz uma cara feia. "Isso é uma distinção".
"Mas não é isso que importa no momento".
"Então o que é?" Nós dois estávamos inclinados sobre a mesa na direção um do outro
agora. Suas longas mãos estavam dobradas embaixo do queixo; eu me inclinei para a
frente, minha mão direita estava ao redor do meu pescoço. Eu tinha que me lembrar que
estávamos numa sala lotada, provavelmente cheia de olhos curiosos. Era fácil demais
ficar presa na privacidade da nossa pequena bolha de tensão.
"Você realmente acredita que gosta de mim mais do que eu gosto de você?", ele
murmurou, se inclinando pra mais perto enquanto falava, seus olhos dourados eram
penetrantes. Eu tentei me lembrar de respirar. Eu tive que olhar pra outro lugar até que
ela voltasse.
"Você está fazendo isso de novo", eu murmurei.
Os olhos dele ficaram grandes de supresa. "O que?"
"Me deixando deslumbrada", eu admití, tentando me concentrar enquanto olhava pra
ele.
"Oh",ele fez uma careta.
"Não é sua culpa", eu suspirei. "Você não consegue evitar".
"Você vai responder a pergunta?"
Eu olhei pra baixo. "Sim".
"Sim, você vai responder; ou sim, você realmente acha isso?" Ele estava irritado de
novo.
"Sim, eu realmente acho isso". Eu mantive os meus olhos na mesa, meus olhos
traçavam os contornos da mesa de madeira. O silêncio se arrastou. Eu estava
teimosamente decidida a não ser a primeira a falar, lutando com a vontade de dar uma
espiadinha na expressão dele.
Finalmente ele falou, sua voz aveludada estava macia. "Você está errada".
Eu olhei pra cima pra ver que seus olhos estavam gentís.
"Você não tem como saber isso", eu discordei num murmúrio. Eu balancei a cabeça em
dúvida, apesar das palavras dele terem balançado meu coração e de eu querer tanto
acreditar nelas.
"O que te faz pensar isso?" Seus olhos da cor do topázio eram penetrantes-tentando
futilmente, eu pensei, tentar a verdade diretamente da minha mente.
Eu encarei de volta, tentando pensar claramente a despeito do rosto dele, para achar
alguma explicação. Eu procurei as palavras, eu podia vê-lo ficando impaciente; ficando
frustrado com o meu silêncio.
Ele estava começando a ficar carrancudo. Eu levantei minha mão do pescoço, e levantei
um dedo.
"Me deixe pensar", eu insistí. A expressão dele ficou mais amena, agora que ele sabia
que eu estava planejando uma resposta. Eu coloquei minha mão na mesa e moví a mão
esquerda para que as duas palmas ficassem juntas. Eu olhei para as minhas mãos,
cruzando e descruzando os dedos, e finalmente falei.
"Bem, tirando o óbvio, as vezes..." eu hesitei. "Eu não posso ter certeza -eu não leio
mentes-mas as vezes parece que você está querendo dizer adeus,mas diz outra coisa".
Foi o melhor que eu pude fazer para avaliar a angústia que suas palavras me causavam
as vezes.
"É uma questão de perceptiva", ele cochichou. E então lá estava a angústia de novo, sua
expressão confirmou os meus medos. "Porém, é exatamente por isso que você está
errada.", ele começou a explicar, mas seus olhos reviraram. "O que você quis dizer com
'o óbvio'?"
"Bem, olhe pra mim", eu disse desnecessariamente, ele já estava olhando. "Eu sou
absolutamente normal-bem, com excessão das experiências de quase-morte e de ser tão
atrapalhada que eu quase chego a ser uma inválida. E olhe pra você". Eu abanei minha
mão na direção da sua perfeição desconcertante.
As sobrancelhas dele se uniram por um instante, mas depois se suavizaram quando ele
fez uma cara de sabe-tudo.
"Você não se vê muito claramente, sabe. Eu tenho que admitir que você estava certa
sobre as experiências de quase-morte" ele sorriu obscuramente, "mas você não ouviu o
que todos os seres humanos do sexo masculino nessa escola pensaram de você no seu
primeiro dia".
Eu pisquei, desnorteada. "Eu não acredito..." , eu murmurei pra mim mesma.
"Confie em mim -você não tem nada de comum".
Minha vergonha foi muito maior do que o meu prazer quando eu ví o seu olhar
enquanto ele dizia essas palavras. Eu rapidamente me lembrei do assunto original da
discursão.
"Mas não sou eu que quero me despedir", eu apontei
"Você não vê? É isso que prova que eu estou certo. Eu me importo mais, se eu não
posso fazer isso"-ele balançou a cabeça, parecendo lutar contra esse pensamento-"Se ir
embora é a coisa certa a se fazer, então eu vou me machucar pra não machucar você, pra
te manter a salvo".
Meus olhos faiscaram na direção dele. "E você acha que eu não faria a mesma coisa?"
"Você nunca teria que tomar essa decisão".
Abruptamente, seu humor imprevisível mudou de novo um sorriso travesso, devastador
transformou o seu rosto. "É claro que manter você viva é um trabalho em período
integral que requer minha presença constante".
"Ninguém tentou me matar hoje" Eu lembrei ele,feliz com o assunto mais leve. Eu não
queria mais falar de despedidas. Se eu tivesse que fazer isso, eu colocaria a minha vida
em perigo constante só pra mantê-lo perto... eu baní esse pensamento antes que seus
olhos rápidos pudessem lê-los no meu rosto. Essa idéia definitivamente ia me meter em
encrenca.
"Ainda", ele adicionou.
"Ainda", eu concordei; eu podia ter discutido, mas agora eu queria que ele estivesse
preparado pra enfrentar desastres.
"Eu ainda tenho outra pergunta", seu rosto ainda estava casual.
"Manda".
"Você realmente precisa ir á Seattle esse Sábado ou só está fazendo isso pra ficar longe
dos seus admiradores?"
Eu fiz uma careta quando lembrei disso. "Você sabe, eu ainda não te perdoei pelo lance
com Tyler", eu avisei. "É por sua culpa que ele fica tendo essas ilusões sobre me levar
para o baile de fim de ano".
"Oh, ele teria encontrado uma chance de te convidar sem a minha ajuda-eu só queria
olhar a sua cara quando ele fizesse isso", ele deu uma gargalhada. Eu teria ficado com
mais raiva se o sorriso não fosse tão fascinante. "Se eu tivesse te convidado, você teria
me dispensado?", ele perguntou, ainda rindo pra sí mesmo.
"Provavelmente não", eu admití. "Mas eu teria ligado depois pra desmarcar-dizendo
que estava doente ou que tinha torcido o tornozelo".
Ele estava confuso. "Porque você faria isso?"
Ele pareceu confuso. "Porque você faria isso?"
Eu balancei a cabeça tristemente. "Você nunca me viu na aula de Educação física, eu
acho, mas se você tivesse visto você entenderia".
"Você está se referindo ao fato de que não consegue andar sobre uma superfície plana e
estável sem encontrar algo em que tropeçar?"
"Obviamente".
"Isso não seria uma problema", ele disse confiante. "Tudo depende de quem conduz".
Ele viu que eu estava prestes a protestar, então me cortou. "Mas você não me disse-
você está resolvida a ir á Seattle ou não se incomodaria se fizessemos algo diferente?"
Contanto que o "nós" estivesse envolvido, eu não me importava muito com o resto.
"Eu estou aberta a alternativas", eu deixei. "Mas eu tenho que te pedir um favor".
Ele me olhou cauteloso, já que eu havia feito uma pergunta aberta.
"O que é?"
"Eu posso dirigir?"
Ele fez uma careta. "Porque?"
"Bem, pra começar, quando eu disse que ia a Seattle, Charlie me perguntou
especificamente se eu ia sozinha, e na época, eu ia. Se ele tivesse perguntado de novo,
eu provavelmente não mentiria, mas eu não acho que ele vai perguntar de novo, e deixar
o meu carro emcasa só vai levantar suspeitas desnecessárias. E também, o seu jeito de
dirigir me assusta."
Ele revirou os olhos. "Com todas as coisas que podiam te assustar, você se preocupa
com o jeito que eu dirijo". Ele balançou a cabeça cheio de desgosto, mas então seus
olhos ficaram sérios de novo.
"Porque você não contou ao seu pai que passaria o dia comigo?" Havia outro
significado nessa pergunta, que eu não conseguí entender.
"Com Charlie, menos é sempre mais", eu estava resolvida sobre isso.
"Pra onde vamos afinal?"
"O clima vai estar ensolarado, então eu vou me manter londe dos olhares do público...e
você pode ficar comigo se quiser". De novo, ele estava me deixando escolher.
"E você vai me mostrar o que acontece com o sol?", eu perguntei, excitada com a idéia
de ver mais um dos seus segredos sendo revelados.
"Sim", ele sorriu e depois pausou. "Mas se você não quiser... ficar sozinha comigo, eu
ainda preferiria que você não fosse á Seattle sozinha. Eu tremo só de pensar nos
problemas que você pode encontrar numa cidade daquele tamanho".
Eu estava zangada. "Phoenix é três vezes maior-só em população. No tamanho físico..."
"Mas aparentemente", ele me interrompeu, "Você não estava marcada para morrer em
Phoenix. Então eu preferiria que você ficasse perto de mim". Seus olhos estavam
flamejantes daquele jeito injusto de novo.
Eu não podia discutir, nem com os olhos nem com a motivação, e era uma discursão
que eu ia perder do mesmo jeito. "E acontece, que eu não me incomodo de ficar sozinha
com você".
"Eu sei", ele suspirou, meditando. "Contudo, eu acho que você devia contar para o
Charlie".
"E porque razão eu faria isso?"
Seus olhos ficaram ferozes de repente. "Pra me dar um pequeno incentivo pra te trazer
de volta".
Eu engolí seco. Mas depois de alguns segundos,minha decisão estava tomada. "Eu acho
que vou me arriscar".
Ele exalou o ar com raiva, e desviou o olhar.
"Vamos falar de outra coisa", eu sugerí.
"Sobre o que você quer falar?", ele perguntou. Ele ainda estava aborrecido.
Eu dei uma olhada ao nosso redor, me certificando de que ninguém poderia nos ouvir.
Enquanto passava os olhos pelo lugar, meus olhos encontraram os da irmão de Edward,
Alice, que estava me observando.
Os outros estavam olhando para Edward. Eu desviei o olhar depressa, olhando pra
Edward, e perguntei a primeira coisa que me passou pela cabeça.
"Porque você foi á Pedra da Cabra no último fim de semana...pra caçar? Charlie disse
que não é um bom lugar porque lá tem muitos ursos".
Ele me encarou como se eu estivesse deixando passar algum detalhe óbvio.
"Ursos?" Eu engasguei e ele sorriu. "Sabe, não é temporada de ursos" e falei por fora
pra esconder o meu choque.
"Se você ler cuidadosamente, as leis impedem as pessoas de caçar com armas de fogo",
ele me informou.
Ele observou o meu rosto com prazer enquanto a minha ficha caía.
"Ursos?", eu repetí com dificuldade.
"Grizzly é a espécie favorita de Emmett." A sua voz ainda estava normal, mas os seus
olhos estavam analizando a minha reação.
Eu tentei me recompor.
"Hmmm", eu disse comendo outro pedaço da pizza como um desculpa pra olhar pra
baixo. Eu mastiguei lentamente, e bebi um gole de refrigerante sem olhar pra cima.
"Então", eu disse depois de um momento, finalmente encontrando seus olhos que agora
estavam ansiosos. "Qual é o seu favorito?"
Ele ergueu uma sobrancelha e os cantos da boca dele se curvaram pra baixo, em
desaprovação.
"Leão da Montanha".
"Ah", eu disse num tom de desinteresse educado, olhando para a minha lata de
refrigerante.
"É claro", ele disse, com um tom que imitava o meu, "Que nós temos que tomar cuidado
para não causar um grande impacto no meio-ambiente com as nossas caçadas. Nós
tentamos nos manter nas áreas onde os indices predatórios são menores-indo pra tão
longe quanto for necessário. Sempre têm muitos veados e alces por aqui, e eles servem,
mas onde está a graça nisso?"
Ele sorriu me provocando.
"Realmente", eu murmurei mordendo outro pedaço de pizza.
"O começo da primavera é a época de ursos favorita de Emmett-eles estão saindo da
hibernação, então eles estão mais irritáveis", ele sorriu se lembrando de alguma piada.
"Nada mais divertido que irritar um urso pardo", eu concordei, balançando a cabeça.
Ele sorriu silenciosamente, balançando a cabeça. "Me diga o que você realmente está
pensando,por favor".
"Eu estou tentando imaginar a cena-mas não consigo", eu admití. "Como você caça um
urso sem armas de fogo?"
"Oh, nós temos armas" ele mostrou seus dentes num breve sorriso ameaçador.
Eu lutei contra um arrepio antes que ele me expusesse. "Só que elas não são do tipo que
se leva em consideração quando fazem as leis de proibição. Se você já viu um ataque de
ursos na televisão, você deve ser capaz de imaginar Emmett caçando".
Eu não conseguí eviter o calafrio que percorreu a minha espinha. Eu olhei pela cafeteria
na direção de Emmett, filiz por ele não estar olhando pra mim. Os grossos músculos que
envolviam seus braços e o seu torax eram de alguma forma ainda mais ameaçadores
agora.
Edward seguiu o meu olhar e deu uma gargalhada. Eu olhei pra ele enervada.
"Você é como um urso também?", eu perguntei em voz baixa.
"Mais como um leão, ou pelo menos é o que eles me dizem", ele disse levemente.
"Talvez as nossas preferências sejam indicativos".
Eu tentei sorrir. "Talvez", eu repetí. Mas minha cabeça estava cheia de imagens
contraditória que eu não conseguia agrupar. "Isso é algo que eu posso vez um dia?"
"Absolutamente não!" Seu rosto ficou ainda mais pálido que o natural, e seus olhos
estavam furiosos.
Eu me inclinei pra trás, assustada e-apesar de eu nunca ser capaz de admitir pra ele-
com medo da sua reação. Ele também se inclinou pra trás, cruzando os braços no peito.
"Assustador demais pra mim?" eu perguntei quando conseguí controlar minha voz de
novo.
"Se o problema fosse só esse, eu te levaria lá hoje á noite", ele disse com uma voz
cortante. "Você precisa de uma dose saudável de medo. Nada poderia ser mais
beneficial pra você."
"Então porque?", eu pressionei, tentando ignorar a sua expressão de raiva.
Ele olhou pra mim por um longo minuto.
"Mais tarde", ele disse finalmente, se levantando com um movimento gracioso. "Nós
vamos nos atrasar".
Eu olhei ao redor, alarmada de ver que ele estava certo, e a cafeteria já estava quase
vazia. Quando eu estava com ele, o tempo e o espaço eram tão escorregadios que eu
acabava perdendo a noção dos dois. Eu me pus de pé num pulo, pegando a minha
mochila que estava atrás da cadeira.
"Mais tarde, então", eu concordei. Eu não ia me esquecer.
11. Complicações
Todo mundo olhou para gente enquanto estávamos andando para nossa mesa no
laboratório. Eu notei que ele não mas havia sentado tão longe de mim quanto a mesa o
permitia. Ao contrario, ele sentou um tanto perto de mim. Nossos braços quase se
tocando.
Mr. Barner voltou para dentro da classe então – que precisão de tempo o cara tinha –
empurrando um suporte alto de metal sobre rodas que sustentava uma pesada, antiga TV
e um VHS. Uma aula de filme – a animação da atmosfera na classe era quase tocável.
Mr. Barner empurrou a fita para dentro do relutante VHS e andou até o outro lado da
sala para desligar as luzes.
E então, quando a sala ficou escura, eu repentinamente fique alarmada que Edward
estava sentado a menos de uma polegada de mim. Eu estava impressionada com a
inesperada eletricidade que passou por mim, fascinada de que eu podia ficar mais perto
dele sem correr risco do que eu ficava. Um louco impulso de estender as mãos e toca-lo,
de acariciar sua perfeita face só uma vez no escuro, instantaneamente me inundou. Eu
apertei meus braços com força sobre meu peito, minha mão cerrada. Eu estava perdendo
minha cabeça.
Os créditos de abertura começaram, iluminando a sala com um pouco de luz. Meu
olhos, com sua próprio vontade, olharam para ele. Eu sorri timidamente assim que
percebi que sua postura era idêntica a minha, mãos cerradas sobre seus braços, por
debaixo de seus olhos, espreitando de lado para mim. Ele sorriu de volta, seus olhos
parecendo fogo, mesmo no escuro. Eu olhei para o lado antes de poder começar a
respirar rápido. Era absurdamente ridículo que eu podia me sentir tão estonteada assim.
As horas pareciam muito longas. Eu não conseguia me concentrar no filme -eu não
sabia nem ao menos sobre qual assunto ele era. Eu tentei, sem sucesso, relaxar, mas a
corrente elétrica que parecia vir de algum lugar do corpo dele nunca diminuia.
Ocasionalmente eu me permitia olhar rapidamente na direção dele, mas ele também
parecia nunca relaxar. O desejo predominante de tocá-lo também parecia nunca
murchar, e eu pressionei meus punhos seguramente contra minhas costelas até que meus
dedos estavissem doendo do esforço.
Eu suspirei de alívio quando Mr. Banner acendeu novamente as luzes no fim da aula, e
eu estiquei meus braços em frente a mim, flexionando meus dedos rígidos. Edwad riu
ao meu lado.
"Bem, aquilo foi interessante," ele murmurou. Sua voz estava sombria e seus olhos eu
cautelosos.
"Hmmm," era tudo que eu conseguia responder.
"Devemos?" ele perguntou, levantando sem estabilidade.
Eu quase gemi. Hora do ginásio. Eu continuei com cuidado, preocupada se meu
equilíbrio poderia ter sido afetado pela estranha nova força entre nós.
Ele me acompanhou para minha próxima aula em silêncio e parou na porta; eu virei pra
dizer tchau. O rosto dele me encarou -sua expressão estava despedaçada, quase
dolorida, e tão cruelmente bonita que a vontade de tocá-lo incendiou-se mais forte do
que antes. Meu adeus parou na minha garganta.
Ele levantou sua mão, hesistante, uma luta enfurecendo-se em seus olhos, e então
rapidamente roçou um pedaço da minha bochecha com a ponta de seus dedos. Sua pele
estava gelada como sempre, mas o rastro que seus dedos deixaram em minha pele era
alarmantemente quente -como se eu tivesse sido queimada, mas eu ainda não sentia a
dor disso.
Ele se virou sem uma palavra e caminhou rapidamente para longe de mim.
Eu andei para dentro do ginásio, tonta e hesitante.
Eu fui até o armário do vestiário, vagamente havia outras pessoas me rodeando. Na
realidade não estava muito cheio até agora, eu estava segurando uma raquete. Isso não
era pesado, mas sentir que era perigoso na minha mão. Eu podia ver algumas crianças
da outra turma olhavam-me furtivamente. O treinador Clapp ordenou que nos
formássemos times. Piedosamente algum vestígio de cavalheirismo ainda sobrevivia em
Mike; ele veio pra o meu lado.
“Você quer entrar no time?”
“Obrigada Mike. Sabe que não precisa fazer isso, você sabe disso”. Eu fiz uma careta de
desculpa.
“Não se preocupe. Eu vou ficar longe do seu caminho”. Ele sorriu, às vezes é fácil ser
como o Mike.
Eu não ia bajular de maneira nenhuma, para acerta-me com a minha raquete e vê o
ombro de Mike balançar igualmente.
Eu passei o resto do tempo no canto de trás do quadra, segurando a raquete a salvo atrás
das minhas costas.
Apesar de ter sido limitado por mim, Mike era muito bom, ele ganhou três jogos de
quatro sozinho. Ele me deu um não merecido gesto de parabéns quando o técnico
finalmente assobiou acabando a aula.
"Então," ele disse enquanto nós andávamos para fora da quadra.
"Então o que?"
"Você e Cullen, hm?" ele perguntou, seu tom era rebelde. Meu anterior sentimento de
afeição desapareceu.
"Isso não é da sua conta, Mike," Eu avisei, internamente amaldiçoando Jessica
diretamente para as ardentes chamas de Hades.
"Eu não gosto disso," ele murmurou de qualquer forma.
"Você não tem que gostar," eu rangi os dentes.
"Ele olha pra você como... como se você fosse algo pra comer," ele continuou, me
ignorando.
Eu abafei a histeria que ameaçava explodir, mas um pequeno riso amarelo conseguiu
sair apesar de meus esforços. Ele olhou com raiva pra mim. Eu virei e escapei para a
sala dos armários.
Eu me troquei rapidamente, alguma coisa mais estranha do que borboletas se atacando
afobadamente contra as paredes do meu estômago, minha discussão com Mike já em
uma memória distante. Eu estava pensando se Edward estaria me esperando, ou se eu
deveria encontrá-lo no carro dele.
E se a família dele estivesse lá? Eu senti uma onda de terror verdadeiro. Eles sabiam
que eu sabia? Eu deveria saber que eles sabiam que eu sabia, ou não?
Enquanto eu saia da quadra, eu tinha acabado de decidir de andar para casa sem nem ao
menos olhar para o estacionamento. Mas meus temores eram desnecessários. Edward
estava me esperando, apoiado casualmente contra a parede do ginásio, seu rosto de tirar
o fôlego agora tranquilo. Enquanto eu andava para o lado dele, eu senti um peculiar
sentimento de alívio.
"Oi", eu respirei, dando um enorme sorriso.
"Olá", seu sorriso de resposta foi brilhante. "Como foi a aula?"
Meu rosto caiu um pouquinho. "Bem", eu mentí.
"Mesmo?", ele não estava convencido. Seus olhos viraram rapidamente me olhando por
cima do ombro e se estreitaram. Eu olhei pra trás e ví Mike de costas enquanto ele ia
embora.
"O que foi?", eu quis saber.
Os olhos dele reencontraram os meus, ainda estreitos. "Newton está começando a me
irritar".
"Você estava ouvindo de novo?", o horror me abateu. Todos os traços do meu bom
humor desapareceram.
"Como está a sua cabeça?", ele perguntou inocentemente.
"Você é inacreditável!", eu me virei, caminhando a passos largos na direção do
estacionamento, apesar de ainda não estar conseguindo andar direito nesse momento.
Ele me acompanhou facilmente.
"Foi você quem mencionou que eu nunca havia te visto na aula de Educação física-eu
fiquei curioso". Ele não parecia estar arrependido, então eu ignorei ele.
Nós caminhamos em silêncio-um silêncio furioso, e envergonhado da minha parte-para
o carro dele. Mas eu tive que parar á alguns passos de distância-uma multidão de
pessoas, todos garotos, estavam cercando ele.
Então eu percebí que eles não estavam cercando o Volvo, na verdade eles estavam
cercando o conversível vermelho de Rosalie, cheios de luxúria nos olhos. Nenhum deles
sequer olhou pra Edward quando ele passou para abrir a porta dele, eu também entrei
rapidamente no carro, também passando despercebida.
"Ostentação", ele cochichou.
"Que carro é esse?", eu perguntei.
"Um M3"
"Eu não falo essa língua".
"É uma BMW", ele revirou os olhos, sem olhar pra mim, tentando dar a ré sem atropelar
os entusiamados por carros.
Eu balancei a cabeça-esse nome eu conhecia.
Ele suspirou. "Você vai me perdoar se eu pedir desculpa?"
"Talvez...se você estiver falando sério. E se você prometer que não vai fazer de novo",
eu insistí.
Seus olhos de repente estavam astutos. "E se eu estiver falando sério, e se eu deixar
você dirigir Sábado?"
Ele analisou as minhas condições.
Eu considerei, e decisí que provavelmente era o melhor que eu podia conseguir.
"Fechado", eu concordei.
"Então eu sinto muito por ter te aborrecido". Seus olhos arderam de sinceridade por um
momento-brincando com o ritmo do meu coração -e depois ficaram divertidos. "E eu
vou estar na porta da sua casa assim de o Sábado começar a brilhar".
"Umm, não ajuda muito na minha situação com Charlie se um Volvo ficar
inexplicavelmente largado na entrada".
Seu sorriso estava condescendente. "Eu não pretendia levar o carro".
"Como-"
Ele me cortou. "Não se preocupe com isso. Eu vou estar lá, sem carro."
Eu deixei pra lá. Eu tinha uma pergunta mais importante.
"Isso já é mais tarde?", eu perguntei significantemente
Ele fez uma careta. "Eu acho que isso é mais tarde".
Eu mantive minha expressão educada enquanto esperava.
Ele parou o carro. Eu olhei pra cima, surpresa-é claro que já estávamos na casa de
Charlie, parados atrás da caminhonete. Quando eu olhei de volta pra ele, ele estava me
encarando, me medindo com os olhos.
"E você ainda quer saber porque não pode me ver enquanto eu estou caçando?". Ele
pareceu solene, mas eu pensei estar vendo um traço de humor no fundo dos seus olhos.
"Bem", eu esclarecí. "Eu estava pensando mais na sua reação".
"Eu te assustei?" Sim, definitivamente havia humor alí.
"Não", eu mentí, mas ele não acreditou.
"Eu me desculpo por ter te assustado", ele persistiu com um leve sorriso, mas então
todos os sinais de brincadeira desapareceram.
"Foi por causa do pensamento de você estar lá...enquanto nós caçamos". Sua mandíbula
se apertou.
"Isso seria ruim?"
Ele falou por entre os dentes. "Extremamente".
"Porque...?"
Ele respirou fundo e olhou pelo para-brisa para as nuvens grossas que rolavam no céu,
tão baixas que pareciam estar ao alcance do toque.
"Quando estamos caçando", ele falou devagar, sem vontade. "Nós nos entregamos aos
nossos sentidos...perdemos o controle sobre nossas mentes. Especialmente o olfato. Se
você estivesse em qualquer lugar perto de mim quando eu estivesse descontrolado desse
jeito..." Ele balançou a cabeça, ainda olhando sombriamente para as nuvens.
Eu mantive minha expressão firmemente controlada, esperando a rápida olhada que ele
logo me daria pra analisar minha reação. Minha expressão não me traiu.
Mas os nossos olhsres ficaram presos, o silêncio ficou mais profundo-e mudou. As
fagulhas que eletricidade que eu havia sentido essa tarde começaram a reaparecer
enquanto ele olhava impiedosamente para os meus olhos. Eu só percebí que não estava
respirando quando minha cabeça começou a ficar pesada. Quando eu soltei o ar,
quebrando o gelo, ele fechou os olhos.
"Bella, eu acho que você devia entrar". Sua voz estava áspera, seus olhos nas nuvens de
novo.
Eu abrí a porta, a brisa gelada que entrou no carro ajudou a clarear minha cabeça. Com
medo de cair no meu estado de deslumbramento, eu saí cuidadosamente do carro e
fechei a porta sem olhar pra trás. O ruído da janela automática se abrindo fez eu me
virar.
"Oh, Bella?", ele me chamou, a voz mais uniforme. Ele se inclinou na direção da janela
aberta com um fraco sorriso nos lábios.
"Sim?"
"Amanhã é minha vez."
"Sua vez de que?"
Seu sorriso aumentou, fazendo os dentes brilharem. "Fazer as perguntas".
E então ele foi embora, o carro correndo rua abaixo e virando na esquina antes que eu
pudesse realinhar meus pensamentos. Eu sorrí enquanto caminhava pra dentro de casa.
Estava claro que ele planejava me ver no dia seguinte, se não antes.
Naquela noite, Edward foi o ator principal dos meus sonhos, como sempre. No entanto,
o clima do meu inconsciente havia mudado. Eu estava cheia com a mesma eletricidade
que havia sentido durante a tarde, e me virava e me enrolava sem parar, acordando
várias vezes.
Foi só nas primeiras horas da manhã que eu caí num sono exausto, sem sonhos.
Quando eu acordei ainda estava cansada, mas afiada. Eu coloquei meu casaco marrom e
minha calça jeans, e suspirei sonhando com blusas de alcinhas e shorts.
O café da manhã foi exatamente o evento quieto que eu esperava que fosse. Charlie
fritou ovos pra ele; eu comí uma tigela de cereais. Eu imaginei se ele tinha esquecido
sobre esse Sábado. Ele respondeu a pergunta que eu não fiz enquanto levantava pra
colocar o seu prato na pia.
"Sobre esse Sábado..." ele começou, andando pela cozinha e ligando a torneira.
Eu gelei. "Sim ,pai?"
"Você ainda está pretendendo ir á Seattle?", ele perguntou.
"Esse é o plano", eu fiz uma careta, desejando que ele não tivesse tocado no assunto pra
eu não ter que inventar meias verdades.
Ele espremeu um pouco de detergente no prato dele e o esfregou com uma escova.
"Você tem certeza que não voltar a tempo para o baile?"
"Eu não vou ao baile ,pai", eu esclarecí.
" Ninguém te convidou?", ele perguntou, tentando esconder a sua preocupação com o
prato.
Eu comecei a andar no campo minado. "É uma escolha das garotas".
"Oh", ele meditou enquanto secava o prato.
Eu sentí simpatia por ele. Deve ser difícil, ser uma pai; convivendo com o medo de que
sua filha encontre um garoto de quem ela goste, mas também se preocupando por ela
não encontrar.
Eu imaginei o quanto seria horrível se Charlie soubesse de quem eu gostava.
Charlie foi embora nessa hora, com um aceno de adeus, e eu subí pra escovar meus
dentes e pegar meus livros. Quando eu ouví a viatura ir embora, eu só tive que esperar
alguns segundos para ir espiar pela janela. O carro prateado já estava lá, esperando no
espaço de Charlie na entrada.
Eu desci correndo a escada e saí, imaginando quanto tempo essa rotina bizarra ainda
duraria. Eu não queria que acabasse nunca.
Ele esperou dentro do carro, parecendo nem ter me visto enquanto eu fechava a porta
atrás de mim sem me incomodar em trancar com a chave. Eu caminhei para o carro
parando timidamente antes de abrir a porta e entrar.
Ele estava sorrindo, relaxado-e como sempre, o sorriso era lindo e perfeito demais pra
explicar.
"Bom dia", sua voz estava aveludada. "Como você está hoje?" Seus olhos examinaram
meu rosto, como se a pergunta fosse algo mais que um simples gesto de educação.
"Bem ,obrigada". Eu estava sempre bem-muito mais que bem-quando estava perto
dele.
Seus olhos se demoraram nos círculos embaixo dos meus olhos. "Você parece cansada".
"Eu não conseguí dormir", eu confessei, automaticamente jogando um pouco de cabelo
por cima dos ombros para cobrir um pouco do rosto.
"Eu também não", ele brincou enquanto ligava o motor. Eu estava me acostumando com
o ronco suave. Eu tinha certeza que o ronco da minha camonhonete ia me assustar
quando eu fosse dirigí-la de novo.
Eu sorrí. "Eu acho que está tudo bem. Eu só dormí um pouco mais que você".
"Eu aposto que sim".
"Então,o que você fez na noite passada?", eu perguntei.
Ele deu uma gargalhada. "Sem chance. Hoje é meu dia de fazer as perguntas".
"As, é mesmo. O que você quer saber?", minha testa se enrugou. Eu não conseguia
imaginar alguma coisa sobre mim que pudesse ser interessante pra ele.
"Qual é a sua cor favorita?", ele perguntou, o seu rosto estava sério.
Eu revirei os olhos. "Muda todo dia".
"Qual é a sua cor favorita hoje?" Ele ainda estava solene.
"Provavelmente marrom". Eu tinha a tendência de me vestir de acordo com o meu
humor.
Ele deu um sopro, a expressão séria desapareceu. "Marrom?", ele perguntou cético.
"Claro, marrom é morno. Eu sinto falta do marrom. Tudo que era pra ser marrom-
troncos de árvore, pedras, terra-está coberto de verde aqui", eu reclamei.
Ele pareceu fascinado com o meu pequeno discurso. Ele pensou por um momento,
olhando nos meus olhos.
"Você está certa", ele decidiu, sério de novo. "Marrom é morno". Ele se aproximou
rapidamente, mas de certa forma ainda hesitante, pra colocar o meu cabelo de volta atrás
do ombro.
A essa hora já estávamos na escola. Ele se virou pra mim enquanto colocava o carro na
vaga do estacionamento.
"Qual é a música que está tocando no seu CD palyer nesse momento?", ele me
perguntou, seu rosto estava tão sombrio como se ele estivesse me perguntando um
segredo mortal.
Eu me dei conta de que não havia removido o CD que Phil havia me dado. Quando eu
disse o nome da banda, ele deu um sorriso torto, uma expressão peculiar nos olhos. Ele
abriu um compartimento embaixo do CD pçayer do carro dele, puxou um dos mais de
trinta CD's que haviam lá dentro, e me entregou.
"De Debussy pra isso?", ele ergueu uma sobrancelha.
Era o mesmo CD. Eu examinei a capa familiar, mantendo meus olhos virados pra baixo.
Nós continuamos assim o dia inteiro. Enquanto ele me acompanhava para a aula de
Inglês, quando ele foi me buscar na aula de Espanhol, durante todo o almoço, ele me
questionava incessantemente sobre cada detalhe insignificante da minha existência.
Filmes que eu gostava e que detestava, os poucos lugares que eu conhecia e os muitos
que gostaria de conhecer, e livros-inúmeros livros.
Eu não me lembrava da última vez que havia falado tanto. Mais de uma vez, eu me sentí
envergonhada,certamente eu estava aborrecendo ele. Mas a expressão de extrema
concentração, e as perguntas inacabáveis, me forçavam a continuar.
A maioria das perguntas eram fáceis de responder, somente algumas me fizeram corar
com muita facilidade.
Como quando ele me perguntou qual era a minha pedra preciosa favorita, e eu respondí
que era o topázio sem pensar. Ele fazia tantas perguntas tão depressa que eu me sentia
como se estivesse fazendo um daqueles testes psiquiátricos onde você tem que
responder com a primeira palavra que vier na sua cabeça. Eu tinha certeza que ele
continuaria seguindo a mesma linha de pensamento que ele estava seguinto antes, se eu
não tivesse ruborisado.
Meu rosto ficou vermelho porque, até pouco tempo atrás, minha pedra preciosa favorita
era o Ônix. Era impossível olhar pra os seus olhos da cor do Topázio, e não entender o
motivo da troca. E, naturalmente, ele não ia descansar enquanto eu não admitisse porque
estava envergonhada.
"Me diga", ele finalmente ordenou depois que a persuasão não deu certo-não deu certo
porque eu mantive meus olhos seguramente longe do rosto dele.
"É a cor dos seus olhos hoje", eu suspirei, me rendendo, olhando para as minhas mãos
enquanto brincava com uma mecha do meu cabelo.
"Eu acho que se você tivesse me feito essa pergunta a duas semanas atrás eu teria dito
que era o Ônix". Eu estava dando mais informações do que era necessário na minha
honestidade sem vontade, e eu estava preocupada em trazer a tona aquela raiva que
sempre aparecia quando eu demonstrava o quanto estava obsecada por ele.
Mas sua pausa foi muito curta.
"Que tipo de flor você prefere?", ele atirou.
Eu suspirei aliviada, e ele continuou com a psicanálise.
Biologia foi uma colplicação de novo. Edward continuou com o seu questionário até o
Sr. Banner entrar na sala, trazendo o equipamento audio visual com ele. Enquanto o
professor se aproximava do interruptor de luz, eu percebí Edward afastar a cadeira dele
da minha. Isso não ajudou. Assim que a sala estava escura, houve a mesma fagulha de
eletricidade, a mesma vontade irresistível de invadir o pequeno espaço entre nó e tocar a
sua pele fria, como ontem.
Eu me inclinei para a frente na mesa, descansando o meu queixo nos braços dobrados,
meus dedos escondidos estavam agarrando a borda da mesa, enquanto eu tentava lutar
com a vontade irracional que me tirava do sério. Eu não olhei pra ele, com medo de que
se ele estivesse olhando pra mim, eu tivesse ainda mais dificuldades de me controlar. Eu
sinceramente tentei me concentrar no filme, mas no fim eu não tinha a menor ideia do
que eu tinha acabado de ver. Eu suspirei aliviada de novo quando o Sr. Banner ligou as
luzes, e finalmente olhei pra Edward;
Ele estava olhando pra mim com olhos ambivalentes.
Ele se levantou em silêncio e ficou em pé, esperando por mim. Nós andamos para a
minha aula de Educação física em silêncio, como ontem. E, também como ontem, ele
tocou o meu rosto sem dizer nada-dessa vez com as costas da sua mão fria, alisando o
espaço da minha têmpora até a minha mandíbula-antes de se virar e ir embora.
A aula de Educação física passou rapidamente,enquantou eu observava Mike dar um
show solo no Badminton. Ele não falou comigo hoje, seja por causa da minha expressão
vazia ou porque ele ainda estava com raiva por causa da nossa discursão de ontem. Em
algum lugar, no fundo da minha mente, eu estava me sentindo mal com isso. Mas eu
não conseguí me concentrar nele.
Eu me apressei pra me trocar depois, doente de ansiedade, sabendo que , quanto mais
rápido eu me movesse, mais rápido eu estaria com Edward. A pressão me deixou mais
desastrada do que o normal, mas eventualmente eu saí, sentindo o mesmo alívio quando
ví ele lá, um largo sorriso automaticamente aparecendo no meu rosto. Ele sorriu em
resposta antes de continuar com as perguntas.
Suas perguntas eram diferentaes agora, porém, não tão fáceis de responder. Ele quis
saber do que eu sentia falta em casa, insistindo pra que eu descrevesse as coisas que não
eram familiares pra ele. Nós ficamos sentados na frente da casa de Charlie por horas,
enquanto o céu escurecia e a chuva se transformava num dilúvio de repente.
Eu tentei descrever coisas impossíveis de descrever, como o cheiro do creosotoamargo,
um pouco residuoso, mas agradável mesmo assim-o som alto, agudo das
cigarras em Julho, a esterilidade emplumada das árvores, a até o tamanho do céu, com
sua extensão azul e branca de horizonte á horizonte, poucas vezes interrompido por
montanhas baixas cheias de rochas vulcânicas. O mais difícil de explicar foi porque eu
achava bonito-justificar a beleza que não dependia de uma vegetação escassa,
espinhosa que as vezes parecia meio morta.
Uma beleza que tinha mais á ver com o formato da terra que ficava exposta,com as
bacias superficais entre os vales que ficavam entre as colinas escarpadas, e a forma que
elas emolduravam o sol. Eu me ví tendo que usar as mãos enquanto explicava isso pra
ele.
Suas perguntas quietas, tentadoras, me fizeram falar livremente, esquecendo, na luz
escassa, de me sentir envergonhada por estar monopolizando a conversa. Finalmente,
quando eu havia terminada de descrever o meu quarto bagunçado em casa, ele parou ao
invés de fazer outra pergunta.
"Você já acabou?", eu perguntei aliviada.
"Nem perto-mas o seu pai vai chegar logo em casa".
"Charlie!", eu finalmente lembrei de sua existência, e suspirei.
Eu olhei para o céu escurecido pela chuva, mas não demonstrei estar sentindo nada.
"Que horas são?", eu me perguntei me voz alta enquanto olhava para o relógio. Eu me
surpreendí com a hora-Charlie deveria estar chagando em casa agora.
"É o crepúsculo", Edward murmurou, olhando para o horizonte obscurecido pelas
nuvens. Sua voz estava pensativa, como se sua mente estivesse em um lugar distante.
Eu olhei pra ele enquanto ele olhava pelo para brisa sem estar enxergando nada.
Eu ainda estava olhando quando ele de repente virou seu olhar para mim.
"É a hora mais segura do dia pra nós", ele disse, respondendo uma pergunta que eu não
fiz, mas que estava nos meus olhos. "A hora mais fácil. Mas, também mais difícil, de
certa forma...o fim de outro dia, o retorno da noite. A escuridão é tão imprevisível, você
não acha?", ele perguntou, sorrindo tristemente.
"Eu gosto da noite. Sem a escuridão não poderiamos ver as estrelas.", eu fiz uma careta.
"Não que elas apareçam muito por aqui".
Ele sorriu, o humor abruptamente mais leve.
"Charlie vai chagar em alguns minutos. Então, a não ser que você queira dizer pra ele
que estará comigo no Sábado...", ele ergueu uma sobrancelha.
"Obrigada, mas não, obrigada", eu peguei meus livros, me dando conta de que o meu
corpo estava rígido pela posição que eu estive sentada por tanto tempo.
"Amanhã é minha vez, então?"
"Cetamente não!", seu rosto estava com uma expressão de ultraje divertida. "Eu disse
que ainda não tinha acabado, não disse?"
"O que é que ainda falta?"
"Você vai saber amanhã". Ele se inclinou na minha frente para abrir a porta pra mim, e
essa proximidade repentina fez meu coração palpitar loucamente.
Mas a mão dele congelou na maçaneta.
"Isso não é bom", ele murmurou.
"O que foi?", eu estava surpresa de ver que sua mandíbula estava apertada, seus olhos
perturbados.
Ele olhou pra mim por um breve segundo. "Mais complicações", ele disse aborrecido.
Ele abriu a porta com um movimento rápido, e então se afastou, quase ultrajado,
rapidamente pra longe de mim.
O flash dos faróis na chuva chamaram minha atenção enquanto um carro virava na
curva, a apenas alguns metros de nós nos encarando.
"Charlie está na esquina", ele avisou, olhando pelo retrovisor para outro veículo.
Eu saí rapidamente, a despeito da minha confusão e curiosidade. A chuva estava mais
forte enquanto batia no meu casaco.
Eu tentei distiguir as duas sombras que estavam no banco da frente do outro carro, mas
estava muito escuro. Eu podia ver Edward iluminado pelo brilho dos faróis do outro
carro; ele ainda estava olhando para a frente, seu olhar estava travado em algo ou
alguém que eu não podia ver.
Sua expressão era um estranho misto de frustração e desafio.
Então ele ligou o motor, e os pneus resoaram no asfalto molhado. Dentro de segundos o
Volvo já estava fora de vista.
"Ei, Bella", chamou uma voz rouca, familiar que vinha do banco do motorista do
pequeno carro preto.
"Jacob?", eu perguntei andando pela chuva. Só então, a viatura de Charlie virou na
esquina, os faróis dele iluminando os ocupantes do carro na minha frente.
Jacob já estava saindo do carro. Seu sorriso largo e brilhante era visível mesmo na
escuridão.
No banco do passageiro havia um homem muito mais mais velho, um homem pesado,
com um rosto memorável-um rosto que se transbordava, as bochechas estavam
pressionados nos ombros com rugas na pele ruiva, como um casaco velho de couro. E
os olhos surpreendentemente familiares, olhos pretos que pareciam ao mesmo tempo
jovens demais e velhos demais para aquele rosto largo.
Era o pai de Jacob, Billy Black. Eu o reconhecí imediatamente, mesmo depois de cinco
anos e tendo esquecido do nome dele no meu primeiro dia aqui. Ele estava me
encarando, estudando meu rosto, então eu sorri tentadoramente pra ele. Seus olhos
estavam arregalados, como se de susto ou de medo,as narinas estavam infladas. Meu
sorriso desapareceu.
Outra complição, Edward disse.
Billy ainda estava me encarando com olhos intensos, ansiosos. Eu gemí por dentro. Será
que Billy reconheceu Edward tão facilmente?
Será que ele realmente poderia acreditar nas lendas impossíveis que o filho dele havia
me contado?
A resposta estava clara nos olhos de Billy. Sim. Sim, ele podia.
12. Equilibrando
"Billy!" Charlie chamou assim que saiu do carro.
Eu virei na direção da casa, convidando Jacob pra entrar enquanto passava pelo portal
da entrada. Eu ouví Charlie saudando os dois em voz alta atrás de mim.
"Eu vou fingir que não ví você atrás do volante, Jake", ele disse em tom de
desaprovação.
"Nós recebemos as carteiras mais cedo na reserva", Jacob disse enquanto eu destrancava
a porta e ligava a luz da varanda.
"Claro que recebem". Charlie riu.
"Eu preciso sair de alguma forma", eu reconhecí facilmente a voz ressonante de Billy,
apesar dos anos. O som dela fez com que eu me sentisse mais nova de repente, uma
criança.
Eu entrei, deixando a porta aberta atrás de mim e acendendo as luzes antes de tirar meu
casaco. Então eu fiquei perto da porta, observando ansiosamente enquanto Jacob e
Charlie ajudavam Billy a sair do carro e a sentar na sua cadeira de rodas.
Eu saí do caminho enquanto os três corriam pra dentro, sacudindo a chuva.
"Isso é uma surpresa", Charlie estava dizendo.
"Já faz muito tempo", Billy disse. "Eu espero que esse não seja um momento ruim".
Seus olhos escuros vieram parar em mim de novo. Sua expressão estava ilegível.
"Não, está ótimo. Eu espero que você possa ficar para o jogo."
Jacob sorriu. "Eu acho que esse é o plano-nossa TV quebrou na semana passada".
Billy fez uma cara feia para o filho. "E, é claro que Jacob estava ansioso pra ver Bella
de novo", ele acrescentou. Jacob fez uma careta e baixou a cabeça enquanto eu tentava
lutar contra uma onda de remorso que eu sentí de repente. Talvez eu tenha sido
convincente demais na praia.
"Vocês estão com fome?" Eu perguntei, me virando na direção da cozinha. Eu estava
ansiosa pra escapar do olhar especulativo de Billy.
"Não, nós acabamos de comer antes de vir pra cá". Jacob respondeu.
"E você, Charlie?", eu perguntei por cima do meu ombro enquanto virava no corredor.
"Claro", ele respondeu, sua voz vinha da entrada e estava se dirigindo á sala de TV. Eu
podia ouvir a cadeira de Billy acompanhando.
Os sanduíches de queijo grelhado estavam na frigideira e eu estava fatiando um tomate
quando sentí alguém atrás de mim.
"Então, como vão as coisas?", Jacob perguntou.
"Muito bem", era difícil resistir ao entusiasmo dele. "E você? Já terminou o seu carro?"
"Não", ele fez uma careta. "Eu ainda preciso de partes. Nós pegamos aquele
emprestado". Ele apontou com o polegar na direção do quintal na frente de casa.
"Desculpa. Eu não ví nenhum...como era mesmo o nome da peça que você estava
procurando?"
"Cilindro mestre", ele sorriu. "Tem alguma coisa errada com a caminhonete?" ele
acrescentou.
"Oh. Eu só estava me perguntando porque você não estava dirigindo ela".
Eu olhei pra baixo para a frigideira e levantei a borda de um dos sanduíches pra olhar o
lado de baixo. "Eu peguei uma carona com um amigo".
"Bela carona". Jacob estava admirado. "Contudo, eu não reconhecí o motorista. Eu
achei que conhecia a maioria das pessoas daqui".
Eu afirmei com a cabeça, mantendo os olhos baixos enquanto virava os sanduíches.
"Meu pai pareceu reconhecê-lo de algum lugar".
"Jacob, você poderia pegar alguns pratos? Eles estão no armário em cima da pia."
"Claro".
Ele pegou os pratos em silêncio. Eu esperava que ele deixasse pra lá.
"Então, quem era?" ele perguntou, colocando dois pratos no balcão no meu lado.
Eu suspirei, vencida. "Edward Cullen".
Para minha supresa, ele riu. Eu olhei pra cima. Ele pareceu um pouco envergonhado.
"Eu acho que isso explica, então" ele disse. "Eu estava imaginando porque meu pai
estava agindo tão estranho".
"É mesmo". Eu fingí uma expressão inocente. "Ele não gosta dos Cullen".
"Velho supersticioso", ele cochichou por baixo do fôlego.
"Você acha que ele vai dizer alguma coisa pra Charlie?" Eu não conseguí deixar de
perguntar, as palavras sairam baixas e apressadas.
Jacob me encarou por um momento, e eu não conseguí entender a expressão nos seus
olhos escuros. "Eu duvido", ele finalmente respondeu.
"Eu acho que Charlie já deu uma bela lição nele da última vez. Eles não se falaram
muito desde então-hoje é uma espécie de reunião, eu acho. Eu não acho que ele vai
falar nisso de novo"
"Oh" eu disse, tentando parecer indiferente.
Eu fiquei na frente da sala depois de levar a comida pra Charlie, fingindo que estava
assistindo o jogo enquanto Jacob conversava comigo. Eu estava mesmo era ouvindo a
conversa dos homens, procurando por algum sinal de que Billy ia me dedurar, pensando
em alguma forma de pará-lo caso ele tentasse.
Foi uma noite longa. Eu tinha dever de casa pra fazer, mas estava com medo de deixar
Billy sozinho com Charlie. Finalmente, o jogo acabou.
"Você e seus amigos vão voltar lá na praia logo?", Jacob perguntou enquanto carregava
o seu pai pelo limiar da porta.
"Eu não tenho certeza", eu me esquivei.
"Foi divertido, Charlie", Billy disse.
"Volte para o próximo jogo", Charlie encorajou.
"Claro, claro", Billy disse. "Estaremos aqui. Tenha uma boa noite".
Seus olhos encontraram os meus. "Se cuide, Bella" ele acrescentou seriamente.
"Obrigada", eu murmurei, desviando o olhar.
Eu fui para a escada enquanto Charlie acenava pra eles na porta.
"Espere, Bella".
Eu congelei. Será que Billy tinha falado alguma coisa antes que eu estivesse na sala?
Mas Charlie estava relaxado, ainda sorrindo pela visita inesperada.
"Eu ainda não tive a chance de falar com você esta noite. Como foi seus dia?"
"Bom", eu hesitei com um dos pés no degrau da escada, procurando por detalhes que eu
podia compartilhar sem medo. "Meu time de Badminton ganhou todas as quatro partidas
hoje".
"Uau, eu não sabia que você jogava Badminton".
"Bem, na verdade eu não jogo,mas o meu parceiro é muito bom", eu admiti.
"Quem é?" ele perguntou interessado.
"Umm, Mike Newton", eu disse relutante.
"Ah,é-você já tinha dito que era amiga dele". Ele lembrou. "Boa família", ele meditou
por um momento. "Porque você não convidou ele pro baile esse fim de semana?"
"Pai!" eu gemí.
"Ele está meio que namorando com a minha amiga Jéssica. Além do mais, você sabe
que eue não sei dançar".
"Ah é" ele murmurou. Depois ele sorriu pedindo desculpas. "Então eu acho que é bom
que você vai estar em Seattle no Sábado... Eu fiz planos pra ir pescar com os rapazes lá
da delegacia. Tudo indica que o clima estará quente. Mas se você quiser adiar a viagem
para esperar até alguém consiga ir com você, eu posso ficar em casa. Eu sei que te deixo
sozinha tempo demais".
"Pai, você está fazendo um ótimo trabalho" Eu sorrí, esperando que o meu alivio não
ficasse muito visível. "Eu nunca me importei em ficar sozinha-eu sou muito parecida
com você", eu pisquei pra ele e ele deu um sorriso que fez seus olhos enrrugarem.
Eu dormí melhor essa noite, cansada demais pra sonhar de novo. Quando eu acordei na
manhã de cor acinzentada, meu humor estava feliz. A noite tensa com Billy e Jacob
pareceu inofensiva o suficiente; então eu decidí esquecê-la completamente. Eu me
peguei assoviando enquanto estava prendendo a parte da frente da frente do meu cabelo
com um grampo, e depois de novo quando descia as escadas.
Charlie reparou.
"Você está animada esta manhã" ele comentou enquanto tomávamos o café da manhã.
Eu levantei os ombros. "Hoje é sexta feira".
Eu me apressei para estar pronta para ir para a escola no segundo que Charlie fosse
embora. Eu já estava com a minha mochila pronta, calçada, dentes escovados, mas
mesmo correndo para a porta assim que eu tive certeza que Charlie já estava fora de
vista, Edward foi mais rápido. Ele estava esperando no seu carro brilhante, com os
vidros abaixados, o motor desligado.
Eu não hesitei dessa vez, entrando no lado do passgeiro rapidamente, tudo pra ver o
rosto dele mais rápido. Ele mostrou seu sorriso torto pra mim, parando minha respiração
e meu coração. Eu não conseguia imaginar como um anjo poderia ser mais glorioso. não
havia nada nele que pudesse ser melhorado.
"Como você dormiu?", ele perguntou. Eu me perguntei se ele tinha noção de como sua
voz era atraente.
"Bem. Como foi a sua noite?"
"Prazeirosa" Seu sorriso estava divertido; eu me sentí como se estivesse perdendo
alguma piada.
"Será que eu posso perguntar o que você fez?"
"Não". Ele sorriu. "Hoje ainda é meu dia".
Hoje ele queria saber mais sobre as pessoas: mais sobre Renée, seus passatempos, o que
nós fazíamos no nosso tempo livre. E depois a única avó que eu conhecia, meus poucos
amigos da escola-me deixando envergonhada quando me perguntou sobre os garotos
que eu havia namorado. Eu estava aliviada por nunca ter namorado, assim essa conversa
em perticular não poderia durar muito. Ele pareceu tão surpreso quanto Jéssica e Angela
pela minha falta de vida romântica.
"Então você nunca encontrou ninguém que você quisesse?" ele me perguntou num tom
sério que me fez imaginar o que ele estaria pensando.
Eu fui malevolamente honesta. "Não em Phoenix".
Os seus lábios ficaram espremidos numa linha.
Nessa hora nós estávamos na cafeteria. Estava virando rotina o dia passar num sopro.
Eu me aproveitei da sua breve pausa para dar uma mordida no meu pão.
"Eu devia ter deixado você vir sozinha hoje" ele disse, sem motivo algum, enquanto eu
mastigava.
"Porque?" eu quis saber.
"Eu vou embora com Alice depois do almoço"
"Oh" eu pisquei desconcertada e desapontada. "Está tudo bem. Não é uma caminhada
muito longa daqui até em casa".
Ele fez uma careta impaciente pra mim. "Eu não vou fazer você andar até sua casa. Nós
vamos pegar a sua caminhonete e deixá-la aqui pra voce".
"Eu não trouxe as minhas chaves", eu suspirei. "Eu realmente não me importo de ir
andando". Eu me importava era de não poder estar com ele.
Ele balançou a cabeça. "Sua caminhonete estará aqui, e a chave estará na ignição-a não
ser que você tenha medo que alguém vá roubá-la". Ele sorriu com o pensamento.
"Tudo bem", eu concordei, torcendo os lábios. Eu tinha certeza de que as minhas chaves
estavam no bolso da calça que eu usei na quarta, embaixo de uma pilha de roupas sujas
na lavanderia.
Mesmo que ele invadisse minha casa, ou o que quer que ele estivesse planejando, ele
jamais encontraria.
Ele pareceu sentir o desafio do meu consentimento. Ele sorriu, confiante demais.
"Então pra onde vocês vão?", eu perguntei tão casualmente quanto pude.
"Caçar" ele respondeu severamente. "Se eu vou estar sozinho com você amanhã, eu vou
tomar todas as precauções que puder". Seu rosto ficou sombrio... e declarador.
"Você ainda pode cancelar, sabe".
Eu olhei pra baixo, com medo do poder persuasivo dos seus olhos. Eu me recusava a ser
convenciada a sentir medo dele, não importava quão grande o perigo pudesse ser. Não
importa, eu repetí na minha mente.
"Não" eu sussurei. "Eu não posso".
"Talvez você esteja certa" ele murmurou secamente. A cor dos seus olhos pareceu ficar
mais escura enquanto eu observava.
Eu mudei de assunto. "Que horas eu te vejo amanhã?" Eu perguntei, já deprimida por
ter que deixá-lo ir agora.
"Isso depende...é Sábado, você não quer dormir até tarde?" ele perguntou.
"Não" eu respondí rápido demais. Ele prendeu o riso.
"A mesma hora de sempre, então" ele decidiu. "Charlie vai estar em casa?"
"Não, ele vai pescar amanhã" Eu estava radiante pelo rumo conveniente que as coisas
tomaram.
O tom de sua voz ficou afiado. "E se você não voltar pra casa, o que é que ele vai
pensar?"
"Eu não tenho idéia" eu respondí calmamente. "Ele sabe que eu estava querendo lavar
as roupas. Talvez ele ache que eu caí dentro da máquina".
Ele fez uma carranca pra mim e eu fiz uma carranca pra ele. A raiva dele era muito mais
impressionante que a minha.
"O que você vai caçar hoje?" Eu perguntei depois de perder o concurso de quem
encarava mais.
"Qualquer coisa que encontrarmos no parque. Nós não vamos muito longe" Ele pareceu
se divertir com a minha referêcia casual ao seu segredo.
"Porque você está indo com Alice?" Eu me perguntei.
"Alice é a mais...encorajadora". Ele fez uma careta enquanto falava.
"E os outros?" eu perguntei timidamente. "O que eles são?"
Suas sobrancelhas se uniram por um breve momento. "Incrédulos, em grande parte."
Eu espiei rapidamente a sua família atrás de mim. Eles estavam olhando para direções
diferentes, exatamente como na primeira vez que eu os ví. Só que agora ele só eram
quatro; seu lindo irmão com o cabelo cor de bronze, estava sentado na minha frente,
com os olhos confusos.
"Eles não gostam de mim", eu advinhei.
"Não é isso", ele discordou, mas seus olhos eram inocentes demais. "Eles só não
entendem porque eu não consigo te deixar sozinha".
000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
Eu fiz uma careta. "Eu também não, por falar nisso".
Edward balançou a cabeça lentamente e revirou os olhos na direção do teto antes de
olhar para os meus olhos de novo. "Eu já disse-você não se vê com muita clareza. Você
não é como ninguém que já tenha conhecido. Você me fascina".
Eu olhei pra ele, certa de que agora ele estava brincando.
Ele sorriu enquanto decifrava a minha expressão. "Tendo as vantagens que eu tenho",
ele murmurou,tocando discretamente na testa. "Eu tenho uma compreensão melhor da
mente humana. As pessos são previsíveis. Mas você... você nunca faz o que eu espero.
Você sempre me pega de surpresa".
Eu desviei o olhar, meus olhos aterrisando na família dele de novo, envergonhada e
insatisfeita. As palavras dele me fizeram parecer uma experiência científica. Eu queria
rir de mim mesma por esperar outra coisa.
"Essa parte é fácil de explicar", ele continuou. Eu sentí seus olhos no meu rosto, mas
ainda não conseguia olhar pra ele, com medo que ele percebesse o desespero nos meus
olhos. "Mas tem mais... e isso não é fácil de explicar com palavras-"
Eu ainda estava olhando para os Cullen enquanto ele falava. De repente, Rosalie, a sua
irmã loira, de tirar o fôlego, se virou pra me olhar. Olhar não-encarar, com olhos
escuros e frios. Eu queria afastar o olhar, mas o olhar dela segurou o meu até que
Edward parou no meio de uma frase e fez um barulho raivoso e baixo. Era quase um
assobio.
Rosalie virou a cabeça e eu fiquei aliviada por estar livre.
Eu olhei de volta para Edward -eu sabia que ele veria a confusão e o medo que
esbugalharam meus olhos.
Seu rosto estava contraído enquanto ele explicava. "Eu sinto muito sobre isso. Ela só
está preocupada. Entenda... não é perigoso apenas pra mim se, depois de passar tanto
tempo publicamente perto de você...", ele olhou pra baixo.
"Se?"
"Se isso acabar... mal". Ele deixou a cabeça cair nas mãos,como fez naquela noite em
Port Angeles. Sua angústia era visível; eu queria confortá-lo, mas eu não tinha idéia de
como. Minha mão foi na direção dele involuntariamente; rapidamente, porém, eu deixei
ela cair na mesa, temendo que o meu toque só deixasse as coisas piores. Eu percebí
lentamente que as palavras dele deviam me assustar. Eu esperei o medo vir,mas tudo
que eu conseguia sentir era a dor do seu sofrimento.
E frustração-frustração porque Rosalie interrompeu o que ele estava dizendo. Eu não
sabia como voltar ao assunto. Ele ainda estava com a cabeça nas mãos.
Eu tentei falar com uma voz normal. "E você tem que ir agora?"
"Sim", ele ergueu o resto; estava sério por um momento, e então o seu humor mudou e
ele sorriu. "Provavelmente é o melhor a fazer. Nós ainda temos quinze minutos daquele
filme inacabado de Biologia-eu não acho que poderia aguentar mais".
Eu encarei. Alice-seu cabelo preto formava uma auréola ao redor do seu rosto notável,
élfico-estava repentinamente atrás dele. Sua leve figura era esbelta, graciosa mesmo
estando absolutamente parada.
Ele saudou ela sem desviar os olhos de mim. "Alice".
"Edward". Sua voz soprano era quase tão atrante quanto a dele.
"Alice, Bella-Bella, Alice", ele nos apresentou, fazendo gestos com a mão casualmente,
um sorriso torto nos lábios.
"Olá,Bella", seus olhos eram impossíveis de ler, mas seu sorriso era amigável. "É bom
finalmente te conhecer".
Edward deu uma olhada sombria pra ela.
"Oi, Alice", eu disse timidamente.
"Você está pronto?" ela perguntou pra ele.
A voz dele estava indiferente. "Quase. Eu te encontro no carro".
Ela foi embora sem outra palavra. Seu caminhar era tão fluido, tão suntuoso que eu sentí
uma leve pontada de inveja.
"Eu devo dizer 'divirta-se' eu seria o sentimento errado?" eu perguntei, virando pra ele
de novo.
"Não. 'divirta-se' funciona tão bem quanto qualquer outra palavra", ele sorriu.
"Divirta-se, então", eu fiz o máximo para parecer sincera. É claro que eu não enganei
ele.
"Eu vou tentar", ele ainda estava sorrindo. "E você tente se manter em segurança, por
favor".
"Ficar segura em Forks-que desafio".
"Pra você isso é um desafio". Sua mandíbula ficou apertada.
"Prometa".
"Eu prometo tentar ficar em segurança", eu recitei. "Eu vou lavar roupa hoje á noite-
isso não deve oferecer nenhum perigo".
"Não caia", ele zombou.
"Eu farei meu melhor"
Então, ele se levantou e eu me levantei também.
"Te vejo amanhã", eu suspirei.
"Parece tempo demais pra você, não parece?", ele meditou.
Eu afirmei pesadamente com a cabeça.
"Eu estarei lá pela manhã" ele prometeu, dando seu sorriso torto. Ele se inclinou sobre a
mesa para tocar meu rosto, alisando a maçã do meu rosto de novo. Então ele se virou e
foi embora. Eu fiquei olhando para ele até que ele foi embora.
Eu estava muito tentada a faltar as aulas restantes, ou pelo menos Educação física, mas
um instinto de advertência me impediu. Eu sabia que se eu desaparecesse agora, Mike e
os outros iriam presumir que eu estava com Edward. E Edward se preocupava com o
tempo que passávamos juntos publicamente...caso algo desse errado.
Eu me recusava a pensar na última possibilidade, me concentrando em fazer as coisas
mais seguras pra ele.
Eu intuitivamente sabia-e sentia que ele também-que amanhã seria providencial.
Nosso relacionamento não podia continuar se equilibrando, como estava, na ponta de
uma faca.
Nós iamos cair de um lado ou de outro, dependendo inteiramente da decisão dele, ou
dos seus instintos. Minha decisão estava tomada, eu já havia a tomado mesmo antes de
poder escolher e eu estava disposta a ir adiante.
Porque não havia nada mais assustador pra mim, nada mais doloroso, do que o
pensamento de me afastar dele.
Não havia possibilidade.
Eu fui para a aula, sentindo que era uma obrigação. Eu honestamente não poderia dizer
o que aconteceu em Biologia; minha mente estava ocupada demais pensando em
amanhã. Na aula de Educação física, Mike estava falando comigo de novo; ele desejou
que eu me divertisse em Seattle. Eu expliquei cuidadosamente que havia cancelado a
viagem, preocupada com minha caminhonete.
"Você vai pro baile com Cullen?", sua voz ficou mal-humorada de repente.
"Não, eu não vou ao baile".
"O que você vai fazer, então?",ele perguntou, interessado demais.
Minha primeira vontade foi de dizer pra ele não se meter. Inves disso, eu mentí
brilhantemente.
"Lavar roupa, depois eu tenho que estudar para o teste de Trigonometria se não eu vou
reprovar".
"Cullen vai te ajudar a estudar?"
Edward", eu enfatizei "não vai me ajudar a estudar. Ele vai viajar pra algum lugar
durante fim de semana" As mentiras sairam mais naturalmente, eu reparei surpresa.
"Oh", ele se empertigou. "Você poderia vir para o baile com o nosso grupo-vai ser
legal. Nós todos dançaremos com você", ele prometeu.
A imagem mental de da cara de Jéssica deixou o meu tom mais áspero do que era
necessário.
"Eu não vou para o baile, Mike, tá bem?"
"Tá", ele murchou de novo. "Eu só estava oferecendo".
Quando o dia de aula finalmente terminou, eu caminhei para o estacionamento sem
entusiasmo. Eu não estava especialmente a fim de ir caminhando pra casa, mas eu não
sabia como ele seria capaz de trazer minha caminhonete. De qualquer forma, eu estava
começando a acreditar que nada era impossível pra ele. Meus instintos provaram estar
certos-minha caminhonete estava na mesma vaga em que ele tinha estacionado o Volvo
esta manhã. Eu balancei a cabeça, incrédula, enquanto abria a porta e via a chave na
ignição.
Havia um pedaço de papel dobrado no banco. Eu o peguei e fechei a porta antes de lêlo.
Duas palavras estavam escritas com sua letra elegante.
FIQUE SEGURA .
O som do motor ligandome assustou. Eu rí comigo mesma.
Quando eu cheguei em casa, a maçaneta da porta estava trancada, o ferrolho estava
aberto, exatamente como eu havia deixado essa manhã.
Já dentro, eu fui direto para a lavanderia. Também parecia exatamente igual a como eu
havia deixado de manhã. Eu procurei minha calça e, depois de encontrá-la, procurei nos
bolsos. Vazios. Talvez eu tenha levado minhas chaves lá pra cima no fim das contas, eu
pensei, balançando a cabeça.
Seguindo o mesmo instinto que me levou a mentir pra Mike, eu liguei pra Jéssica com o
pretexto de desejá-la sorte no baile. Quando ela me ofereceu os mesmos desejos na
minha tarde com Edward, eu contei que havíamos cancelado. Ela estava mais
desapontada do que o necessário para uma pessoa que ia ficar olhando a festa sem se
divertir. Eu me despedí rapidamente depois disso.
Charlie estava com a mente ausente durante o jantar, preocupado com alguma coisa do
trabalho, eu achava, ou com o jogo de Basquete, ou talvez ele simplesmente tivesse
gostado mesmo da lasanha-com Charlie era difícil advinha.
"Sabe, pai...", eu quebrei sua ausência
"O que foi, Bella?"
"Eu acho que você está certo sobre Seattle. Eu acho que vou esperar até que Jéssica ou
outra pessoa possa vir comigo".
"Oh", ele disse surpreso. "Oh, tudo bem. Então, você quer que eu fique em casa?"
"Não,pai, não mude seus planos. Eu tenho um milhão de coisas pra fazer... dever de
casa, lavar a roupa... Eu preciso ir á biblioteca e ao supermercado. Eu vou ficar fora o
dia todo... vá e se divirta."
"Você tem certeza?"
"Absoluta, pai. Além do mais, o estoque de peixe está ficando perigosamente baixo-nós
só temos um estoque para dois ou três anos".
"Com certeza é fácil conviver com você, Bella". Ele sorriu.
"Eu acho que posso dizer o mesmo de você", eu disse sorrindo. Minha risada estava sem
som, mas ele não pareceu reparar.
Eu estava me sentindo tão culpada por estar mentindo pra ele que eu quase seguí o
conselho de Edward e contei onde estaria. Quase.
Depois do jantar, eu dobrei as roupas e levei outra pilha para a secadora. Infelizmente,
esse é o tipo de trabalho que só ocupa as mãos. Minha mente estava definitivamente
tendo tempo demais, e eu já estava ficando fora de controle. Eu flutuei entre uma espera
tão intensa que quase chegava a ser dolorosa, e o medo inscidioso que envolvia a minha
escolha. Eu tive que continuar me lembrendo que eu já havia feito minha escolha, e não
ia voltar atrás. Eu tirei seu bilhete do bolso tantas vezes quanto foram necessárias para
absorver as duas palavras que ele havia escrevido. Ele me queria a salvo, eu disse pra
mim mesma de novo e de novo. Eu só tinha que me segurar á fé de que, no final, esse
desejo estaria acima dos outros.
E qual era a minha outra opção-tirá-lo da minha vida? Intolerável.
Além do mais, desde que eu cheguei á Forks, parecia que minha vida era sobre ele.
Mas uma vozinha no fundo da minha mente estava preocupada se doeria muito ...se
acabasse mal.
Eu fiquei aliviada quando chegou um horário aceitável pra eu ir dormir. Eu sabia que
estava estressada demais pra dormir, então eu fiz algo que nunca fiz antes. Eu
deliberadamente tomei remédio pra gripe desnecessariamente-o tipo que me tirava do
ar por oito horas.
Eu normalmente não toleraria esse tipo de comportamento de mim mesma, mas eu sabia
que amanhã já seria uma dia complicado sem que eu estivesse voadora por falta de
sono. Enquanto eu esperava que os remédios fizessem efeito, eu sequei meu cabelo até
que ele estivesse impecavelmente liso, e procurei pelo que eu vestiria amanhã. Com
tudo preparado para a manhã, eu deitei na minha cama. Eu sentia hiperativa; eu não
parar de me contrair. Eu me levantei e fucei na minha caixa de sapatos até encontrar
uma coleção de CD's com os noturnos de Chopin. Eu o coloquei baixinho e me deitei de
novo, concentrando em relaxar as partes do meu corpo individualmente.
Em algum lugar no meio desses exercícios, os remédios fizeram efeito, e eu
alegremente fui ficando inconsciente.
Eu acordei cedo, tendo dormido sonoramente e sem sonhos graças ao meu uso
desnecessário de remédios.
Apesar de estar bem descansada, eu entrei no mesmo frenesí apressado da noite
passada. Eu me vestí com pressa, ajeitando a gola da blusa no meu pescoço, passando
os dedos no sweater até que ele ficou bem acima da minha calça. Eu dei uma rápida
olhada pela janela pra ver que Charlie já tinha ido embora. Uma fina camada de nuvens
macias passeava pelo céu. Não parecia que elas iam durar por muito tempo.
Eu comí o café da manhã sem sentir o gosto da comida, me apressando pra limpar tudo
quando eu acabei. Eu olhei pela janela de novo, mas nada havia mudado. Eu tinha
acabado de escovar os dentes e estava descendo as escadas quando uma batida baixinah
na porta fez meu coração bater com mais nas minhas costelas.
Eu voei para a porta; eu tive uns probleminhas com o ferrolho, mas eu finalmente abrí a
porta, e lá estava ele. A agitação se dissolveu assim que eu olhei para o rosto dele, se
transformando em calma. Eu dei um suspiro de alívio-os medos de ontem pareciam
muito bobos com ele aqui.
Primeiro ele não estava sorrindo-seu rosto estava sombrio. Mas então sua expressão se
suavisou quando ele olhou pra mim, e então ele riu.
"Bom dia", ele deu uma gargalhada.
"Qual é o problema?" Eu olhei pra baixo pra ter certeza que não tinha esquecido nada
importante como os sapatos, ou as calças.
"Estamos combinando", ele riu de novo. Eu percebí que ele estava usando um sweater
da cor do meu, com uma camisa de gola por baixo, e jeans azuis. Eu rí com ele,
escondendo uma pontinha de arrependimento-porque ele tinha que parecer um modelo
de passarela quando eu não podia?
Eu tranquei a porta atrás de mim enquanto ele andava para a caminhonete. Ele esperou
ao lado da porta do passageiro, com uma expressão martirisada que era fácil de
compreender.
"Nós temos um acordo", eu lembrei presumidamente, sentando no banco do motorista e
me inclinando no banco para abrir a porta pra ele.
"Pra onde?" eu perguntei.
"Ponha o seu cinto de segurança-eu já estou nervoso".
Eu dei uma olhada feia enquanto repetia.
"Pra onde?", eu repetí com um suspiro.
"Pegue a estrada um-zero-um para o norte", ele comandou.
Era surpreendentemente difícil me concentrar na estrada com os olhos dele no meu
rosto. Eu compensei dirigindo ainda mais cuidadosamente pela cidade ainda
adormecida.
"Você estava planejando voltar á Forks antes do anoitecer?"
"Esta velha caminhonete é velha o suficiente pra ser a avó do seu carro-tenha algum
respeito". Eu rebatí.
Em pouco tempo estávamos fora dos limites da cidade-apesar da negatividade dele.
Grossos arbustos e árvores com os troncos cobertos de verde substituiam os gramados e
as casas.
"Vire á direita na um-dez", ele instruiu bem quando eu estava prestes a perguntar. Eu
obedecí silenciosamente.
"Agora nós vamos até onde o asfalto termina."
Eu podia ouvir um sorriso na voz dele, mas eu estava com medo de sair da estrada e
provar que ele estar certo.
"E onde é que dá, quando o asfalto acaba?" Eu imaginei.
"Numa trilha".
"Nós vamos fazer uma caminhada?", graças á Deus que eu estava usando tênis.
"Isso é um problema?", parecia que ele esperava que fosse.
"Não", eu tentei fazer a mentira soar confiante. Mas se ele pensava que minha
caminhonete era lenta...
"Não se preocupe. São só uns cinco quilometros, e nós não estamos com pressa".
Cinco quilômetros. Eu não respondí para que ele não ouvísse o pânico na minha voz.
Cinco quilometros de raízes traiçoeiras e pedras soltas, tentando torcer meu tornozelo
ou me incapacitar de alguma forma. Isso ia ser humilhante.
Nós dirigimos em silêncio enquanto eu contemplava o horror que se aproximava.
"O que você está pensando?", ele perguntou impacientemente depois de alguns minutos.
Eu mentí de novo. "Só imaginando pra onde estamos indo".
"É um lugar pra onde eu gosto de ir quando o clima está bom". Nós dois olhamos para
as nuvens que estavam afinando depois que ele falou.
"Charlie disse que hoje estaria morno"
"E você contou ao Charlie o que ia fazer?", ele perguntou
"Não".
"Mas Jéssica acha que vamos pra Seattle juntos?", ele pareceu animado com a idéia.
"Não, eu disse pra ela que havíamos cancelado-o que é verdade".
"Ninguém sabe que você está comigo?",agora com raiva.
"Isso depende... eu acredito que você tenha contado pra Alice".
"Isso ajuda muito, Bella". Ele disparou.
Eu fingí não ouvir isso.
"Forks te deixa tão deprimida que agora você virou suicída?" ele perguntou quando eu
ignorei ele.
"Você disse que podia te causar problemas...nós sendo vistos juntos publicamente". Eu
lembrei ele.
"Então você está preocupada com o que pode acontecercomigo-se você não voltar pra
casa?" Sua voz ainda estava enraivecida, mas um pouco sarcástica.
Eu afirmei com a cabeça, mantendo meus olhos na estrada.
Ele murmurou alguma coisa tão baixa e tão rápido que eu não conseguí entender.
Ficamos em silêncio pelo resto do caminho. Eu podia sentir as ondas furiosas de
desaprovação que vinham dele, e não conseguia pensar em nada pra dizer.
E então a estrada acabou, sendo seguida por uma fina trilha , marcada por um pedaço de
madeira. Eu parei no acostamento e desci do carro, preocupada porque ele estava com
raiva de mim e eu não tinha mais a estrada como desculpa pra não olhar pra ele. Estava
mais quente agora, mais quente do que já esteve em Forks desde o dia que eu cheguei
lá, quase mormacento embaixo das nuvens. Eu tirei meu sweater e amarrei na cintura,
feliz por ter usado uma camisa leve, sem mangas-especialmente já que eu tinha cinco
quilometros de caminhada á minha frente.
Eu ouví sua porta bater também, e virei pra ver que ele também tinha tirado o sweater.
Ele estava olhando pra longe de mim, para a floresta que estava ao lado da minha
caminhonete.
"Por aqui", ele disse, olhando pra mim por cima do ombro, os olhos perturbados.
Ele começou a entrar na floresta escura.
"A trilha?", o pânico começou a tomar conta da minha voz enquanto eu dava a volta na
minha caminhonete correndo para acompanhá-lo.
"Eu disse que havia uma trilha no fim do caminho, não que íamos usá-la".
"Sem trilha?" eu perguntei desesperadamente.
"Você não vai se perder". Nessa hora ele se virou pra mim, com um sorriso de zombaria
e eu tentei prender um suspiro.
A camisa branca dele era sem mangas, e ele estava usando desabotoada, então a suave
pele branca do seu pescoço seguia ininterruptamente até os contornos do seu peito, sua
musculatura perfeita não estava mais meramente escondida por roupas.
Ele era perfeito demais, eu me dei conta com uma penetrante sensação de desespero.
Não tinha jeito dessa criatura divina ter sido feita pra ficar comigo.
Ele olhou pra mim, desconcertado com minha expressão de tortura.
"Você que voltar pra casa?" ele perguntou baixinho, uma dor diferente da minha
saturando a voz dele.
"Não" eu caminhei até ficar ao lado dele, ansiosa pra não desperdiçar nem um segundo
do tempo que tinha com ele.
"Qual é o problema?" ele perguntou, sua voz gentil.
"Eu não sou muito boa em caminhadas", eu disse estupidamente. "Você vai ter que ser
paciente".
"Eu posso ser paciente-se eu fizer um grande esforço". Ele sorriu, prendendo o meu
olhar, tentando me tirar do meu abatimento inexplicado, repentino.
Eu tentei sorrir de volta, mas o sorriso não foi convincente. Ele analisou me rosto.
"Eu vou te levar pra casa", ele prometeu. Eu não sabia se a promessa era incondicional,
ou restrita a uma partida imediata. Eu sabia que ele pensava que era o medo que estava
me aborrecendo, e eu estava agradecida de novo por ser a única pessoa cuja mente ele
não podia ouvir.
"Se você quer que eu ande cinco quilômetros dentro da floresta antes que o sol se
ponha, é melhor você começar a mostrar o caminho", eu disse acidamente. Ele fez uma
careta pra mim, lutando pra entender meu tom e minha expressão.
Depois de um momento ele desistiu e me guiou para a floresta.
Era tão ruim quanto eu temía. O caminho era quase todo plano e ele segurou as
samambaias e trepadeiras pra que eu passasse. Quando o caminho ficou fechado por
causa de árvores caídas e pedregulhos, ele me ajudou, me levantando pelo cotovelo, e
depois me colocando no chão instantaneamente quando o caminho estava limpo. O
toque da pele dele não parava de fazer meu coração bater alucinadamente. Duas vezes,
quando isso aconteceu, eu olhei para o rosto dele e me dei conta que ele estava ouvindo,
de alguma forma.
Eu tentei manter os meus olhos da sua perfeição o máximo que pude, mas eu falhava
com frequencia. Todas as vezes, a beleza dele me afundava na depressão.
Na maior parte do caminho, nós caminhamos em silêncio. Ocasionalmente, ele me
perguntava algo do cotidiano que ele havia deixado passar durante os dois dias de
questionário. Ele me perguntou sobre os meus aniversários, minha notas, meus animais
de estimação na infância-e eu admití que depois de ter matado três peixinhos, eu tive
que desistir da empreitada.
Ele sorriu com isso, mais alto do que o normal-como o dobrar de sinos dentro da
floresta vazia.
A caminhada me tomou boa parte da manhã, mas ele não mostrou nenhum sinal de
impaciência. A floresta se arrastava ao nosso redor como um labirinto de árvores ansiãs,
e eu comecei a ficar com medo que ele nunca mais encontrasse o caminho de volta. Ele
estava perfeitamente calmo, confortável no labirinto verde, parecendo nunca ter dúvidas
em relação á direção.
Depois de algumas horas, a luz que passava pela copa das árvores se transformou, o tom
azeitona se tornou uma cor brilhante de Jade. O dia tinha se tornado ensolarado,
exatamente como ele havia dito.
Pela primeira vez desde que entramos na floresta, eu comecei a sentir uma excitação-
que logo se transformou em impaciencia.
"Já chegamos?", eu perguntei, fingindo fazer uma carranca.
"Quase", ele sorriu pelo mudança no meu humor. "Você vê a claridade alí na frente?"
Eu tentei enxergar dentro da vasta floresta. "Umm, eu devia?"
Ele brincou. "Talvez seja cedo demais pra os seus olhos".
"Hora de visitar o oculista", eu murmurei. O sorriso dele cresceu ainda mais.
Mas então, alguns metros mais á frente, eu definitivamente podia ver uma luminosidade
atrás das árvores, um brilho que era amarelo e não verde. Eu apertei o passo, minha
ansiosidade crescendo a cada passo. Ele me deixou guiar agora, seguindo
silenciosamente.
Eu alcancei a borda da piscina de luz e entrei pelas últimas samambaias no lugar mais
adorável que já tinha visto. A clareira era pequena, perfeitamente redonda, e cheia de
flores selvagens-violetas, amarelas e de um branco macio. Em algum lugar próximo, eu
podia ouvir o som borbulhante de um rio. O sol estava bem áfrente, enchendo o círculo
com uma incandescente luz amarela. Eu caminhei lentamente, abobalhada, através da
grama macia, das flores e do ar morno, convidativo. Eu dei uma meia volta, esperando
compartilhar isso com ele, mas ele não estava atrás de mim onde eu achava que ele
estaria.
Eu me virei, procurando por ele, alarmada de repente. Finalmente eu encontrei ele,
ainda embaixo da densa sombra das copas na borda da clareira, me observando com
olhos cuidadosos. Só então eu me lembrei do que tinha me levado alí e que a beleza do
lugar havia me feito esquecer-o enigma de Edward e o sol, que ele havia prometido
decifrar pra mim hoje.
Eu dei um passo na direção dele, meus olhos estavam curiosos. Seus olhos estavam
confusos, relutantes. Eu sorrí encorajando e o convidei com a mão, dando outro passo
na sua direção. Ele levantou uma mão como num aviso, eu hesitei, dando um passo pra
trás nos tornozelos.
Edward pareceu respirar fundo, e então deu um passo dentro da luz brilhante do sol da
tarde.
13. Confissões
Edward na luz do sol era chocante. eu não conseguia me acostumar com isso, mesmo
tendo passado a tarde inteira olhando pra ele. A pele dele, a despeito de uma leve
ruborescência pela caçada de ontem, estava literalmente brilhando, como se milhões de
pequenos diamantes estivessem cravados em sua superfície. Ele ficou completemente
rígido na grama, sua camisa aberta deixava seu peito esculpido, incandescente aparecer,
seus braços incandescentes estavam nús. Suas pálpebras brilhantes e pálidas da cor de
lavanda estavam fechadas, apesar dele não estar dormindo. A estátua perfeita, talhada
em alguma pedra desconhecida, suave como o mármore, e brilhante como o cristal.
De vez em quando, seus lábios se moviam tão rápido que pareciam que estavam
tremendo. Mas quando eu perguntei, ele disse que estava cantando pra si mesmo; era
baixo demais pra que eu ouvisse.
Eu aproveitei o sol, também, apesar do ar não estar seco op suficiente para o meu gosto.
Eu teria gostado de me deitar, como ele, e deixar o sol esquentar meu rosto. Mas eu
fiquei enrolada, com o queixo nos meus joelhos, sem querer tirar os olhos dele. O vento
estava calmo; ele assoprou meu rosto e balançou a grama embaixo da sua forma imóvel.
A clareira, tão espetacular pra mim antes, agora era feia em comparação com ele.
Hesitantemente, sempre com medo,mesmo agora, que ele desaparecesse como uma
miragem, bonito demais pra ser real... hesitantemente, eu levantei um dedo e alisei as
costas da sua mão brilhante, até onde deu pra alcançar. De novo, eu fiquei maravilhada
com a textura perfeita, macia como seda, fria como pedra. Quando eu olhei pra cima,
seus olhos estavam abertos, me observando. Seus olhos estava da cor de whisky hoje,
mais claros, mais amenos depois da caçada de ontem. Seu rápido sorriso curvou os
cantos dos seus lábios perfeitos.
"Eu não te assusto?", ele perguntou de brincadeira, mas eu ouvia a curiosidade por trás
da sua voz suave.
"Não mais que o normal".
Seu sorriso cresceu; seus dentes brilharam ao sol.
Eu cheguei mais perto, abrindo minha mão pra tocar os contornos do seu braço com as
pontas dos meus dedos. Eu ví que meus dedos tremeram, e eu sabia que ele não deixaria
de notar.
"Você se incomoda?", eu perguntei já que ele havia fechado os olhos de novo.
"Não", ele disse sem abrir os olhos. "Você não pode imaginar o que isso me faz sentir",
ele suspirou.
Eu passei minha mão suavemente no seu braço, trilhando os contornos dos musculos
perfeitos, segui a leve linha das veias em baixo do seu cotovelo. Com minha outra mão,
eu virei a mão dele. Se dar conta do que eu queria, ele levantou sua mão em um
daqueles movimentos rápidos e desconcertantes dele. Isso me assustou, meus dedos
congelaram no braço dele por um breve segundo.
"Me desculpe", ele murmurou. Eu olhei pra cima pra ver seus olhos claros se fechando
de novo. "É fácil demais ser eu mesmo quando eu estou com você".
Eu levantei a mão dele, virando ela pra cima e pra baixo enquanto eu observava o brilho
do sol cintilar na sua palma. Eu segurei ela mais próxima do meu rosto, tentando ver os
detalhes escondidos da pele dele.
"Me diga o que você está pensando", ele sussurou. Eu olhei pra cima pra ver seus olhos
me observando, repentinamente atentos. "Ainda é estranho pra mim, não saber".
"Sabe, o resto de nós se sente assim o tempo inteiro".
"É uma vida injusta". Será que eu imaginei a pontada de arrependimento na voz dele?
"Mas você ainda não me disse".
"Eu estava desejando saber o que você estava pensando..." eu hesitei.
"E...?"
"Eu estava desejando poder acreditar que você é real. E eu estava desejando não ter
medo".
"Eu não quero que você sinta medo", a voz dele era um leve murmúrio. Eu ouví o que
ele queria ter dito na verdade, que eu não precisava ter medo, que não havia nada a
temer.
"Bem, não é exatamente desse medo que eu estou falando, apesar de que isso realmente
é algo em que eu devia estar pensando".
Tão rápido que eu perdí o movimento, ele estava meio sentado, apoiado no braço
direito, sua palma esquerda ainda na minha mão.
Seu rosto angelical estava a apenas alguns centímetros do meu. Eu devo ter -posso ter me
afastado algns centímetros, assustada com a súbita aproximação, mas eu não
consegui me mexer. Seus olhos dourados me hipnotizaram.
"Do que você está com medo, então?", ele sussurou atentamente.
Mas eu não consegui responder. Como eu já tinha feito antes, eu senti a sua respiração
gelada no meu rosto. Doce, delicioso, o cheiro fez a minha boca encher de água. Não
havia nada parecido. Instintivamente, sem pensar, eu me inclinei pra frente para inalar o
cheiro.
E ele desapareceu, sua mão sumiu da minha. Quando os meus olhos fianlmente ficaram
focados, eu percebi que ele estava a uns três metros de distância, de pé na beira da
clareira, na sombra de uma enorme árvore. Ele me encarou, seus olhos escuros nas
sombras, sua expressão ilegível.
Eu podia sentir a dor e o choque no meu rosto. Minhas mãos vazias tremeram.
"Me...desculpe...Edward", eu sussurei. Eu sabia que ele podia ouvir.
"Me dê um momento", ele respondeu, alto o suficiente apenas para eu ouvir. Eu sentei
muito rígida.
Depois de dez segundos incrivelmente longos, ele voltou, devagar demais pra ele. Ele
parou ainda a vários passos de distância e se sentou graciosamente no chão, cruzando as
pernas. Seus olhos não se desgrudavam dos meus. Ele respirou fundo duas vezes, e
então sorriu se desculpando.
"Eu sinto muito", ele hesitou. "Você entenderia se eu dissesse que sou apenas humano?"
Eu afirmei com a cabeça uma vez, sem conseguir rir da piada dele. A adrenalida pulsou
nas minhas veias quando eu me dei conta do verdadeiro perigo. Ele conseguia sentir
isso não importava onde ele se sentasse. Seu sorriso se tornou zombeteiro.
"Eu sou o melhor predador do mundo, não sou? Tudo em mim é convidativo pra você-
minha voz, meu rosto e até meu cheiro. Como se eu precisasse disso!" Inesperadamente,
ele estava de pé, andando pra longe, instantemente fora de vista, só pra depois aparecer
atrás daquela mesma árvore de antes; ele circulou a clareira em meio segundo.
"Como se você pudesse fugir de mim". Ele sorriu amargamente.
Ele levantou uma mão e, com um crack alto, ele arrancou uma árvore de dois metros de
altura com raiz e tudo, sem esforço. Ele segurou ela com uma mão por um momento, e
então jogou ela pra longe com uma rapidez impressionante, fazendo com que ela se
chocasse contra outra árvore enorme, ela caiu no chão com um barulho incrível fazendo
o chão tremer.
E ele estava na minha frente de novo, á dois passos de distância, ainda como uma pedra.
"Como se você pudesse me vencer", ele disse gentilmente.
Eu me sentei imóvel, com mais medo dele do que eu jamais sentí. Eu nunca tinha visto
ele fora daquela fachada cuidadosamente cultivada. Ele nunca esteve menos humano...
ou mais bonito. Com o rosto pálido, olhos arregalados, eu estava sentada como um
pássaro preso pelos olhos da cobra.
Seus olhos adoráveis pareciam brilhar com a excitação. Então, quando os segundos
passaram, eles foram escurecendo. Sua expressão lentamente foi se transformando numa
máscara de tristeza.
"Não tenha medo", ele murmurou, sua voz sedosa era muito atraente mesmo sem essa
intenção. "Eu prometo..." ele hesitou. "Eu juro que não vou te machucar". Ele parecia
estar mais preocupado em se convencer disso do que a mim.
"Não tenha medo", ele sussurou de novo, enquanto dava um passo á frente, com uma
lentidão exagerada. Ele se sentou sinuosamente, com movimentos deliberadamente
lentos, até que os nossos rostos estavam na mesma altura, a apenas uns centímetros de
distância.
"Por favor me perdoe", ele disse formalmente. "Eu posso me controlar. Você me pegou
de surpresa. Mas eu estou com o meu melhor comportamento agora".
Ele esperou, mas eu não conseguia falar.
"Eu não estou com sede hoje, honestamente", ele piscou pra mim.
Com essa eu tive que rir, apesar do som estar tremendo e sem fôlego.
"Você está bem?", ele perguntou delicadamente, levantando a mão lentamente,
cuidadosamnete, pra colocá-la de volta na minha.
Eu olhei para a sua mão suave, fria, e então para seus olhos.
Eles estavam suaves, arrependidos. Eu olhei de volta para as suas mãos, e então
deliberadamente recomecei a tatear a sua mão com as pontas dos meus dedos. Eu olhei
pra cima e sorrí timidamente.
O sorriso dele era deslumbrante.
"Então onde é que nós estavamos, antes de eu me comportar tão rudemente?", ele
perguntou com as tendências gentís do início do século.
"Eu honestamente não me lembro"
Ele sorriu mas o seu rosto estava envergonhado. "Nós estávamos falando sobre porque
você estava com medo, sem contar as razões óbvias".
"Ah certo".
"Então?"
Eu olhei para as mãos dele e tateei á toa na sua palme macia. Os segundos passaram.
"Como eu fico frustrado facilmente", ele suspirou. Eu olhei para os olhos dele,me dando
conta abruptamente que isso era tão novo pra ele quanto era pra ele. Assim como muito
anos de experiências insondáveis que ele teve, isso era difícil pra ele também. Eu me
encorajei com esse pensamento.
"Eu estava com medo...porque, bem, por razões óbvias, eu não posso ficar com você. E
eu tenho medo de querer ficar com você, mais até do que eu devia". Eu olhei pra baixo
para as mãos dele enquanto falava. Era difícil pra mim dizer isso em voz alta.
"Sim", ele concordou lentamente. "Isso é algo pra se temer, realmente. Querer ficar
comigo. Esse realmente não é o seu melhor interesse".
Eu fiz uma careta.
"Eu já devia ter ido embora a muito tempo", ele suspirou. "Eu devia ir embora agora.
Mas eu não sei se consigo".
"Eu não quero que você vá embora", eu murmurei pacientemente, olhando pra baixo de
novo.
"E é exatamente por isso que eu devia ir. Mas não se preocupe. Eu sou uma pessoa
essencialmente egoísta. Eu necessito demais da sua companhia para fazer o que eu
devia".
"Eu fico alegre"
"Não fique!". Ele retirou a sua mão, mais gentilmente dessa vez; sua voz estava mais
grossa que de costume, ainda mais bonita do que qualquer voz humana. Era difícil
acompanhar-as mudanças subitas do seu humor sempre me deixavam pra trás, confusa.
"Não é apenas da sua companhia que eu necessito! Nunca se esqueça disso. Nunca se
esqueça de que eu sou muito mais perigoso pra você do que pra qualquer outra pessoa".
Ele parou e eu olhei pra ele pra ver que ele estava olhando a floresta sem ver nada.
Eu pensei por um momento.
"Eu acho que não entendo o que você quis dizer-sobre a última parte", eu disse.
Ele olhou pra mim e sorriu, seu humor mudando de novo.
"Como eu vou explicar?", ele zombou. "E sem assustar você...Hummm".
Sem parecer pensar em nada, ele colocou sua mão de volta na minha; eu apertei a mão
dele com as minhas duas. Ele olhou para as nossas mãos.
"Isso é incrivelmente prazeroso. O calor", ele suspirou.
Um momento se passou enquanto ele assemelhava seus pensamentos.
"Você sabe como as pessoas gostam de diferentes sabores?", ele começou. "Como
alguns gostam de sorvete de chocolate, outros preferem morango?"
Eu afirmei com a cabeça.
"Me desculpe pela analogia á comida-eu não conseguia pensar em outra forma de
explicar".
Eu sorri. Ele sorriu de volta sem graça.
"Entenda, cada pessoa cheira diferente, tem uma essencia diferente. Se você colocasse
uma pessoa alcólotra numa sala cheia de cerveja, ela beberia feliz. Mas ela poderia
resistir, se ela quisesse, se ela fosse uma alcólica em reabilitação. Agora digamos que
voc~e coloca nessa sala uma garrafa de brandy de cem anos, o conhaque mais raro,
mais fino-que enche a sala com o seu aroma-como voc~e acha que ela reagiria?"
Nós sentamos em silêncio, olhando para os olhos um do outro -tentando ler os
pensamentos um do outro.
Ele quebrou o silêncio primeiro.
"Talvez essa não seja a comparação certa. Talvez fosse fácil demais recusar o brandy.
Talvez o nosso alcólico devesse ser um viciado em heroína".
"Então, o que você está dizendo é que eu sou a sua injeção de heroína?", eu brinquei,
tentando melhorar o clima.
Ele sorriu brevemente, parecendo apreciar meu esforço. "Você é exatamente minha
injeção de heroína".
"Isso acontece sempre?" eu perguntei.
Ele olhou para o topo das árvores enquanto pensava na resposta.
"Eu falei com os meus irmãos sobre isso". Ele ainda olhava pra longe. "Pra Jasper,
todos vocês são praticamente iguais. Ele foi o que se juntou á família mais
recentemente. A abstinência já é difícil pra ele por si só. Ele ainda não teve tempo pra
desenvolver o olfato, as diferenças do cheiro, no sabor". Ele olhou rapidamente pra
mim, se desculpando.
"Desculpe", ele disse.
"Eu não me importo. Por favor, não tenha medo de me ofender, ou me assustar, ou o
que quer que seja. É aasim que você pensa. Eu posso entender, ou pelo menos tentar.
Me explique como puder."
Ele respirou fundo e olhou para o céu de novo.
"Então Jasper não tinha certeza se já tinha cruzado com alguém tão"ele
hesitou procurando pela palavra certa -"atraente como você é pra mim". O que me
faz acreditar que não. Emmett já está nessa a mais tempo, por assim dizer, e ele
entendeu o que eu quis dizer. Ele disse que já aconteceu com ele duas vezes, para ele,
uma vez foi mais difícil que a outra".
"E com você?"
"Nunca".
A palavra ficou pendurada durante um momento na brisa morna.
"O que Emmett fez?" eu perguntei pra quebrar o silêncio.
Foi a coisa errada pra perguntar. Seu rosto obscureceu, a mão dele se apertou no punho
dentro da minha. Ele desviou o olhar. Eu esperei, mas ele não ia responder.
"Eu acho que já sei", eu finalmente disse.
Ele levantou os olhos, sua expressão tristonha, implorativa.
"Até o mais forte de nós comete erros, não é?"
"Você está pedindo o que? Minha permissão?", minha voz estava mais cortante do que
eu pretendia. Eu tentei deixar o meu tom mais suave -eu podia imaginar o que a sua
honestidade estaria custando pra ele. "Eu quero dizer, não existem esperanças, então?"
Como eu podia discutir a minha morte tão calmamente!
"Não, não", ele estava instantaneamente arrependido. "É claro que há esperança! Digo, é
claro que eu não vou..." Ele não terminou a frase.
Seus olhos queimavam nos meus. "É diferente conosco. Emmett... aqueles eram
estranhos que cruzaram o nosso caminho. Foi há muito tempo e ele não tinha tanta...
prática e cuidado que tem hoje".
Ele ficou em silêncio me observando atentamente enquanto eu pensava nisso.
"Então... se tivéssemos nos conhecido num beco escuro ou alguma coisa assim...",
minha voz falhou.
"Eu fiz tudo o que pudia pra não pular em você no meio de uma sala cheia de crianças
e"-ele parou abruptamente, desviando o olhar. "Quando você passou por mim, eu podia
ter arruinado tudo o que Carlisle construiu pra nós, lá mesmo. Se eu não tivesse
renegado a minha sede pelos últimos, bem , muitos anos, eu não teria sido capaz de me
refrear". Ele parou, olhando para as árvores.
Ele olhou pra mim severamente, nós dois lembrando. "Você deve ter pensado que eu
estava possuído".
"Eu não conseguia entender porque. Como você poderiame odiar tão rapidamente..."
"Pra mim, era como se você fosse uma espécie de demônio, reunindo forças do meu
próprio inferno pra me destrir. A fragrância que saia da sua pele... eu pensei que ia me
deixar desarranjado naquele primeiro dia. Naquela uma hora, eu pensei em milhões de
formas de te tirar da sala comigo, pra que ficássemos sozinhos. E eu lutei com esses
pensamentos, pensando na minha família, o que eu podia causar pra eles. Eu tive que
sair correndo, pra sair de perto de você antes de te dizes as palavras que faria você me
seguir..."
Então ele olhou pra cima para a minha expressão vacilante enquanto eu tentava absorver
memórias amargas. Seus olhos dourados me observavam por baixo dos cílios,
hipnoticos e mortais.
"Você teria vindo", ele garantiu.
Eu tentei falar calmamente. "Sem dúvida".
Ele olhou pra baixo para as minhas mãos, me libertando da força do seu olhar. "E então,
enquanto eu tentava refazer o meu horário numa tentativa inútil de te evitar, você estava
lá-naquela sala pequena, quente, o seu cheiro era enlouquecedor. E então eu quase te
ataquei lá. Só havia uma outra frágil humana lá-fácil de lidar
Eu me arrepiei no sol quente, vendo minhas memórias através dos olhos dele, só agora
me dando conta do perigo. Pobre Sra. Cope; eu tremí de novo por saber que por pouco
eu não fui a causa da sua morte.
"Mas eu resisti. Eu não sei como. Eu me forcei a não te esperar, a não seguir você
depois da escola. Foi mais fácil do lado de fora, quando eu não conseguia mais sentir o
seu cheiro, eu consegui pensar claramente, tomar a decisão correta. Eu deixei os outros
perto de casa-eu estava envergonhado demais pra contar pra ele o quanto eu era fraco,
eles só sabiam que algo estava muito errado-eu fui direto até Carlisle, no hospital, pra
dizer pra ele que estava indo embora".
Eu o encarei surpresa.
"Eu troquei de carro com ele -o dele estava com o tanque cheio e eu não queria parar.
Eu não queria ir pra casa, para enfrentar Esme. Ela não me deixaria ir sem fazer uma
cena. Ela teria tentado me convencer de que não era necessário...
"Na manhã seguinte eu já estava no Alaska". Ele parecia envergonhado, como se
estivesse admitindo uma grande covardia. "Eu fiquei lá dois dias, com alguns
conhecidos...mas fiquei com saudades de casa. Eu detestava saber que estava
machucando Esme, e o resto deles, minha família adotiva. No ar puro das montanhas
era difícil de acreditar que você fosse tão irresistível. Eu me convencí de que era um
fraco por ter fugido. Eu lidei com a tentação antes, não nessas proporções, nem perto
disso, mas eu era forte. Quem era você, uma garotinha insignificante" -ele sorriu de
repente-"pra me afastar do lugar onde eu queria estar? Então eu voltei..." Ele parou .
Eu não conseguia falar.
"Eu tomei precauçôes, caçando, comendo mais do que o normal antes que ver você de
novo. Eu tinha certeza de que era forte o suficiente pra ter tratar como qualquer outra
humana. Eu estava sendo arrogante.
"Era inquestionavelmente uma complicação não poder simplesmente ler a sua mente pra
saber o que você pensava de mim. Eu não estava acostumado a ser tão indireto,
escutando as suas palavras pelos pensamentos de Jéssica... a mente dela não é muito
origonal, e era irritante ter que me manter preso áquilo. E depois eu não sabia se você
realmente estava pensando as coisas que estava dizendo. Tudo era extremamente
irritante." Ele fez uma careta pela memória.
"Eu queria que você esquecesse o meu comportamento no primeiro dia, se possível,
então eu tentei falar com você como eu falaria com qualquer pessoa. Eu estava ansioso
na verdade, esperando decifrar os seus pensamentos. Mas você era interessante demais,
eu me ví vidrado nas suas expressões... e de vez em quando você esporeava o ar com o
cabelo ou com as mãos, e o cheiro me pegava de novo...
"É claro, depois você quase foi espremida até a morte diante dos meus olhos. Depois eu
pensei na desculpa perfeita pra ter feito o que eu fiz naquele momento -porque se eu
não tivesse te salvado, seu sangue teria se esparramado bem na minha frente, eu não
acho que teria conseguido evitar e teria exposto a nós todos. Mas eu só pensei nessa
desculpa depois. Naquela hora, tudo o que eu conseguia pensar era 'ela não'".
Ele fechou os olhos, perdido em sua confissão agonizante. Eu escutei, mais ansiosa do
que era racional. Meu senso comum devia me dizer pra ficar assustada. Mas ao invés
disso, eu estava aliviada por finalmente entender. Eu estava cheia de compaixão pelo
seu sofrimento, mesmo agora, enquanto ele confessava que queria tirar minha vida.
Eu finalmente consegui falar, apesar da minha voz estar fraca. "No hospital?"
Seus olhos vieram parar nos meus. "Eu estava intimidado. Eu não conseguia acreditar
que tinha exposto a nós todos daquela forma, me colocado na sua mão-você entre todas
as pessoas. Como se eu precisasse de outro motivo pra te matar". Nós dois enrijessemos
quando a palavra escapuliu. "Mas teve o efeito oposto", ele continuou rapidamente.
"Eu briguei com Rosalie, Emmett, e com Jasper quando eles sugeriram que essa era a
hora... foi a pior briga que já tivemos. Carlisle ficou do meu lado, e Alice". Ele fez uma
cara estranha quando disse o nome dela. Eu não podia imaginar o porquê. "Esme me
disse pra fazer o que eu tivesse que fazer pra ficar". Ele balançou a cabeça
indulgentemente.
"No dia seguinte eu espionei as mentes de todas as pessoas que falavam com você,
chocado por você ter mantido sua palavra. Eu não entendia nem um pouco. Mas eu
sabia que não podia me envolver nem mais um pouco com você. Eu fiz o que pude pra
ficar tão longe de você quanto era possível. E todos os dias o perfume da sua pele, sua
respiração, seu cabelo... tudo era tão apelativo quanto no primeiro dia".
Ele encontrou meus olhos de novo, e ele estava surpreendentemente carinhoso.
"E por tudo isso", ele continuou. "Eu teria feito muito melhor se eu tivesse expostos a
todos nós naquele primeiro momento, do que aqui-sem testemunhas e ninguém pra me
parar-eu ia te machucar."
Eu era humana o suficiente pra ter que perguntar. "Porque?"
"Isabella", ele pronunciou meu nome inteiro cuidadosamente, e então começou a brincar
com o meu cabelo com a mão que estava livre. Como sempre, um choque correu no
meu corpo quando ele me tocou. "Bella, eu não conseguiria viver comigo mesmo se eu
te machucasse. Você não sabe como isso me torturou". Ele olhou pra baixo,
envergonhado de novo. "O pensamento de você, rígida, branca, fria... nunca mais ver
você ficar corada de novo, nunca mais ver esse flash de intuição que passa nos seus
olhos quando você desvenda uma das minhas pretensões... isso seria insuportável". Ele
levantou seus olhos gloriosos, agonizantes para os meus. "Você é a coisa mais
importante pra mim agora. A coisa mais importante que eu já tive".
Minha cabeça estava rodando pela rapidez que a nossa conversa mudou de rumo. Do
alegre tópico do meu falecimento impedido, nós de repente estavamos nos declarando.
Ele esperou, e mesmo estando com a cabeça baixa, olhando para as nossas mãos, que
estavam entre nós, eu sabia que seus olhos dourados estavam em mim. "Você já sabe
como eu me sinto, é claro", eu disse finalmente. "Eu estou aqui... que, traduzindo,
significa que eu preferiria morrer do que ficar longe de você". Eu fiz uma careta. "Eu
sou uma idiota".
"Você é uma idiota", ele concordou sorrindo. Nossos olhos se encontraram e eu sorri
também. Nós sorrimos juntos pela idiotice e impossível felicidade do momento.
"E então o leão se apaixona pelo cordeiro..." ele murmurou. Eu escondí meus olhos pra
não mostrar o quanto eles haviam ficado felizes com a palavra.
"Que cordeiro idiota", eu suspirei.
"Que leão doente e masoquista", Ele olhou para a floresta cheia de sombras e eu fiquei
imaginando onde seus pensamentos haviam o levado.
"Porque...?", eu comecei, e então parei por não saber como continuar.
Ele olhou pra mim sorrindo; o sol cintilava no seu rosto, nos seus dentes.
"Sim?"
"Me diga porque você corria de mim antes".
Seu sorriso desapareceu. "Você sabe porque".
"Não, eu digo, o que exatamente eu fiz de errado? Eu terei que ficar de guarda, sabe, pra
aprender melhor o que eu devo fazer. Isso, por exemplo" -eu alisei as costas da mão
dele -"parece ser normal".
Ele sorriu de novo. "Você não fez nada de errado, Bella. Foi minha culpa."
"Mas eu quero ajudar, se puder, pra não fazer isso ser ainda pior pra você".
"Bem", ele pensou por um momento. "É só que você estava muito perto. A maioria dos
humanos é instintivamente timida perto de nós, são repelidos pela nossa alienação... Eu
não estava esperando que você chegasse tão perto. E o cheiro da sua garganta." Ele
parou de repente, olhando pra ver se tinha me aborrecido.
"Tudo bem, então", eu disse alegremente, tentando aliviar a atmosfera tensa que surgiu.
Eu abaixei o queixo. "Nada de expor a garganta".
Funcionou; ele riu. "Não, de verdade, foi mais a surpresa do que qualquer outra coisa".
Ele ergueu a mão livre e a encostou no meu pescoço. Eu sentei muito rígida, os arrepios
pelo seu toque eram um aviso natural-um aviso natural me dizendo pra sentir medo.
Mas não havia nenhum pouco de medo em mim. Haviam, no entanto, outros
sentimentos...
"Veja", ele disse. "Perfeitamente normal".
Meu sangue estava correndo, eu desejei poder pará-lo, sentindo que isso iria tornar as
coisas tão mais difíceis -o pulsar das minhas veias. Com certeza ele podia ouvir.
"As suas bochechas coradas são adoráveis", ele murmurou. Ele gentilmente livrou a sua
outra mão. Minhas mãos cairam moles no meu colo. Ele alisou suavemente as minhas
bochechas, e então segurou o meu rosto entre suas mãos de mármore.
"Fique bem parada", ele murmurou, como se eu já não estivesse congelada.
Lentamente, sem tirar os olhos dos meus, ele se inclinou na minha direção. Então
abruptamente, mas muito gentilmente, ele descansou a sua bochecha gelada na base da
minha garganta. Eu estava quieta, impossibilitada de me mexer, mesmo quando eu
queria. Eu escutei o som da sua respiração uniforme, olhando o sol e o vento bricarem
com o seu cabelo cor de bronze, mais humano do que qualquer outra parte dele.
Com deliberada lentidão, suas mãos escorregaram pelos lados do meu pescoço. Eu
tremi, e ouvir ele prender a respiração. Mas suas mãos não pararam e continuaram
descendo até os meus ombros, e então pararam.
Seu rosto virou para o lado, seu nariz explorando a minha clavícula. Ele descansou o
seu rosto carinhosamente no meu peito.
Escutando o meu coração.
"Ah". Ele suspirou.
Eu não sei quanto tempo nós ficamos sem nos mexer. Podem ter sido horas.
Eventualmente, o pulsar das minhas veias se aquietou, mas ele não se mexeu ou falou
de novo enquanto me abraçava. Eu sabia que á qualquer momento aquilo podia ser
demais, e minha vida acabaria-tão rapidamente que eu nem ia reparar. E eu não
conseguia me fazer ficar com medo. Eu não conseguia pensar em nada, exceto que ele
estava me tocando.
E então, cedo demais, ele me soltou.
Seus olhos estavam em paz.
"Não vai mais ser tão difícil", ele disse com satisfação.
"Foi muito difícil pra você?"
"Nem de perto foi tão difícil quanto eu imaginava que seria. E você?"
"Não, não foi ruim pra mim".
Ele sorriu com a minha flexão. "Você abe o que eu quero dizer".
Eu sorrí.
"Aqui", ele pegou minha mão e colocou no peito dele. "Você sente como está quente?"
E a sua pele geralmente gelada, estava quase quente. Mas eu mal reparei, porque estava
alisando o seu rosto,algo que eu sonhava em fazer constantemente desde o primeiro dia
que eu o ví.
"Não se mova", eu sussurei.
Ninguém conseguia ficar tão rígido quanto Edward. Ele fechou os olhos e ficou imóvel
como uma pedra, uma rocha embaixo da minha mão.
Eu me moví anda mais lentamente que ele, tomando cuidado pra não fazer movimento
brusco. Eu acariciei sua bochecha, delicadamente alisei suas pálpebras, os círculos
roxos embaixo dos olhos dele. Eu tracei o formato perfeito do seu nariz, e então, muito
cuidadosamente, os seus lábios perfeitos. Seus lábios se abriram embaixo do meu toque,
e eu podia seu hálito frio na minha mão. Eu queria me inclinar, para sentir o cheiro.
Então, eu me inclinei pra longe, sem querer forçá-lo demais.
Ele abriu seus olhos, e eles estavam famintos. Não de uma maneira que me fazia ter
medo, mas sim da maneira que fez os musculos do meu estômago se contrairem e o meu
pulso ficar acelerado de novo.
"Eu queria", ele sussurou. "Eu queria que você sentisse a...complexidade... a confusão...
que eu sinto. Queria que você pudesse entender".
Ele ergueu uma mão para o meu cabelo, e então cuidadosamente espalhou ele ao redor
do meu rosto.
"Me diga", eu suspirei.
"Eu não acho que posso. Eu já te disse, de um lado a fome -a sede-que essa criatura
deplorável que eu sou sente por você. E eu acho que você consegue compreender isso,
de uma certa forma. Apesar de que"-ele deu um meio sorriso -"Como você não é
viciada em nenhuma substancia ilegal, você provavelemente não pode enfatizar
completamente".
"Mas...", seus dedos tocaram levemente os meus lábios, me fazendo tremer de novo.
"Existem outras fomes. Fomes que eu nem sequer entendo, que são estranhas pra mim".
"Eu acho que entendo isso melhor do que você imagina".
"Eu não estou acostumado a me sentir tão humano. É sempre assim?"
"Pra mim?" eu pausei. "Não, nunca. Nunca antes disso".
Ele segurou minhas mãos entre as suas. Elas pareciam tão fracas sob o seu aperto de
aço.
"Eu não sei como ficar perto de você", ele admitiu. "Eu não sei se consigo".
Eu me inclinei bem lentamente, avisando ele com o meu olhar. Eu coloquei minha
bochecha no seu peito de pedra. Eu podia ouvir sua respiração, e nada mais.
"Isso é suficiente", eu suspirei, fechando os olhos.
Num gesto muito humano, ele passou um braço por mim e descançou seu rosto no meu
cabelo.
"Você é melhor nisso do que pensava", eu notei.
"Eu tenho instintos humanos-eles podem estar enterrados bem no fundo, mas estão lá".
Nós sentamos nessa posição por outro momento sem fim; eu imaginei se ele estava tão
sem vontade de se mexer quanto eu. Mas eu podia ver que a luz estava desaparecendo,
as sombras da floresta estavam começando a se aproximar de nós, e eu suspirei.
"Você tem que ir".
"Eu pensei que você não podia ler minha mente"
"Ela já está começando a ficar mais clara", eu podia ouvir o sorriso na voz dele.
Ele segurou meus ombros e eu olhei pra o rosto dele.
"Eu posso te mostrar uma coisa?", ele pediu, uma excitação repentina brilhando nos
olhos dele.
"Me mostrar o que?"
"Como eu ando pela floresta". Ele viu minha expressão. "Não se preocupe, você estará
segura, e chegaremos na sua caminhonete muito mais rápido". Sua boca se contorceu
naquele sorriso torto tão lindo e meu coração quase parou.
"Você vai se transformar num morcego?", eu perguntei brincando.
Ele riu mais alto do que eu jamais tinha ouvido ele sorrir. "Como se eu nunca tivesse
ouvido essa antes".
"Claro, eu tenho certeza que você ouve isso o tempo todo"
"Vamos lá, pequena covarde, suba nas minhas costas".
Eu esperei pra ver se ele estava brincando,mas, aparentemente, ele estava falando sério.
Ele sorriu quando viu minha hesitação, e veio meu pegar. Meu coração reagiu; apesar
dele não poder ouvir ouvir meus pensamentos, minhas pulsações sempre me
denunciavam. Ele então me colocou nas costas dele, com muito pouca resistência da
minha parte, além do mais, quando eu estava no meu lugar, eu agarrei ele com tanta
força com meus braços e pernas que eu teria sufocado uma pessoa normal. Eu senti que
estava agarrando uma pedra.
"Eu sou uma pouco mais pesada do que a sua bagagem normal", eu avisei.
"Hah", ele zombou. Eu quase podia ver seus olhos revirando. Eu nunca ví ele com tão
bons espíritos quanto hoje.
Ele me surpreendeu, segunrando a minha palma contra o rosto dele e cheirando
profundamente.
"Cada vez fica mais fácil", ele murmurei.
E então ele começou a correr.
Se alguma vez eu já tive medo da morte antes na presença dele, isso não era nada
comparado ao que eu sentia agora.
Ele corria na escuridão, entre os arbustos da foresta como uma bala, um fantasma. Não
havia nenhum som,nenhuma evidência de que seus pés estavam realmente tocando o
chão. A respiração dele não mudou, ela não denunciava nenhum esforço. Mas as árvores
passavam mortalmente rápidas por nós, sempre nos perdendo por pouco.
Eu estava assutada demais pra fechar os olhos, apesar do vento da floresta estar
passando rapidamente pelo meu rosto e queimando eles. Eu sentí que estava
estupidamente colocando a minha cabeça pra fora de um avião em pleno vôo. E, pela
primeira vez na minha vida, eu sentí nauseas por causa do movimento.
Então estava acabado. Nós tínhamos caminhado durante horas pela manhã para chegar
até a clareira de Edward, e agora, em questão de minutos, estávamos de volta á
caminhonete.
"Divertido, não é?" A voz dele estava alta, excitada.
Ele permaneceu em pé sem se mexer, esperando que eu descesse. Eu tentei,mas meus
musculos não respondiam.
Meus braços e pernas continuaram trancados ao redor dele enquanto minha cabeça
girava desconfortavelmente.
"Bella?", ele perguntou, ansioso agora.
"Eu acho que preciso me deitar agora", eu gaguejei.
"Oh, desculpe". Ele esperou por mim, mas eu ainda não conseguia me mexer.
"Eu acho que preciso de uma ajudinha", eu admití.
Ele sorriu baixinho e gentilmente soltou o meus braços de seu pescoço. Não havia como
resitir ao poder da sua força de aço.
Então ele me puxou pra encará-lo, me segurando nos braços como uma criança
pequena. Ele me segurou por um momento e então me colocou na grama primaveríl.
"Como você se sente?", ele perguntou.
Eu não tinha muita certeza das coisas quando minha cabeça estava girando. "Tonta, eu
acho".
"Ponha a cabeça entre os seus joelhos".
Eu tentei isso, e ajudou um pouco. Eu respirei devagar, ainda mantendo minha cabeça
bem parada. Eu sentí ele se sentando do meu lado. Os segundos passaram, e finalmente,
eu descobri que podia levantar a cabeça. Haviam um sino tocando nos meus ouvidos.
"Eu acho que essa não foi a melhor idéia", ele zombou.
"Eu tentei ser positiva,mas minha voz estava fraca. "Não, foi interessante".
"Hah! Você está branca feito um fantasma-você está branca que nem eu".
"Eu devia ter fechado os olhos"
"Lembre-se disso na próxima vez"
"Próxima vez!", eu gemí.
Ele riu, seu humor ainda estava radiante.
"Exibido", eu sussurei.
"Abra seus olhos, Bella", ele disse baixinho.
E ele estavá lá, seu rosto bem perto do meu. Sua beleza fascinou minha mente-era
demais, um excesso ao qual eu não conseguia me acostumar.
"Eu estava pensando, enquanto eu estava correndo..." Ele parou.
"Em não bater nas árvores, eu espero".
"Bella boba", ele gargalhou. "Correr é minha segunda natureza, não há nada o que
pensar".
"Exibido", eu sussurei de novo.
Ele sorriu.
"Não", ele continuou. "Eu estava pensando que há algo que eu quero tentar". E então ele
pegou meu rosto nas mãos de novo.
Eu não conseguia respirar.
Ele hesitou-não do jeito normal, do jeito humano.
Não do jeito que o homen hesita quando vai beijar uma mulher, pra ver a reação dela,
pra ver se ele seria recebido. Talvez ele hesitasse pra prolongar o momento, o momento
ideal da antecipação, que as vezes era melhor do que o beijo em si.
Edward hesitou pra se testar, pra ver se isso era seguro, pra ter certeza que ele ainda
poderia se controlar se precisasse.
E então seus lábios gelados, de mármore se pressionaram nos meus.
Nenhum de nós estava preparado para a minha resposta.
O sangue queimou embaixo da minha pele, queimou nos meus lábios.
Minha respiração saiu num suspiro selvagem.
Meus dedos se fecharam nos cabelos dele, apertando ele contra mim. Meus lábios se
abriram enquanto eu respirava o su cheiro forte.
Imediatamente eu senti ele se tornar uma pedra sem resposta sob meus lábios. Suas
mãos gentís, mas com uma força iresistível, afastaram meu rosto. Eu abri meus olhos e
vi a sua expressão cuidadosa.
"Ooops", eu respirei.
"Isso é uma declaração"
Seus olhos estavam selvagens, sua mandíbula estava fechada com uma força aguda, mas
nem isso modificou suas feições perfeitas. Ele segurou meu rosto a apenas alguns
centímetros do seu. Ele me fascinou com seus olhos.
"Será que eu posso...?", eu tentei me soltar, pra dar um pouco de espaço pra ele.
As mãos dele não permitiram que eu me movesse nem um centímetro.
"Não. Isso é intolerável. Espere um momento,por favor". Sua voz estava educada,
controlada.
Eu mantive meus olhos nos seus, observei enquanto a excitação neles se esvaia e eles
ficavam gentís.
Então ele deu um sorriso surpreendentemente travesso.
"Pronto", ele disse, obviamente satisfeito consigo mesmo.
"Tolerável?", eu perguntei.
Ele riu alto. "Eu sou mais forte do que pensava. É bom saber".
"Eu queria poder dizer o mesmo. Me desculpe".
"Você é apenas humana, no final das contas".
"Muito obrigada", eu disse.
Com um dos seus movimentos leves, quase invisíveis, ele ficou de pé. Ele segurou sua
mão pra mim, um gesto inesperado.
Eu estava muito acostumada ao tratamento cuidadoso do não-toque. Eu segurei sua mão
gelada, precisando mais de apoio do que eu esperava.
Meu equilíbrio ainda não havia voltado.
"Você ainda está tonta pela corrida? Ou foi minha habilidade com beijos?" Como ele
pareceu frívolo, humano quando riu agora. Seua rosto angelical estava sem
preocupações. Era um Edward diferente do que eu conhecia. E eu me sentia muito mais
atraída a ele. Me separar dele agora teria me causado dor física.
"Eu não tenho certeza, eu ainda estou lerda", eu conseguí responder.
"Porém, eu acho que é um pouco dos dois".
"Talvez você devesse me deixar dirigir".
"Você está louco?, eu protestei.
"Eu dirijo melhor do que você nos seus melhores dias", ele zombou. "Você tem reflexos
muito mais lentos".
"Eu tenho certeza de que é verdade, mas eu não acho que os meus nervos, ou a minha
caminhonete, aguentariam"
"Um pouco de confiança, Bella, por favor".
Minha mão estava no meu bolso, apertando a minha chave com toda força. Eu curvei
meus lábios, meditei e falei com um sorriso apertado.
"Não. Sem chance"
Ele ergueu as sobrancelhas sem acreditar.
Eu comecei a passar por ele, indo para o banco do motorista. Ele poderia ter me deixado
passar se eu não tivesse tropeçado de leve. Mas também, ele poderianão ter deixado.
Seus braços criaram uma prisão inscapável ao redor da minha cintura.
"Bella, eu já gastei um bocado de esforço até esse ponto, pra manter você viva. Eu não
vou deixar você ficar atrás de um volante quando você não consegue nem caminhar
direito. Além do mais, amigos não deixam amigos dirigir quando estão bebados". Ele
citou com uma gargalhada.
Eu podia sentir a doçura do perfume que exalava do peito dele.
"Bêbada?", eu perguntei.
"Você está intoxicada com a minha presença". Ele estava dando aquele sorriso
zombeteiro de novo.
"Eu não posso discutir com isso", eu suspirei. Não havia volta; eu não conseguia resistir
a ele de forma nenhuma. Eu segurei a chave e soltei, vendo sua mão se mover como um
trovão e pegá-la no ar silenciosamente. "Pegue leve-minha caminhonete é uma cidadã
idosa".
"Muito sensível", ele aprovou.
"E você não está nem um pouco afetado", eu perguntei, aborrecida.
"Pela minha presença?"
De novo as suas feições se transformaram, sua expressão ficou suave, aconchegante. Ela
não respondeu de primeira; ele simplesmente aproximou seu rosto do meu e passou os
lábios lentamente pela minha mandíbula, da minha orelha até o queixo, pra frente e pra
trás. Eu tremí.
"Sem dúvida", ele finalmente disse. "Eu tenho reflexos melhores".
14. Aconteça o que acontecer.
Ele até que dirigia bem, quando a velocidade estava razoável, eu tinha que admitir isso.
Como tantas outras coisas, isso não parecia requerer nenhum esforço da parte dele. Ele
mal olhava para a estrada, mas mesmo assim, os pneus não sem desviaram nem um
centímetro da linha no centro da estrada. Ele dirigiu com uma mão só, segurando a
minha mão no banco do carro. As vezes ele olhava para o sol se pondo, as vezes ele
olhava pra mim-meu rosto, meu cabelo voando ao vento da janela aberta, nossas mãos
juntas.
Ele ligou o rádio numa estação de músicas antigas e cantou uma canção que eu nunca
tinha nem ouvido. Ele conhecia cada frase.
"Você gosta das músicas dos anos cinquenta?", eu perguntei.
"As músicas nos anos cinquenta eram boas. Muito melhor do que as dos anos sessenta e
setenta, ugh!", ele tremeu. "As dos anos oitenta eram suportáveis".
"Você vai me contar quantos anos você tem?", eu perguntei, fazendo uma tentativa, sem
querer estragar o seu humor animado.
"Isso importa muito?", ele sorriu, pra meu alívio, ainda animado.
"Não, mas eu ainda imagino...", eu fiz uma careta. "Não há nada como um mistério não
resolvido pra te manter acordada de noite".
"Eu me pergunto se isso vai te aborrecer", ele refletiu consigo mesmo. Ele olhou para o
sol; os minutos passaram.
"Me teste", eu disse finalmente.
Ele suspirou, e olhou pra os meus olhos, parecendo se esquecer completamente da
estrado por um tempo. O que quer que ele tenha visto lá deve ter encorajado ele. Ele
olhou para o sol -a luz do por do seu fez ele brilhar como um rubi -e ele falou.
"Eu nasci em Chicago, em 1901". Ele parou e olhou para mim pelo canto dos olhos.
Meu rosto estava cuidadosamente insurpreendido, pacientemente esperando pelo resto.
Ele deu um pequeno sorriso e continuou. "Carlisle me encontrou em um hospitam em
1918, eu tinha dezessete anos e estava morrendo com a gripe Espanhola".
Ele ouviu quando eu prendí o fôlego, apesar do som ter sido baixo até para os meus
próprios ouvidos. Ele olhou para os meus olhos de novo.
"Eu não me lembro muito bem-já foi há muito tempo e as memórias humanas
desaparecem". Ele ficou perdido em pensamentos por um breve período de tempo e
então continuou. "Eu me lembro de como eu me sentí, quando Carlisle me salvou. Não
é uma coisa fácil, algo que você esquece".
"Seus pais?"
"Eles já tinham morrido com a doença. Eu estava sozinho. Foi por isso que ele me
escolheu. Como todo aquele caos da epidemia, ninguém se deu conta de que eu tinha
desaparecido".
"Como foi que ele... te salvou?"
Alguns segundos se passaram antes que ele respondesse. Ele parecia estar escolhendo as
palavras cuidadosamente.
"Foi difícil. Nem todos de nós tem controle suficiente pra completar a transição. Mas
Crlisle sempre foi o mais humano, sempre o que teve mais compaixão entre nós...Eu
não acho que você encontraria outra pessoa igual a ele em toda a história". Ele parou.
"Pra mim foi meramente muito, muito doloroso".
Eu podia ver pelos seus lábios que ele não falaria mais nada sobre esse assunto. Eu
suprimi minha curiosidade, apesar dela não estar nem um pouco saciada. Haviam ainda
muitas coisas sobre esse assunto nas quais eu precisava pensar, coisas que estavam
apenas começando a aparecer na minha cabeça. Sem dúvida, sua mente rápida já havia
compreendido cada aspecto que ainda me confundia.
Sua voz suave interrompeu meus pensamentos. "Ele agiu por causa da solidão.
Geralmente essa é a razão por trás da escolha. Eu fui o primeiro da família de Carlisle,
apesar dele ter achado Esme logo depois. Ela caiu de um abismo. Eles levaram ela
direto para o necrotério do hospital apesar de, de alguma forma, o coração dela ainda
estar batendo".
"Você precisa estar morrendo, então, pra se tornar um...", eu nunca havia pronunciado a
palavra, e não conseguí falá-la agora.
"Não, isso é só com Carlisle. Ele nunca faria isso com alguém que tem outra escolha".
O respeito na voz dele era sempre muito profundo quando ele falava na sua figura de
pai. "Contudo, ele diz que é mais fácil", ele continuou.
"Se o sangue estiver mais fraco", ele olhou para a estrada agora escura, e eu pude sentir
que ele estava fechando o assunto de novo.
"E Emmett e Rosalie?"
"Carlisle trouxe Rosalie para a nossa família logo depois. Só muito tempo depois eu
percebí que ele esperava que ela fosse pra mim o que Esme era pra ele-ele era
cuidadoso com os seus pensamentos quando estava perto de mim". Ele revirou os olhos.
"Mas ela nunca foi nada além de uma irmã. Foi apenas dois anos depois que ela
encontrou Emmett. Ela estava caçando-estávamos em Appalachia nessa época-e
encontrou um urso a ponto de acabar com ele. Ela carregou ele até Carlisle, andando por
mais de cem quilometros, como medo de não conseguir fazer sozinha. Só agora eu
começo a imaginar como aquela jornada foi difícil pra ela". Ele deu uma olhada pra
mim e levantou nossas mãos, ainda juntas, e acariciou a minha bochacha com as costas
da mão dele.
"Mas ela conseguiu", eu encorajei, desviando o olhar da beleza insuportável dos seus
olhos.
"Sim", ele murmurou. "Ela viu alguma coisa no rosto dele que fez ela ser forte o
suficiente. E eles estão juntos desde então. Mas quanto mais jovens fingimos ser, por
mais tempo podemos ficar em um só lugar. Forks parecia ser perfeito, então todos nós
entramos na escola". Ele riu. "Eu acho que teremos que ir ao casamento deles daqui á
alguns anos, de novo".
"Alice e Jasper?"
"Alice e Jasper são duas criaturas muito raras. Eles dois adquiriram a consciencia, por
assim dizer, sem nenhum tipo de ajuda.
Jasper perteceu á outra... família, um tipo de família muito diferente. Ele ficou muito
deprimido, e então resolveu vagar sozinho. Alice encontrou ele. Assim como eu, ela tem
certos dons fora do comum para a nossa espécie".
"Mesmo?", eu interrompí, fascinada. "Mas você disse que era o único que podia ler
mentes".
"Isso é verdade. Ela sabe outras coisas. Ela vê coisas-coisas que podem acontecer,
coisas que estão por vir. Mas é muito subjetivo. O futuro não está cravado em uma
pedra. As coisas podem mudar".
Ele comprimiu a mandíbula quando disse isso, e seus olhos olharam para os meus e se
viraram tão rápido que eu não tenho certeza se foi só imaginação.
"Que tipo de coisas ela vê".
"Ela olhou pra Jasper e soube que ele estava procurando por ela antes que ele mesmo
soubesse. Ela viu Carlisle e nossa família e os dois vieram juntos nos encontrar. Ela é
sempre mais sensível com os não-humanos. Ela sempre vê, por exemplo, quando outro
grupo da nossa espécie está se aproximando. E que tipo de problemas eles podem
representar".
"Existem muitos... da sua espécie?". Eu estava surpresa. Quantos deles estariam
andando entre nós sem serem detectados?
"Não, não muitos. Mas a maioria não se firma em um só lugar. Só aqueles como nós,
que desistiram de caçar pessoas"-uma olhadela na minha direção-"podem viver perto
de humanos por qualquer período de tempo. Nós só encontramos uma outra família
como a nossa, num pequeno vilarejo no Alaska. Nós vivemos juntos por algum tempo,
mas éramos tantos que começou a dar nas vistas. Aqueles que são...diferentes de nós
costumam formar bandos".
"E os outros?"
"Nômades, em grande parte. Nós todos já vivemos assim as vezes. Acaba ficando
tedioso, como todo o resto. Mas de vez em quando nós esbarramos uns nos outros,
porque a maioria de nós prefere o Norte".
"Porque isso?"
Estávamos parados na frente de casa agora, e ele desligou a caminhonete. Estava tudo
muito quieto e escuro; não havia lua. A luz da varanda estava desligada, então eu sabia
que meu pai ainda não estava em casa.
"Seus olhos estavam abertos essa tarde?", ele zombou. "Você acha que eu poderia andar
numa rua á luz do sol sem causar alguns acidentes de trânsito? Há uma razão pela qual
escolhemos a Penínsulo do Olímpico, um dos lugares com menos sol no mundo inteiro.
Você não acreditaria no quanto pode se cansar da noite, depois de oitenta anos".
"Então é daí que vêm as lendas?"
"Provavelmente."
"E Alice vem de outra família, como Jasper?"
"Não, isso é um mistério. Alice não se lembra de absolutamente nada da sua vida
humana. E ela não sabe quem a transformou. Ela acordou sozinha. Quem quer que seja
que transformou ela, fugiu, nenhum de nós entende como, ou porque ele fez isso. Se ela
não tivesse essa outra sensibilidade, se não tivesse encontrado Jasper e Carlisle e visto
que poderia se tornar uma de nós, ela podia ter se transformado numa selvagem".
Havia tanto em que pensar, tantas coisas que eu ainda queria perguntar. Mas, para a
minha grande vergonha, meu estômago roncou. Eu estava tão intrigada, que nem reparei
que estava com fome. Agora eu via que era uma fome voraz.
"Me desculpe, eu estou atrapalhando o seu jantar".
"Eu estou bem, de verdade".
"Eu naunca passei tanto tempo perto de uma pessoa que come comida. Eu esquecí".
"Eu quero ficar com você". Era mais fácil dizer na escuridão, sabendo que a minha voz
ia me trair, trair a minha completa obsessão por ele.
"Eu posso entrar?", ele perguntou.
"Você quer?", eu não conseguia imaginar a cena, essa criatura divina sentada nas
cadeira rotas da cozinha do meu pai.
"Sim, se estiver tudo bem". Eu ouví a porta se fechar baixinho, e quase ao mesmo
tempo ele estava ao meu lado, abrindo a porta pra mim.
"Muito humano", eu cumprimentei ele.
"Eu estou definitivamente resurgindo".
Ele caminhou ao meu lado na noite, tão quieto que eu tinha que observar
constantemente pra ver se ele ainda estava lá. Na escuridão ele parecia muito mais
normal. Ainda pálido, ainda com sua beleza saida de um sonho, mas não mais aquela
criatura brilhando no sol da tarde.
Ele alcançou a porta antes e abriu ela pra mim. Eu parei a meio caminho da entrada.
"A porta estava aberta?"
"Não, eu usei a chave que tem embaixo do tapete".
Eu entrei, acendí a luz da varanda, e me virei pra olhá-lo com as sobrancelhas erguidas.
Eu tinha certeza que nunca havia usado aquela chave na frente dele.
"Eu estava curioso sobre você".
"Voce me espionou?", mas eu não consegui colocar um tom apropriado de ultraje na
minha voz. Eu estava lisonjeada.
Ele não parecia arrependido. "O que mais há pra fazer de noite?"
Eu deixei essa passar no momento e fui caminhando no corredor até a cozinha. Ele já
estava lá antes de mim, sem precisar de guia. Ele sentou exatamente na cadeira onde eu
estava tentando imaginá-lo. Levou um momento até que eu pudesse desviar o olhar.
Eu me concentrei no meu jantar, tirando a lasanha da noite passada da geladeira,
colocando um pedaço num prato e colocando pra esquentar no microondas. Ela girou,
enchendo a cozinha com o cheiro do tomate e do orégano. Eu não tirei os olhos do meu
prato de comida enquanto falava.
"Com que frequência?", eu perguntei casualmente.
"Hmmm?" Ele soou como se eu tivesse tirado ele de outra linha de pensamento.
Eu ainda não me virei. "Com que frequência você vem aqui?"
"Eu venho aqui quase todas as noites".
Eu me virei, aturdida. "Porque?"
"Você é muito interessante quando dorme", ele falou como se estivesse atestando um
fato. "Você fala".
"Não!",eu fiquei ofegante. O calor começou a flir no meu rosto até chegar ao meu
cabelo. Eu me agarrei no balcão da cozinha pra ter suporte. Eu sabia que falava durante
o sono, é claro; minha costumava zombar de mim por causa disso. No entanto, eu não
pensava que era algo com que eu precisaria me preocupar aqui.
Sua expressão se transformou instantaneamente em uma de pesar. "Você está com raiva
de mim?"
"Isso depende!", eu soei como se tivesse levado um soco no estômago.
Ele esperou.
"Do que?", ele implorou.
"Do que você ouviu!", eu gemí.
Instantaneamente, silenciosamente, ele estava ao meu lado, segurando minhas mãos
cuidadosamente com as suas.
"Não fique brava!", ele implorou. Ele baixou seu rosto até o nível dos meus olhos,
segurando meu olhar. Eu estava com vergonha. Eu tentei desviar o olhar.
"Você sente falta da sua mãe", ele sussurou. "Você se preocupa com ela. E então tem a
chuva, o barulho não te deixa dormir. Você costumava falar muito de casa, mas agora
não é tão frequente. Uma vez você disse 'é muito verde'". Ele sorriu levemente,
esperando, como eu pude ver, que ele não tivesse me ofendido demais.
"Algo mais?", eu perguntei.
Eu sabia o que estava por vir. "Você disse meu nome", ele admitiu.
Eu suspirei me sentindo derrotada. "Muito?"
"O que exatamente você quer dizer com 'muito'?"
"Oh, não!", minha cabeça caiu.
Ele me puxou para seus braços, suavemente, naturalmente.
"Não fique constrangida", ele sussurou no meu ouvido. "Se eu pudesse sonhar, eu
sonharia com você. E eu não me envergonho disso".
Então nós dois ouvimos os barulhos dos pneus na calçada de tijolos, vimos os faróis
brilharem pela janela da frente, no corredor perto de nós. Eu enrijeci nos braços dele.
"Seu pai deve saber que eu estou aqui?", ele perguntou.
"Eu não tenho certeza...", eu tentei pensar com clareza.
"Outra vez então".
E eu estava sozinha.
"Edward!", eu chamei.
Eu ouví uma gargalhada fantasmagórica, e nada mais.
Meu pai virou a chave na porta.
"Bella?", ele chamou. Isso havia me aborrecido antes; quem mais poderia ser? Agora
isso não parecia mais tão anormal.
"Eu tô aqui". Eu esperava que ele não ouvísse o tom histérico da minha voz. Eu tirei o
meu jantar do microondas e coloquei em cima da mesa enquanto ele entrava. Os passos
dele pareceram muito barulhentos depois do meu dia com Edward.
"Você pode pegar um pouco disso pra mim? Eu estou faminto". Ele ficou na pontas das
botas pra tirá-las, usando o encosto da cadeira de Edward como suporte.
Eu levei minha comida comigo, assoprando enquanto pegava a comida dele. Eu queimei
minha boca. Eu peguei dois copos de leite enquanto a comida dele esquentava, e dei um
gole no meu pra apagar o fogo.
Enquanto eu colocava o leite na mesa, eu percebí que minha mão estava tremendo.
Charlie sentou na cadeira, o contraste entre ele e o ocupante anterior era cômico.
"Obrigado", ele disse quando eu coloquei o seu jantar sobre a mesa.
"Como foi seu dia", eu perguntei. As palavras saíram rápidas; eu estava morrendo de
vontade de fugir de lá.
"Bom, os peixes estavam mordendo a isca... e o seu? Você fez tudo que queria fazer?"
"Não-estava bonito demais lá fora pra ficar em casa". Eu dei outra grande mordida.
"Foi um dia bom", ele concordou. Que declaração, eu pensei comigo mesma.
Terminada a lasanha, eu levantei meu copo de leite e bebi o resto no copo.
Charlie me surpreendeu com sua observação. "Com pressa?"
"É, eu tô cansada. Vou dormir mais cedo".
"Você parece bem disposta". Oh, porque, porque de todas as noites ele tinha que estar
prestando atenção hoje?
"Pareço?", foi tudo que eu consegui responder. Eu rapidamente lavei os meus pratos na
pia, e coloquei eles de cabeça pra baixo num pano de prato seco pra secarem.
"É Sábado", ele zombou.
Eu não respondi.
"Não tem planos pra essa noite?", ele perguntou de repente.
"Não, pai, eu só quero dormir um pouco".
"Nenhum dos garotos da cidade faz o seu tipo, né?", ele estava parecendo suspeitar de
alguma coisa,mas fingia levar numa boa.
"Não, nenhum dos garotos chamou minha atenção ainda". Eu tomei cuidado para não
enfatizar a palavra garotos na minha urgência de ser honesta com Charlie.
"Eu pensei talvez que Mike Newton...você disse que ele era amigável"
"Ele é só um amigo, pai!"
"Bem, de qualquer forma, você é boa demais pra eles. Espere pra entrar na faculdade
antes de procurar". O sonho de todos os pais, que suas filhas estivessem fora de casa
antes dos hormonios começarem a se manifestar.
"Parece uma boa idéia pra mim", eu concordei enquanto subia as escadas.
"Boa noite, querida", ele falou atrás de mim. não tenho dúvidas de que ele passou a
noite inteira espionando pra ver se ia fugir no meio da noite.
"Te vejo de manhã, pai". Te vejo mais tarde quando você estiver se enfiando no meu
quarto pra me espiar.
Eu tentei fazer um som lento e cansado enquanto subia as escadas. Eu fechei a porta alto
o suficiente pra ele ouvir, e então fui na ponta dos pés até a janela. Eu abri ela e
coloquei a cabeça pra fora dentro da noite. Meu olhos procuraram na escuridão, nas
sombras impenetráveis das árvores.
"Edward?", eu sussurei me sintindo uma perfeita idiota.
A resposta baixa e risonha veio de trás de mim. "Sim?"
Eu me virei, uma mão voou pra a minha garganta por causa da surpresa.
Ele estava deitado na minha cama, com um enorme sorriso no rosto, as mãos atrás da
cabeça, seus pés estavam passando do fim da cama, a perfeita imagem da tranquilidade.
"Oh", eu respirei, caido na chão sem equilíbrio.
"Me desculpe". Ele apertou os lábios, tentando esconder que estav